O troféu mais cobiçado

Nem tudo o que tem influência política tem origem política. Muitos dos ataques a Sócrates, num fenómeno a merecer investigação académica, são gerados por despeito, inveja, ferruncho. Apenas tal vazio moral explica o que se passou ontem na edição digital do Público, por exemplo, onde o passado profissional de Sócrates foi 1º destaque o dia todo.

A magnitude da campanha contra o engenheiro transformou-se numa caçada febril. Ele é o troféu mais cobiçado para alguns inimigos políticos, alguns empresários, alguns jornalistas. Enquanto uns vão endoidecendo debaixo dos holofotes na sua fúria, como o Pacheco, outros acumulam munição para disparar a partir dos telhados, como o Cerejo. E quando se junta um accionista, um jornal e uma redacção em uníssono odioso, temos terrorismo mediático, gás tóxico lançado para o meio da populaça. Os gaseados fazem o resto, estrebucham e desvairam.

Entretanto, os snobes de esquerda e direita estão com a pança cheia de riso porque descobriram a realidade arquitectónica da paisagem rural da Guarda nos idos de 80. Não perdoam a Sócrates o triste espectáculo que fere as meninas dos seus olhos. Se fossem eles os artistas, só teriam vendido projectos capazes de concorrerem ao Pritzker. E ai dos bimbos que quisessem as coisas lá à moda da terrinha.

Os snobes de esquerda e direita, quando toca à arquitectura, querem tudo em grande, espaçoso e bonito. São velhos hábitos.

33 thoughts on “O troféu mais cobiçado”

  1. Nos anos 80 era prática comum a construção de um edifício ser negociada e levada a cabo entre o proprietário e o empreiteiro, sem intervenção de outros. Só depois intervinham o desenhador e o engenheiro para se pedir à autarquia a legalização da obra. Cabia ao desenhador fazer o levantamento do edifício e desenhar as redes de esgotos, etc, enquanto o engenheiro fazia os cálculos e assinava todos os termos de responsabilidade.
    Alguns dos “bonecos” que têm aparecido na imprensa como sendo projectos da responsabilidade de José Sócrates são exemplos flagrantes de edifícios desenvolvidos ao longo dos anos pelos proprietários – devido às necessidades familiares, provavelmente o aumento do número de filhos, a compra de um tractor, etc – pontuados por intervenções realizadas em momentos muito espaçados no tempo, consoante o dinheiro amealhado.
    Não se pode, honestamente, atribuir a paternidade desses edifícios ao técnico que assinou os projectos de legalização, uma vez que a sua intervenção é posterior à execução da obra. A chatice é que os regulamentos exigem a apresentação de termos de responsabilidade e de direcção técnica da obra, assim como de um livro de obra, mesmo que esta já esteja feita há anos.
    Acredito piamente, porque conheço dezenas de casos semelhantes (e outros venais, que não vêm ao caso) que José Sócrates tenha assinado projectos desses para fazer um favor a desenhadores amigos, sem levar dinheiro, sem sequer ter visto o edifício ou acompanhado o decorrer da obra, sem que o dono da obra soubesse sequer quem assinava o projecto porque o seu único interesse era que a edilidade lhe passasse a licença de construção.
    Agora, se me perguntarem se acho que isso era correcto, apesar de corrente, eu direi que não. Mas as coisas estão a mudar, sabiam?

  2. Zeca, de acordo em quarta tudo, excepto no que toca aos honorários dos engenheiros.

    Regra geral, o que vendiam eram as suas assinaturas e não outros serviços.

    No caso em concreto, qualquer cenário é possível!

  3. Eu vou marcar um encontro com os ressabiados para os informar que quando o engenheiro era puto tambem foi á fruta . Isto mete nojo.Ai se a opa tem passado do que ele se livrava.

  4. Eu fiz obras inclusive numa casa antiga, que foi totalmente recuperada, nos anos oitenta e é como diz o Zeca Diabo eu só conheci o desenhador, o engenheiro só assinava. Só paguei ao desenhador que posteriormente fazia contas com o engenheiro. quem decidia da qualidade do projecto era a Câmara.

