Why Atheists Are More Intelligent than the Religious

É o que anda a tentar demonstrar Satoshi Kanazawa, um psicólogo evolucionista.

A tese é esta: acreditar em Deus, ou deuses, é natural, ser ateísta não é natural; logo, a inteligência que se adapta ao natural é menos inteligente do que a inteligência que se adapta ao que não é natural. O argumento invoca a evolução e sua constante novidade.

Para mim, esta tese é simplista e falaciosa, até ignorante. A crença no divino não se resume a ser um salto antropológico que se confunde com a própria identificação de uma consciência humana, tem sido também uma força que levou à filosofia e à ciência. A religião em nada se opõe ao intelecto, é precisamente ao contrário. Outra questão é a da moralidade e da política, as quais podem remeter para a religião na sua vontade de poder ou retórica. Contudo, é preciso nada saber do que é o Ocidente para justificar a abolição do poder religioso em nome do progresso científico.

Que pensas deste assunto?

149 thoughts on “Why Atheists Are More Intelligent than the Religious”

  1. Russel, Einstein e muitos outros demonstraram que a questão religiosa é um desafio inevitável para os grandes cientistas, não?

  2. Discordo totalmente, Val, que a crença tenha conduzido à filosofia e à ciência. Nem sei onde foste escavar tal ideia. Podias dar uma olhadela à obra recentemente publicada pela psicóloga e filósofa Alison Gopnik – O Bebé Filósofo – para teres uma ideia mais acertada de «como tudo começou»…Nascemos com uma «gana» incrivel de aprender, não de acreditar. Só quando o pequenino ser humano não consegue realizar «mapas causais» acerca do mundo que o cerca e com o qual interage é que fica perturbado e na indecisão pode ansiarr e acreditar que tudo dê certo. Mas primeiro aposta na compreensão do nexo cauda e efeito.
    A fé será o último passo do ser humano, confrontado com o Mistério insondável do Universo…

  3. Em tempo.
    O que tens visto é a crença tentar sistemáticamente sujeitar o intelecto aos seus anseios. É compreensivel, para quem não compreende o mundo onde se descobre. Depois de perceber, no dia-a-dia, uma série infindável de acontecimentos em que determinadas causas produziam sempre os mesmos efeitos, o homem assustou-se com um fenómeno cujas causas desconhecia, mas cujos efeitos era um um raio que o partir todo. E criou Jupiter, depois de tanto filosofar…
    A afirmação palerma desse tal Satoshie obnubilou-te o pensamento ou então foi o adiantado da hora. Acontece a todos.

  4. cabrinha-mor,

    agora tenho uma internet com personalidade própria completamente imprevisível, tanto se lhe dá para me deixar passar como não, mesmo comigo à pantufada, embora com uma pantufada cósmica vá lá, diz que é da rede, mas vou ficar assim uns tempos…

    as time goes by

  5. O mistério insondável do Universo não existe. O Universo existe porque é. O Ser explica-se a si próprio. Basta ler Álvaro de Campos para perceber isto (o pior cego é aquele que não quer ver).
    As religiões monoteístas que instituem os conceitos como o de “pecado presenciado às escondidas pelo Big Brother”, o qual castiga quem peca e promove quem é “certinho”, contribuíram muito para a domesticação dos impulsos naturais do comportamento humano, dos impulsos anti-sociais. Isto é, essas religiões promoveram a automatização de hábitos de conduta que são bons para a sobrevivência do homem quando ele é obrigado a viver em sociedade. Por isso se diz que as religiões foram segregadas pela mente humana como ferramentas para a sobrevivência. Como as garras, nos animais que necessitam trepar.
    Para mim, isto é uma evidência. Não preciso de acreditar que isto é assim. Mas também não me considero mais inteligente por isso.

  6. A minha filha não teve educação religiosa, mas, durante o primeiro ciclo frequentou uma escola e viveu numa comunidade onde a religião tinha um peso considerável. Todos os seus colegas frequentavam a catequese e iam à missa. Quando questionada se gostaria de os acompanhar, respondia que não, que os amigos diziam que aquilo era uma seca. Agora, mais crescidinha e em contacto com outras crianças, mantém que a religião não lhe diz nada, já fala de intolerância, e afirma: ‘mas também não sou ateia, eu não sou nada’. Portanto, é favor os senhores pensadores destas coisas prepararem-se para os que não são nada. :)

  7. Ola Valupi,

    Não terei tempo para discutir (com pena minha), mas eis o que eu penso :

    A questão não esta bem colocada, porque “religião” em abstrato não quer dizer muita coisa, e porque a oposição tradicional entre “religião” e “ciência” é uma forma caricata e muitas vezes imbecil de lidarmos com os nossos fantasmas.

    Vamos la ver uma coisa. A pratica que consiste em dar à “razão”, ou seja à apreensão racionalizada dos factos mediante a sua submissão a uma forma de deliberação “objectiva”, uma importância fundamental na orientação dos nossos comportamentos e da nossa vida, individual e colectiva, nasce ela propria de uma “crença” e começa por se apresentar como uma nova “religião”. E, alias, vale apenas o que vale uma crença !

    Socrates não foi processado porque “blasfemava”, mas porque a sua atitude era considerada como uma nova forma de “religião” que chocava com a forma tradicionalmente aceite.

