Tectónica da democracia

A ideia de que Sócrates teria um plano para dominar a comunicação social, de forma a conseguir afastar jornalistas incómodos e garantir notícias simpáticas, não resiste a nenhum tipo de análise. Não é que seja impossível ter existido, posto que há malucos para tudo, apenas fica como uma aberração que obriga a desligar o córtex. O plano só é concebível como grosseira fantasia, caricatura que apaga toda a logística, complexidade e consequências que supõe tal operação. Mesmo assim, muitas figurinhas supostamente educadas, cultas e de intelectos sofisticados, à direita e à esquerda, declararam estar compradoras do produto. Umas por debochado oportunismo, outras porque são irremediavelmente idiotas.

A quantidade de fases que tal plano implica para atingir um qualquer grau de eficácia é cansativo de imaginar. Em cada uma dessas fases – recorde-se que nem a putativa 1ª fase foi concluída – haveria sempre a possibilidade para uma miríade de entidades intervirem em ordem a denunciar e abortar fosse o que fosse de irregular, ilegal ou imoral. Mas esta é só a dimensão que se esquece rapidamente à gargalhada, há um outro lado sinistro. É que os adeptos do plano arrastam dezenas, ou centenas, de pessoas na conspiração. O pressuposto é o de que todos os que estão ao lado de Sócrates, no Governo e no PS, são cúmplices. Todos comungarão das mesmas falhas de carácter e ambição tirânica que o plano pressupõe na sua narrativa como causa e força motriz. Por exemplo, Teixeira dos Santos, Isabel Alçada e Gabriela Canavilhas seriam, por inerência, coadjuvantes neste plano posto que fazem parte do Governo e não se demitiram quando foi servida a caldeirada de enguias à moda de Aveiro. Tiremos outra ilação: a família e amigos de Teixeira dos Santos, Isabel Alçada e Gabriela Canavilhas teriam de ser arrastados nesta avalanche de corrupção que se espalha à volta de Sócrates, o anticristo, pois ao não denunciaram a manobra eram dela cúmplices. O mesmo raciocínio para Mário Soares, Jaime Gama, Maria de Belém, Alfredo Barroso, António Seguro, Manuel Alegre. Se estão calados, são cúmplices, pois estão a receber as mesmas notícias que as pessoas de bem, os justos, engolem às golfadas. E se são cúmplices, então os seus esposos, filhos, amigos, colegas serão também, de alguma forma, cúmplices dos cúmplices. Esta calamidade corruptora só no Governo e PS, mas o plano implica uma legião de outros vendidos, estes nas empresas e nos órgãos de comunicação social implicados. Accionistas, administradores, directores, jornalistas, colaboradores seriam transformados em zombies, dominados pela vontade de poder de um primeiro-ministro e sua golden share. São estes os corolários alucinantes da existência de tal plano.

Contudo, há ainda um aspecto neste caso que consegue ser mais perverso do que os restantes já abordados. Para o vermos com cristalina transparência temos de nos recordar do que aconteceu em Junho. Por um lado, PSD e CDS atacaram Sócrates com a mesmíssima suspeição que agora o Sol explora com documentos em segredo de Justiça. Esses ataques ocorreram no Parlamento e na entrevista de Ferreira Leite e serviram para a campanha de assassinato de carácter. Por outro lado, Cavaco lançou um poderosíssimo ataque que – sabemo-lo agora – pressupõe o conhecimento da tese conspirativa do magistrado do Ministério Público de Aveiro quanto à iminência de um atentado contra o Estado de direito. O alarmismo e à-vontade da manobra de Cavaco só tem uma interpretação possível. Foi uma manifestação de força que alcançou o seu objectivo: atabalhoado recuo do Governo. Pois bem, e que se passou a seguir? Nada. Só voltaríamos a Aveiro depois das eleições, como Pacheco Pereira chegou ao desplante de antecipar. Neste segundo round, a direita apareceu mais interessada em atacar o Procurador-Geral do que em ranger os dentes com as supostas maroscas de Sócrates. Pinto Monteiro é que merecia castigo porque não tinha dado andamento a um plano que parecia perfeito: a 3 meses das Legislativas, saber-se que tinha sido aberta uma investigação contra Sócrates teria sido o seu fim político. O PSD seria agora Governo com o CDS.

