Nós, os poderosos

Estamos rodeados de informação e de meios de comunicação. Mais do que aquela que conseguimos assimilar e mais do que aqueles que conseguimos usar.

Pois bem, que vamos fazer com tanto poder?

37 thoughts on “Nós, os poderosos”

  1. Devíamos, talvez, aprender a selecioná-la. Imitarmos o que se passa ao nível de qualquer célula. Termos uma espécie de ARN mensageiro que no meio daquela confusão (que há-de ser o núcleo) sabe exactamente o que precisa copiar para que saia a proteína certa. E há pessoas muito boas nisso de seleccionar a informação, não têm é a certeza e precisão que qualquer bactéria demonstra. Vai daí, as teorias que resultam nem sempre são as precisamos. Mas pronto, nós ainda andamos nisto há pouco tempo, um dia ainda havemos de dar lições a essas meninas. :)

  2. Se a informação é um poder e se hoje todos temos acesso a ela será que isso aumenta o poder dos informados ou o diminui já que esse poder está dividido por todos nós?

  3. Quem é que se lembra das primeiras fotocópias que pareciam assim fotografias molhadas e que era preciso pôr a secar? Quem se lembra das dificuldades em assinar revistas estrangeiras porque era preciso pedir cheques aos Bancos? Quem se lembra da revista «Paris Match» retida na alfândega? E depois um amigo de um amigo trazia de Paris num comboio de noite? Pois agora é tudo mais fácil e há informação a mais: a grande dificuldade está na selecção. Ela chega em doses industriais e escolher é um trabalho de artesanato…

  4. Teria podido sim, Val, imenso, se me deixassem sempre que me deu essa apetência pelo poder. Mas nem sempre consegui bons resultados (eleitorais, claro) com as candidaturas que apresentei…

  5. Não se trata de um poder, Valupi, desengana-te. É exactamente o contrário. Sabes o que vai acontecer com tanto “poder”? Afundarmo-nos.

  6. Mulheres,cheguei!!!(para ler com sotaque brasileiro.)
    Ao cabo de vários dias de ausencia( ou -30 dias)estou de volta a debitar sentenças e a dar opiniões relativamente abalizadas e “sempre sempre” ao lado do povo.A existencia de tanto poder ,nas mãos de tanta gente, só vem trazer bagunça,abusos e injustiças,pois a ignorancia e agula são universais e endémicas(estive a devorar uns uns dicionários,durante o meu retiro das lides).É possivel que hajam algumas hesitações e erros de sintaxe ,mas com o tempo lá iremos.E como tem estado a parvónia por aqui?

  7. edie, ah, concordas com a analoguida. Tudo tem uma explicação, isto é só outra forma de tentar interpretar a célebre frase de Sócrates (não percebo nada de filósofos, mas o nome deste chamou-me a atenção): “conhece-te a ti mesmo”, e cheguei à conclusão de que, entre outras coisas, somos aprendizes das nossas próprias células (esta foi profunda). :)

  8. Para variar não me sinto nada poderoso.Cada vez mais me vejo como uma das engrenagens da maquinaria, engrenagem essa que nada pode fazer para se livrar dos apertos e constrições a que é obrigada e submetida.Se calhar vou desistir e emigrar para Tahiti ou quejandos .Pelo menos aí há Sol(o verdadeiro,o astro rei e não o do Saraiva).Esta é de facto, a malfadada asfixia que é citada pela Dª Ferreira Leite, senhora de (pouco saudosa )memória.

  9. Quem garante que o facto de estarmos rodeados de informação nos torna mais poderosos?
    E porque razão não nos torna mais fracos?
    Não dependerá do uso que cada um fizer dessa informação?
    Não vai depender, também, da qualidade da informação?
    E se a informação mais não for do que uma subtil forma de nos condicionar?
    Tenho para mim que a informação só nos tornará poderosos quando (se) formos capazes de não nos deixarmos influenciar por ela.
    O ideal seria que à muita informação pudéssemos contrapor muita formação.