    Por essa razão, ja aqui deixei comentarios explicando que o “ateismo” pode ser caracterizado como uma crença. Na minha maneira de ser ateu (que não pretendo ser a unica, nem tão pouco a melhor) existe espaço de sobra para crenças religiosas. Por exemplo, eu, como ateu, tenho uma crença religiosa acerca de Deus : acredito que ele não existe…

    Isto não quer dizer que não haja diferença entre representações racionais e representações irracionais. Apenas não existe maneira de vivermos como se umas, ou as outras, fossem dispensaveis. E é precisamente essa fantasia (falsa e até perigosa) que é pressuposta pelo texto de que falas.

    E’ obvio, e ja o era para os antigos, que a razão nos permite apreender as coisas que nos rodeiam por forma a podermos orienta-las melhor, e mesmo às vezes por forma a podermos domina-las e submetê-las aos nossos desideratos.

    Não é menos obvio, e era uma evidência para os antigos, que a razão não chega, nem nunca chegara, para submetermos completamente o universo à nossa lei. Alias, ainda que isso fosse possivel, é mais do que discutivel que isso nos traria o que queremos, e que pedimos à razão de forma acritica, como se ela não fosse a primeira a saber traçar os seus limites.

    Portanto estamos a falar de uma oposição falaciosa, caricata, comoda no café mas vazia de sentido. Nem a religião se pode definir como uma forma de menosprezar a razão (muito pelo contrario é pelo uso da razão que a maior parte das religiões colhem os seus adeptos) nem a ciência rigorosa é avessa à consciencia dos seus limites (muito pelo contrario, a ciência sustenta-se de conhecer os seus limites).

    Bom e agora, como tenho pouco tempo e estou em dia de magnanimidade, dou-te os meus parabéns anticipados por concordares comigo.

    Bom fim de semana a todos.

  8. João Viegas,

    penso exactamente o mesmo.

    A atitude fanática que assume que quem vê o universo de forma mais religiosa é cego por oposição aos que apenas vêem o que a ciência diz para se ver nem sequer tem nada a ver com racionalidade…

  9. Pois não…. erradamente assumiu o caracter ) como fazendo parte do link – eu devia ter dado um espaço. É só apagares o “)” a mais no endereço e já funciona.

  10. A tese avançada por Satoshi Kanazawa é reducionista, demasiado simplista.
    Haverá uma fronteira nítida entre um ser religioso e um ser ateísta? Não seremos nós, em maior ou menor grau, religiosos no sentido de crença em algo, não forçosamente crença em deuses institucionalizados? Seremos todos menos inteligentes?
    A religião não se opõe ao intelecto. Pode haver conflito entre preceitos religiosos interiorizados e o que há realidade pede, mas a “religião” ou crença em algo também serviu de formidável alavanca para grandiosos labores humanos concretizados. Não me refiro a desvios contemporâneos. Refiro-me ao que o homem construiu de melhor pela força da crença.

  11. Tereza,

    na minha opinião, a Fé opõe-se tanto ao intelecto quanto o sentir se opõe ao distanciar.
    O intelecto opõe-se à Fé tanto quanto o instinto controlador da realidade se opõe ao sentimento de submissão.
    Estas duas dimensões tornam o ser humano mais completo, mais…humano.

  12. Penso que a tese em causa é completamente disparatada; cai por terra assim que põe a hipótese de que acreditar em Deus é que é natural. Para mim acreditar em Deus é uma abstracção bem mais complexa que aceitar a realidade como ela nós é apresentada.

  13. o que é que eu penso. olha, penso que a memória, a imaginação, o juízo, o raciocínio, a abstração e a concepção são um todo de partes e que cada parte – focando-me agora na religião – pode ou não estar recheada de religiosidade. a estar, aborve mais ou menos tudo e depois a balança pesa sempre para um lado.

    (ou se já estufaste cogumelos inteiros sabes do que falo) :-)

  14. tereza, religião e intelecto são duas coisas distintas. O que eu quis dizer é que a religião não é forçosamente um entrave ao intelecto.

  15. Só agora reparei que meti o verbo haver lá para cima em vez de meter o artigo. Foi por ainda não ter almoçado :-)

  16. Tereza, a Fé é um dom que só Deus concede. É algo da categoria da Motivação, do Desejo. É algo que António Damásio anda a tentar dominar, descobrindo os mecanismos de como essas “coisas” habitam o corpo humano.
    É caso para dizer “Deus nos livre” dos dias em que a ciência dominar a Motivação do ser humano. Nesses dias, uns pozinhos de Ritalina, Xanax e outros, lançados de avião ou dissolvidos na água que bebemos farão maravilhas pelos partidos políticos que tiverem o poder e os conhecimentos suficientes para usar essas drogas. Já é assim com os media!

  17. lembrei-me de uma coisa interessante :-)

    (tenho a certeza que por não ter qualquer formação religiosa – por obrigação e imposição – sou tão destabusada e, por isso, tão inteligente: o meu olho é mais abrangente) :-)

  18. tereza, o Manolo já deu uma boa resposta. Estou a referir-me à religião enquanto crença, fé, algo do domínio da Motivação ou Desejo, como referiu Manolo. Trata-se de uma religião que deduz tudo a partir de uma crença e nega qualquer raciocínio que venha corroborar o sistema implantado pela fé. Quanto ao puro intelecto, refiro-me à nossa máquina calculadora que é o nosso cérebro, a parte do cérebro alheada a fantasias, imaginações, invenções, etc.
    Se um homem não sonhasse e fosse todo ele regido por um cérebro mecanicista, seríamos nós humanos? Que teríamos nós inventado? Seríamos pau, pedra, mas humanos, não.