  5. Quanto mais aparece a direita psd/cds enterrada em milhões roubados, mais urgente se torna apear Sócrates do governo. Com um pouco de sorte, se forem rapidamente abafados os casos BPN, Submarinos e agora os tais blindados, o PM acabará por ser deixado em paz. Se não for de uma forma há-de ser de outra. Até poderão espicaçar o impreparado presidente PSD, PPCoelho, e este derrubar o governo destruindo o PEC ou alinhando numa moção de censura. Se esta história dos submarinois se complicar, vamos ter a bomba atómica em acção. Não “ouvem” o silêncio do presidente da república?
    Que estarão a planear os conspiradores, para evitar o afundamento dos submarinos e do «paquete» de luxo do BPN?

  6. Na maioria das câmaras a coisa ainda era mais simples. O oficial que punha o carimbo tinha a rede montada para fazer correr os papeis.
    O requerente só assinava o requerimento e pagava as coimas. O resto ficava entre os funcionários da Câmara, os técnicos amigos, e as assinaturas que algumas vezes eram pagas, outras nem isso. Daí talvez as assinaturas que atribuem a Sócrates serem algo diferentes umas das outras…
    Então sabendo-o longe e a tratar de ser deputado…
    Mas os pasquins têm que servir os donos, não é?

  7. A Estética é de Esquerda?
    O mau gosto é de Direita?
    Será que o facto, eventual, de os projectos não terem sido pagos torna aquelas casas mais bonitas?
    Ou são feias, de facto, porque José Sócrates deu (?) uma “borla” aos seus proprietários? Ou são feias porque o engenheiro-técnico (sem aspas…) não sabe fazer melhor?
    E se os projectos tivessem sido assinados por Siza Vieira, mereceriam outra análise?
    Se ter bom gosto é snob, ter mau gosto é ser Socialista (também sem aspas…)?
    Querem fazer de José Sócrates um novo Rei Midas?
    Ele ainda é humano ou já foi elevado à dignidade metafisica?

  8. Ó Val, outro dia não estavas a ser snob quando criticaste o Cavaco por o homem se gabar de viver num simples apartamento da classe média e gostar de comida tradicional, etc?
    Porque é que não aceitas as casas do Sócrates como boa propaganda populista? Não era o teu argumento no caso anterior?
    Aquilo que me parece é que o pm não é um gajo com muita classe nem uma inteligência fora do normal, mas quem sou eu para avaliar o gajo. Não é que eu me finte nada em nenhum dos outros líderes, é só uma opinião.
    Olha, e se falasses do PEC? Que é que achas daquilo tudo, das privatizações, etc? Aquilo é coisa de esquerda, de direita, que é que achas?

  9. Se percebi bem, o licenciamento de obras, nos idos de 80, pelo menos nalguns sítios, era uma mescambiha pegada, onde provavelmente até cairia mal alguém agir de acordo com a lei.

    Já sabíamos que o homem não era nenhum “rocket scientist”, mas sempre esperávamos que estivesse um pouco acima desta versão rasteira que os seus (dele) “amigos” aqui estão a usar para o “desculpar”.

  10. A marosca estava instalada não sei se ainda está, Se o engenheiro-técnico entrava na marosca era só mais um. “No passa nada”!

    A questão é se podemos ter ou não um primeiro ministro que fintou a lei? Se sim tudo bem, vivemos com isso! Se não tudo bem, faz de conta que é mentira.

    A mim tanto se me dá, mas há duas coisas que sei, este primeiro ministro eu não nem contratava para fazer o boneco de um casa nem para a governar, pois, já vimos que para ambas o homem não tem lá muitas aptidões!

  11. “Os snobes de esquerda e direita, quando toca à arquitectura, querem tudo em grande, espaçoso e bonito. São velhos hábitos.”

    E tu fazes gáudio da cultura de mediocridade. São velhos hábitos.

