Cineterapia


Tokyo monogatari_Yasujiro Ozu

É preciso envelhecer para entrar neste filme. Já não ter pressa. Ficar sentado a olhar.

Uma espiral começa vagarosamente. A curva finge ser um grande círculo. Aos poucos, e muitos, acelera. O movimento dirige-se para o ponto de eterno repouso.

Pais que vão a Tóquio visitar os filhos, os netos e a nora. Filhos que estão demasiado ocupados para estar com os pais. Os pais também não querem estar com os filhos. São estranhos uns para os outros, há muito que deixaram de se conhecer. O tempo separou o acaso, acabou com a família.

Na foto vemos Noriko. Ela regressa a Tóquio vinda do funeral de Tami, a sua sogra. Guarda nas mãos o presente de Shukishi, o seu sogro. Shukishi descobriu que Noriko lhe é mais próxima do que os seus filhos e netos. E deu-lhe o segredo do sentido da vida, pertença de Tami até à sua morte.

Este filme foi feito em 1953. E nunca envelhecerá.

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