  19. alto lá que fé nada tem que ver com religião. eu sou, até, bastante féosa. :-)

    (por falar nisso, Val, amor, Valor, logo podemos jantar mais cedo. faço cogumelos e discutimos ao jantar. mas não esperes papos de anjo nem barrigas de freira para a sobremesa: eu tenho, para nós, uma surpresa agridoce comó diabo).:-D

  20. Tereza, os desígnios de Deus são insondáveis, até porque ele é Intemporal, o que Lhe concede por acréscimo a Omnipresença (Ele existe também no eixo dos tempos, a quarta dimensão). Nós não sabemos os porquês de muitas coisas porque estamos espartilhados pelo Tempo; só conhecemos o passado recente e desconhecemos todo o futuro.
    Deus é infinitamente bom porque trata todos os Seres de Deus de forma igual, sem preferências; entregando-os às Leis da Física e da Biologia (que são também as Leis de Deus).

  21. “Deus é infinitamente bom porque trata todos os Seres de Deus de forma igual, sem preferências; ”

    Manolo, se Deus é assim e a Fé é um dom por ele concedido, porque o concede a uns e não a outros?

  22. Acreditar no divino passou a ser ‘natural’ pelas mesmas razões que a utilização de utensílios, do controlo do fogo, da roda, da escrita, dos números (curiosamente, vi um documentário onde mostravam uns indígenas australianos que não têm a noção dos números (!)), as armas e por aí fora. São tudo invenções que rapidamente passaram a ser ‘naturais’ para todas as culturas. Os deuses uma vez inventados, não só se espalharam como dificilmente se abdica deles. Quando uns morrem, imediatamente aparecem outros a substitui-los. Significa perder muito poder, ainda hoje. :)

  23. Não sou crente. Sou católica da mesma forma que sou portuguesa, não por escolha mas por a portugalidade e o catolicismo terem, também, contribuído para a formação da minha personalidade.

    Há quase quinze anos a minha filha mais velha estava no hospital com um prognóstico de minutos de vida. Poucas ou nenhumas hipóteses teria de sobreviver. No corredor, fora do berçário a que só eu tinha acesso, acotovelavam-se avós, tias e carpideiras em geral. A palavra de guerra era baptizado, a menina tinha de ser baptizada. Não era assunto meu mas se lhes era importante tratassem disso. Sei o suficiente do catecismo para saber que qualquer pessoa, numa situação de vida ou morte, pode baptizar. Ninguém o quis fazer.

    Baptizei a clara com um cotonete. Já disse que não sou crente, não já? Ainda hoje não consigo ter uma explicação racional para o que fiz. Tenho muitas, todas válidas, mas eu sei que não passam de fugas para a frente porque eu sei também que, naquele momento, não podia ter mais Fé.

    Não vale a pena virem com grandes argumentos. Não sou propriamente parva e ando há 15 anos a escalpelizar isto portanto desconfio que me possam dar uma única motivação, ou razão, ou justificação, que eu ainda não tenha descoberto e rejeitado. Falta-lhes sempre qualquer coisa, falta-lhes a quase irracionalidade, a enorme crença, o acreditar porque sim que naquele momento senti e que não tem de ser explicável só porque até me dava jeito que fosse. E Fé deve ser isso mas, pelo menos comigo, só durou um momento.

    (apetece-me dizer que Deus deve estar no Inferno pelo menos desde aí porque se a Fé, tal como o manolo heredia diz, é um dom por ele concedido então apliquemos a velha máxima do quem dá e volta a tirar…)

  24. a fé é o amor, teresa, a energia aonde concentraste todo o teu amor pela clara; a tua crença no teu amor; a fidelidade ao amor incondicional.

    (o cotonete foi o instrumento que utilizaste para te convenceres que não estavas tolinha).:-)

  25. Sinhã sabes que passei a olhar os cotonetes com outros olhos?

    Eu disse que seria difícil darem-me um novo argumento, não disse? Esse do amor Sinhã, tenho pena mas já foi por mim rejeitado. É curto.

  26. sim, acredito. :-)

    (eu não estava a dar-te um argumento, estava a dizer-te que o amor é o maior poder que existe. se para ti o amor é do tamanho de um cotonete: que seja, pois claro, não ando a meter cotonetes nos ouvidos de ninguém.

    só do Val.). :-D

  27. Penso que o pensamento religioso, como abstracção que é, distingue o Sapiens sapiens dos outros vulgares hominídeos e confere a grande inteligência da espécie.
    Considero, ainda, que o ateísmo, por muito a-religioso que se considere, não consegue evitar o pensamento religioso, quanto mais que não seja para negá-lo, portanto, em bom inglês: don’t give me that crap!

  28. Sinhã até concordo que o amor é o maior poder que existe mas isso faz-me perceber que o poder do amor pode levar à Fé mas não chega para eu perceber o que é a Fé.

  29. a fé é o carregas contigo – aquilo em que acreditas, a que és fiel. a fé é o amor

    (em alguns casos é, até, o amor pelo não amor).:-)

  30. Tereza, “porque o concede a uns e não a outros?” já respondi a isto: “Deus é infinitamente bom porque trata todos os Seres de Deus de forma igual, sem preferências; entregando-os às Leis da Física e da Biologia (que são também as Leis de Deus).”