Este cenário de puro calculismo político a partir do que aconteceu em Aveiro é o que explica a extraordinária resposta do PSD e CDS às publicações do Sol e CM. A Manela chegou a gozar com o assunto, dizendo que já estava fartinha de falar do assunto – que o mesmo é dizer que estava fartinha de ler o conteúdo do que agora era publicado. A proposta do PSD para Comissão de Ética é um anticlímax, e o silêncio do CDS é estrondoso. Que os leva a não querer uma comissão de inquérito? Aqueles que começaram um berreiro onde rasgavam as vestes e se diziam a morrer de vergonha, que depois fizeram a tal manifestação ridícula da asfixia alvar, também não se questionam acerca desta postura dos partidos que os representam. Porquê?

Eis o aspecto mais sórdido em todo este episódio. A campanha que pede a cabeça de Sócrates não se limita a partir de um crime, igualmente não pretende ultrapassar o registo da calúnia – porque topa vantagens em se ficar por uma suspeição não investigada. O resultado é o absoluto anulamento do papel da Assembleia da República e dos partidos, pois é nesse âmbito que o problema deve ser colocado. Atacar Sócrates desta forma infame, arrogando-se a supina hipocrisia de o julgar no seu carácter sem precisar de provas, constitui-se como o mais violento abalo nos alicerces da democracia de que me recordo enquanto adulto. Não há forma de corrupção mais grave do que esta tentativa de dissolução do Estado de direito na fúria da conquista de poder e no ódio dos derrotados nas urnas.

31 thoughts on “Tectónica da democracia”

  1. Este texto parece ter sido escrito pelo próprio José Sócrates, tal é a certeza que parece ter dos factos.
    Que é tudo mentira.
    É tudo uma invenção infame.
    É um assassinato político na praça pública.

    Há pessoas a quem tudo acontece e José Sócrates é um bom exemplo. Desde as “casinhas da Guarda”; passando pela “licenciatura” (sim, entre aspas…); contornando o “Freeport” e escondendo a cara da “Face Oculta”, tudo parece acontecer a esta pessoa excelente; simpática; simples; desprendida e outros mais adjectivos que agora não recordo, mas que decerto ele merecerá.

    Neste artigo só falta elogiar a tenebrosa mas decerto muito inteligente cabeça que engendrou plano tão maquiavélico. Sorte tem José Sócrates em ter amigos tão ou mais inteligentes que lestos vieram a correr para desmontar esta solar cabala.
    Mas do que gostei mais foi desta frase:
    “Não há forma de corrupção mais grave do que esta tentativa de dissolução do Estado de direito na fúria da conquista de poder e no ódio dos derrotados nas urnas”.

    É lapidar e demonstrativa do excesso de argumentos que possui para tentar tapar o “Sol” com uma peneira.
    Parabéns ao autor!

  2. O ridículo não mata! : http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?channelid=00000093-0000-0000-0000-000000000093&contentid=C65EDC35-ADBB-4CA1-8C0A-FC0139816A19
    Agora voltámos ao circo da Marmeleira e do tremendismo. O Dâmaso deixa cair a máscara e investe contra os novíssimos moinhos de vento: Uma Central do Governo para dominar os cérebros do pessoal. Dele não! Tal não parece ser possíve. Ele esclarece porquê.
    Uma vez que a ideia do domínio da media toda já gasto e esfarrapado, há que inventar um sucedâneo…O ridículo em estado centralizado!

  3. Valupi, a tua fidelidade só encontra paralelo num rotweiler.
    Deves ser daqueles que continua a por s mão no fogo pela castidade dá irmã mesmo depois de a apanhar na cama com o regimento de infantaria n. 15.
    Vê bem o caldo que criado para dar substância aos tens delírios, o que tem a Alçada, a canavilhas e a família do Sr Santos a ver com o caso. Não vês que isso já não pega, nem mesmo no carnaval.

    A bateria aponta erradamente para o MP de Aveiro, relembro-te que o MP não julga, se suspeitaram. e tinham indícios de violação dá lei só fizeram o que lhes competia, investigaram. Não és tu que tanto defendes o Estado de Direito? Queres tu julgar o PM? Deixa isso para quem tem a competência.

  4. sim, valupi, os politicos são anjinhos impolutos e socrates é o exemplar maximo da especie angelical. Aquilo que defende é de uma ingenuidade que roça a parvoice.
    Muito mais razão tem o Rui Herbon, no jugular, quando afirma que poucos politicos não tentaram fazer o mesmo que socrates, uns mais, outros menos, uns usando meios mais legais, outros meios menos legais.

