– A direita portuguesa tem tido pesadas baixas. Enquanto Soares e Cunhal esgotaram o prazo de validade, tendo deixado património político que continua hoje a ser valioso para as respectivas casas, e até apareceu um Louçã a federar extremismos e conquistar centro corporativo, na direita há uma sucessão de tragédias: Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e Lucas Pires morrem no auge das suas capacidades, com ainda muito para dar aos seus partidos e a Portugal; Cavaco abandonou o PSD à desorientação que só tem conhecido agravamento; Manuel Monteiro e Portas não passaram de canastrões, ocos; Freitas do Amaral criou escândalo ao ousar ser livre, ao ousar ser igual a si próprio. Recentemente, foi a vez de cair um dos mais poderosos bastiões do tecido simbólico da direita, o castelo de Jardim Gonçalves. O BCP foi sempre algo que transcendia o dinheiro e o status, era também uma expressão do catolicismo calvinista, onde o lucro mais opulento premiaria o puritanismo mais doentio. Daí se ter promovido a associação ao Opus Dei, servindo a propalada imagem de administradores e gestores de topo em rituais de mortificação e sevícias corporais, ou em subterrâneos combates com a Maçonaria, como marketing viral para consumo jornalístico e popular. A Igreja parecia caucionar a luxúria do capital, o cosmos estava bem ordenado. Então, quando o pater familias das fortunas nacionais foi apanhado com as calças na mão, depois de uma desastrada sucessão para Teixeira Pinto que ninguém poderia antecipar vir a correr tão mal, a direita levou um soco na boca do estômago e foi ao tapete. O silêncio que ainda hoje rodeia a exposição da vulgaridade concupiscente das figuras cúmplices de Jardim Gonçalves é a manifestação de um verdadeiro tabu na sociedade portuguesa. Todo o respeitinho é pouco quando se fala deste caso, até na esquerda mais desvairada.
Todos os artigos de Valupi
Verdadinha – Essa palavra
MFL – […] Eu devo dizer que aquilo que mais me preocupou, que mais me espantou, é como é que foi possível que um primeiro-ministro ao falar do País, e ao falar do futuro do País, não pronunciou uma única vez a palavra que definia aquilo que é o problema do País. Como é que isso foi possível?…
AL – As pequenas e médias empresas?*
MFL – Não! O problema do País é o endividamento do País. Ele nunca pronunciou essa palavra. E, portanto, o Primeiro-Ministro consegue uma coisa absolutamente extraordinária que é falar da situação actual do País, perspectivar o País para a frente, sem falar neste ponto que é essencial. Ou seja, não tem como problema… como é… o problema do País. E, portanto, não vai nunca conseguir fazer crescer o País, só vai conseguir fazê-lo empobrecer, como de resto tem acontecido.
A Manela não tem qualquer solução para Portugal, mas tem uma palavra que os portugueses devem fixar: endividamento. Estamos tesos, diz ela. E estar teso tem vantagens, simplifica a realidade. Queres gastar? Não gastas. Queres investir? Não investes. Queres criar riqueza? Querias. Portugal é um débito, uma parcela negativa, um vazio. E é esse vazio que temos de respeitar, celebrar e adorar. Porque é ele que nos dá, bem lá no fundinho da alma salazarista, esse reconforto cálido, viscoso, de nos sabermos pobretes e alegretes, sem assumir responsabilidades, sem enfrentar riscos, fugindo das dúvidas ainda mais depressa do que das dívidas, e deixando aos outros, aos doutores que nos avisam pressurosos, a tarefa de nos manterem miseráveis e em paz. Já o Sócrates, esse malandro, tudo o que fez foi para empobrecer o País. Ele só pensa em gastar, gastar, gastar. Gastar o que tem e o que não tem. Gastar o que é nosso, o que pertence à gente séria e trabalhadora. Pois se ele nem fala no endividamento, que é um problema que se resolve fechando a torneira, como é que o estroina pode continuar a ser Primeiro-Ministro?!
A Manela não mente. Verdade verdadinha.
__
* Ana Lourenço propôs 5 palavras na tentativa de adivinhação da palavra que definia o problema do País. É um sinal. E bem bonito, por sinal.
Começa gay, mas depois fica alegre
Verdadinha – O meu projecto pró País
AL – Ganhar as eleições significa que primeiro tem de convencer os portugueses de que o seu projecto pró País é melhor do que o do engenheiro Sócrates. Quando é que vamos conhecer o seu projecto pró País…?
