Arquivo da Categoria: Valupi

Pináculo do “argumentum ad Socraterum”

Marcelo recorda que Cavaco e Sócrates estavam no poder quando Mundial foi aprovado

Na sequência de anteriores declarações que causaram espanto pela sua estultícia, dada a tarimba e predicados da figura e o seu papel institucional em questão, Marcelo saiu-se com esta imbecilidade: “O Qatar não respeita os direitos humanos […] mas, enfim, esqueçamos isto.” Como diz que disse? Esquecer, é mesmo esse o verbo que colhe usar?

E depois da bacorada, tal como aconteceu no branqueamento das suspeitas de abusos sexuais na Igreja Católica, tratou a comunidade como um aglomerado de calhaus. Não tendo mais nada à mão a que se agarrar, foi parar a Sócrates, a fonte de todo mal no universo. Donde, segue a lógica, a culpa de Marcelo querer ir ao Qatar é de Sócrates, principalmente, e de Cavaco, um bocadinho.

É a definição mesma da decadência moral, o vale tudo para não assumir as suas responsabilidades.

Revolution through evolution

Study shows the power of ‘thank you’ for couples
.
Feeling lonely? What we want from our relationships can change with age
.
Staying warm: What does an unheated room do to your body?
.
Corporal punishment affects brain activity, anxiety, and depression
.
Even in kindergarten, gaps seen in extracurricular activities
.
How breathing shapes our brain
.
Your favorite songs reveal your attachment style: New psychology research
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Dominguice

O meu primo disse-me “Aqui ninguém se entende.” Aqui era ali, para os lados de acolá. Só muito mais tarde consegui compreender o que tinha ouvido. Que era isto: “Ninguém se entende.” Nem ali, a terra dele, nem em nenhures. Nem nas terras dos outros nem nas casas dos mesmos. Nem ontem nem amanhã. A discórdia é o estado natural da política e da sociabilidade. Daí ser preciso recorrer à violência máxima – como as calúnias e campanhas sujas que destroem a reputação, saúde e o futuro dos alvos, ou os assassinatos de opositores e as ditaduras policiais – para tentar reduzir a discórdia à expressão mínima. Apenas para que ela rebente, vingativa ou revolucionária, mais tarde. Inevitavelmente.

A democracia é para heróis. Dos mais valentes, mais belos. Aqueles que estão apaixonados pela alteridade.

Estado da direita: Santana exemplar

Quando Pedro Santana Lopes surge como arauto da decência e do respeito pelas instituições, ou até mesmo como paladino da coesão e integridade da República, sabemos que a decadência da direita há muito que bateu no fundo. E não tem parado de escavar.

Sim, este Pedro, que agora apregoa um nobilíssimo “não gosto de coisas à traição“, foi o mesmo que em 2005 encomendou no Brasil uma campanha negra para lançar o boato de Sócrates ser homossexual, campanha essa que era como a cereja no cimo da outra já a correr sobre o Freeport, lançada esta por elementos do PSD e CDS em trama com agentes da autoridade.

As cãs trazem a sabedoria e a santa amnésia.

Putinismo canino

«“Tenho um amigo de infância e a determinada altura — miúdos de seis, sete anos — ele tinha um cachorrinho. Então a brincadeira que se montou, que era uma coisa completamente absurda, era três crianças que à vez atiçavam o cão. Atiçavam o cão, quando o cão vinha para morder gritavam e o cão, coitado, baixava... A brincadeira era assim. Esse meu amigo, que era o dono do cão, quando foi a vez dele de fazer esse movimento de atiçar o cão, o cão deu-lhe 20 e tal dentadas. Ao dono! E a pergunta é: a culpa é do cão? O cão é culpado desse acto?”, elaborou Paulo Raimundo.»


Fonte

Saliva e desespero

Supondo que o PCP quer aumentar a sua votação nos actos eleitorais futuros, estará então interessado em atrair o interesse e a vontade de quem não pretende actualmente votar nos comunistas portugueses. Nesta lógica, é mais importante aparecer em espaços de comunicação neutros e públicos do que apenas comunicar nos eventos do partido para os militantes. Parece uma evidência.

Ora, esta entrevista a Paulo Raimundo não oferece nenhuma de nenhuma razão para cativar votos extraviados ou novos. Pelo contrário, reforça a percepção de continuar a ser o PCP uma cassete, só que agora com a fita partida. Já não há musiqueta nem folclore, substituídos pelo fedor do putinismo.

