Vinte Linhas 472

Portugal – O piquete e o cabo de dia ou A sarjeta no altar

Parece de propósito. Quando há dias coloquei no «aspirinab» o texto sobre o livro do Raul Brandão (1867-1920) com a citação da página 111 de «Vida e morte de Gomes Freire» houve quem não gostasse e me criticasse asperamente por fazer esta citação onde se podia ler: «É a vaza, é o costume secular, é a infâmia que sobe do fundo do charco e tolda tudo, suja tudo. Umas são reles, outras simplesmente ridículas.»

Parece de propósito. Poucos dias depois lá veio de novo Sócrates, a cegarrega dos projectos assinados, dos mamarrachos, das incompatibilidades, das suspeitas, das denúncias. Desta vez foi num jornal mas podia ter sido numa televisão. Claro que eu sei (tenho a obrigação de saber) que o pessoal de piquete e o cabo de dia não estavam à espera do que saiu no «aspirinab» mas dá que pensar. Parece que foi um reflexo.

Na minha terra existe uma expressão muito curiosa e muito apropriada ao caso que é esta: «Fulano sempre cavou com a mesma enxada». Quando um indivíduo teimava em manter a sua ideia, mesmo errada e com erro confirmado pela comunidade, as pessoas diziam: «Deixa lá que ele sempre cavou com a mesma enxada.»

Esta trapalhada do jornal da SONAE (podia ser da televisão, não vem ao caso) é mesmo de quem só cava com uma enxada. Quando se apagarem os foguetes deste «caso» lá virá a carta «anónima» do caso Freeport. E se for necessário, repete-se e voltam a ser distribuídas as cartas do baralho já velho, na velha taberna do velho país.

Parece de propósito. Esta gente não percebe que assim está a confundir tudo, a salpicar de lodo o jardim de todos, a enfim colocar uma sarjeta num altar. O seu altar.

7 thoughts on “Vinte Linhas 472”

  1. Emidio Rangel é que os topa !
    O mais importante da sua importante intervenção na comissão dita de ética, nem foi a referância à oferta ou à venda de notícias pelos da justiça. O mais importante foi a denúncia do jornalismo corrupto que se faz entre nós. Será que o Sindicato dos ditos também o vai processar ?
    E, do mesmo modo, a importância das declarações de Pais do Amaral não está na referência, entre portas, à queima de Santana que hoje faz primeiras páginas. Está na desocultação, por dentro, do mesmo jornalismo corrupto e de alguns dos seus procedimentos que ven afectando o funcionamento das instituições e o bom nome das pessoas.
    Vá, José do Carmo Francisco, pode ser que a redenção já não demore.
    Jnascimento

  2. Sinhâ – não é inchaço é sarjeta. A sarjeta no altar onde os sacerdotes desta sórdida liturgia vão oficiando.

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