MFL – Bom, eu acho que o meu projecto pró País tem estado, …, durante, …, ao longo de todo este tempo em que estou à frente da liderança do partido, que tem estado a definir, verdadeiramente, quais são as diferenças. Eu julgo que neste momento existem poucas dúvidas acerca das diferenças de projecto que eu tenho e que tem o engenheiro Sócrates. Isso acho que é claro. Mas, evidentemente, que nós haveremos de concretizar mais pormenorizadamente quando apresentarmos o nosso programa eleitoral; que não deixaremos de apresentar, como calcula.
A Manela tem um projecto pró País. É claro que tem. Só precisa de um pequeno toque, algo como isso de se concretizar mais pormenorizadamente quando aparecer o programa. Até lá, esse projecto existe num plano abstracto, intangível, por isso inefável, o que não impede que seja claramente diferente do projecto do engenheiro Sócrates. Porque tem vindo a ser definido através da sua simples presença à frente da liderança do partido, é claro. Alguém vê o engenheiro Sócrates à frente da liderança do PSD? Alguém? Ninguém, pois não? Então, calai-vos.
A Manela não mente. Verdade verdadinha.
Contra o Ponto Contraponto
É bom que o programa do Pacheco exista, particularmente por aparecer em período eleitoral. É bom para estarmos contra o seu autor, o qual presta um mau serviço à cultura e sociedade portuguesas. E o mau serviço não resulta das suas opiniões estarem cheias da bílis gerada na cruzada contra Sócrates, nem de ser um dos mais importantes apoiantes e conselheiros de Ferreira Leite, nada disso. Esse é o lado legítimo e folclórico.
O problema com o Pacheco é a sua superficialidade e ignorância. Parece paradoxal, num ser que ganha a vida a transmitir informações, e cuja fama é a de ser um intelectual sofisticado. Só que não há outra conclusão a tirar, pois é ele que revela a sua inanidade. Por exemplo, um dos motes centrais na sua retórica é o de que vivemos tempos excepcionalmente adversos para a liberdade de expressão. Esta ideia é repetida à exaustão vai para três anos, com especial intensidade nos dois últimos. Com ela o Pacheco consegue manter um papel activo e relevante na campanha negra, explorando as zonas fronteiriças entre a insinuação e a insídia. Porém, o que ele nunca faz é demonstrar, apresentar nomes, dar elementos objectivos a montante da sua interpretação subjectiva. Quando fala de pressões a jornalistas, de que fala exactamente? Do que um jornalista lhe contou ou do que ele testemunhou? E como sabe ele que lhe estão a contar a verdade se for apenas essa a sua fonte de informação? E por que razão esse jornalista não formalizou a queixa junto das várias autoridades competentes? E por que razão, se o Governo é useiro e vezeiro nessa prática opressora, não há provas coligidas pelas vítimas e opositores políticos? Ou será que as pressões são do tipo que o Crespo descreveu, onde há um Ministro que lhe telefona para discutir um aspecto politicamente inócuo da sua prestação? Acima de tudo, e este é que é o aspecto decisivo na deontologia e honestidade intelectual do prolífico autor, quais os critérios com que aferiu ser este tempo pior do que tempos passados para a vivência da liberdade? Temos polícias políticas e ainda ninguém foi avisado? Há perseguições a quem ataca o Governo ou Sócrates, e por isso são muito poucos os que se atrevem a fazê-lo? Haverá menos meios de comunicação do que costumava haver a ponto de se ter reduzido a liberdade? É hoje o cidadão um ser que diminuiu as possibilidades de se ligar a outros cidadãos e comunicar interpessoal e publicamente? Está, no presente, a informação menos disponível do que no passado? Com Sócrates há menos liberdade de expressão do que no cavaquismo? Do que com Guterres? Do que com Sá Carneiro? Do que no PREC? De que estás a falar, Pacheco?
A leitura de um texto tontinho do pequenino foi o seu momento zen. E na abertura do Correio da Manhã esteve o grande acontecimento deste primeiro programa. Porque lhe deu para falar do putedo. Coisa de homem, e de homem na crise de ser homem. Então, anunciou aos telespectadores que vai para aí um putedo que faxavor. Desemprego, hipotecas e putedo, eis o retrato do Portugal de Sócrates visto da Marmeleira. E eu levantei os braços e gritei alarmado, a ponto de ter assustado a vizinha do 4º andar, quando ele disse que tinha sido só por causa da feitura do Ponto Contraponto que reparou no fenómeno de haver tantos anúncios de serviços sexuais nos jornais. É que se o Pacheco não sabia disso até finais de Junho de 2009, eu tenho agora a certeza de vivermos tempos infames onde a liberdade é algo só ao alcance de quem se prestar a fazer um programa de televisão, nem que para isso tenha de juntar mais uns trocos aos seus rendimentos.