  31. penso que ser-se religioso ou ser-se ateu, será tão natural (da mesma forma), consoante a nossa educação e o local onde vivemos.

    a Tereza disse muito bem, quase todos nós, portugueses, mesmo sem frequentarmos a igreja, fomos “educados” pela portugalidade e pelo catolicismo, era muito dificil escapar à religião oficial do país, mesmo indirectamente.

    por outro lado, acho que as religiões apelam muito mais à irracionalidade e teatralidade, que à racionalidade…

  32. tereza, aconteceu o mesmo com a minha irmã. O médico baptizou-a mal ela nasceu. Sobreviveu e, apesar de ser mais nova do que eu, acho-a mais madura do que eu. Entretanto, foi baptizada na Igreja por volta dos 10 anos. E foi ela que escolheu a madrinha.

  33. Aqui há uns tempos, nesta mesma revista, li algo do género que dizia que os homens mais inteligentes eram monogâmicos. Acho que nasce aqui uma certa contradição. Normalmente, os ateístas são rebeldes das normas que a Igreja impõe, exactamente por não encaixarem no ideal do casamento feliz destinado à reprodução e propagação da espécie. Mas por outro lado dizem-nos que os mais inteligentes são aqueles que se querem manter fiéis, cultivando uma relação exclusiva, que não admite promiscuidade ou alternância de cônjuge. Alguém é capaz de fazer aqui uma síntese destes dois estudos parecem entrar em contradição? obrigado

  34. é muito simples, joão melo. ora se o amor – por homem ou mulher – é único, é exclusivo: é inteligente porque não existe de outra forma; da mesma forma, o que pensa sobre a religião, mas sem ser cogumelo, também guarda – e apenas guarda – o melhor para si. :-)

  35. (Cláudia, parece que não. Há uns anos a minha mãe quis baptizar os netos todos e eu lembrei que a Clara já estava baptizada mas parece que há para lá umas regras estranhas e tinha perdido a validade…
    A graça é que nesta leva de baptizados eu não me envolvi e só autorizei na condição de não ter de fazer promessas de fé ou juras que sabia que não iria cumprir… )

  36. João, “os ateístas são rebeldes das normas que a Igreja impõe, exactamente por não encaixarem no ideal do casamento feliz destinado à reprodução e propagação da espécie.” ERRADO; as leis da reprodução rimam com promiscuidade pois têm a ver com diversidade genética com a forma como ela (a diversidade) se expande na reprodução sexuada (miose, alelos, etc.). O “casamento feliz com filhos e com fidelidade” tem a ver com o “casamento para quem vive em sociedade”, porque esses dois factores robustecem a economia da família, por afastarem o poderoso dissipador de energia que se chama ciúme (pelo outro elemento do casal, entre meios-irmãos, etc.)

  37. Exactamente, Blonde. Tal como um vegetariano também não consegue evitar pensar em carne. Nem que seja para dizer que não lhe toca. Que horror! E que pensamento religioso é que distingue o sapiens dos animaizinhos? O que não falta para aí são abstracções divinas, aliás, vivemos num tempo em que não tarda cada crente tem o seu próprio deus. Como os das igrejas não correspondem àquilo em queremos acreditar, cada um arma-se em deus e modifica-o a gosto. Por exemplo, há pessoas cujo deus não se opõe ao aborto ou ao preservativo, etc. Mas onde é que arranjam esses deuses, será que saiem nos cereais do pequeno-almoço? Como o Deus oficial (o da Igreja) já conheceu melhores dias, sugiro um concurso de deuses. Se o vencedor me convencer converto-me. :)

    Então e a escrita, a matemática ou arte não são abstracções que nos distinguem?

  38. Guida, há um livro engraçado, simples mas interessante, sobre as principais religiões monoteístas chamado O Rei, o Sábio e o Bobo (Shafique Keshavjee). A história passa-se num reino sem religião onde o Rei, para tentar dar um sentido à vida dos súbditos, promove um torneio da verdade de onde deveria sair uma religião que orientasse o povo. Convoca os súbditos para jurados e convida um representante de cada uma das grandes religiões – um judeu, um muçulmano, um cristão, um budista, um hinduísta e, claro, um ateu – para defenderem os seus credos.

    Lembrei-me do livro por causa do teu “concurso de deuses”. Se tiver tempo transcrevo para aqui as conclusões finais do bobo.

  39. ai que agora ocorreu-me uma coisinhã que eu sei que o CC vai gostar. e o Val também. (pronto, e o Zézinho):-D

    casar é ter a certeza que jamais se será adúltero por nem sequer se ser infiel. :-)

  40. (para desanuviar…)

    Até ao torneio das religiões o bobo considerava que a morte, a doença e a desgraça eram uma merda. Depois do torneio perguntava-se se quando a morte chegar será mesmo a morte e essa pergunta deu-lhe de novo fé.
    E este é o resumo das religiões feito pelo bobo:

    hinduísmo – Esta merda já aconteceu numa vida anterior
    hinduísmo místico – Quando estiveres na merda canta “om”
    budismo – Quando a merda aparece, será mesmo merda?
    budismo zen – Que som faz a merda quando aparece?
    budismo do Grande Veículo – Ama os que estão na merda
    judaísmo – Porque razão a merda me acontece só a mim?
    judaísmo religioso – Quanto mais merda me acontece, mais me agarro à minha lei
    judaísmo sem religião – Quanto mais merda me acontece, mais a minha lei deixa de rimar
    cristianismo – Onde há abundância de merda a paz de alma abunda mais ainda
    cristianismo protestante – Não atingirei a merda se não trabalhar mais
    cristianismo católico – Se me acontecer uma merda é porque a mereci
    cristianismo ortodoxo – A merda está em todo o lado menos na santa liturgia
    cristianismo das seitas – Toc, toc – “A merda acontece”
    islão – Aceita tudo o que te acontece, mesmo a merda
    islão dos violentos – Se houver merda traz um refém
    islão dos poetas – Quando estiveres na merda, não a aspires, homem.

