28 thoughts on “Haja alguém que traduza bullying

  1. Li o artigo. Acho que o problema não está nas crianças, mas na sociedade em si e da ausência/indiferença dos pais, muitas vezes.

  2. Hoje estou mal disposta portanto aí vai.
    Lembram-se das cheias na Madeira? Desviaram e entulharam o curso das ribeiras, não foi? Pois foi, deu porcaria.

    Nunca me lembro de ver a minha mãe a levar-me à escola, em reuniões de escola, a dar-me o pequeno almoço para ir para a escola. As notas vinham em postais para casa, perguntavam-me porque raio tinha tido um 16 se tudo o resto era para cima e seguiam em frente sem sequer me dizerem que o resto era muito bom. A Adelaide, a criada velha, a cabra, que a outra não riscava, tratava dos meninos. Pais? Sim, estavam por lá mas não estavam seguramente nas nossas vidas. Pancada na escola? Era resolvida na hora. O meu irmão, mais novo, chegou um dia a casa a queixar-se e o meu pai mandou-o desandar dali para fora. Era eu quem acertava as contas aos que lhe chegavam a roupa ao pêlo (o gajo era um mariquinhas) mas era lixado que os putos usavam o cabelo rapado e não conseguia puxá-lo mas tenho muito pó de recreio em cima de mim e não me causou alergia alguma.
    Não sou apologista da violência, longe disso (nem tenho corpinho para isso), mas cresci com dois irmãos, 16 primos e a colega de carteira chamava-se Chaporra.

    Quando vim viver para O Algarve as minhas filhas foram para uma escola de Portimão. A mais nova para o 1º ano, a mais velha para o 2º. Naquela escola nunca tinham tido como colega um menino down e a Clara, durante uns dias, foi gozada. Tinha 8 anos. Quando soube fui à escola para saber o que se passava e apanhei a Clara a distribuir coquinada por todo e qualquer puto que descia as escadas. Estava cá em baixo, onde os apanhava desprevenidos no último degrau, e foi um vê se te avias. Probleminha resolvido logo ali, nem tive que me chatear.
    Há pouco tempo a irmã teve um problema complicado na escola. Parece que queriam acertar umas contas quaisquer com elas. A miúda (maior, muito maior que eu) estava assustada, nem queria ir à escola. Tive uma conversa com os estupores dos adolescentezinhos, fiz-lhes uma oferta verdadeiramente irrecusável e agora são todos outra vez muito amigos que é isso o que se quer.
    Deixem os miúdos que eles resolvem, e se não resolvem chamam a irmã mais velha ou a maluca da mãe, mas não lhes desviem os cursos. O Xico dos Correios era o terror do colégio, batia aos pequenos todos, fazia-lhes a vida negra. Um dia, nós, os seis da 4ª classe, fizemos-lhe uma espera. O gajinho correu para a mãe, arrepiou caminho e hoje parece que (também) manda na PT.
    Estou a ser bruta? Talvez, mas estou um bocado para o farta de tantos paninhos quentes.
    Bu quê?

  3. Tereza, eu era perita em pancadaria. Os miúdos levavam com a minha mochila ou dava-lhes umas magistrais bofetadas.
    Eu não brincava, mas tinha um prazer enorme a bater nos outros. Quando me perguntavam: “O queres ser mais tarde?”. Eu respondia sempre: “Quero ser professora para bater nos meninos.” :-)

  4. Não guardei amizades nenhumas. Arranjava intrigas. Roubava borrachas ou afias quando todos os miúdos saíam para o recreio. Ou então ficava no quadro a fazer cálculos de matemática.

  5. Cláudia, eu não tinha mochila mas também nunca me fiquei. e tenho umas bofetadas que ainda hoje lembro bem e souberam-me que nem ginjas

  6. A minha noção de educação é bem diferente da tua.

    Pensar! Eu penso sim, sempre, pelo menos evito escrever certas barbaridades como as que leio aqui.

    Escreves a estória da (carochinha valentona) tua vida como se ela fosse exemplo para alguém….só te falta dizer Volta Salazar estás perdoado.

    Querem melhor tradução da palavra bullying? A tereza nesse tema é especialista!!!!