  12. Ó Ibn Erriq,
    Como sabe voccê que aquelas casas são medíocres? porque apenas conhece olha e compara com a arquitectura de capa de revista? ou para os palacetes da cidade? ou moradias com assinatura conhecida e recomendada?
    Por acaso sabe que as casas de campo e de aldeia obedecem, sobretudo à funcionalidade? que não é prioritário a beleza ou luxo da habitação mas sim ter o local onde guardar o tractor, ou os animais, ou os frutos colhidos da terra, e outros utensílios próprios dos trabalhos do campo, do cultivo e secagem ou tratamento posterior da colheita?
    Vá lá o Ibn projectar uma casa de campo, em meio inteiramente rural, e logo verá o que quer o pretendente e dono da casa. Explique-lhe o seu projecto com a beleza de salas Luiz xiv e logo receberá a resposta adequada.
    É uma idiotice ver as casas “feias” do campo contrapondo-as aos arquitecturados palacetes de aristocratas antigos, novo-ricos cavaleiros do comércio e indústria ou dos craques futebolistas actuais. Os Ibns “vêem” tais casas rurais tal como os jogadores da bola; com os pés.

  13. Adolfo, escolheu mal a sua vitima para despejar o fel. Sabe, sou nascido, criado e sempre vivido cá no campo, bem na província (nas berças como alguns gostam de dizer). Sabe, conheço bem a traça rural (cá do sitio) casa com dois pisos feita em pedra no primeiro vivem os animais racionais, no rés do chão (loja) é reservado aos gado!

    Sabes aquelas casas que nem forro tinham e que a neve “furaquiera” (provavelmente não conhece o termo)

    Mas que importa isso. Devia visitar umas destas aldeias de que falo e ver alguns dos horrores de contraste entre as casas típicas e as casas tipo “maison” mal paridas por um qualquer desenhador, regar geral, funcionário da Câmara Municipal e posteriormente assinado por um qq engenheiro e muitas vezes pertença de um emigrante. Ou então aquelas tipo chalé trazido o desenho directamente dos Alpes. Ou ainda algumas com as casas de banho viradas para os exterior. Enfim.

    Mas diga-me que raio tem a ver a funcionalidade com a estética, são antagónicas? O agradável à vista não pode ser funcional? acho que sim?

    Sabe, cá na província também temos casas com salões, solares e luxos de outros tempos, mas isso não era para qualquer um. Basta um passeata por uma qualquer aldeia de cá das berças para perceber quais eram os ricos da terra, sim não se via pelos mercedes parados à porta, mas sim pelo tamanho da eira, do “medeiro” e da casa.

    Enfim, pelos visto Vexa acha que nós os saloios toscos e temos mesmo é que levar com os mamarrachos, Enfim, é a sua opinião.

  14. Ó Ibn,
    A questão fundamental colocada e perguntada era saber porque considera o Erriq aquelas casas medíocres. Quanto a isso nada.
    Pôe-se a divagar sobre casas que agora são “típicas” e as ” maisons” importadas dos emigrantes e termina a falar de solares, salões e luxos de outros tempos: não estou interessado em solares nem em salões de espelhos ou outros que hajam aí. Aqui, no Barrocal algarvio, chamam-lhes “tipical” quer a umas quer a outras. Mas àquilo que hoje chama casa “típica” já tentou saber o que diziam delas os letrados e arquitecturados coetâneos?
    A funcionalidade e a estética não são antagónicos, e no pensamento não são nada, mas que a funcionalidade de uma casa de campo para lavoura, gado, oficinas, etc. condiciona de forma irreparável o conceito capa de revista ou livresco de arquitectura é inegável.
    A crítica das “tipical houses”, “villas”, etc. feitas por critérios políticos revelam-se, quase infalivelmente, provenientes de preconceitos pretenciosos de sobranceira literacia.

  15. É curioso, de facto, ver estas franjas da sociedade portuguesa preocupadas com a estética. Agora só falta uma investigação séria (e isenta) para provar que o Primeiro Ministro não se resiste a abanar a carola com o tony carreira, que grava todos os dias o preço certo e que sempre que pode não perde uma tarde com a júlia. E quase apostava que, perdido no tempo, já andou o menino da lágrima pendurado lá em casa, algures entre o hall da entrada e a parede da lareira.

