Vinte Linhas 469

Raul Brandão – aprende-se sempre com a História

Raul Brandão (1867-1930) não foi, nem nunca pretendeu ser, um historiador mas a verdade é que sem o seu livro «Vida e morte de Gomes Freire» não seria possível entender o estertor da monarquia absoluta em 1817. É nesse ano que Gomes Freire de Andrade (1757-1817) é enforcado e queimado em São Julião da Barra, sendo as cinzas lançadas ao mar. Mais tarde (1853) o governador da Praça de São Julião da Barra manda levantar um monumento em memória de Gomes Freire.

Relendo o livro «Vida e morte de Gomes Freire» com prefácio de Victor de Sá parei na página 111. Vejamos: «Vem então à tona, como sempre, a denúncia. Cartas anónimas para o intendente, cartas anónimas para D. Miguel Forjaz; mais cartas de gente que quer prestar serviços, mais papéis de gente que quer desfazer-se dum inimigo. É a vaza, é o costume secular, é a infâmia que sobe do fundo do charco e tolda tudo, suja tudo. Umas são reles, outras simplesmente ridículas. Um anónimo escreve que um Pedro Ferreira Mouro, morador defronte do Pátio das Vacas (Belém) «o combocou para ele com outros da sua fação combocase os meus amigos para fazer um lebantamento que nada lhes havia de faltar». Mouro não tinha nada em casa em Dezembro de 1816 morando na rua dos Cozinheiros e agora tem a casa bem movilhada, já puxa por peças». É «um fiel vassalo e portuguez verdadeiro» – a anónimo. Trata-se de uma carta anónima metida na caixa dos requerimentos de Francisco Leite, no Largo de S. Tomé em 29-5-1817.

Tudo isto que se passou em 1817 se repete melancolicamente quase duzentos anos depois: cartas anónimas, denúncias, infâmias, o lodo erigido como altar.

18 thoughts on “Vinte Linhas 469”

  1. Olá, meu Caro José do Carmo Francisco:
    Boa Páscoa ! Na panela que ilustrava a sua crónica anterior, 20 linhas 468, podia bem fazer-se um lauto almoço pascal, menos massa sovada, está claro, e que saudades daqueles utensílios de ferro que foram passando para o natal da memória. E para a páscoa !
    Hoje fia mais fino porque das acusações anónimas resultou um assassinato brutal, mas o mistério público, escrevo mistério para evitar confusões, se quisesse, ainda hoje podia abrir um inquérito e certamente iria deslocar-se ao Norte, em diligência. É mais perto do que a Inglaterra e menos frio do que a Alemanha e aqueles bes pelos ves apontam nessa direcção.
    Comboquemos então a indignação das pessoas de bem contra a canalha de todos os tempos.
    Fraternidade
    Jnascimento

  2. Ver Raúl Brandão por esse prisma, tão estreito e redutor, é como boi a olhar para um palácio: só vai buscar o que não interessa.

  3. Tu Claudia ainda perdes tempo a perguntar a minha idade; eu não perco tempo a dizer que tu não tens estatuto para me dizeres que eu sou um boi a olhar para o palácio do Raúl Brandão. Se queres ser parva sozinha é apenas contigo mas não tentes arrastar os outros para o teu lado. Não tentes chamar «prisma» a uma citação da página 111 de um livro. É demagogia, é desonestidade intelectual, é tolice.

  4. Meu caro JCF, quem tem curso em Línguas e Literaturas Modernas, sou eu. Portanto, cala o bico. Fazes parte de uma geração podre, umbigal e, acima de tudo, hipócrita. Sim, toda essa geração nascida nos anos 40 e 50.

  5. Podridão lacaia a correr atrás dos euros e a manterem fachadas sanas. Bons exemplos dados à geração nascida na Revolução!

  6. JCF, queres que te sirva palitos ou a colher já dá para palitar? E não te dês ao trabalho de te debruçares sobre a obra de Raúl Brandão. A Literatura agradece!

  7. Um dia os oceanos inundar-se-ao … e tudo sera destruido … tudo vai desaparecer … mas tu sobreviveras … pq a merda boia!

  8. Ler O Raul brandão é sempre um privilégio e uma enorme aventura.
    E de facto não só se aprende muito como se reaviva a memória colectiva, no caso a precisar de muitas leituras dessas para ver se acorda e percebe como é fácil esta coisa de assassinatos politico , como é hoje praticado nos nossos dias…

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