  41. Tereza,
    tenho a certeza que também já pensaste nisto, mas o que dizes sobre a insuficiência do amor para te ajudar a perceber o que é a fé…como é que hei-de dizer isto? Compreender não é a melhor expressão. Procurar compreender racionalmente e explicativamente as causas e mecanismos da fé é matá-la. É como tentar sentir a beleza do vôo da borboleta, estudando a química e física das suas asas.

    Se somos todos dotados da razão, também somos todos dotados dessa capacidade de extrema confiança a que chamamos fé. Nem sempre utilizamos uma e outra, mas isso não quer dizer que não estejam lá.

    Afinal de contas, passamos a vida a abrir e fechar portas, não é?

  42. “Fé”, “religião”, “Deus”, “Ele”, “intemporal”, “omnipresente”, omnipotente.
    Como é que esse “Ele” pode ser tão bom que permite a morte de milhares de seres inocentes em (por exemplo) catástrofes naturais, sendo omnipresente e omnipotente e para muitos, o criador e protector.

  43. antonio diogo,

    não entendo deus como um polícia de barbas que anda atrás de cada homem que faz merda (lá está) para lhe dar uma castanhada na cabeça. Não somos marionetas, somos seres dotados de vontade própria e livre arbítrio (que chatice) e somos nós que permitimos que ocorram essas mortes de milhares de inocentes… É chato ser responsável, mas é assim.

  44. Cá para mim o chinoca até tem alguma razão, genericamente para se demonstrar o contrario
    do senso comum e do culturalmente aceite é preciso exercer um muito maior espirito critico e desenvolver estrategias de sobrevivencia (fisica e psicologica) menos dogmaticas. Se isto é mais ou menos inteligente não sei,porque tambem é questionavel e transitório a definição de inteligência. Eu sou agnostico, acredito no Diabo e só cá vim ver o futebol:))

  45. …por outro lado, em relação às mortes por fenómenos naturais…Um mundo sem esses fenómenos seria mais perfeito? Um mundo sem mortes até uma certa idade? Sem catástrofes? Talvez. Não tenho conhecimento suficiente para responder a isso. Mas palpita-me que andaríamos a queixar-nos na mesma.

  46. Ó Manolo Herédia,
    agora percebo porque dizes que o «mistério insondável do universo» não existe. E que as coisas se explicam por si próprias e está tudo explicadinho. Grande Manolo! Até viraste o próprio Deus do avesso e chapaste-nos com a sua essencia na cara. Começando em Deus e acabando no zurrar do burro, está tudo aí escarrapachadinho diante…de uma inteligência, a nossa, que até nem faz falta nehuma!

  47. Não.Estou a dizer que a ideia de deus e/ou deuses é dominante em quase todas as culturas.ocidentais, orientais, meridionais, na polinesia, etc. por todo o lado deus é uma das traves mestras das diversas culturas, senão a mais importante.
    O unico estado que eu conheço onde talvez não saibam bem o que isso (deus) significa é o vaticano :)) É uma vitoria fora de casa do Diabo.:))

  48. K, mas os crentes também têm espírito crítico e têm de desenvolver estratégias elaboradíssimas para fazerem frente aos golpes que a sua fé por vezes sofre. Já para não dizer que têm de defender-se dos ataques diabólicos dos ateus, esses selvagens.

    E acho que a invenção dos deuses foi bastante inteligente para a nossa sobrevivência e evolução tendo em conta os cenários caóticos que os sapiens conseguem criar. Não é fácil domar o bicho homem. Basta ver como correm alguns jogos de futebol. :)

  49. agora a sério, não concordo nada que o dogmatismo seja específico do espírito religioso ou que seja pelo facto de todas as sociedades terem a sua religião que o espírito crítico ateu se desenvolva mais…

  50. Ora, está tudo nesse teu segundo paragrafo. Embora ache que estejas a minimizar o papel da industria farmacêutica na contribuição para o apaziguamento de muita angustia e sofrimento neste ultimo seculo:))
    Quanto aos ateus lembra-te que qualquer ídolo/deus tem a altura que lhe emprestam os seus inimigos. Que seria de Churchill sem Hitler, de Trotsky sem Stalin, de Deus sem o Diabo?:))

  51. Bem , a Igreja deu-se mal por não se adaptar ao natural ( aos instintos e patati patatas pecados e não sei quê corporais ). Acho que é bem pior não se adaptar ao natural . no “De rerum natura! li há tempo um post sobre um psiquiatra português , etólogo por afição e escritor nas horas vagas , cujo nome não me recordo , que afirma que o paganismo é a salvação da humanidade , e eu concordo : religião mais natural não há. não castra nem a mente nem o corpo , não é poderosa….
    claro que concordo com a abolição do poder religioso. com esse e com todos.

  52. Tenho estado aqui caladinha a “ouvir” os vossos argumentos e parece-me que se está a partir do princípio, errado, que um crente não se questiona, se limita a acreditar. Uma das pessoas que me está mais próxima é profundamente crente, por convicção, e físico por formação. É das poucas pessoas com quem discuto religião (e com quem tiro dúvidas de matemática…) porque é também uma das poucas que respeito como crente. Nada do que aqui foi dito se encaixa nele, o mesmo ele que acabou de me dizer “que ponte? nem pensar… porque raio o papa não vem cá num fim de semana? assim um domingo estava mais de acordo com ele que domingo é que é dia do senhor…. só faltava agora não ir trabalhar porque o gajo decidiu aparecer por aqui a meio da semana e acharam que devia ser feriado…” A pessoa que acabou de me dizer isto é a mesma que dá cursos de baptismo às sextas feiras, que todos os dias questiona a Fé que tem e todos os dias volta a acreditar e, por isso mesmo, por todas essas dúvidas, eu consigo compreender.

