Isto do Pacheco estar no PSD é um erro de casting. Não foi um acaso a alergia que a sua presença sempre causou no povo social-democrata, trata-se de uma aversão que nunca como agora foi tão marcada. Exemplo? Nesta última edição da Quadratura, o marmeleiro declarou a inutilidade de continuar com a Comissão de Ética. Ora, esta é uma iniciativa do PSD, presidida por um deputado do PSD. Depois, afirmou que se deve viabilizar a comissão de inquérito que o BE pretende. Essa, sim, é que vai conseguir entalar o engenheiro. Entretanto, o mesmo BE incluiu Fernando Lima na lista de audições na Comissão de Ética. Será que o Pacheco também está sintonizado com essa escolha ou, pelo contrário, é por causa dessa e outras escolhas que pretende acabar com a coisa? Nunca o saberemos.
Mas ficámos a saber algo muito mais importante. Pacheco partilhou a sua suspeita de que Sócrates trocou de telefone ao ser avisado de estar a ser escutado e que foi só após essa troca que foi gravada a conversa onde ele se mostra contrariado por não ter sido avisado da intenção de entrada da PT na Media Capital. Assim, um dos argumentos do Procurador-Geral para ilibar o malandro pode não passar de uma farsa, foi divulgado em primeira mão na SIC Notícias. Muito bem, temos Sherlock.
Acontece que também temos deputado. Como é que um deputado da oposição convive com uma suspeita – expressada em forma de certeza – deste calibre? Não pode um deputado do meu país denunciar no Parlamento um Primeiro-Ministro acerca do qual garante estarmos perante um criminoso, em vez de ter de andar pelas televisões a espalhar suspeições, coitadinho? Talvez tudo fosse mais fácil se o Pacheco mudasse para a bancada do BE. O ódio a Sócrates é exactamente igual nos dois partidos, mas o Bloco está mais avançado no processo de explorar as escutas até à última gota de sangue socialista.
O ex-maoísta, actual mauísta, anseia por regressar ao frenesim revolucionário. A Manela foi apenas um estádio dialéctico, o penúltimo, do seu percurso.
