Corredor da morte

O programa Corredor do Poder aponta alto:

Os cinco comentadores permanentes do “Corredor do Poder” são: Ana Drago, Margarida Botelho, Nuno Melo, Marcos Perestrello e Marco António Costa.
Com este painel de comentadores, do qual resulta uma média etária relativamente jovem para este tipo de programas, procuramos dar voz a novos argumentos e a novas ideias sobre Portugal e o mundo.

O elenco está particularmente bem constituído, equilibrado nas capacidades retóricas e prototípico da política profissional. Nele destaca-se Margarida Botelho, uma autêntica alfaia agrícola de fabrico soviético. Nem o Carvalhas conseguia ser tão fanático. Os restantes são mais convencionais nisso de se mostrarem conscientes da hipocrisia ritualmente cultivada. Limitam-se a representar, enquanto a Margarida acredita mesmo no que diz. De facto, não se pode ser comunista sem fé numa transcendência dialéctica, isso é certo.


Todavia, e ao contrário da promessa, estes relativamente jovens políticos já se apresentam calejados, venenosos e gastos. E limitam-se a reproduzir, exactamente, as tipologias dos debates parlamentares e televisivos a que sempre assistimos desde o 25 de Abril — e que se foram progressivamente deteriorando com o abandono de figuras muito mais cultas, corajosas e bem-humoradas. Três destas jovens promessas têm tido constante e intensa exposição nos últimos anos, casos de Nuno Melo, Ana Drago e Marco António Costa. São já vedetas, e reclamam esse tratamento em cada pose narcísica, cada sarcasmo compulsivo, cada emoção alienada. Foi assim que aprenderam com aqueles que admiram, os quais querem imitar o melhor que puderem. Discursam para a sua tribo, levam muito a sério o protocolo mediático, ignoram a comunidade; ou seja, não pensam antes de falar, são espasmódicos.

Dirão os derrotados que nem os novos políticos conseguem fugir à desgraça que nos desgraça. Que são todos iguais, velhos ou novos, da esquerda ou direita. E têm razão, os derrotados. Só que o problema dos derrotados está em ficarem reduzidos à sua razão, esquecendo que não têm a razão toda. Sim, nos partidos sempre se encontraram estas toupeiras fura-vidas. E elas devem ser observadas com atenção, conhecerem-se os seus hábitos, estudarem-se os seus ambientes. Para serem mantidas à distância, ou expulsas, dos terrenos onde nasçam os tais novos argumentos e novas ideias sobre Portugal. É que não precisamos de mais antagonismo estéril, de mais fantochadas carreiristas. Queremos é lutas criadoras.

Quem foge da política por causa da fauna que habita nos corredores do poder, está a escolher o corredor da morte. A morte da sua liberdade, que não há outra que não seja a que se realiza na comunidade. Eu a ti, preferia antes o confronto com a bicharada. Até porque, mesmo que percas, nunca te perdes.

6 thoughts on “Corredor da morte”

  1. É dum gajo desesperar, não é? A minha preferida é a Margarida, vai ser difícil, muito difícil, arranjar alguém que ultrapasse aquela consonância irrepreensível entre forma e conteúdo. Eu cá acho que a rapariga foi feita por encomenda.

  2. Aristes, a Margarida é mais comunista do que o Lenine e Estaline juntos.
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    manuelmgaio, explica lá isso melhor. Estamos aqui é para aprender uns com os outros.

  3. O comunismo tem muito de crença e de fé, tal como a religião. O verdadeiro comunista acredita no comunismo como muito católico acredita em Deus e nos seus mandamentos. Em ambos os casos, o problema está naqueles que, de repente, se atrevem a pensar sobre os dogmas…

  4. Dr. Mento: Está a falar por si? Ou donde é que colheu tão profunda sabedoria? Então alguns católicos não acreditam em Deus? Leia lá bem o que escreveu e tente outra vez.

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