  7. Tereza, :-) Não me esqueço das bofetadas, sobretudo se roubassem brinquedos à minha irmã. Eu aí ficava fora de mim. Era cada estalo! Um chamava-se Hélder. Deve ter boas recordações minhas.

  8. e qual é a tua nocão de educação? é que, nem por acaso, neste momento estou com uma enorme vontadinha de espancar dois adolescentes… (bolas, será que não se pode dizer? vais chamar a comissão de protecção de menores?)

  9. Apesar de ter sido o que fui, acho que a melhor forma de tratamento é a aceitação, a compreensão e tentar o diálogo com crianças e adolescentes problemáticos. Não é fácil, mas não é impossível.

  10. Cláudia, eu sempre tentei primeiro a conversa mas quando não chegava vinham os outros argumentos. Está errado? Talvez, mas estamos a falar de miúdos, não estamos?

  11. Bem, esta caixa de comentários faz-me lembrar um dos corredores laterais da minha antiga escola secundária, no ano em que para lá entrei. Laterais, porque para parecer o principal vocês tinham de vir de mota que era o que os matulões faziam quando estavam aborrecidos. Iam buscar as motas e faziam umas corridinhas. Só para os alunos mais novos, os professores e os funcionários perceberem bem quem é que mandava ali. Escusado será dizer que o corredor principal era de evitar, apesar de, por exemplo, as casas de banho ficarem naquele território. As meninas aguentavam o dia todo, os meninos faziam chichi directamente para a ribeira que passava mesmo em frente. De qualquer forma, normalmente, as casas de banho não estavam inteiras, ou não tinham sanitas, ou portas, ou torneiras, ou nada, e o acusado da destruição podia muito bem ser um dos mais novos atirado aos leões pelos seus colegas por não ter alinhado nalguma patifaria que estivesse a ser preparada nos corredores laterais ou na sala de aula. Pois, os mais novos também queriam ser maus quando fossem grandes, e chamar aulas ao que se passava dentro de algumas salas, com alguns professores, é esticar a corda. Ainda hoje me faz confusão, alguns professores conseguiam dar as aulas normalmente, outros deviam ter mais medo dos corredores laterais do que nós do principal. Lembro-me das ‘aulas’ de história, normalmente acabavam com metade da turma dentro da sala e a outra do lado de fora. Estes não deixavam de participar na aula, cercavam a sala, chamavam tudo à professora, mandavam papéis por baixo da porta com… dizeres, quando recebíamos os testes nem tínhamos tempo de ver a nota, tinham de ser imediatamente rasgados à frente da ‘professora’, todos, até os dos melhores alunos, senão…. Um dia houve um miúdo que não queria alinhar em qualquer coisa, já não me lembro o quê, fizeram-lhe um auto-estrada. Traduzindo, raparam-lhe uma parte do cabelo. Ali a técnica do estalo não era muito utilizada, eram usadas técnicas mais radicais. Havia dias em que a fila para ir ao conselho directivo, ouvir um sermão, chegava à rua. Depois, tínhamos de sair da escola que ficava num sítio relativamente isolado, uma aventura. Começava logo pelo problema de ter de atravessar o corredor principal, mas do lado de fora a coisa não era melhor. Estavam os amigos que já tinham abandonado ou sido expulsos da escola, e que ainda gostavam daquilo, os namorados, os fornecedores de todas as substâncias legais e ilegais. Sim, naquele tempo não faltava nada aos alunos, bastava vir cá fora. Era a lei da selva, mas também tenho excelentes recordações desse ano, que foi o pior. Aos poucos os matulões foram saindo, e quando finalmente fomos para a escola nova, já no meu 11º ano, as coisas melhoraram muito, os corredores já não davam para andar de mota. :)

    Portanto, se o que se passa nas escolas agora é bullying, e o que me dizem os professores quando vou às reuniões de pais é que há um miúdo ou outro que diz umas graçolas na aula e causa perturbação, às vezes até têm de fazer trabalho comunitário porque passam uma rasteira a um colega, que horror, o Mário Nogueira que diga que nome se deve dar ao que se passava há uns anos. Também há a hipótese de a minha antiga escola, que ficava na mesma pequena e pacata cidade da dos meus filhos, onde há o tal bullying, ter sido um caso único e fosse a pior escola do país.

