A polémica entre o João Galamba e o João Gonçalves é um dos mais interessantes episódios da campanha até agora, porque espontâneo e significativo. O Gonçalves vem de lançar um livro que teve dois passarões do sistema na sua consagração: Medeiros Ferreira e Pacheco Pereira. Justamente, o Gonçalves tinha razões para acreditar ter chegado lá, àquele sítio que só ele sabe onde fica por ser interdito aos impuros, o santíssimo onde a divindade é feita à nossa imagem e semelhança. Galamba também tinha chegado lá, é a mais nova promessa do PS, estrela independente em ascensão, conquistando simpatias e empatias. Uma dupla polaridade explica a atracção e o choque: movimento de ligação causado pelas cargas diferentes, PSD-PS; movimento de repulsão causado pelas cargas iguais, ambos machos Alfa num pico de confiança e fama. [introduzir bocejo antropológico]
O nevoeiro da guerra fez vítimas nos observadores. Quem saiu a correr para atacar o segundo atacante teve de atravessar um campo minado que estava, nesse preciso momento, a ser bombardeado em conjunto pela aviação, marinha e exército, e onde também se realizava o campeonato mundial de snipers. Se foi o teu caso, lamento dizer que não sobreviveste, podes seguir em frente por esse túnel de luz. É que não vale tudo. A regularidade dos fenómenos naturais, que está na origem da agricultura e dos Rolex, prova que existe uma ordem. Nem que seja a ordem do tempo. Como neste caso, em que o Gonçalves antecede o Galamba na utilização do substantivo filho. Pode perguntar-se: mas que mal tem a expressão filho do outro? Poder pode, mas muito mais poder tem a pergunta: que sentiria eu se fosse tratado como filho do outro? São muito poucas as situações em que a audição ou leitura de filho do outro, calhando-nos ser o filho, não desperte os demónios ctónicos, as erínias, que se alimentam da honra. E este é um caso de honra ― ou, para ser conceptualmente exacto, um caso de filha-da-putice.
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