  53. deliciosa essa do bobo Tereza, tenho de guardar. Belo symposium, fico-me pelas portas e já agora acrescento as janelas (e o pó meninas!, que agora para minha vergonha ando ali de paninho cor de laranja vai que não vai…)

    ainda assim nada vale mais que o amor

    Hades pá, vi um filme contigo e fiquei chateado e já que te nomeei acima acho bem repôr: Irmãos entendam-se, deixem lá os ciúmes que a Ελλάδα está sob ataque.

  54. Z (para mim és Z e acabou-se…), senti a tua falta por aqui.
    Todo o livro é delicioso, só copiei a parte mais vendável… Quando vieres cá podes levá-lo para a praia.
    E olha, a única vergonha é o pano ser cor de laranja. Até eu, asmática empedernida, ando de paninho, sem ser laranja, a limpar pó… deixo os cantos porque esses não se vêem…
    Acho que amanhã vou fazer favas. O tempo está estranho mas é tempo delas. Um beijo de boa noite.

  55. Agora é o diabo. Este camarada deve ser lampião e deve estar a referir-se ao diabo lá do seu clube que no estádio apertou o papo ao árbitro, ou será que para este cromo existe mais qualquer coisa?
    Quanto ao “policia de barbas…” ouve amigo a OMNIPOTÊNCIA é o domínio absoluto sobre todas as coisas, tanto no ser como no agir, ou será que Deus já deixou de ser omnipotente.

  56. dando ali um torcidinho fica Z mesmo mas eu não experimento por causa das cervicais, isto são metamorfoses do Ser e tem de ser devagarinho. A minha net aqui bloqueia, talvez à noite não tanto,

    nhum, favas! tenho ali meio sarapatel que estava a pensar para amanhã mas dei comigo a lamber-me não sei não,

  57. Net a bloquear é o meu mundo…. mas talvez tenhamos de penar para ter prazer, isso é muito católico apostólico romano….
    Favas… definitivamente favas. E amanhã vou à praça (gosto muito de ir à praça e levar ceiras para trazer as compras) comprar favas, toucinho, rama de alho para o tempero e batatas novas para acompanhar.

  58. antonio diogo,

    aqui este cromo diz-te que houve um acto de Amor quando Deus partilhou a sua omnipotência com o homem, correndo o risco, assim, de que este não o reconhecesse, porque tem esse poder.

    (apesar de ter colocado o teu nome lá em cima, este comentário não te é necessária e exclusivamente dirigido – pode ser dirigido a mim, também,cromo que sou).

  59. (já só tenho um quarto e comi duas malaguetas para trancar… entretanto com a Primavera subiu-me uma onda daquelas antigas que eu pensava que estava livre e até deito fumo das orelhas; só não digo mundo ao contrário porque o contrário do contrário fica mais ou menos não sei onde; bem, vou xonar a ver se amanhã estou pior, beijos para ti também e dorme bem, ouço Thievery Corporation)

  60. Z, a minha amiga, e digo minha amiga porque minha amiga assim, em pronome definido, será sempre ela, costumava dizer que na Primavera o Sol bate na hipófise e lixa tudo…. não sei se será cientificamente correcto mas sei que continua a ter razão…

  61. Tereza,

    quase que já lá estava a escolher os legumes e os enchidos na antecipação do petisco :))

    Mas quando relataste o caso do teu amigo físico, ocorreram-me duas coisas.
    Uma foi: porque há cada vez mais físicos (quânticos, por acaso) que se assumem como tendo passado a acreditar na existência do divino (não gosto do termo convertidos)?

    A outra, mais de ordem política: a mim não me incomoda tanto o facto de o papa não ter escohido um domingo, mas o facto de um estado que se diz laico andar nesta palhaçada da tolerância de ponto. Para prestar homeagem a um encobridor de pedófilos???? Haja DEUS!

  62. Z com mais um aperna e virado ao contrário,

    (lamento, não consigo inserir o somatório neste computador e também gostava tanto do asana meditativo e fumador do &)…onde é que eu ía mesmo?

    Ah, já sei…as portas e as janelas….Gosto mais das portas porque permitem entrar, enquanto as janelas só deixam espreitar.:)

    Então agora é sarapatel e malaguetas em vez de mon chéries?? Dieta de primavera, presumo.

    Dorme bem.

  63. edie, nunca gostei deste papa. Não tanto por grandes razões mas por grandes emoções. Primeiro porque me lembro do outro, giro que se fartava, a saltar de um helicóptero em pleno estádio da Académica com um lenço vermelho de motard amarrado ao pescoço e nós a acharmos todas que aquilo de Deus tinha muito pouco, era mesmo muito homem. Depois porque quando este foi eleito, ou lá o que eles são, tinha vários alemães na minha sala que saltaram de júbilo e eu queria mais era que tivessem saído derrotados (assim tipo Euro ou Mundial), Não gosto, pronto. Nem preciso de pensar, basta sentir. Mas sabes, acho que estamos a ser de uma hipocrisia tremenda porque não foi só ele que encobriu pedófilos, todos nós o fizemos. Eu, pelo menos, sei que o fiz.