    O ridículo da questão é que se o Sócrates fosse engenheiro agrónomo o mais provável era nunca ninguém se vir a preocupar com quantos hectares de eucalipto se tinha responsabilizado ou quantos de olival tinha transformado em campos de tabaco. Claro que se fosse advogado pouco importava quantos vilões já tinha defendido, ou quantas das empresas já tinham falido das que tivesse assessorado caso fosse gestor.

    Mas, bem vistas as coisas o Engenheiro José Sócrates teve muita sorte porque a pecuária não deve ser uma actividade económica relevante na Guarda. Em algumas outras regiões do país, era quase certo que podia contar com uma boa meia dúzia de lagoas de merda de porco no currículo.

  16. Se alguns comentadores dão o seu ámen a tudo o que José Sócrates faz, em todas as fases da sua vida, porque razão se escondem atrás de conceitos estéticos, funcionais, políticos ou quaisquer outros?
    Não seria mais fácil e transparente assumir que, para esses comentadores, o actual PM – José Sócrates de seu nome – também nunca se engana e raramente tem dúvidas?
    Se esse comentadores pensam que aquelas casas são horrendas porque são funcionais.
    Que são horrendas porque os seus proprietários assim o quiserem.
    Que são horrendas porque os outros, os snobs, só gostam de casas estilo Luís XV, que haverá para contrapor?
    Nada.
    Inserir as casas no seu ambiente natural? Não é preciso.
    Manter a harmonia estética da paisagem? É supérfluo.
    Construir mamarrachos? Sim, sem dúvida alguma. Porque não?

    Alguém referiu os eucaliptos?
    É uma excelente imagem, de alguém que seca tudo à sua volta.
    José Sócrates como criador de porcos? Fico-me por aqui para não ser desagradável.

  17. Pelo empenhamento na questão, Mário Pinto, é justo que se reconheça que és a pessoa indicada para promover um casamento de conveniência entre o Passos Coelho e o Louçã para que seja criada uma Comissãozinha de Estética no Parlamento.

    Já agora, de Estética e Aromas. É que ir repescar novamente ao baú as casinhas da Guarda cheira um bocadinho a mofo. E pelos atentados urbanísticos , esses sim gravíssimos, que se têm cometido no país nas últimas (muitas) décadas, olha que não faltará assunto para discutir nessa “tal” de comissão. É que casinhas como estas da Guarda há para aí a pontapé. Ainda vão ter que atribuir ao Engenheiro a autoria de uns milhares largos de projectos.

  18. tra.quinas

    É só isso que tem a dizer?
    Vá lá?! Por momentos fiquei preocupado. É que pensei que viesse desmentir o que escrevi, mas não.
    Limita-se a atirar postas de pescada, ainda que podre.
    Ainda assim digo-lhe que aquelas casas, mesmo que tenham 500 anos, continuarão a ser horríveis.
    Você gosta delas? Melhor para si. Que seria do amarelo se não fosse o mau gosto?
    Há muitas mais? Pois há, infelizmente. Terá sido nelas que José Sócrates se inspirou para projectar aquelas “obras primas”?
    Para si, se houver muito lixo, este deixa de o ser.
    Muito bem. Fiquei esclarecido.

  19. Adolfo Contreiras, Exa,

    vejo que mudou o tom discursivo, baixaram os níveis do fel, ou caiu em si e percebeu que não poderia discutir o assunto das casas de Guarda? Bom, seja qual for o motivo digamos que é sinal de esperteza.

    Dá para perceber pela sua conversa que não percebe patavina da coisa e mistura assuntos. Uma vez que é homem do Barrocal (do Barrocal nada bom nos espera), não me vou alongar em explicações.

    1 – As casas nas aldeias não são obrigatoriamente casas dedicadas à actividade agrícola, aliás, cada vez são menos, Venha dar um volta pela Beira Alta e por Trás-os-montes e verá do que falo.

    2 – Poderia apelidar os projectos assinados por JS de medíocres, mas não o fiz, mas no afã de espalhar o seu fel nem percebeu o que escrevi, temos pena!