  5. Os “lapidares” e “demonstrativos” exemplares da defesa das “liberdades” que aqui se arvoram, não são capazes de argumentar um só caso em que o PM tenha sido conivente com as patranhas que vêm vomitando. Nos textos do Valupi, têm sido demonstrados, com clareza (e é isso que os põe com a bilis a vir à boca…)que mais do que se criticar o que se possa ter feito de mal na Governação (e há, de facto, aspectos menos conseguido, como sempre) há, a negra campanha de querer arredar um governo legitimamente empossado, por meios trauliteiros e truculentos, com invencionices e perseguição do carácter. Mas a paciência para constestar estes sacripantas, terá de se manter e não deveremos vacilar em combater, por este meio da escrita, estes desmandos de ressabiados direitistas.

  6. Cam:
    Por via das dúvidas cite, sempre o “Correio da Manhã”. Citar o Rui Herbon é um risco demasiado grande. No entanto, pode sempre reler o artigo.
    Mário Pinto,a “malta” também lê o que se escreve por aí: eis uma boa oportunidade para me convencer que faço juízos errados sobre Sócrates. Diga o que sabe sobre as “Casas da Guarda” e dê uma ajuda no caso “Freeport” aos agentes judiciais, coitados, que ficaram órfãos e sem ideias desde que o “jornal da Noite” se finou.

    Essa do PGR e do Presidente do Supremo integrarem o grupo zombie, descredibiliza todas as acusações contra Sócrates; de resto, insuspeitos comentadores, politicos e jornalistas da direita não fazem parte do “Bando”…outros estão a travar, só não dando meia volta porque se meteram num beco onde se torna impossível mudar de sentido…ainda outros estão em marcha-a-ré, assobiando para o lado a ver se ninguém nota…

    ( que raio…mandaram fazer uma sondagem e não divulgam os resultados? será porque do resultado da sondagem se pode inferir que o “povo” despreza os comentadores?)…

  7. Subscrevo, na íntegra, e destaco a magistral sentença: “Mesmo assim, muitas figurinhas supostamente educadas, cultas e de intelectos sofisticados, à direita e à esquerda, declararam estar compradoras do produto. Umas por debochado oportunismo, outras porque são irremediavelmente idiotas”. Nem mais.

    Agora, o que faz falta é não virar a cara ao grosseiro insulto que foi lançado ruidosamente ao Estado de Direito e não “levar o desaforo para casa”: há pois que responder na mesmíssima moeda, levar o combate até ÀS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS e esmagar com o calcanhar da bota os restos mortais dos vencidos, para que por muitos e bons anos se recorde que, em Portugal, O CRIME NÃO COMPENSA!

    Só há um combate político pela frente de todos os verdadeiros amantes da Democracia: desmascarar os infames e cobardes que tentaram dar o primeiro golpe de estado de bastidores em Portugal, levá-los à Justiça e, acima de tudo, expor-lhes as vergonhas na praça pública para a humilhação ser completa. E só poderemos descansar quando a “cabaça” da serpente cair desfalecida por terra. Que ninguém se esqueça!

  8. CORRIJO «a “cabeça” da serpente» (todos perceberam, certo?).

    Já agora, no Artigo também há uma gralha: «Atacar Sócrates desta forma infâme (…)». Escreve-se “infame”, obviamente…

  9. O Mário Ferreira é, tenho a certeza, uma pessoa simpática. Foi recentemente eleito administrador do condomínio onde vive, onde prometeu pôr as contas em ordem de uma vez por todas.
    No entanto, ouvi uns zun-zuns no café que há grandes discussões com mulher e os filhos lá em casa, parece que vivem dificuldades financeiras. Souberam pela porteira que, como todos sabem, é uma mulher acima de toda a suspeita, e não teria razões para mentir, apesar de o Mário lhe ter recusado o aumento e cortado nos dias em que faltava “para ir à terra”.
    E em conversa com o vizinho do 5º andar (o tal que se atrasa sempre nos pagamentos), parece que lhe fizeram um risco no carro, que deixou uns vestígios de tinta verde. Ora o Mário Ferreira tem (vejam lá a coincidência), um carro verde – vai alegar que carros verdes há muitos? Olha que conveniente – não será perseguição ao referido senhor, que ainda por cima é formado em direito? A ser verdade, seria gravíssimo.
    E parece que tem também uns familiares que, asseguram-me de fonte confiável, andam metidos numa embrulhada nas finanças, por causa duma herança da qual o Mário também faz parte. Será que alguém, depois de saber as outras situações descritas em cima (não provadas é certo, mas onde há fumo há fogo, já diz o sábio povo), é capaz de acreditar que o Mário não está metido nisso, quando se sabem das tais dificuldades financeiras? Sobretudo quando o guarda-nocturno o ouviu berrar ao telemóvel que “os havia de tramar a todos”? Falava de quê? Ameaçava os funcionários das finanças?

