Escondem entre as pernas o bode da viúva
Bem longe do balcão da sombria taberna
Seus gritos são iguais às bátegas de chuva
Da água maldita que não entra na cisterna
Nem mata a sede neste Verão de fornalha
Que queima as gargantas de quem passa
Nas ruas mais apertadas onde se espalha
Toda a pobreza da aldeia toda a desgraça
Cisterna, único lugar da casa bem fechado
Mais que roupa ou louça, arca ou armário
Riqueza fechada no segredo dum cadeado
Mata a sede de quem chega ao contrário
Da vida que se vai projectando no ecran
E que termina a dois numa dança ritual
A chuva da noite vai repetir-se de manhã
Nas ruas onde o ar sabe a mar e sabe a sal



