    3 – Se gosta de mediocridade, se gosta de nivelar por baixo, é lá consigo, mas não espere a minha solidariedade.

  20. Mário Pinto, julgas que ficaste esclarecido mas fazes mal em enganar-te a ti próprio. Desmentir o que escreveste? Para me dar a esse trabalho era preciso que tivesses escrito alguma coisa de jeito e não um chorrilho de banalidades e de pseudo conceitos a dar para o entendido em paisagem urbana ou rural, ordenamento do território ou usufruto do espaço público e relacionamento entre projectista, cliente e utente.

    Aliás, ainda não percebi, se hoje estás especialmente em baixa rotação para poupança de combustível, ou se és sempre assim. Ou tu, ou eu, porra! É que fala-se de alhos e tu compreendes bugalhos, para não dizer algo pior que também rime.

    Quanto ao lixo, de facto é o que não falta para aí. E muito não reciclável. Sobretudo comunicacional, onde se integra esta estratégia de substituir o combate político pela análise do início de carreira profissional de alguém. Pois a revirar esse lixo é que te garanto que não me apanhas. Nesse particular podes dar-te mesmo como esclarecido. Quanto ao resto, duvida.

  21. concordo que é completamente ridículo, para não dizer imbecil, vir-se com as casa que o pm terá assinado em início de carreira, quando vêm os submarinos à toa e os grandes negócios de Estado. Uma bombinha de Carnaval contra a atómica?

  22. Z, &, ⅀, ou simplesmente coisinha,

    E por haver um assunto da gravidade dos submarinos não se pode falar de outras que estão também mal?
    Não me digas que és como o iphone e o ipad, não tens multitasking? Está na hora de fazeres um upgrade para qualquer coisa decente!

  23. Não sei de onde me conhece para me tratar por “tu” mas adiante. Devemos ter andado na mesma escola e eu esqueci esse facto.
    Ou então você é daquelas pessoas que pensa que conhece todo o mundo, quando na verdade nem a si próprio se reconhece. Enfim.
    Ao contrário das pessoas que estão hipnotizadas por José Sócrates como parece ser o seu caso, todas as outras olham para aquelas casas como exemplo do mau gosto e da falta de respeito pela paisagem onde estão inseridas.
    Não. Não é necessário ser arquitecto para ficar horrorizado com aqueles mamarrachos.
    É que sabe, tra.quinas, do caso Freeport parece não haver provas.
    Do caso “Face Oculta” também parece não haver provas.
    Do eventual plano para controlar a Comunicação Social também parece não haver provas.
    Mas dos projectos reconhecidamente assinados por José Sócrates há provas!
    As casas estão lá!
    Aqueles abortos urbanísticos não deixam mentir e só os cegos como você (e estou a ser simpático, acredite) é que insistem em não querer ver a realidade.
    E repare que nem estou a referir-me às circunstâncias em que aqueles projectos foram assinados.
    Pode ter sido tudo muito legal, mas quando sabemos das dificuldades levantadas pela Câmara da Guarda ao jornalista que investigou o caso, faz desconfiar que – uma vez mais – a lei tenha sido contornada.
    Tenho para mim que quem não deve não teme mas parece que há pessoas que parecem temer muito, até a própria sombra.

    E pronto. Dediquei-lhe mais tempo do que certamente você mereceria mas eu ainda hoje não tinha feito a minha boa acção diária.

  24. Então e queres que te agradeça a boa acção, é Mário Pinto? Pois eu tenho para mim que tentaste foi fazer a boa acção a ti próprio, saíste-te mal e ainda vens com desculpas. É que confesso, não aprendi mesmo nada com a tua declaração. Corrijo. Aprendi, sim senhor. Aprendi que tu és mais uma daquelas pessoas que se refastela a fazer desconfianças e suspeitas sobre o trabalho dos outros.

    Mais, sabes que há décadas que a regulamentação de construção tem articulado específico (por sinal, causa de bastante controvérsia) que dá às Câmaras Municipais poder para indeferir todo e qualquer projecto de arquitectura alegando causas exclusivamente estéticas. Eu disse bem, há décadas. Será que percebes o verdadeiro alcance do enunciado? Exactamente… em última análise a culpa de toda a degradação urbanística do nosso território, do aspecto deplorável da maior parte das nossas cidades, vilas e aldeias é das autarquias. E já agora, onde é que tu me leste que acho as casinhas da Guarda muito bonitas para vires com esse paleio todo de vendedor de banana.