    E alguém acredita que este senhor tem categoria para ser administrador do condomínio?

    Mário, é capaz de explicar porque é que o seu nome anda sempre ligado a estas embrulhadas? É tudo mentira? Uma invenção infame? Ou você também é uma das pessoas “a quem tudo acontece”?

  10. Marco Alberto Alves, obrigado pela correcção.
    __

    Quanto à repetida afirmação de que se anda a querer defender Sócrates por se manifestar indignação ou perplexidade com os ataques da oposição, é o preço a pagar por se defender o Estado de direito. Se a oposição apresentasse provas das suspeições que proclama ou se estivesse interessada em apresentar propostas alternativas para a solução dos problemas, não estaria em causa defender a Lei, estaríamos antes a tirar as inevitáveis consequências das provas ou a avaliar as alternativas políticas com base na inteligência e vontade dos partidos da oposição.

    Isto é simples.

  11. versão 2

    1. O Mário Ferreira é, tenho a certeza, uma pessoa simpática. Foi recentemente eleito administrador do condomínio onde vive, onde prometeu pôr as contas em ordem de uma vez por todas.
    No entanto, ouvi uns zun-zuns no café que há grandes discussões com mulher e os filhos lá em casa, parece que vivem dificuldades financeiras. Souberam pela porteira que, como todos sabem, é uma mulher acima de toda a suspeita, e não teria razões para mentir, não fora a coincidência de o Mário lhe ter recusado o aumento e cortado nos dias em que faltava “para ir à terra”.
    E em conversa com o vizinho do 5º andar (o tal que se atrasa sempre nos pagamentos, que resultou numa acção para o pagamento da dívida ao condomínio acrescidos de juros de mora vencidos e vincendos à taxa legal até ao integral pagamento da dívida, dos honorários do Advogado e de todas as despesas inerentes ao processo.), parece que lhe fizeram um risco no carro, que deixou uns vestígios de tinta verde, igual à da cor do carro do administrador. Ora o Mário Ferreira tem (vejam lá que o vizinho do 5º andar tinha razão), um carro verde – vai alegar que o seu carro não tem nenhum risco, conforme se poderá comprovar? Olha que conveniente – não será perseguição ao referido senhor, que ainda por cima é formado em direito? A ser verdade, seria gravíssimo.
    E parece que tem também uns familiares que, assegura-me o marido da porteira, andam metidos numa embrulhada nas finanças, por causa duma herança da qual o Mário também faz parte. Será que alguém, depois de saber as outras situações descritas em cima (não provadas é certo, mas onde há fumo há fogo, já diz o sábio povo), é capaz de acreditar que o Mário não está metido nisso, quando se sabem das tais dificuldades financeiras, segundo a porteira? Sobretudo quando o guarda-nocturno, irmão do vizinho do 5º andar, o ouviu berrar ao telemóvel que “os havia de tramar a todos”? Falava de quê? Ameaçava os funcionários das finanças? Ou os condóminos que não pagam as cotas?
    E alguém não acredita que este senhor tem categoria para ser administrador do condomínio?
    Mário, é capaz de explicar porque é que o seu nome anda sempre ligado a estas embrulhadas? É tudo mentira? Uma invenção infame? Ou você também é uma das pessoas “a quem tudo acontece” especialmente ter de lidar com caloteiros?

  12. jrcc, quem é que o mandou andar a desmontar a minha bela teoria? Acaso você é pago pelo Mário Ferreira, ou família, para andar a espalhar desinformação e propaganda? E como é que sabe dos processos movidos pelo condomínio, que são informação privilegiada? E as minhas fontes confidenciais, com que meios chegou até elas?

    jrcc, andará você, por acaso, a condicionar a minha liberdade de expressão?

