Todos os artigos de Valupi

Génio de Carvalhal

Um treinador que começa o jogo com Saleiro, que deixa Vuk no banco, que não esgota as substituições, que acaba o jogo com Saleiro e que deixa o Vuk no banco é genial.

Ou melhor, genial é pouco. Ele é mais do que genial, a palavra é que não me está agora a ocorrer.

O plano da direita

A direita diz que Sócrates é mentor de um plano do qual não existem provas, que foi desmentido e que é inverosímil.

A direita afirma que o plano seria levado a cabo por Sócrates e duas ou três figuras menores, o resto do Governo e do PS não saberia de nada.

A direita quer que o PS substitua Sócrates por outro socialista, um qualquer, prometendo portar-se bem caso o pedido seja acatado.

Conclusão: a direita deixou de querer governar o País, já só pretende uma vingança.

Se o ridículo pagasse imposto

Tendo em conta os desvarios megalómanos que os proponentes e divulgadores da manifestação Todos pela Liberdade exibiram frenéticos, e face à hilariante fantochada em que tudo acabou, é grande azar não se pagar imposto pelas figuras ridículas na via pública. A dívida de Portugal teria desaparecido por volta da 13.30, de fronte ao Palácio de São Bento.

Mas saber que este rancho de cínicos, decadentes e avariados dos cornos não faz a menor ideia da razão pela qual ficaram a falar sozinhos é ainda mais engraçado.

Crachá d’ouro

Espectáculo dantesco dado por Judite de Sousa. Ela entrou e saiu da entrevista a Noronha do Nascimento sem perceber como funciona a relação entre Supremo e Procuradoria, muito menos as obrigações do entrevistado no processo em causa. Mas que todo o mal fosse esse. O pior é ver uma jornalista que é parte da perversão populista, ao serviço de interesses bem identificados, onde se afunda o Estado de direito. A sua convicção é a de que Noronha omitiu informações de cariz criminal, por isso repetia e repetia as mesmas perguntas. Se calhar entrevistar Pinto Monteiro, e mantiver as mesmas certezas, é provável que nem consiga falar pelo medo de estar frente a bandido tão perigoso.

Proponho que se ofereça à Judite uma imitação do crachá de ouro conquistado pelo judite de Aveiro. Ela já fez o suficiente para o merecer.

Curiosidades do reino da estupidez

A deputada bloquista Helena Pinto considera que a providência cautelar configura uma “situação inédita e surpreendente” e que “dia após dia cresce a confusão em torno desta situação”.

Fonte

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Eis o que esta senhora está a dizer:

– Que a existência do Estado de direito configura uma situação inédita e surpreendente para o seu entendimento da realidade.

– Que dia após dia cresce a sua confusão em torno desta situação, mas não explica que raio temos nós a ver com o facto de andar à nora.

O BE é mesmo um partidozinho de merda. E de merdas.

Da crispação à crespação

Miguel Esteves Cardoso escreveu um texto (o Câmara Corporativa fez a transcrição, mas também o nosso amigo Joao) onde aparece esta súmula histórica:

Sócrates, ao reagir como cidadão e abster-se das condescendências e pseudo-aristocracias da democracia, presta um serviço e rompe com uma tradição.

Para contemplarmos a magnitude desta alteração na simbólica do Poder, levada a cabo sem um momento de vacilação até esta altura em que escrevo, lembremos que a oposição aparece invariavelmente crispada quando discursa ou assiste. Este comportamento é tribal, tão mais tribal quanto a inexperiência, a cegueira ideológica e a hipocrisia dos políticos em causa. Por isso – e não só em Portugal, evidentemente – os debates políticos obedecem a códigos tácitos onde se representa o adversário como inimigo, não como parceiro de solução. Esta lógica de conquista e ocupação do espaço governativo por exclusão, num qualquer futuro, será vista como arcaica. Corresponde a um absurdo económico, pois esbanja inutilmente recursos intelectuais ao não procurar consensos. Mas adiante.

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Quem é que se baldou?

Acabo de ver numa reportagem da TVI que os participantes na manifestação Todos pela liberdade não chegam a corresponder ao número de blogues apoiantes – e isto esquecendo que muitos desses blogues são colectivos, apenas para o cálculo fazendo corresponder 1 participante por blogue.