    Quanto aos físicos sabes a velha conversa, um físico quer sempre saber o que está por detrás da montanha e não o que é a montanha…

    (estou com uma dúvida, ponho açúcar nas favas ou não? há quem diga que se deve pôr um pouco na água de cozedura, tal como se deve sempre pôr sal num bolo que leve farinha…)

  64. Não sei fazer favas, Tereza, aqui confesso humildemente…

    Mas tenho uma dica que não falha – os cientistas devem saber explicar. Salgaste demais a cozedura? Como voltar atrás e retirar o excesso de sal? Muito simples. Invertes a tampa do tacho sobre o mesmo, colocas nessa parte côncava umas colheres de vinagre e deixas cozer. No fim, o sal está no ponto. Que tal?

  65. E porque é que isso retira o sal? Não percebo…. o vinagre é um ácido, não atrai o sal, cloreto de sódio, básico, não evapora… Hum… parece-me treta, eu costumo juntar uma batata para absorver….
    gosto muito de cozinhar. muito. e tenho um tio engenheiro químico que de cozinha percebe pouco mas quando nos juntamos me explica as receitas todas e ainda um dia, naqueles dias que nunca acontecem, havemos de ter um restaurante juntos.

  66. Tereza,

    hum… ok, para provar que estou de boa fé, perdão de bom espírito critico e científico, vou repetir a experiência, mas desta vez sem acreditar . Mas ficas já avisada, se se estragar o cozinhado, temos de ter uma conversa, mulher de pouca fé.

  67. Miguel, as narrativas são obra de homens, são pequenas quanto ao que querem explicar.Tanto as religiosas, como as científicas. Mas apontam na mesma direcção: querer conhecer a verdade. Boa sorte para nós, não é?

  68. Uma coisa é certa: religião, sexo e política são sempre boas apostas para um post! É como aquela coisa do “Never ending story…” Uma maravilha!

  69. Bom dia, tantas kpk’uazonas pela frente e a minha internet manca -> não posso ficar nervoso há que ter fé,

    pois é Tereza, o Sol na chapeleira, a hipófise a assobiar, a pituitária a bailar, a próstata a bombar e eu a limpar o pó!

    imagina, ando a ouvir isto que já não ouvia há vinte anos, está mesmo descambado,

    y yo

    Edie, também tenho saudades de andar asana mas é que me declarei em solidariedade com a Ελλάδα e ⅀ é a designação mais corrente do espaço de eventos,

  70. portanto deixa cá ver, como quem não quer a coisa

    Hades: nada de ciúmes de Zeus pá, vens cá acima dar umas voltas que isto está cheio de pãos, e não te esqueças que és o Acolhedor, que cena parva,

    Zeus: acolhe o teu irmão, podem fazer uma daquelas brincadeiras antigas por exemplo,

    Poseídon: ontem piraste-te embora o bicho a sair do mar tem que se lhe diga; tudo bem, mas olha que vou por a roupa a secar please,

    Sam: mordia-te todo, caralho!

  71. Não está tudo a dormir não. Estou acordada e a ver os teus deuses a invadirem esta caixinha. Pelos vistos, nenhum deles te aconselhou toalhitas para limpar o pó. Está bem que é mais uma invenção demoníaca da ciência, mas resulta. :)

  72. olha a Guida, então vocês são as ninfas? Ou musas? Também podem ser deusas cá para mim que o Olimpo quer-se bem frequentado,

    ai, ai, roupa estendida, Paco de Lucia… yo solo quiero caminar

  73. isto agora não interessa o tempo a não ser como referência, está-se no desdobramento do Ser e esse é eternamente jovem quando não tá de telha,

    lembro-me de Diotima, a Estrangeira de Mantineia, dizer a Socrates que aceder ao belo-em-si era das poucas coisas que justificavam a experiência humana, bem as palavras não eram tal qual mas passa,

  74. Pois é, está um dia que não lembra a ninguém (ou quase), mas não desanimes é que temos a Angela cá retida. Temos de lhe mostrar que não são umas chuvadas e trovoadas e tornados que nos tiram a boa disposição. :)

  75. Por aí está mau tempo? Aqui o dia começou com um céu azul de Verão mas desconfio que vocês devem estar a soprar as nuvens cá para baixo…

  76. Não. O que é isso mau tempo? Mas se tens nuvens a dirigirem-se para aí não são estas. Estas, tudo indica, vão passar o fim-de-semana por aqui. :)

  77. Mas para que raio é que vocês querem os Deuses ? precisam Deles para alguma coisa porventura ? Deixem-me em paz.
    Quanto à questão de fundo, não diria que são mais ou menos intelegentes. Até porque acreditar em algumas religiões, e na católica principalmente, requer uma grande, enorme, gigantesca, imaginação, que não deixa de ser uma forma de inteligência. Diria que é uma questão de substituir a fé por coragem, talvez…

    Deus dos Deuses.

  78. Bom dia!

    (estive a dormir a sesta)

    Vou ao S. Luiz curtir jazz até à noite. Tenho um encontro com o Apolo. Vocês, entendidos na mitologia grega, podem confirmar se esse é o deus da música? Mesmo que não seja, é um pão…daqueles que tu disseste, &.