    Mas o início do teu comentário não deixa dúvidas: refugiaste na questão do tratamento por tu para levantar poeira, tipo espalha brasas, e para fugires ao essencial. Se calhar querias que te tratasse por meretíssimo, não? Ou então és daqueles que pensa que a blogosfera é só promiscuidade: hoje é tu cá tu lá na conversa, amanhã já é a mãozinha por cima do ombro e para a semana sabe-se lá o quê.

    Pois eu não tenho paciência para finórios e que sejas muito feliz com esse pretenso respeito e cordialidade porque eu não meço isso pelo tu ou pelo você e utilizo outros indicadores. Indicadores que, por acaso, nem sempre respeitas, mas era só o que me faltava vir para aqui fazer queixinhas.

  25. tra.quinas

    As Câmaras são as responsáveis? Pois serão, mas não deixa de ser verdade que o autor daquelas aberrações foi José Sócrates e isso é indesmentível. E isso não é desconfiança, é a realidade, por muito que você a negue.
    Diga-me lá em que aspecto eu fugi. Que essencial? Refere-se às comissões por si referidas? E fui eu quem trocou alhos por bugalhos? Pois…
    Quando me referi ao tratamento queria lembrar-lhe que não é por me tratar por “tu” que fica igual a mim. Isso não é assim tão fácil, sabia? Tem que ler mais mais e tirar essa pala que o obriga a olhar sempre na mesma direcção.
    Às outras suas banalidades darei resposta em noutra altura, se o meu caro me der o prazer de se cruzar de novo comigo.

  26. E o homem alguma vez negou a responsabilidade dos projectos? Está visto que tu descobriste recentemente a pólvora. E seca.

    O essencial é o óbvio, Mário Pinto. Mas um gajo tem que te explicar tudo tim-tim por tim-tim. Vai lá perguntar aos proprietários se as casinhas não são uma maravilha. E já agora, quantos dos vizinhos se importariam de as possuir. Essa pretensão bacoca de ser o fiel do gosto e da beleza só tem uma classificação e ela já está escrita, e bem, na caixa: é ridícula.

    Mas tu não gostas de algum tipo de arquitectura, não é? Não tem problema. É só indeferir os projectos de arquitectura, elaborar os pareceres justificativos, chamar os autores dos projectos à pedra e, de forma subtil, claro, dar-lhes a entender que eles são uns trengos na matéria e quais as alterações que devem ser introduzidas para a “coisa” ficar uma obra prima. Vais ver que em duas ou três décadas este país é, todo ele, uma óbidos encantada.

    Não te sentes habilitado para o fazer? Daí as vantagens da tal comissão de estética. Mas tu não apreciaste a ideia. Eu percebo. Não tarda nada, a oposição em peso está capaz de banir a palavra comissão do léxico.

    Agora, essa do tu igual a ti foi mortal, confesso, Mário Pinto. As minhas postas de pescada estão podres, como dizes. Esgatanhar-me-ei todo para ser só espinhas como tu.

  27. tra.quinas

    Agora sim, voce escreveu algo acertado:
    “Agora, essa do tu igual a ti foi mortal, confesso, Mário Pinto. As minhas postas de pescada estão podres, como dizes. Esgatanhar-me-ei todo para ser só espinhas como tu.”
    Eu sabia que você chegaria lá. Vale mais tarde do que nunca, não é?
    É a vida…

  28. A ideia de que mais vale dizer disparate do que estar calado sempre fez escola. Escola velha. Quanto a isso não há nada a fazer. Nem as super capacidades cognitivas do Homem, resolvem. A associação com malhar em ferro frio é curta.

  29. tra.quinas

    Você é um excelente exemplo dessa escola!
    Com mais algumas tiradas destas e você ainda me consegue convencer de que não se limita a escrever disparates…

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