extra_plágios&contágios

A propósito das presas que não escapam à visão aquilina do Luis Rainha, este texto de Malcolm Gladwell apresenta-nos uma outra perspectiva do assunto. Não se trata de munição para a vexata quaestio da natureza do acto da Joana Amaral Dias, antes alimento para a disputatio sobre o estatuto do autor. E colhe recordar Agostinho da Silva, que recusava receber dividendos dos seus direitos autorais por não se considerar autor de coisa nenhuma. Ele dizia que as ideias pairavam algures acima das cabeças e que algumas lhe chegavam como chegam os sinais de rádio às antenas. De onde elas vinham, ele não sabia; e muito menos reclamava a sua posse. Claro, nada disto tem já a ver com o episódio que levou a Joana a tomar (pelo menos) uma Aspirina.

Para quem não conheça, a escrita de Gladwell é melíflua e servida em bandeja de prata.

4 thoughts on “extra_plágios&contágios”

  1. Imitation may be the sincerest form of flattery. But theft is an altogheter different breed of animal…

    O artigo passa por uma zona interessante mas de cartografia difícil: a destrinça entre inspiração e gamanço. Já agora, não te consigo convencer a aceitar um exemplar da bela agenda “sobre” o Agostinho da silva que a INCM editou?

  2. Aceito, claro. E até sou homem para agradecer.

    Pois é, terrenos pantanosos; donde (mesmo que não se perca o pé) se volta sempre com a roupa manchada. Mas há nódoas que embelezam, e essa é a tese do Gladwell.

  3. é um bocado a ideia de que o criativo, ou o artista, vai ás compras e faz window shopping. volta com ideias. mas há realmente muitas maneiras de levar água ao (quase) mesmo moinho. e isso é construção.
    quem se encosta, pelo menos poderia ter a esperteza de usar a paráfrase, para correr menos risco de ser apanhado.

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