Que putedo que anda para aí, sim senhor.
Abriu a bilheteira para o ticket Cavaco-Manela
A figura política que realmente mudou nos últimos tempos, desde o Verão de 2008, não se chama Sócrates nem Ferreira Leite, embora tenha mudado por causa destes. É uma figura que se imagina um predestinado, que alimentou o provinciano mito da infalibilidade e cuja ambição colide com os próprios fundamentos do regime: Cavaco.
A questão do Estatuto dos Açores, que se segue à alteração de liderança no PSD e marca o fim da cooperação estratégica, foi inteiramente criada pelo Presidente da República ao não ter enviado para o Tribunal Constitucional o artigo 114º. Ninguém entendeu o porquê desse absurdo, mas foi esse absurdo que levou à mais absurda declaração presidencial de que há memória em Portugal, em 31 de Julho de 2008. Seguiram-se meses de crescente conflito entre a Presidência e o Governo/PS — com constantes e obscenas intervenções de publicistas a promover cenários catastrofistas apenas salvos por Governos de iniciativa presidencial — culminando com o discurso de Ano Novo onde se fez da campanha negra o racional estratégico para o tandem Cavaco-Manela: falar verdade.
Continuar a lerAbriu a bilheteira para o ticket Cavaco-Manela
Um facto político que nos deve encher de esperança
Não estou
Dentro de poucas horas lerei o Expresso, e haverá uma qualquer resposta de Sócrates, por isso resta um breve período de tempo em que estamos no limbo. Estamos, os que estão a pensar no assunto; outros já chegaram a conclusões, deixando aí de pensar. E pensar implica ter de relacionar Janeiro com Junho, o que dá seis meses, afiança a minha máquina de calcular. Seis meses em que se diz que um Executivo (ou seja, vários Ministros, muitos mais Secretários de Estado, muitíssimos mais funcionários menores) estaria em conversações com outro Executivo (é repetir o cálculo), e pelo meio ainda se envolviam dezenas de outros indivíduos ligados à PT e à Prisa, entre administradores, directores, esposas e criadagem. Este apenas o primeiro círculo, depois vem o do PS e PSOE, mais o de accionistas, jornalistas e conspiracionistas. Tudo somado, gente comó caralho.
Então, ’tá bem. Em Janeiro era assim, o baile armado. Que se deveria seguir? Algo lógico, sensato, inteligente, como isso de Sócrates introduzir o assunto no Congresso do PS. Obviamente. Se a intenção era a de afastar Moniz, ou controlar a estação, usando o genial estratagema de a comprar para a PT, é logo o que ocorre: transformar a TVI num incontornável opositor político. Por isso, não satisfeito com o número do Congresso, Sócrates voltou à carga em entrevistas, até disse que aquilo era um pardieiro de travecas. Isto foi feito assim, à doida, porque ele queria garantir que a ninguém escaparia a grandiosidade do seu diabólico plano. E toda a trupe que ia negociando a marosca ibérica estava de acordo, acharam impecável que Sócrates estivesse a criar as condições para uma explosão política quando inevitavelmente se soubesse da intenção das partes.
Até que saiu a informação cá para fora. E o Presidente da República terá sido informado só nessa altura, pois apesar de haver tanto cidadão português e espanhol a negociar a entrega da cabeça de Moniz numa bandeja a Sócrates, e durante meio ano, a Belém não chegou nem um vagido que fizesse Cavaco franzir o sobrolho. Coisas que acontecem aos melhores estadistas, mesmo aqueles que têm dezenas de assessores tão conhecedores dos mundos paralelos e oblíquos da governação. Seja como for, o Presidente chegou-se à frente com um salto felino e disse Pára tudo. E parou.
