Vinte Linhas 394

«Tornar-se pessoa» de Carl Rogers – um livro «novo»

Em boa hora a Padrões Culturais Editora reeditou este já clássico «Tornar-se pessoa» (On becoming a person) de Carl Rogers. Publicada nos EUA em 1961, a edição original deste livro vendeu milhões de exemplares num tempo em que os milhões não eram habituais no mundo editorial. Segundo o autor, este livro «trata do sofrimento e da esperança, da ansiedade e da satisfação que invadem o gabinete de consulta de qualquer psicoterapeuta».

A psicanálise freudiana sustentava que os impulsos humanos (sexo e agressão) eram inerentemente egoístas, custosa e dificilmente contidos pela força da cultura. No modelo freudiano a cura dava-se por meio de uma relação que frustrava o paciente, fomentando a angústia necessária para que o mesmo aceitasse as penosas verdades do analista.

Rogers acreditava que as pessoas necessitavam de uma relação na qual são aceites. As perícias que este terapeuta utiliza são a empatia e a «consideração positiva incondicional». A hipótese está na frase «Se posso proporcionar um certo tipo de relação, o outro descobrirá dentro de si mesmo a capacidade de utilizar aquela relação para crescer e a mudança e o desenvolvimento pessoal ocorrerão». Para Rogers crescimento é um movimento na direcção da auto-estima, flexibilidade, respeito por si e pelos outros. Sendo o homem «incorrigivelmente socializado nos seus desejos, quando o homem é mais plenamente homem, ele é digno de confiança». «Tornar-se pessoa» continua a ser hoje um livro estimulante para quem quer estudar de modo competente as tensões que ocorrem nas relações humanas sejam elas interpessoais ou intergrupais.

3 thoughts on “Vinte Linhas 394”

  1. Também concordo e num tempo povoado de gente tipo «morangos com açúcar» vale a pena insistir na ideia de que o mais importante é alguém «tornar-se pessoa». Mais do que o título dum livro é um projecto de vida e de gramática do Mundo.

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