Todos os artigos de Valupi

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Apesar de Martim Avillez ser o responsável máximo pela filha-de-putice que o labrego do Mascarenhas fez contra o Jumento, esta carta desperta simpatia e empatia.

Quanto ao mais, é curioso como os investidores na comunicação social não se dão conta da evidência: há um público maioritário que quer jornalismo, não quer o Zé Manel de Belém, as campanhas contra o engenheiro, a derrota do Estado de direito, o vale tudo dos ranhosos e dos imbecis. Porque o jornalismo, quando tem a coragem e os meios para ser idealista, dá sentido ao mundo. Retira-o quando se torna partigiano.

Why Atheists Are More Intelligent than the Religious

É o que anda a tentar demonstrar Satoshi Kanazawa, um psicólogo evolucionista.

A tese é esta: acreditar em Deus, ou deuses, é natural, ser ateísta não é natural; logo, a inteligência que se adapta ao natural é menos inteligente do que a inteligência que se adapta ao que não é natural. O argumento invoca a evolução e sua constante novidade.

Para mim, esta tese é simplista e falaciosa, até ignorante. A crença no divino não se resume a ser um salto antropológico que se confunde com a própria identificação de uma consciência humana, tem sido também uma força que levou à filosofia e à ciência. A religião em nada se opõe ao intelecto, é precisamente ao contrário. Outra questão é a da moralidade e da política, as quais podem remeter para a religião na sua vontade de poder ou retórica. Contudo, é preciso nada saber do que é o Ocidente para justificar a abolição do poder religioso em nome do progresso científico.

Que pensas deste assunto?

Marketing do escudo

Encontro, fora de Lisboa, anúncios em bombas de gasolina onde se comunica em escudos e não em euros. E faz todo o sentido. Entre Desconto de 9 cêntimos e Desconto de 18 escudos, os nossos neurónios preguiçam e respondem ao estímulo imediato: o número maior.

Hei-de sugerir a um gasolineiro a experiência de comunicar o desconto em reais. Vai ter uma enchente.

Educated guess

As notícias do caso Figo/Taguspark, a confirmarem-se, são boas tanto judicial como politicamente. No plano da Justiça, é um alívio ver um processo com esta importância política chegar a resultados preliminares com rapidez. Politicamente, vai permitir testar uma hipótese sociológica acerca do PS.

Obviamente, os acusados estão inocentes. Só deixarão de estar se forem considerados culpados pelo Tribunal. Todavia, e visto de fora, é impossível escaparem ao julgamento popular que não deixa margem para dúvidas – as informações publicadas pela comunicação social indiciam acto corrupto. O que leva a questão para Figo, o único que detém a chave da situação se não existirem provas concludentes. Porque a acusação deixa de fazer sentido se Figo não foi cúmplice de nenhum artifício ilícito, antes de livre vontade apoiou o PS na campanha eleitoral para as Legislativas, como tem alegado desde que o caso rebentou.
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Génio de Carvalhal

A última coisa que o Sporting pretende é que o Benfica deixa escapar o título. A visão de um cenário onde até o Braga ganha campeonatos é pesadelo que não deixa dormir ninguém em Alvalade, sonâmbulos incluídos. Carvalhal, um génio capaz de alterar o futuro a partir do passado, tratou logo de garantir a Bettencourt que sabia bem o que fazer. Para começar, excluir Vuk dos convocados. O seu agente tinha declarado há uns dias que mais valia mandarem o rapaz embora se não o queriam a jogar, pelo que as dúvidas terão desaparecido. Este foi o 1º sinal de que a equipa estava disposta a aceitar qualquer sacrifício para ajudar os lampiões, até a perder o seu jogador mais criativo. O 2º sinal veio com um toque de génio só ao alcance do génio de Carvalhal, isso de meter no meio-campo dois médios defensivos e um defesa. Esta fórmula destina-se a criar uma barreira intransponível para o ataque leonino. E resulta sempre.

Dessocratização em curso

Paulo Rangel queria dessocratizar Portugal através de um verrinoso e maníaco plebiscito à idoneidade de Sócrates como cidadão e sujeito psicológico; tendo como arma de destruição cognitiva, infelizmente nada secreta, a sua estridente e esganiçada voz de bácoro em dia de festa. Seria a continuação do hercúleo trabalho do Pacheco, o qual assumiu a tarefa desde Agosto de 2008, logo a seguir ao tiro de canhão dado por Belém em direcção aos Açores. Pacheco foi notável nesse serviço, identificou-se com a personagem com todas as células do seu organismo e enlouqueceu pelo caminho. Deixou de ser a Anita Ekberg assobiada pelo Menezes para se tornar na Romy Schneider esquecida pelo partido, só o loiro é o mesmo.

Passos Coelho, durante a campanha, prometeu varrer o Governo e a Procuradoria do mapa, mas era tesão do mijo. Logo no noite da vitória, apresentou-se murcho e a precisar de dormir. No congresso, garantiu ser um bom rapaz, Cavaco podia contar com ele para que nada atrapalhasse a caricata recandidatura. Pelo que o actual PSD tem só uma figura de interesse neste momento: António Nogueira Leite. Este texto, entre outros, tenta explicar aos ranhosos que uma direita vencedora não se deixa acobardar e desvairar, nem mesmo perante um formidável adversário como Sócrates. Foi o medo que levou à obsessão com o engenheiro, para gáudio de um PS que é neste momento o único partido com cultura de governação. A estupidez, como tão rigorosamente frisa Nogueira Leite, da estratégia de Cavaco, Manela e Pacheco só conseguiu reforçar a credibilidade do PS – o qual tem diversas soluções na manga para substituir Sócrates e garantir tranquilamente mais um ciclo de Poder quando for necessário. Só cagões cagados é que não o perceberam, não o entendem e talvez nunca o compreendam.