  13. OK Val desculpa lá, mas gostaria de propor outro exercício se mo permites. Digamos, a bem deste meu comentário, que o Governo caí amanhã e nas próximas eleições ganha o PSD utilizando o CDS para uma maioria absoluta.

    Se alguma coisa ficou comprovada com esta história toda é que TODOS os meios de comunicação social dependem do Estado para sobreviverem (publicidade). Ora se assim é, o que acontecerá qd o PSD for gorverno? Quem paga estes “favores” todos? Será que alguém os pagará? Ou Impresa, SOL, CM, TVI e Público estão somente preocupados com o Estado de Direito? Será que não haverá por aí umas promessas de milhões em publicidade e afins, se estes conseguirem derrotar o PS e elegerem a Direita? O que farão, neste caso, os outros Grupos de Informação não alinhados? O mesmo que estes fizeram agora? Gostaria que me desses a tua opinião sobre este assunto.

    Só mais uma coisinha… o grande concorrente do SOL é o Expresso!! Se este Governo não cai depressa será que o Balsemão vai continuar a permitir que lhe roubem de forma descarada dinheiro? É que por cada SOL que se venda é um Expresso que não sai.

  14. Jose Gil isso da publicidade não funciona assim, o Governo não interfere nada na escolha publicitaria das empresas publicas/privadas, nem a escolha dos meios se faz assim por decreto.Isso obedece a estratégias de comunicação geralmente elaboradas por agencias de publicidade/meios segundo um briefing especifico de um produto de um Cliente/Empresa.
    Isso é outra mistificação que fez o seu caminho e que se tornou uma verdade quase estabelecida. O que é curioso nesta nova sociedade mediatizada é que só as mentiras convenientes é que sobrevivem.

  15. Vou referir-me só à “Face Oculta”:

    1 – As escutas são verdadeiras, certo? Senão o boy da PT não se teria enterrado até ao pescoço naquela patética providência cautelar.

    2 – A grande arma dos apoiantes de José Sócrates dizer que as escutas são ilegais, como se o conteúdo das mesmas, pela sua gravidade, não interessasse para coisa nenhuma.

    3 – Um juiz, que não o merceeiro da esquina, considerou que havia ali matéria para se investigar, correcto?

    4 – O caso ficou por ali devido a questões processuais e não porque as escutas são falsas.

    5 – Hoje ninguém duvida que José Sócrates mentiu no Parlamento sobre o negócio PT/TVI, confere?

    6 – Se tudo isto não passasse de uma “atroz e infame cabala que quer corroer as bases do Estado de Direito” (adoro esta frase!) não assistiríamos ao triste desfile de dirigentes socialistas, aflitos e desnorteados sem saber que mais hão-de dizer para tentar esconder o óbvio.

    7 – É ou não verdade que José Sócrates assumiu publicamente uma “guerra” com pelo menos dois jornalistas? Sendo ele um “animal feroz” e tendo amigos como Armando Vara, o tal da Fundação para a Prevenção e Segurança (lembram-se?), o que o é que o impedia de tentar controlar os meios de comunicação social? É algo assim tão inverosímil?

    8 – Eu só aceito que os apaniguados de José Sócrates o defendam com base numa fé cega que, por isso mesmo (por ser cega) não os deixa ver as evidências.

    P.S.: Alguém pergunta que mal terá feito o PM para merecer tal “campanha”. Eu devolvo a pergunta perguntando:
    Que bem vos terá feito o PM para justificar essa defesa apenas baseada em convicções?
    Será apenas por uma questão de justiça?
    Será por razões ideológicas?
    Ou será por outros interesses menos confessáveis?

    Não precisam de responder…

  16. só não percebo o que pinta o Tó Zé Seguro aí no meio dessa pseudo desconstrução . Acho que ele não ía gostar nadinha se soubesse.

  17. assis

    Nem um facto, diz?
    Não é verdade que José Sócrates mentiu no Parlamento (ponto 5)?
    Isso só por si, e se Portugal fosse de facto um país europeu na verdadeira acepção da palavra, seria mais do que justificação para que o PM tirasse uns anos poder para sacar um mestrado no Burkina Faso.