  10. Tocas aqui numa questão importante que é a da literacia digital. Isto é: sermos capaz de comparar, seleccionar ou filtrar essa torrente de informação e de a processar de forma articulada. O poder, no entanto, tende sempre a ser relativo – o meu saber apenas é mais-valia se comparado com o dos outros. E este é um dos grandes dramas do nosso tempo: o perigo do crescimento desse fosso que separa os letrados digitais e os não letrados (digital divide).

    Mário Pinto: tendo a concordar com o que dizes, tirando, como é óbvio, esse sofisma da informação apenas nos tornar poderosos quando não nos deixamos influenciar por ela.

  11. João Pedro da Costa

    Eu tentei dizer que se nos deixarmos manipular pela informação perdemos poder porque deixamos de ser livres para seguir apenas a nossa vontade.
    Penso que o ideal seria termos capacidade para escolher a informação que queremos e não deixarmos que ela nos “escolha”.
    Sei que não é fácil concretizar este meu pensamento, mas decerto todos nós temos pensamentos inatingíveis.

  12. João Pedro, não entendi a diferença entre letrados digitais e os não letrados. Será que me pode explicar? Obrigado.

  13. Primo, não falava da literacia digital, mas fizeste bem em trazer a tua interpretação. Do que falo é do real poder que a informação e os canais de comunicação nos dão.

    Saber é poder, certo? Então, que vamos fazer com estas benesses civilizacionais? Repara que hoje qualquer um pode ser um autodidacta sem limites para a sua curiosidade. Interessa-me reflectir no eventual poder cultural e político desta nova era tecnológica onde a informação é de graça, é ubíqua, é ecléctica e é tão extensa quanto o nosso interesse.

  14. provavelmente fugir.

    até porque falas do “poder” mais ilusório que existe à nossa volta…

    e as nossas “maquinetas cerebrais” não estão preparadas para lidar com tanta informação, pelo menos com qualidade…

  15. Bom-dia, poderosos (somos nós todos, oh literatos, poderosos somos nós todos, gatos e ratos, poderosos somos nós todos, desde pequenos, poderosos somos nós todos, ou ainda menos. Cesariny falava então em burgueses, anátema em voga no zeitgeist).

    Al Gore (em The Earth in Balance, no início da década de noventa, quando Bill Clinton lançou várias políticas inteligentes, como as auto-estradas electrónicas e 3 mil milhões de dólares para a investigação em Nanotecnologia) introduziu um termo novo (estou convencido de que foi ele mas não juro: exformação. A informação está cada vez mais sepultada numa espécie de sarcófagos, abafada pela informação que para nada serve. O exemplo era a imensidão de dados do satélite Landsat.

    Claro que isto é uma pequena faceta do problema. A própria Ciencia Computacional desenvolveu e desenvolve técnicas chamadas de mining para ajudar os garimpeiros da informação.

    Outra faceta: dados, informação, conhecimento, sabedoria.

    Uma grande e fascinante aventura é a a busca (incessante) de novo conhecimento, o nec plus ultra do só sei que nada sei: a suprema sabedoria.

  16. luis eme, essa tua fantasia dos limites cerebrais tem sido repetida há séculos. Muitos séculos.
    __

    cidadão presente, então, que podemos fazer com a informação agora disponível, apesar do ruído inerente?

  17. gostas mesmo de perceber tudo ao contrário, de torcer as palavras dos outros.

    és mesmo palerma, pá. e fantasioso, claro. os limites és tu que os colocas.

    aproveita o sol, que está bonito.

  18. E eu que pensei que mais informação tinha sido sempre um contributo decisivo para a construção de um mundo melhor. Há meia dúzia de anos queixávamo-nos que a falta de informação era decisiva para a manutenção dos poderes instituídos. A ignorância e o analfabetismo contribuíam para as ditaduras.

