Seguro e Ana Gomes, atacando Mexia e Sócrates, fazem bem ao PS e à politica nacional, mas não pelas razões que imaginam possuir em seu favor, antes pelas contrárias.
Onde Seguro vê um escândalo com o dinheiro que este ano Mexia vai receber, eu vejo escândalo com a incapacidade de Seguro para explicar os milhares de milhões que os trabalhadores não vão receber. Falo das ideias para o desenvolvimento económico de Portugal, que não conheço uma que tenha nascido naquela cabeça tão subitamente preocupada com uma empresa e um indivíduo nela.
Onde Ana Gomes encontra desgosto em casas e cartas, eu encontro desgosto na estética da burrice e da deslealdade. Causticar casas rurais pelo seu aparato arquitectónico é uma exibição de superioridade intelectual típica do elitista marxismo, mas que todo o mal fosse esse. O pior é o desprezo pelos cidadãos que optaram por ter aquelas casas e que talvez nem conseguissem traduzir o paleio snobe da Ana Gomes. E, para cúmulo, atacar a carta de Sócrates é um caso de castigo à vítima. A intenção da carta é responder a uma manobra de difamação, e nela encontra-se uma postura descontraída, simples e frontal. Tudo características que Ana Gomes diria de si própria se convidada a descrever-se mas que não admite ao Primeiro-Ministro. Como uma vez escreveu o Miguel Sousa Tavares, e ele tem pinta de saber do que fala, as mulheres são volúveis.
