Patético

Henrique Monteiro é patético. Um gajo que trata Sócrates por tu, que diz ter estado com ele hora e meia ao telefone, e que se diz pressionado exclusivamente por essa situação, é patético. Pressionado foi o Primeiro-Ministro, a parte fraca. Um político perde sempre contra a comunicação social, tenha ele a posição que tiver na hierarquia do Estado, para mais se esta disparar a partir da fortaleza Balsemão.

Que ganhou Portugal com a devassa à volta da licenciatura de Sócrates? Valeu a pena levar o caso para a Procuradoria? Acaso o Monteiro dos jornais tem dificuldade em entender que a exploração política dessa suspeição justifica todos os esforços do visado para conter os danos e anular a ameaça? Ir para a Comissão de Ética nomear a ocorrência telefónica como uma pressão do Primeiro-Ministro exibe uma ausência de sentido do ridículo. O mesmo Sócrates com quem se bebeu copos e disse caralhadas, o mesmo com quem se conviveu civilizadamente no passado, talvez até se tenham trocado confidências, transformava-se no Primeiro-Ministro opressor porque cada um tentou convencer o outro das suas razões. É assim a pressão em Portugal, conversas de homem para homem, vejam só.

Seguiu-se o telefonema do primeiro-ministro – e, de facto, foi bem pior do que eu contei na Comissão de Ética: além de me ter pedido para eu não publicar o texto em causa, o telefonema decorreu no meio de berros exaltados por parte do chefe do Governo.

90 minutos de berros exaltados? Afinal, as corridinhas não servem só para a propaganda, também promovem uma saúde pulmonar admirável. E que lhe ias dizendo tu, Monteiro? Ou ficaste calado o tempo todo devido à pressão auditiva?

És patético.

7 thoughts on “Patético”

  1. Os ressabiados são sempre assim: patéticos. O gajo deveria querer tacho e como se achava no direito de pensar que o “amigo” (com amigos como esse, não se precisa de inimigos…) o poderia chamar para assessor de imprensa, desatou a virar o bico ao prego e, cego como anda, em vez de bater na cabeça bate no bico… Acho que se poderá, um dia, picar…

  2. Caro Valupi,

    Não concordo com o que dizes acerca da relação de forças entre poder politico e a imprensa, mas concordo que ha aqui um problema, que não é so português, mas que é provavelmente mais grave em Portugal porque o pais não parece ter experimentado nada entre a merdaleja e a aldeia global, de modo que é eximio em juntar os defeitos de ambas.

    Não ha justiça, não ha direito, não ha Estado de direito, nem provavelmente sociedade politica organizada, que resistam à logica da teoria da conspiração.

    Isto porque a teoria da conspiração auto-alimenta-se e vai buscar forças nas suas proprias taras. Logo que se depara com um obstaculo contraposto a uma das suas hipoteses delirantes, nega o obstaculo ao mesmo tempo que o transforma em mais um argumento a favor do seu delirio. Por exemplo :

    A : Fulano de tal matou, isto é obvio.
    B : Mas o juiz investigou e achou que não estava provado.
    A : Pois o juiz é comprado, o que é MAIS UMA PROVA que Fulano de tal matou, e alias que organizou tudo muito bem para que ninguém soubesse !
    B : Mas o juiz superior também achou que não estava provado.
    A: Pois, quem é esse juiz superior ? Hem ? Não tem uma cabeça, dois braços, uma orelha de cada lado da cabeça ? TAL E QUAL COMO FULANO DE TAL, deve ser familiar, isto esta tudo ligado, que é que julgas…

    Etc.

    Nada resiste a isto. Pelo menos nada resiste num mundo imperfeito, aleatorio, incerto como é o nosso. A unica resposta que a teoria da conspiração aceitaria teria de vir de quem não existe, ou esta perpetuamente indisponivel, ou pelo menos não pode testemunhar : Deus.

    Portanto a unica defesa possivel contra a teoria da conspiração é fugir a sete pés. Não entrar em dialogo. Não ligar. Não existe outra possibilidade e isto não deve causar transtorno nenhum, porque ha uma coisa que sempre bastou para reduzir a zero os efeitos da teoria da conspiração, obrigando-a a mergulhar definitivamente no vacuo de onde ela não devia ter saido. E esta coisa, simples, firme, tranquilizadora (pelo menos para quem gosta da vida, e para quem sabe que ela so se da àqueles que têm os pés bem assentes na terra) é apenas : a urgência da realidade.

    Ja aqui o disse, mas parece que não sera demais fazê-lo de novo, a ver se agua mole…

    THERE ARE MORE THINGS !

  3. Meu caro Valupi, só tu e o «Jumento» (do blog) para me dar algum ânimo no meio deste pantanal putrefacto, onde o pior da Direita se diluiu no pior da Esquerda. Ou vice-versa. Só pela tua voz denunciadora desta podridão mereces que te deseje Boas-Festas da Páscoa. E este meu voto estende-se a todos aqueles que acreditam que o País ressurgirá, apesar do fedorento e evidente pantanal. E que Sócrates se aguente, que os pulhas hão-de afundar-se mais que os dois submarinos embrulhados em carissimas luvas.

  4. Daquele texto retive uma frase:
    «… de facto, foi bem pior do que eu contei na Comissão de Ética… »

    Impressão minha ou este senhor, que estudou no Colégio Moderno, um dado deveras importante e de relevo para esta matéria, foi para a «sede da democracia portuguesa onde ao lado da estátua da eloquência – que Sócrates tem em abundância – está a da Justiça» omitir (ou mentir sobre) os factos?!

    Quando, e «como se pode ver na gravação disponível na Assembleia da República», um deputado lhe «perguntou directamente se tinha sido pressionado por Sócrates» o senhor, que estudou no Colégio Moderno, não teve a honestidade intelectual (ou coragem) de dizer o que agora vem escrever?

    Então afinal, qual foi o verdadeiro «acto de cobardia»?

    «Quem, como eu, já passou por 17 governos e 10 primeiros-ministros, sem qualquer desmentido ao seu trabalho, passará também de cabeça erguida por este.»
    (aqui senti a lágrima a alojar-se no canto do olho com a emoção…)

    E por falar em Expresso, Henrique Monteiro do Colégio Moderno e desmentidos… como estarão a passar os inspectores da PJ que o Expresso mandou para Londres?… O Expresso mandou-os… mas ao que sei, ainda não voltaram e já lá vão umas semaninhas!!

    Se calhar é por isto que Henrique Monteiro do Colégio Moderno passou pelos tais 17 governos se qualquer desmentido ao seu trabalho (não especificou qual… de jornalista ou de director…).

    Mas ainda assim, encontrei umas coisas interessantes:

    http://prdantenaum.blogs.sapo.pt/35057.html

    http://www.record.xl.pt/noticia.aspx?id=783258&idCanal=17

    http://jumento.org/1151.html

    … pontos de vista… e má matemática!

  5. MARGARIDO TEIXEIRA, não sabemos se eram amigos, mas sabemos que privavam.
    __

    joão viegas, discordo de ti, em parte. Na parte em que há certos casos onde fugir é ser cúmplice dessa degradação, ou mesmo anulação, do Estado de direito. É o caso com o Monteiro, um passarão pelo cargo que ocupa à frente do Expresso.
    __

    Mário, não estás sozinho, há centenas de milhares milhares, ou milhões, de portugueses que querem exactamente o mesmo que tu: sentir orgulho por viver neste país.
    __

    PMatos, bom (e bem) apanhado.

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