  12. Credo Guida, essa sua escola foi em que ano?
    Professores sem pulso para os alunos sempre os houve e haverá, mas alunos a entrarem de mota para os corredores da escola para amedrontarem todos, eu desconhecia. Apetece-me perguntar: O Conselho Directivo dessa escola estava a dormir, ou quê??

  13. Ficaste a conhecer, ana. Isto passou-se na década de 80, e, sim, era um bocadinho assustador. Mas eu cometi um lapso no meu comentário quando disse que devia ser a pior escola do País, é que havia na altura um colégio particular, com regime de internato, com um dono com fama de ter pulso de ferro, para onde vinham os filhos de famílias muito bem, corridos de outros colégios. Ora bem, quem conhecia a escola e o colégio dizia que a escola era para meninas. :)

  14. Guida,
    Que tal reencaminhares esse mail directamente ao Dr. Mário nogueira?
    Quem sabe, ele até te responda?
    fica aqui o endereço fenprof@fenprof.pt.

    É só uma sugestão. Sempre dás hipóteses dele ter conhecimento deste blogue (mais um) onde é comentado sem hipótese de resposta.

    Mas ele aguenta :).

  15. Por essa altura também era aluna e tive alguns professores que eram uma lástima no que concerne à disciplina. No entanto, lembro-me que houve alguns processos disciplinares que deram os seus frutos: a informação era lida nas várias turmas o que, penso, inibia alguns comportamentos menos próprios.
    Quando o professor ameaçava com o Conselho Directivo “piava fino”. Aliás, penso que o mesmo se passava com os professores que, apesar de ameaçarem raramente lá levavam os alunos, porque isso era sinal de falta de autoridade.
    A minha escola era uma básica /secundária de uma vila do interior, bem diferente das escolas das zonas industrializadas do país. No entanto, não pense que tudo eram rosas, bem pelo contrário. A qualidade de alguns professores era muito fraca a juntar a uma taxa de absentismo enorme. Eram outros tempos.

  16. Também havia processos disciplinares e alguns acabavam com a expulsão dos alunos. Tal como eu disse, aquele primeiro ano foi o pior. A situação nos corredores lá foi melhorando. A indisciplina dentro das salas dependia, tal como hoje, dos professores. Só isso explica que a mesma turma tenha comportamentos tão diferentes de uma hora para a outra. O argumento de que a culpa é sempre dos pais que não sabem educar os filhos, enfim, a educação é a mesma os professores é que mudam. Pelo menos dá que pensar…
    Alguns dos meus colegas de escola são professores actualmente, só por má-fé é que podem afirmar, como afirmam, que o que se passa agora nas escolas (nestas onde andam os filhos deles e os meus) é problemático e que o bullying isto, e os pais aquilo. Claro que muita coisa que pode ser melhorada, mas não há comparação possível entre o passado e o presente, a começar pelas condições das escolas e a acabar no comportamento dos alunos e empenhamento dos pais. Não será assim em todas as escolas, mas não é justo que se generalize e que se dê a ideia que tudo tem piorado.

  17. Não comparem tempos, nada é igual e como tal é tempo de agir e tentar corrigir o que ainda nos resta da boa educação e principalmente respeito pelos outros e principalmente por nós próprios que se vai tornando escassa.

    Fechar os olhos e dzer” no meu tempo tudo se resolvia com um supapo”, já era, não é por aí. A figura respeitosa que faz impôr respeito faz falta e aí a culpa de se ter perdido é toda nossa.

    Basta ver o que se passa hoje em dia nas nossas casas, onde quem mais manda são os meninos, tadinhos, os nossos principes e princesas a quem damos tudo e nada precisam de fazer para ganhar.

    Modernices!

  18. De passagem, discordo. Se não comparássemos os tempos, não observávamos, por exemplo, que de facto nas escolas quase tudo mudou, menos as lamúrias (e não só) dos professores.
    Já agora, “corrigir o que ainda nos resta da boa educação” significa o quê, exactamente?

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