    Mas deixo-lhe um desafio:
    Se conseguir obter escutas verdadeiras que desmintam as escutas do seu descontentamento, eu prometo colocar-me do seu lado na defesa de José Sócrates.
    É verdade. Eu nada tenho contra esse Sr. mas abomino aqueles que, a coberto das posições que ocupam, tentam dar um passo maior do que a perna, ainda que sejam coxos…

  18. Uma coisa me faz espécie: porque é que agora, que o PS pede que sejam divulgadas as escutas na íntegra e não só a parte que o Sol truncou (perdão, escolheu), a oposição não quer?

  19. a invenção das escutas por parte de Cavaco é motivo de destituição, essa é que é, e o complot todo à vista. Força PS, fartos de hienas cobardes estamos nós, o destino delas também é, como aliás não podia deixar de ser, ser pasto para os decompositores.

  20. Valupi, andas meio baralhado não anda?

    Sabes não chega repetir um chavão para que ele ser torne verdade. Dá lá um exemplo em que o Estado de Direito tenha sido posto em causa (nos últimos anos), vá lá, a ver se és capaz!

  21. Mário Pinto,

    o PGR e o Presidente do STJ também não são merceeeiros de esquina e é normal que as instâncias superiores prevaleçam, nas suas decisões, sobre as instâncias inferiores…

    Costumava ser assim…

  22. Infelizmente, e em Portugal, ser instância superior da Justiça não significa rigorosamente nada.
    Em Portugal e infelizmente, repito, a Justiça é tudo menos cega.
    Em Portugal, e infelizmente, a Justiça não é para todos.
    Puxem pela memória e digam-me quantos casos que envolvam gente da “alta”, tal como políticos ou empresários já foram resolvidos.
    Digam-me também quantos políticos ou empresários corruptos estão presos.
    Nenhum, não é verdade?
    Pois é.
    Os processos desses Srs. arrastam-se pelos tribunais, durante anos e anos, até prescreverem ou caírem no esquecimento.
    Por isso não me venham com desculpas dessas.
    Querem mais um exemplo daquilo que é o funcionamento da nossa “justiça”?
    Alguém consegue explicar as voltas e reviravoltas que o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador-geral da República deram acerca do tratamento a dar às escutas que a muitos tira o sono?
    Se tudo é assim tão transparente no que à ilegalidade das mesmas diz respeito, por que temos nós que assistir a este espectáculo vergonhoso do faz que faz mas nada faz?
    E o juiz de Aveiro? Vai manter-se em funções depois de tudo isto? Não se demite porque foi desautorizado nem é demitido porque cometeu ilegalidades?

    Haveria mais exemplos, mas como sei que somos todos adultos dispenso as explicações que só fariam sentido se de criancinhas se tratasse.

  23. Julgamentos à Mário Pinto:
    Indivíduo X é acusado de roubar, violar, chantagear, raptar, e apanhar uma multa de estacionamento. X nega todas as acusações. O Ministério público abre inquérito. Acusações: 5. Factos provados: zero. Factos sequer considerados crime para merecer acusação e julgamento: zero. Mas acontece, que se vem a saber que a multa de estacionamento, que não é crime, até pode ser verdadeira. Logo, na cabeça de Mário Pinto, todas as outras ficam automaticamente provadas. E se o juiz do Supremo Tribunal, assim como o Procurador-geral, vêm dizer que todas as outras acusações carecem de fundamento, para o Mário Pinto, estas declarações têm o valor zero. Porquê? Por causa da multa, já que fica provado que X transgrediu nesse caso, logo é um indivíduo que não respeita a lei em nenhum caso. E se não respeita a lei e o tribunal não o condena, aliás nem o acusa, dos outros crimes, logo é o tribunal que não funciona.

    8 pontos, Mário. 8 insinuações. Provas: zero. “Ah, pois, mas o primeiro-ministro mentiu quando disse que não sabia do negócio da PT/TVI!”. Pois concerteza, Mário, o que um primeiro-ministro tem que dizer quando se tratam de negócios entre duas empresas privadas é que não só sabe de tudo, mas vai desbobinar todos os contornos no parlamento, incluindo montantes, o que foi dito nas negociações, prazos e já agora os acordos confidenciais a ser negociados, só para o Mário ficar esclarecido.

    Confidencialidade. Diz-lhe alguma coisa?