Sócrates, desde o pico do Inverno em conversas para abafar a Moura Guedes, com encontros às claras com responsáveis daqui e dali só para resolver esse assunto, alvo de uma extraordinária campanha de destruição de carácter onde o pintam como mentiroso, decidiu que a Assembleia da República era o melhor local da galáxia para declarar não ter sido informado do eventual negócio. E esta declaração é feita no final da Legislatura, a 3 meses das eleições. Porquê? Porque assim os veraneantes têm no que falar ao irem a banhos, a oposição fica animada, os jornalistas chafurdam e o eleitorado começa a escolher a árvore onde o vai enforcar. Pois, ó pá, esta situação é fatalmente decisiva para o futuro político nacional, até porque parece inverosímil, inacreditável e irreversível.
E agora, que vai Sócrates dizer e fazer? Não faço a menor ideia. Não sei se é culpado ou inocente, honesto ou mentiroso. Eu nem sei se ele tem sangue ou veneno nas veias. Mas sei isto: se há razões para sair, que seja rápida a transição para o novo chefe do PS. Até lá, ou até nunca, não quero estar ao lado de capas de jornais que entusiasmam pulhas e imbecis. E não estou.
Anabela de Malhadas
Os economistas que nos enfiaram nesta crise não são intelectualmente superiores à deliciosa Anabela e seus palpites.
Verdadinha – Ganhar as eleições é
MFL – […] Mas antes disso acho que… não nos vale a pena perdermos em preocupações que não são as fulcrais. As fulcrais, para mim, é ganhar as eleições. E ganhar as eleições significa ter mais votos que o Partido Socialista. Ganhar as eleições significa impedir que o engenheiro Sócrates continue à frente do poder.
A Manela tem uma concepção dupla do que seja a vitória nas eleições Legislativas. Pode ser ter mais votos do que o PS, mesmo que tenha menos votos do que outro partido qualquer. Pode ser afastar o engenheiro Sócrates, mesmo que tenha menos votos do que o PS. Tanto faz, uma das possibilidades chegará para se declarar vitoriosa. Por isso, fogo à peça, vamos a eles, esta merda é toda nossa. Ganhar não importa para quê, ou afastar o engenheiro não importa como, eis o fulcro das suas preocupações, eis a mensagem que importa passar aos portugueses.
A Manela não mente. Verdade verdadinha.
Verdadinha – A despeito dessa desunião
AL – Consegue contar com todos?… Luís Filipe Menezes desafiava, há poucos dias, numa entrevista, a mostrar que é capaz de unir o partido…
MFL – O partido tem sempre… toda a vida houve, e haverá sempre, uma ou outra pessoa que pode estar em discordância com a direcção do partido, mas isso não significa a falta de união do partido. Porque se houvesse desunião no partido, então eu diria que nós tínhamos ganho as eleições a despeito dessa desunião. E eu acho que não, eu acho que o partido esteve unido para ganhar as eleições.
A Manela limita-se a reproduzir a evidência: o partido está unido. É, de resto, o que todos dizem. Dirigentes, militantes, comentadores, jornalistas e opinião pública, incluindo a minha vizinha do 4º andar, fazem coro há 1 ano na mesma cantilena. Ninguém conhece desavenças dentro do PSD, nem antes da campanha, nem durante a campanha, nem logo após as eleições, nem quanto à política de alianças, nem quanto a cenários pós-Legislativas. O partido esteve unido para ganhar as eleições, afirma Ferreira Leite. Se alguém não acreditar nas suas palavras, é só por despeito.
A Manela não mente. Verdade verdadinha.
Verdadinha – Barões e baronetes
AL – Mas não houve esse empenho genuíno… Não foi transversal ao partido. O próprio Paulo Rangel, depois das eleições, disse aqui na SIC Notícias, num frente-a-frente, que a ausência, assim muito forte, de barões e baronetes, estou a citá-lo, acabou, se calhar, até por ajudar à campanha. Considera que é preciso afastar um pouco barões e baronetes, mostrar uma imagem completamente diferente do partido?
MFL – Não, não acho que seja essencial afastar-se… Quando se fala em barões e baronetes significa, enfim, pessoas com peso dentro do partido, pessoas que têm enorme peso na sociedade civil, que durante anos foram enormes contributos que muito prestigiaram o partido, que desempenharam funções importantíssimas no partido, no País, e eu acho que não os devemos desprezar, não devemos esquecer o seu papel importante.