Entretanto, Sócrates é mesmo formidável – são os seus inimigos que o dizem, e mostram, desde 2005. Eis uma das mais interessantes questões para os próximos 20 anos na política nacional, essa de saber o que vai acontecer ao seu legado e à qualidade governativa das figuras que congregou à sua volta. Mas, para já, venham mais tentativas de assassinato de carácter, mais instabilidade parlamentar, mais boicotes e agendas sindicais. Temos de beber o cálice até ao fim.

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Chama-se Criticus e um dos seus sócios-gerentes, Miguel Oliveira, soube apresentar o pedido para ter aqui na casa um momento de publicidade às camisolas que criam. Como esta:

Para Braga, os meus votos de boa sorte e bom humor.

Esta direita está torta

Os programas de debate político, televisivos ou radiofónicos, são espaços que prometem análise e reflexão; mas que raramente ultrapassam o nível primeiro, e primário, do entretenimento. Fenómeno que não tem mal algum, the show must go on e quem quiser que se informe e pense pela sua cabecinha. Pessoalmente, só lamento não saber quanto é que os bacanos ganham. Que pena não termos acesso a uma tabela comparativa, descobrir se a SIC paga mais do que a TVI ou se num mesmo programa há quem ganhe mais do que o colega. Como estamos perante uma indústria da opinião, já era tempo de se tornar público o pilim envolvido, pode despertar vocações.

A característica mais irritante nalguns deles é o amiguismo compulsivo e ostensivo, isso de não se controlar a excitação de estar ali a debitar sentenças para a populaça. Desatam a mandar piadinhas uns aos outros, felizes da vida por poderem festejar os seus laços de ternura em palco. Neste particular, talvez não exista programa mais insuportável do que o Governo Sombra, na TSF, de si já um híbrido falhado entre a política e o humor. O Eixo do Mal é outro que tal, mas o que me interessa agora destacar é o A Torto e a Direito.
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Sinistra

O sucesso do PCP é estritamente do foro religioso, uma crença acrítica e messiânica, daí o conservadorismo do partido – mudar é morrer. O sucesso do BE é estritamente do foro do marketing, o apelo conjuntural e corporativo, daí a plasticidade do partido – mudar é viver. Estas forças não admitem ser parte de nenhuma solução governativa que inclua um PS democrático, só com um PS que ceda à tirania ideológica que professam admitem partilhar responsabilidades e trabalhar em conjunto. E não se vislumbra alteração no fanático marasmo.

Como é que se sai deste desperdício de votos? É preciso ter em conta que a imbecilidade da esquerda imbecil leva a que nada de fundamental tenham alterado, ou influenciado, no modo como os poderes fácticos operam. Portugal não é menos corrupto, mais justo ou mais produtivo por qualquer acção ou proposta que associemos directa ou exclusivamente ao PCP e BE. O desfasamento entre as exigências grandiloquentes e a recusa em negociar desvela uma lógica de barricada e boicote. Pelo seu ideário, PCP e BE olham para um regime democrático como uma anomalia histórica a ser superada. Eles não admitem misturas com o inimigo.

Portanto, voltemos à puta da pergunta: como é que podemos sair desta funesta inércia à esquerda? Paradoxalmente, a solução passaria por um muito maior conhecimento das doutrinas, dirigentes e activistas do PCP e BE. O Bloco até nem se pode queixar, pois tem sido levado ao colo pelo capital que domina a comunicação social, mas só conhecemos enlatados para consumo fora de casa. Sem a coesão garantida pela vedeta mor, rapidamente o partido se fragmentaria em querelas fratricidas em tudo iguais à que existe entre BE e PCP. Quanto ao PCP, é uma reserva de dinossauros cada vez mais básicos, como se pode ver pelas novas caras que vão aparecendo. Quando o Bernardino tomar conta daquilo, até G-3 voltarão a ser armazenadas pelos camaradas. Estudar o programa do PCP, ouvir as suas figuras mais importantes, detalhar o mundo que se sonha e ambiciona no partido comunista mais ortodoxo da Europa, são actividades que ajudariam decisivamente a alterar o mapa eleitoral.

O discurso destes dois partidos esconde uma postura que diminui o real poder daqueles que alegam representar e defender: os mais fracos, os mais pobres, os trabalhadores. Acontece que os mais fracos, os mais pobres e os trabalhadores não querem diabolizar Sócrates, derrotar o PS e dar o coiro pela revolução. Quem ocupa o seu calendário com esses jogos é a imbecil elite partidária, e por esta ancestral razão: tem tempo para isso.

Dar bandeira

Na verdade, nunca amámos a Bandeira, gostámos de cantar o Hino, soubemos de cor a História. Teve de ser um brasileiro, e por causa do futebol, a cobrir o País de rectângulos verde-rubros.

Logo, o pessoal de Valença, ao encher a terra com bandeiras de Espanha, só consegue irritar o Carlos Queiroz.

Asfixia Alvar

Quando é que os 30 castiços que foram para a Assembleia da República sacrificar a sua querida hora de almoço voltam a reunir-se para decidirem novas manifestações de força e patriótica indignação face às revelações na Comissão de Ética? Afinal, já se descobriu quem deu cabo do magnífico Governo santanista!

Se estiverem com falta de ideias, aqui vai uma: enfiem-se numa estação de Metro e parem as carruagens em nome da liberdade de expressão e contra o plano do Governo para calar Moura Guedes via PT. Basta esticarem o bracinho ou, para os mais compungidos, não sair do lugar.