    Agora está tudo preocupado com o excesso de informação. Não dou para este peditório catastrofista das culturas de base religiosa. Quem decide não pode estar preocupado com o seu estatuto. Tem que o fazer com base no conhecimento que dispõe ou dos interesses que representa.

    Mais informação permite-nos tomar decisões mais conscientes, avalizadas e assertivas. É daí que advém o poder e não de quaisquer comparações. Isso só vale mesmo para a discussão do estatuto com o vizinho.

    Existem questões de adaptabilidade envolvidas quando qualquer um de nós processa mais imagens num minuto do que qualquer outro urbano o fazia num dia, há meio século atrás. Mas nem aí vejo nenhuma novidade: os mais fortes hão-de tirar vantagem. Como sempre aconteceu.

  19. hum, os mais fortes…

    felizmente a selecção é estocástica e ninguém sabe o amanhã, mas ainda assim junto os meus votos de um mundo melhor.

  20. Lês muito em diagonal, 
    Eu disse que decidem em função da informação ou de interesses.
    E o teu comentário é completamente contraditório relativamente à questão da informação e do poder.
    Mas a questão que colocaste não tinha nada a ver com isso. Era o aleatório. E isso interessa-me muito. Nomeadamente por causa da existência de deus. Mas deixa estar porque já deve estar na hora de ires dormir.

  21. sim, conversas densas à noite só em estado de guerra, o que não é o caso. Acho perigoso essa redução ao binário fracos/fortes ou qualquer outro binário que se pode associar a um eixo ordenado, uma recta real, onde num lado estão uns e noutro outros.

    Essa tentação de reduzir a selecção a uma dimensão é o que me afasta dos darwinistas clássicos, são os mais fortes, os mais inteligentes, os mais ricos, os mais belos, os mais não sei quê, ou os mais sortudos que são favorecidos pela seleção natural (escrito conforme o acordo ortográfico, espero)? Vai-se a ver e não se sabe, ou seja a Natureza é bem mais inteligente do que nós e preserva tudo o que pode, sacrificando redundância ao que parece e às vezes lotes sucessivos de mais ‘fortes’. Como interpretas que os soldados mobilizados para a tropa sejam classificados em aptos e depois morrem que nem tordos nas guerras?

    Ou os lemingues que quando há seca e fome andem disparados em bandos caóticos que se despenham em precipícios, e quem vai por ali abaixo são os ‘mais fortes’ que vão à frente, empurrados pelos outros que se safam na retaguarda?

    Quanto ao nosso mundo o século XX foi o mais devastador em termos de guerras e consequentemente valores humanos da História da humanidade, daí a minha reserva. E a invasão do Iraque baseada numa mentira institucional foi um passo nefasto e vergonhoso.

    Faço votos que o novo milénio junto com a Era de Aquário e o que mais seja permita um mundo melhor.

    Quanto à transcendência para mim é adquirido que vivo mergulhado numa, chame-se Deus ou deuses ou apenas transcendente,

  22. Não é só uma questão de ruído que infecta a informação. A saraivada de informação que, a todo o instante, nos atinge (de que a caricatura é a que supura da Comissão de Ética) tem uma parte importante que necessita de ser estruturada, articulada, qualificada, transformada em Conhecimento. Mas qual conhecimento? Científico, Artístico, Mitológico, Tecnológico, Político, de Cidadania, de Senso Comum, Lúdico, etc. E isto não é uma cartilha, mas um xadrez, uma panóplia, um palco, uma planície onde nos encontramos acampados. E as instâncias perceptivas, cognitivas, intuitivas, criativas, que intervêm são as mais diversas, nas proporções ou desproporções mais diferentes. É o “não procuro, encontro” do Picasso, o “existo e por isso penso” do Damásio, ou, do Walt Whitman, o “assim como as folhas de erva crescem no meio da lama, também os sentimentos nascem da carne. Hei-de escrever os poemas da matéria pois creio que vão ser os poemas mais espirituais” (o que está a dar é o puto-maravilha de 28 anos Jonah Lehrer. Aconselho vivamente o Marcel Proust era um Neurocientista ou o Como Decidimos. Ambos da ed. Lua de Papel). É o “procuro, poucas vezes encontro e aquilo a que chego é precário, efémero, transitório, substituível. Mas cujo valor é insubstituível” (adaptação livre minha sobre o espírito científico).