Enfim, a ala comuna do movimento que comece já a purga porque este fiasco não pode ficar sem consequências.

Isto é só para tentar engatar a Blonde

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O verdadeiro caminho passa sobre uma corda que não está esticada ao alto, mas rente ao chão. Parece antes destinar-se a fazer tropeçar do que a ser percorrida.

Der wahre Weg geht über ein Seil, das nicht in der Höhe gespannt ist, sondern knapp über dem Boden. Es scheint mehr bestimmt, stolpern zu machen, als begangen zu werden.

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Franz Kafka, «AFORISMOS», Assírio e Alvim, p. 27

A alma é a forma do corpo

Não há nenhuma dicotomia entre forma e conteúdo na problemática das escutas, pese a facilidade com que se compreendem as palavras do João Galamba. A violação do segredo de Justiça não é uma formalidade, é em si um conteúdo, é substantiva. Trata-se de um acto ao serviço de interesses que colidem com direitos dos implicados e a segurança da comunidade. As escutas até poderiam incluir passagens onde Sócrates fosse dado como um serial killer, para o caso era igual. Pura e simplesmente, não temos os materiais, os meios e os conhecimentos para nos substituirmos à Justiça. Assim, qual o resultado da publicação de um despacho cujo desfecho ainda é desconhecido? Apenas a criação de um ambiente perverso onde se explora a suspeição. Como está em causa o Primeiro-Ministro e o Governo, e os seus adversários políticos estão a usar a publicação para lançarem ataques, a situação é gravíssima.

Caso não consigamos estancar a instrumentalização da Justiça pelo poder político e mediático, a democracia deixa de ter condições para subsistir.

Mudar, romper e…

Passos Coelho quer mudar. Paulo Rangel quer romper. E Aguiar-Branco quer o quê? Como poderá subir a parada e mostrar que os outros dois são uns meninos e não têm aquilo que é preciso para pôr isto na ordem?

Deixo algumas sugestões para slogans de campanha:

Partir
Moer
Picar
Cuspir
Espremer
Triturar
Diluir
Maldizer
Estraçalhar
Cortar aos bocadinhos
Grelhar numa chapa pré-aquecida
Passar o corredor a pano

Curiosidades do reino da estupidez

Comparar a publicação do email do Público pelo DN com a publicação de documentos sujeitos a segredo de Justiça é, mais do que um teste moral, um teste cognitivo. Desconfio que serão muitos os que, honestamente, não sabem qual é a diferença. Para eles, é tudo privado; pelo que agora é a sua vez de gozarem, depois de terem fingido serem contra essas manobras quando elas os prejudicaram.

Acontece que termos ficado a conhecer a origem das espantosas notícias do Público acerca de eventuais vigilâncias do Governo ao Presidente foi um favor que se fez ao eleitorado e ao País. A forma de explicar a situação passava por furar uma privacidade que estava a ser danosa para o futuro da política nacional. A reacção atarantada do Presidente validou a bondade dessa decisão do DN e restituiu a sanidade possível ao acto eleitoral. Neste caso de materiais em segredo de Justiça, é precisamente ao contrário. Há magistrados que os conhecem e sobre os quais tomam decisões. As suas decisões podem ser objecto de recurso, inquérito ou estudo. A privacidade da Justiça está ao serviço do interesse maior para a política. Porque não se pode admitir que a privacidade se torne critério de destruição de políticas e de políticos. Isso é o que acontece em estados totalitários.

Aqueles que se permitem tirar conclusões a partir do que leram nos jornais têm uma urgente tarefa à espera: estudar jornalismo ou Direito. Caso já sejam jornalistas e juristas, azarinho.

Esmiucemos o plano

Pessoas que já nos garantiram estar iminente a captura de Sócrates pelo James Bond, e que nem um projecto marado foram capazes de encontrar na Guarda ou que ficaram bovinamente a falar de cursos tirados ao domingo, estão agora convictas de que Sócrates é um mafioso de alto coturno. Bastou-lhes a exposição ilegal de um despacho com indícios vagos para se convencerem do desfecho do caso – assim revelando ao mundo o tipo de consideração que têm pelos direitos dos concidadãos. Muito bem, mas avancemos um pouco nesse caminho.

