Vinte Linhas 392

Para o Castelo de São Jorge, já!

Esta de o António Lobo Antunes estar «apaixonado» por uma rapariga brasileira mais nova 30 anos lembrou-me logo o Saramago e a sua espanhola espalhafatosa – também tem menos 30 anos. De vez em quando aparecem na Imprensa uma bojardas do Nobel 98 que (percebe-se logo) são sopradas pela voluntariosa espanhola. Ele é a integração em Espanha (que só tem vantagens), ele é o salário mínimo (que é muito melhor) mas nunca falaram de Olivença. Ele já está integrado e por isso é que aparece tão entusiasta – os maiores fanáticos são os recém-convertidos. Esta história da integração na Espanha é antiga; no tempo da ditadura do João Franco as nossas províncias já estavam designadas e até tinham governador anunciado: Rodrigues de Freitas para o Porto (capital de Entre Minho e Douro), Teófilo Braga para Lisboa (capital de Entre Douro e Sado), Jacinto Nunes para Évora (capital de Entre Sado e Guadiana) e Eduardo de Abreu para Funchal (capital das Ilhas Adjacentes). Agora esta rapariga de 30 anos é golpe do Brasil para o acordo ortográfico. Com uma rapariga bonita ao lado do escritor famoso, o acordo pode vencer obstáculos mesmo que o resultado seja um português com mais pataxó que português. Agora António Costa tem um problema a juntar ao caos do Bairro Alto, aos dois mortos recentes (um de ataque de coração e outro de navalhada) e à vergonha do quiosque de São Pedro de Alcântara que não existe apesar de ele anunciar quinze novas esplanadas (só se for ao colo dos moradores) para além dum delirante «cartão de visitante» que permitirá «estacionar» a 15 euros por hora. Depois da Casa dos Bicos para o Saramago só pode dar o Castelo de São Jorge ao Lobo Antunes. E com obras…

6 thoughts on “Vinte Linhas 392”

  1. Meu caro JCF:
    Não faça ondas ! Quem lhe disse que não lhe vai tocar uma santomense a si ?
    Eu, por mim, isto é mais uma das políticas certeiras do Sócrates, ou até de António Costa !
    E viva Lobo Antunes, a rir ao fim de cinquenta anos de sisudo, sem saber o que fazer daquele ramo de rosas vermelhas, envergonhadas, na mão.
    Viva a lusofonia que Olivença é nossa !
    Um abraço do
    Jnascimento

  2. (meu caro JCF: vê antes a coisa como uma pérfida incursão em território inimigo, um cavalo de troia da lusofonia com efeitos a prazo; coitado do duque de Lafões, com os seus oitenta e joanetes dentro das botas de veludo ainda tentou safar a honra da pátria, mas já se sabe aquilo eram coisas de família.)

  3. É horrível é horrível mas é assim mesmo. Estou à espera de ver o António no Castelo de São Jorge e a Av. da Liberdade transformada em sambódromo e a scanções em português pataxó!

  4. Pois. Esse argumento da brasileira com o Lobo para facilitar o acordo é que não está bem: o escritor é um dos assinantes da petição contra o mesmo…

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