A Manela está agradecida aos barões e baronetes. Porque pesam. Pesam dentro do partido, pesam fora do partido, são malta da pesada. Têm massa, deduz-se. A gravidade está com eles, a ligeireza com os outros que pretendem desprezar pessoas tão importantes [Rangel, espero que estejas a tomar notas]. O PSD pertence a essas pessoas, foram elas que fizeram o sucesso do cavaquismo, por exemplo, que tanta coisinha boa deu a ganhar a barões, baronetes, condes redondos, duques falidos, marquesas e marquises. Foi essa nobreza social-democrata que preencheu as vagas nos Governos Barroso e Santana; Governos bem bons, por sinal, cheios de pesos-pesados do coisa e tal. E são eles, coitadinhos, com quem a Manela conta para voltar ao poder, nada de caras novas que só poderiam causar estranheza e confusão. Alguns dos barões e baronetes estão com umas chatices legais e políticas, contratempos que só acontecem a quem ganha a vida a trabalhar honestamente, mas nada que não se resolva em família assim que esta voltar à casa donde nunca deveria ter saído.
A Manela não mente. Verdade verdadinha.
Verdadinha – A sondagem que eu fazia
AL – Considera, pela percepção que tem do País, que o País quer mudar de Governo?
MFL – Eu quando acabei a campanha para as eleições Europeias, a despeito das sondagens não apontarem para uma vitória do PSD, a sondagem que eu fazia do contacto com as pessoas indicava-me que não me espantaria nada que nós ganhássemos e ganhássemos com folga… em relação… à… nas eleições Europeias.
AL – Não ficou surpreendida com o resultado, então…
MFL – Não. Fiquei muito satisfeita, mas não surpreendida.
A Manela tinha uma sondagem na manga, feita em condições especialíssimas: só com a malta porreira que ia beber copos para os hotéis muita porreiros onde se fazia a campanha anti-comícios. Mesmo assim, ela não quis estragar a surpresa a ninguém e calou-se bem caladinha. Tanto que até o cartaz do dia a seguir à votação, a tal onde ela já sabia que iam ganhar e com folga, tinha um choramingas Não baixamos os braços.
A Manela não mente. Verdade verdadinha.
D. Cavaco I
O Presidente da República deu mais um contributo para a separação das águas, a clarificação do cenário político a 3 meses das Legislativas. Desta vez, meteu-se num braço-de-ferro que obriga à identificação de vencidos e vencedores. E ao castigo e expulsão dos vencidos. Nada de menos.
Ao pedir publicamente explicações sobre as informações contraditórias que indiciam haver interesse da PT em entrar no capital da TVI, Cavaco tem uma das suas mais espectaculares intervenções políticas desde que foi eleito Presidente, só comparável ao ambiente catastrofista que intencionalmente criou para a sua declaração de 31 de Julho de 2008 relativa ao Estatuto Político-Administrativo dos Açores. Então como agora, assistimos a um Presidente da República a ser agente de alarme social e político; coisa nunca antes vista em Portugal, registe-se. Ele próprio o reconhece, ao dizer que está a abrir uma excepção neste caso.
Muito bem. Então, decorre do mero bom-senso admitir que há matéria suficiente para este toque a rebate do Presidente da República em período eleitoral. E se há, isso significa que se valida em Belém a suspeita de cumplicidade entre a PT e o Governo para alterar e condicionar os critérios editoriais da TVI. Muito bem. Então, temos de agradecer ao Presidente por sair a terreiro na defesa do que ele chamou ser a transparência e ética nos negócios. E caso a PT e o Governo não consigam estar à altura desta exigência, as cabeças começarão logo a rolar. Por exemplo, Henrique Granadeiro será demitido e Sócrates acaba de perder aqui qualquer possibilidade de ganhar as eleições. A confirmar-se a suspeita de conspiração para ataque a Moniz e esposa, o PS terá o pior resultado eleitoral da sua história, provavelmente ficando atrás do BE e PCP. Muito bem. Então, o duelo é de morte. E Cavaco foi o primeiro a disparar.
Verdadinha
Ferreira Leite afirmou, durante toda a entrevista, que a política em Portugal se resume à questão de saber se Sócrates fica ou sai. Naturalmente, decorre desta redução absurda que é inútil conhecer os programas dos partidos, especialmente do PSD e PS, pois eles não carecem de ser analisados, ponderados e comparados para resolver o problema. Chegou a dizer que os programas partidários eram calhamaços que ninguém lê. Sócrates, portanto, deve sair porque mente, porque não diminui o desemprego, porque nada fez para combater a crise, porque quer deixar o País arruinado para os próximos 30 anos. Esta mensagem é simples e directa.