    O raio do pós-modernismo. Cobrir vastas zonas do Conhecimento com uma epiderme (na melhor das hipóteses) ou uma película elástica e extensível, mas finíssima. Este País (este Mundo e Universo e Pluriverso) não é para…garimpeiros, arqueólogos, geólogos, quanto muito tolera engenheiros do petróleo. E quanto ao tempo: diz o coelho para a coelha: que rica quecazinha que vai ser, não foi? Tudo se torna de repente, de repentes. Compreender o tempo? Dar tempo ao tempo? Preocupações Bizantinas. Dizia Richard Feynman, procurando exprimir a sua noção de Tempo: o Tempo é o que acontece quando não se passa nada. Para criar conhecimento, partindo da informação (da super-nova de informações que estrelejam no firmamento atónito) é necessário tempo. Não é possível fazer dez filhos por mês com dez mulheres de uma vez (OOPS!). Mas a informação sem o regaço do Conhecimento não passa de uma anedota de pirueta sem graça.
    Claro que o que acabei de escrever não é aconselhável para pragmáticos ansiosos. Talvez só para racionalistas emocionais supostamente fora de prazo. Como eu?

  23. , também me parece difícil que esse darwinismo social tenha correspondência com a realidade. E ainda mais se limitarmos a questão do mais forte à capacidade física. Mas a minha referência aos mais fortes tirarem vantagem era obviamente redutora. Daquele tipo, por exemplo, em que perante uma equação de terceiro grau um aluno de matemática, pela informação acumulada do assunto, estará normalmente em vantagem para resolver esse problema relativamente à esmagadora maioria dos alunos de outras áreas. Isso não significa no entanto que ele se irá desenrascar melhor na vida. Transposto para esta questão do excesso de informação, quem melhor souber lidar com ela, melhor preparado estará para ultrapassar desafios e atingir objectivos. E esse lidar com ela refere-se tanto ao aspecto da selecção como ao do seu processamento e integração na personalidade própria de cada um. De forma a evitarmos o disparate e a incoerência.

    Na questão do Iraque a minha visão é diferente: exactamente pela importância que a informação tem actualmente é que eles se viram obrigados a falseá-la. E sempre existiram adjectivos para classificar esse tipo de comportamento.

    Pois é verdade que as guerras são sempre absurdas. Mas também parece que sempre existiram. Quando há interesses diferentes em jogo é normal que haja conflito e isto era capaz de ser um bocadinho monótono sem divergência de interesses. Mas mesmo assim, suponho que não defendes que o mundo estava melhor no século X ou em qualquer outro momento que não o que vivemos. É a vantagem de acumular mais informação. Aprender com os erros dos outros e dispor de mais conhecimento.

  24. tra.quinas, estou de acordo com o que dizes, infelizmente o facto de o século XX ter sido o mais devastador da história da humanidade deixa-me desconfiado. Apesar da penosidade da desconfiança ainda acho que é a atitude mais sensata, mas não me importo nada, nadinha, de ficar confiante, assim me possam convencer. E estou a pensar mais nos teus filhos ou nas meninas da Tereza do que em mim ou em ti. Tomara eu poder aplaudir este mundo, aplaudo as boas novas e mais nada.

  25. , mas esse tipo de preocupação é intemporal e se hoje existem muitos motivos que a justificam, ontem não eram menos. Pelo contrário.

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