Qual seria a última coisa que qualquer um de nós faria se estivesse a planear uma golpada para correr com um jornalista através da tomada de poder accionista na sua empresa? Isso, acertaste: abrir um congresso com ataques a esse jornalista ou protestar contra ele numa entrevista. Nenhum de nós faria isso porque somos todos bué da espertos. Sabemos que ao romper com as convenções da hipocrisia à portuguesa, onde se esconde a raiva e as vinganças, estamos a chamar a atenção para o alvo. Tal escalada do confronto só iria tornar ainda mais difícil o já improvável plano de entrar na casa do inimigo e dar cabo dele sem que se topasse a autoria da manobra. Naturalmente, a sensibilidade à suspeita, e o seu efeito paranóico, cresceria para níveis máximos, levando a que todas as possíveis associações de causa-efeito fossem tidas em conta. Não se afigura sequer razoável que alguém tendo um plano tão cerebral tivesse também um comportamento tão desmiolado. Porém, como se trata de Sócrates, parece que dá para abrir uma excepção. Afinal, e como os reaças e os comunas berram, este engenheiro é o Alfa e o Ómega da corrupção.

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Raçudos

Está a ser uma época fascinante para o Sporting. Um case study do que é um ambiente disfuncional numa organização. Por exemplo, que leva um marmanjo como o Tiago a fazer-se expulsar do banco, deixando a equipa sem guarda-redes substituto a meio do jogo? Ou que leva os jogadores a protestarem contra as decisões do árbitro, sabendo que só irritam o senhor ou que se arriscam a serem penalizados pelos protestos? Que leva os jogadores a passarem o jogo todo a largar caralhadas? Que leva os treinadores a berraram contra os árbitros? Que leva os dirigentes a comportarem-se como capatazes?

Se eu fosse treinador de futebol, nenhum dos meus jogadores alguma vez responderia a um árbitro. Nem que ele os expulsasse aos 10 segundos de jogo. Protestar contra os árbitros, durante e depois dos jogos, devia ser interdito em Alvalade. É, simultaneamente, um sintoma e uma causa de pouca inteligência. Contribui para a fraqueza física e técnica por ser uma fraqueza moral. Quem protesta assume uma postura subserviente, exprime uma impotência, deixa de ser um guerreiro.

Idealmente, o Sporting devia ter equipas de futebol que fossem exemplares no campo da disciplina, do desportivismo e da entrega ao espectáculo. É este o sentido aristocrático que está na origem do clube. Mas, para tal, teríamos de ter dirigentes que fossem do Sporting, o que não é o caso presente. É que não é do Sporting quem quer, só quem faz prova de lhe pertencer através de feitos valorosos. E isso começa nas derrotas, no saber perder.

O presidente tem de ser o símbolo da união entre a equipa e os adeptos, independentemente dos resultados e dos eventuais conflitos. Quem não for capaz de compreender esta missão, não pertence a esta raça. Não é Leão.

O abutre

Paulo Rangel é o mais capaz para levar o PSD a expulsar o CDS do Parlamento. Porque este homem alia um apurado belicismo verbal à demagogia em último grau. Com ele a liderar o PSD, aquilo que a Manela não soube fazer por inépcia fatal seria então levado para um patamar de eficácia imparável e trituradora. A direita reaccionária e ressabiada vê nele a solução para pôr isto na ordem.

Repare-se no que a figurinha conseguiu fazer em poucos dias. Na quinta-feira de altíssima especulação com a dívida de Portugal, ao mesmo tempo que a bolsa se afundava e deixava a direita do capital em pânico cá no burgo, Rangel – um eurodeputado! – veio dizer o que Almunia nem sequer ousaria pensar: que Portugal estava em situação igual à da Grécia e que até poderia ficar pior. Estas afirmações, naquele dia e ditas por um político com o seu estatuto, são absolutamente irresponsáveis, se não forem antipatrióticas. E é essa a ideia que se retira do que declarou Cavaco, 24 horas depois:

Eu confio que os analistas externos que olham para Portugal e a própria Comissão – que fez através de um seu comissário uma declaração que eu considero infeliz e incorreta – espero que rapidamente corrijam essa apreciação em relação a Portugal. Porque não é só uma questão de injustiça, é uma questão de incorreção e eu posso afirmar isso correctamente.