  79. Meus amigos, todos somos religiosos, porque a religião faz parte da nossa essência de «racionalidade». Ser religioso não significa apenas praticar actos pios, mas reside essencialmente na necessidade da procura de justificarmos a nossa presença aqui. Neste sentido o ateu é tão ou mais religioso que o crente, porque ser religioso não é mais do que a procura de dar coerência à nossa existência. Esta procura é um acto puro de religiosidade, independentemente daquilo que se acredita ou não. O acreditar ou não estão ao mesmo nível, porque quem não acredita, certamente que se sentiria muito grato que dentro da sua coerência pudesse acreditar.
    Todo o acto de verdadeira coerência é um acto religioso.

    Gostaria de dizer ao Manolo Heredia, que penso, que o pior cego é mesmo aquele que sabendo que é cego, mesmo assim, quer ver, e, que o livre arbítrio foi realmente a possibilidade que «Deus » nos deu de podermos ir para o inferno.

  80. a vingança da Islândia é sublime,

    Edie: se calhar parametriza-se Z ao longo de & e dá nisto… Lá mais para a frente desparametriza-se a nadar, ouço Sakamoto,

  81. hum,

    Deuses, podiéis fazer uma coisa que não sei como se faz: fazer o dinheiro rolar naturalmente de onde há para onde falta, durante uns tempos. Eu sei que vocês são mais para a porrada e que isto assim parece coisa de meninas mas era engraçado, dá idéia,

  82. Z, por aqui já começaram. Hoje quando acordei e fui lá fora ao jardim tinha uma nota de 10 euros presa num arbusto… Tenho fé que amanhã estejam mais…

  83. (Que bom! bem, mas já os ouvi rir lá em cima ainda me pregam alguma, mas eles querem é ser amados imagina, bem eu cá por mim como gosto de barbudos desde que não sejam barrigudos vá)

  84. (e quem não quer ser amado?)

    (por falar em amar, tenho um cão novo tão lindo, Z… Um pointer, castanho e branco… Chama-se Visconde, porque, como diz a Peixa, é um manancial de piadas fáceis e o próprio Senhor Visconde aprovou o nome, e é a coisa mais doce que já vi…)

  85. Tereza,

    disseste CÃO? agora é que fiquei com inveja e acho que os desues não estão a ser justos…Hum, um pensamento verdadeiramente demoníaco…

  86. eheheheh…. enquanto fui miúda nunca pude ter um cão. As minhas filhas não vão poder queixar-se…
    Já tive muitos edie, agora não tenho espaço, mas foram sempre eles que nos escolheram. apareciam e iam ficando. Temos dois agora. Uma espécie de caniche com muito mau feitio, que eu não suporto e que não me suporta a mim, que apareceu há dois anos numa noite de nevoeiro e se chama Sebastião e agora o Visconde. O sebastião está a dormir na carpete e o Visconde, como não podia deixar de ser, está instaladíssimo no sofá…

  87. também gosto muito de cães mas seria incapaz de tê-los presos num apartamento, o que também não é o teu caso, felizmente. Tenho ali no lume electrico um tacho cheio daquelas massas frescas com queijos e espinafres, a cozer com presunto e um queijo de cabra palhais às tahadinhas, depois é tudo regado com azeite e roquefort picadinho e só sobra o tacho porque enfim e porque ainda não descobri onde pus os oregãos,

  88. Num apartamento nem pensar. Mesmo aqui, nesta casa, já me é complicado. Estava habituada a ter muitos hectares à volta e este jardim é um bocado lenço de assoar. Mas também não gosto de cães na rua. Se estão connosco é para estarem perto e para eu os andar a sacudir, às tantas da manhã, dos quartos das miúdas (no meu nem entram… respitinho é lindo e eu gosto…)

    Fizeste-me fome. Tenho montes de restos (fim de semana de chuva…), as miúdas fizeram crepes, mas fiquei de água na boca a pensar na tua massa. Tive um namorado que fazia umas pastas fantásticas mas eu devia andar distraída com outras coisas e não lhe topei os tempêros…

  89. Por causa do apartamento é que eu tenho resistido com muito custo a ter um cãozinho, que pena tenho. Mas em compensação, estou a ajudar a União Zoófila como posso. Fiquei a saber que se pode ir passear de vez em quando um cão que apadrinhemos…Cá vou eu…

    Mas não é a mesma coisa e depois deve custar a separação…

    Também não vou muito com caniches e eles ladram-me muito. Com os outros é diferente, saltam-me para o colo, outras vezes é ao contrário e acabamos sempre aos beijos. Ai…

  90. edie, eu detesto caniches…. está bem que este é especial (o gajo tem medo da sombra, maricas que nunca mais acaba…) mas o mais engraçado é que o caniche não chateia com mimos mas o outro, o trambolho, grande que se farta, apanha-me distraída e vai tentando trepar para o colo… deve achar que passa despercebido…

    vai passeá-los sim… sempre têm uns mimos.

  91. caniches só à patada para a terra dos surdos e já é um pau,

    lá fiquei eu com as vibrissas todas pingadas de queijo, e agora Tracy Chapman e baixar ao Lethes que isto dos amores dá cabo de qualquer um caraças, já nem sei o que é o meu coração ou o soalho a tremer,

    bjos

  92. (estava ali a fumar um cigarro tracyado quando percebi: isto é mas é um esquentamento do Ser, ora bolas. Bem, ainda se fôr a penicilina vá lá, mas não me cheira y ahora me voy :)

  93. bom tiro, Edie. Estou a ouvir Natalie Cole e com a sensação de que tenho a boca a saber a pinhoadas, aquelas com melaço de cana. Vá lá que tenho de fazer umas alterações num artigo que já me pediram,

    Tereza: já ajavardámos aqui como no Cabra, mas enfim o Valupi deve achar piada,

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