Cada vez gosto mais da Manela. E a equipa que lhe trata da aparência tem feito um muito bom trabalho. Aprecio especialmente o penteado. Nesta entrevista apresentou-se igual a si própria. Por isso, a corrente de vacuidades foi contínua. Vacuidades e distorções. Desorientações. Folclore. Ela é mesmo assim como está à vista. Verdade verdadinha.
Queres o medo ou a coragem?
A economia é uma área do conhecimento que gera previsões menos fiáveis do que aquelas fornecidas pela meteorologia. Isto sempre se soube, apesar da empáfia com que os economistas largam os seus cálculos proféticos. Os limites da ignorância intrínseca à disciplina foram dramaticamente alargados nos últimos anos. É agora corrente encontrar estudos e reflexões sobre dois factores cruciais na génese da actual crise: a irracionalidade inerente ao comportamento humano mesmo em ambientes intelectualmente especializados e a complexidade imensa, já não computável, dos sistemas financeiros e económicos internacionais globalizados. Eis algo familiar do que Kant, em 1781, tinha estabelecido para a posteridade: há limites transcendentais que são condição mesma do conhecimento humano. Isto é, apenas podemos conhecer aquilo que a estrutura humana de conhecimento molda, define, nas suas condições apriorísticas. O que implica estarmos condenados à finitude, jamais podendo conceber o que escape ao nosso modo próprio de sensibilidade e entendimento. Que sejam precisos dois séculos para domar o pantagruélico hegelianismo de que os economistas, às claras ou secretamente, se alimentam, só diz dos efeitos tóxicos que o marxismo provocou durante todo o século XX. As economias planificadas e as lógicas de mercado livre, ambos os modelos são inevitáveis ortodrómias que ignoram a curvatura da natureza humana.
Natureza humana
E tu, com quem te vais coligar?
Ferreira Leite é admirável na sua coragem e sacrifício ao serviço do PSD, é muito melhor cidadã e portuguesa do que 1000 Pachecos que só querem é ficar na bancada a mandar bocas e beber refrescos. Porém, a senhora é um desastre político; e desastre tão grande que vale mais calada e ausente do que na fotografia e a debitar sentenças. Foi até enternecedor ver como alguns ensaiaram, muito a medo e baixinho, a atribuição de medalhas à Manela pelo resultado nas Europeias. É que, não sei se reparaste, a chefe do PSD desapareceu por completo durante a escaganifobética campanha, e nem com a vitória ela voltou. De quem se falava, e com quem se queria falar, chamava-se Rangel. E o caso não é para menos: a Presidente do PSD é uma verdadeira avozinha, não tem já idade cultural para estas lides. Nem cabeça. Isto é, tem cabeça, claro, mas é anacrónica, sectária, moralista, irreformável. Adorável, certamente, com a sua atitude desbocada; mas só tem graça de vez em quando, ao chá. E a malta da Lapa sabe disso ainda melhor do que nós.
Sócrates Fan Club – II
O culto à volta de Sócrates é um fenómeno de extremos: da extrema-esquerda, da extrema-direita e da imbecilidade mais extrema. Por isso consegue reunir comunas e reaças numa súbita frente comum. O que não espanta, porque ambos são simétricos na predisposição para o fanatismo, a subserviência acéfala e a violência criminosa como pulsão latente. Quanto aos imbecis genéricos, adaptam-se a qualquer um destes grupos, quase sempre por circunstâncias aleatórias: se o imbecil for professor, segue o activista de extrema-esquerda que lhe promete a defesa das regalias; se o imbecil for comerciante, segue o activista de extrema-direita que lhe promete menos despesa ou mais lucro; se o imbecil for do PSD, segue o Pacheco.
Miscelânea
Want a Bigger, Stronger Brain? Start Meditating.
Predictive Powers: A Robot That Reads Your Intention?*
Red Wine Compound Resveratrol Demonstrates Significant Health Benefits
Stress Makes Your Hair Go Gray
Nintendo Wii May Enhance Parkinson’s Treatment
MicroRNA Replacement Therapy May Stop Cancer In Its Tracks
Could Power Point Presentations Be Stifling Learning?
Computer Idle? Now You Can Donate Its Time To Find A Cure For Major Diseases
Do Attractive Men Have Better Sperm? **
Were People Happier in the Good Old Days?
__
* A interioridade está cada vez mais exteriorizada, a Universidade do Minho que o diga.
** Um texto aparvalhado, dum gajo com cara de parvo, que tem o singular mérito de nos mostrar a importância dos títulos para o presente e futuro da leitura.
*** Foi escrito para ti, e tem lá tudo de que precisas para crescer.