Esta não é uma distraída estalada na cara do Rangel, trata-se de um pontapé nos túbaros, seguido de sessão de aconchego com pau de marmeleiro. Se o Almunia, nas palavras do Presidente da República, foi infeliz e incorrecto, que dizer da pulhice do Rangel, que vilipendia o interesse nacional para obter ganhos políticos que só existem na sua cabecinha oportunista? E alguém ouviu alguma crítica às suas declarações? Alguém ouviu algum pedido de desculpas?

O que se ouviu foi outra coisa, o novo delírio de um irresponsável para quem vale tudo:

Eu queria denunciar aqui aquilo que se está a passar em Portugal neste momento, onde é claro que a comunicação social trouxe à luz um plano do Governo para controlar os jornais, para controlar estações de televisão, para controlar estações de rádio.

Rangel está a insinuar que o Procurador-Geral e o Presidente do Supremo são cúmplices deste suposto plano. Rangel quer, por sua vez, chegar à presidência do PSD. A acontecer, será a primeira vez que um partido com vocação de governo será liderado por alguém que caluniou a hierarquia máxima do sistema de Justiça, e isto apenas 4 dias depois de ter tentado prejudicar a imagem de Portugal de modo a agravar as suas dificuldades financeiras.

Os abutres alimentam-se de cadáveres em decomposição. Não admira que Rangel seja um dos mais interessados na putrefacção da política nacional.

Mística, ou falta dela

O Rei Bettencourt fugiu para o Brasil na altura em que o seu general ia ao Porto para uma batalha decisiva. Findo o pleito em desgraça, o Rei mandou dizer que o exército o tinha deixado envergonhado – assim acrescentando à pesada derrota a humilhação suprema para a equipa de sofrer o desprezo dos seus. Dias depois, o exército voltou a ser vencido, agora entre muros e por um corpo expedicionário.

Obviamente, este Rei não pertence a este Reino.

Quinta-feira Gorda

O militante nº1 do PSD é o dono de um dos maiores grupos de comunicação social, a TVI segue uma linha editorial oposicionista mesmo após o fim daquele show de assassinato de carácter às sextas, o Público teve até há pouco tempo a função de lançar campanhas difamatórias contra Sócrates e foi protagonista de uma tentativa de viciação das eleições Legislativas, o Sol e o Correio da Manhã furam o segredo de Justiça exclusivamente dos processos que podem prejudicar o Governo e Sócrates, a RTP é tão isenta que até um doente como Pacheco Pereira tem de andar de cronómetro a contar os segundos do Jornal da Tarde para ter o que envenenar, a Antena 1 foi forçada a interromper uma inócua e criativa campanha de promoção sob a demente alegação de que pretendia acabar com o direito à manifestação, a Igreja domina uma fatia importante do espaço radiofónico, as histéricas vedetas do BE são a coqueluche da comunicação social há anos e anos, o PCP louva a Coreia do Norte no Avante, o jornal i é abertamente oposicionista quando os caluniadores afiançavam que iria estar ao serviço do PS, a Constituição salvaguarda a liberdade de expressão e demais princípios democráticos, existem inúmeros garantes legais e cívicos que tornam impossível a existência da censura, o ambiente é de constante calúnia e perseguição para quem vocaliza o seu apoio ao Governo – já se tendo chegado à fase em que se atacam aqueles que não atacam Sócrates! – e qualquer macaco diz o que quer e lhe apetece em casa, na rua e na Internet.

Mesmo assim, reaças e comunas vão dar os braços para defenderem uma enigmática liberdade de expressão que dizem estar ameaçada por um negócio que nunca existiu. Para cúmulo, as informações acerca do negócio começaram por ser usadas em manobras políticas esconsas e vis. Depois, a Justiça não encontrou matéria criminal nessas informações. E agora elas chegam ao conhecimento público de forma enviesada e parcelar, levando à actual exibição do apetite violento para usar a privacidade como arma de destruição política.

Comunas e reaças sabem bem o que os une. Desde sempre.