  24. Caro,
    “As escutas são verdadeiras, certo?”, pergunta Mário Pinto e na pergunta inclui logo a sua veracidade sem mais. Mas, caro, sendo as escutas realizadas um facto confirmado (para mim tal como para VPV é bufaria espiar conversa e escrita privada), isso não significa que o que o “sol” escreve seja verdadeiro. Tanto quanto se sabe da própria imprensa, o que tem vindo a público são interpretações de relatórios dos magistrados: logo das escutas reais temos interpretações de magistrados que de novo voltam a ser interpretadas pelos jornalistas.
    Porque raio as escutas não são postas integralmente à disposição do público? Acaso tomarão o resto do povo como incompetente ou atrazado mental para entender tais escutas e formar um juizo cabal sobre o todo e não sobre a parte?
    Uma vez partindo de uma premissa de conteúdo falso, todo o raciocínio retirado de tal afirmação cai na falta de verdade.
    Outra verdade de M. Pinto é aquela que os adversários políticos querem fazer vingar de tanto a repetirem. Eu estava vendo a discussão na AdR quando Sócrates disse que não sabia nada sobre a PT e entendi normalmente que queria dizer que o governo não tinha conhecimento, pois se o assunto já era capa dos jornais, havia pelo menos dois dias, era evidente que o PM sabia o que os jornais diziam. Não se explicou, logo na altura,bem e depois foi o aproveitamento habitual para criar outro facto político. E já são tantos e tão assiduamente, que só isso faz desconfiar qulaquer pessoa de senso comum.

    Mais tarde, noutro comentário, M. Pinto afirma que “infelizmente, e em Portugal, ser instância superior da Justiça não significa rigorosamente nada”. Atrapalhado quiz safar-se com esta habilidade que, no fundo quer dizer sem o afirmar, que só as outras instâncias, as mais baixas é que significam rigorosamente tudo.
    Depois vem com a habitual diatribe contra a justiça que não condena “os grandes”, os “poderosos”, por isso mesmo, porque são grandes e poderosos sem mais. E se penssasse que esses não são condenados porque os senhores magistrados são incapazes de provar a matéria acusatória? Que os senhores magistrados “escutam” muito e quase só para acusarem sobre “indícios” que, muitas vezes são verdadeiras ficções?

  25. Ena pá!!!
    Tantos a “bater” no mesmo!
    A “coisa” está a ferver!
    Mas acalmem-se, socráticos defensores. O PGR já veio declarar que as escutas, que já eram ilegais, agora também não passam de uma manobra com contornos políticos.
    Permitem-me que faça uma perguntinha ao Sr. PGR? Sim, é só uma, que eu não vos quero tomar mais tempo.
    Aqui vai:
    O Sr. PGR tirou aquela conclusão por convicção ao após uma longa e exaustiva investigação? Sim, que se os factos que o juiz de Aveiro referiu morreram na praia, será que a investigação foi apenas no sentido de provar a inocência do PM?

    Para terminar direi que quando a notícia não convém tudo serve para a desvalorizar, da mesma forma que direi o seu inverso, que quando a notícia nos convém tudo serve para a valorizar. O problema, no caso de José Sócrates, é que são já muitos casos e não me venham dizer que forma todos inventados.
    Depois, a falta de provas não demonstra que os factos não foram praticados mas isso todos nós sabemos, não é?

    P.S.: Alguém duvida que se as escutas fossem apenas “pessoais e privadas” (foi o 1º argumento de José Sócrates), se nela falassem apenas de “gajas” – por exemplo – e sabendo nós que José Sócrates é tudo menos tímido, ele não teria já pedido para que as mesmas fossem publicadas na íntegra?
    Espero bem que não haja anjinhos por aqui…

    (Se não houver mais nada a declarar, por mim dou-me por satisfeito)

  26. as ‘escutas’ ao burroso a combinar a guerra do Iraque e agora ao ataque com o Almunia e o rangido para conseguir juros mais altos a pagar por todos aos compradores é que foi um grande negócio, não? Para alguns claro,

    essas escutas não são publicadas, nem quantas cadeiras foram feitas por votação em RGA lá na licenciatura.

    Quanto aos casos do Socrates, espremendo tudo: umas coisinhas que nem se percebe se ofenderam alguma coisa substancial, bem vistas as coisas, mas nada que justifique o alarido todo excepto com um propósito construído à cabeça: derrubá-lo. Pois fundam os neurónios.

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