Um livro por semana 176

«A torre» de Baltazar de Matos Caeiro

A Torre de Matos é uma torre de atalaia militar anterior à nossa nacionalidade. O seu nome deriva dos extensos matos que a rodeavam e desde o século XIV passou da família Matos para a família Pinto até aos nossos dias. Nela situou Eça de Queirós a acção de «A Ilustre Casa de Ramires» em homenagem ao filho de Ramiro II de Leão, D, Alboazar Ramires. No último quartel do século X era esta a vida na região da Torre: «as fronteiras mudavam constantemente, flutuando a bel-prazer de belicosos reis cristãos, arrogantes condes, sanguíneos emires e ambiciosos califas, levando a combates renhidos com destruição de aldeias, inutilização de colheitas, destruição dos campos. Sucediam-se, assim, os fossados e as cavalgadas dos fronteiros para sul e as algaras muçulmanas que de rompante iam até ao curso do Douro».

A paixão infeliz do cristão Tedon pela moura Ardínia, filha do alcaide Alboacém de Lamego, acabou com a morte de ambos, executada por quem não aceitava as ligações entre mouros e cristãos: «Há muitos interessados para que as coisas corram mal entre os dois povos e se mantenha a guerra». Entre as diversas lutas e aventuras à volta desta Torre, cujo brasão vai terminar em Castelo de Vide, bem longe do Douro, só uma coisa fica imutável: «A vida na época era essencialmente pensada para a guerra e passada na guerra, quer pelo medo relativo que todos e principalmente os grandes senhores sentiam uns pelos outros, cujos limites eram frequentemente desrespeitados, quer pelo chamamento às Cruzadas contra os infiéis, fosse na própria terra, fosse na Terra Santa».

(Editora: Plátano, Prefácio: João Malta, Capa, design e paginação: José Maria Pires)

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