«Boca de palhaço» do Batman é outra coisa – aqui é muito pior
Faz agora 43 anos (9-9-66) que comecei a trabalhar e a descontar para o Estado. Dos 600 escudos 16 foram para o «fundo de desemprego» de onde nunca tive nem poderia ter nada para mim. Sendo bancário não podia ir para a Segurança Social.
Toda a minha vida foi hipotecada a uma ideia: comprar uma casa bonita com vista para o Tejo e para a Serra da Arrábida mediante empréstimo bancário a 25 anos. A casa foi armazém do «Mosquito» e da revista «Távola Redonda». Vivo no Bairro Alto desde 1966 e acabei de pagar a casa em 2005. Se eu morrer de súbito (sou doente crónico) o que tenho para deixar à família é esta casa. Por isso reajo com veemência aos atropelos que nos fazem aos moradores aqui no Bairro Alto.
Agora corre o chamado boato urbano de que grupos de assaltantes fazem o golpe da «boca de palhaço» baseado no filme Batman. Desses não tenho eu medo. Tenho medo é dos trambolhos da EMEL que se colocam de cócoras perante a Câmara e da Câmara que se coloca de cócoras perante os trambolhos dos Sapadores Bombeiros. Tenho medo é da Junta de Freguesia que nada faz para defender os moradores e da Polícia Municipal que vem bloquear e multar automóveis à minha rua mas entre a entrada do Bairro e a minha rua passa por restaurantes que roubam lugares de estacionamento para colocarem assadores, carvão e mesas. E de brasileiros mal encarados que perante as reclamações de quem quer dormir respondem em vernáculo pataxó: «Si quer dórmir, sinhóra toma uma pílula!» Ao pé destes trambolhos o golpe da «boca de palhaço» é uma brincadeira. É um boato urbano. Estes são piores. Muito piores.