Paulo Raimundo é um líder sem carisma, um avatar de Carvalhas no pior sentido da comparação – tal como Jerónimo foi um avatar de Cunhal, no melhor sentido da comparação. Como quase todos os comunistas, transmite a impressão de ser uma excelente pessoa. E teve o condão de apelar à empatia, dando-se a ver como normalzinho da Silva. Veremos se tal imagem se mantém quando estiver no calor da luta.

No discurso da Conferência Nacional, disse que “há quem salive e desespere pelo fim do PCP“. Haverá, com certeza, pois há sempre de tudo. Mas esse grupo é minúsculo e constituído apenas por direitolas fanáticos e broncos. O novo líder do PCP teria feito uma pequena revolução se dissesse exactamente o contrário, que há muitíssimos mais que salivam e desesperam vendo o PCP a desaparecer. Muitíssimos mais, milhões, que estão agradecidos ao PCP pelo seu contributo para a qualidade da democracia até aos idos de Fevereiro deste ano. É para esses que a Soeiro Pereira Gomes deve falar caso o plano seja ter alguma relevância no futuro político de Portugal.

Revolution through evolution

Lucid dying: Patients recall death experiences during CPR
.
10 Best Strategies for Helping a Loved One with Alzheimer’s Disease
.
Is weakness the new smoking? Muscle strength tied to biological age, study shows
.
Ultraprocessed foods linked to premature deaths
.
Highly processed foods can be considered addictive like tobacco products
.
Crossword puzzles beat computer video games in slowing memory loss
.
Was I Happy Then? Our Current Feelings Can Interfere with Memories of Past Well-Being
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Dominguice

Governar, numa democracia, será a mais complexa tarefa ao alcance da experiência humana — assumindo que os governantes procurem tomar as melhores decisões de acordo com a sua honestidade intelectual. Não é que seja mais intenso, ou desgastante, ser primeiro-ministro do que ser neurocirurgião, general ou astronauta. Até um vendedor de tremoços e pevides poderá dar por si exausto no final do dia (especialmente se não lhe compraram nada). O que confere esse grau superlativo de complexidade à actividade dos políticos é a consciência que eles têm da falta de controlo sobre quase tudo o que lhes é confiado em nome do Estado. O clima, um vírus, a guerra, um taralhouco incendiário, um partido que resolve chumbar o Orçamento, há quintiliões de possibilidades para as coisas irem de mal a pior. À volta desse pré-desespero, as oposições e seus meios de comunicação apelam sem descanso à estupidez da populaça e à pulsão de condenação política, moral e (com sorte) judicial dos cidadãos que se oferecem para governar. A imagem de “sete cães a um osso” é a metáfora perfeita para a violência latente e explícita que as oposições alimentam de forma maníaca.

Num Estado de direito democrático, a fragilidade dos governantes é muito mais perigosa do que a sua força.

Marcelo, larga o vinho

O estrambólico ataque fulanizado de Marcelo a Ana Abrunhosa foi rapidamente abafado, ou mesmo completamente ignorado, pelo editorialismo e comentariado. Sem a mínima surpresa. João Taborda da Gama, um direitola ilustrado filho de ilustre socialista, até conseguiu pintar Costa como o mau da fita no episódio: O Outro Lado (chamo a atenção para a perspicaz opinião de Ana Drago a respeito, e ainda mais para a excelente prestação de Paulo Pedroso acerca do PRR).

Porém, contudo, no entanto, as cenas captadas são política e deontologicamente chocantes – Marcelo Rebelo de Sousa deixa aviso à ministra da Coesão – uma mistela de soberba autoritária, pose patriarcal, assédio laboral, violência emocional e puro desconchavo cognitivo. A promessa de não “perdoar” a ministra, a qual nem sequer é a responsável pelos fundos europeus, foi uma exibição machista cujo intento está directamente ligado com a presença de Luís Montenegro naquela arena. Marcelo quis mostrar à sua gente que pode, se lhe der na telha, despachar um membro do Governo, assim causando uma crise para desgaste do PS e aproveitamento do PSD.

O momento mais popular de Marcelo como Presidente da República ocorreu quando aproveitou os incêndios de 2017 para fazer de Constança Urbano de Sousa um bode expiatório e um troféu político para a direita. Foi muito aplaudido, até por simpatizantes socialistas, porque foi um número retintamente populista. Voltou a tentar repetir a proeza com Azeredo Lopes e Eduardo Cabrita, aqui sem sucesso e sem coragem. No caso de Ana Abrunhosa, cheirou-lhe a sangue e não se controlou, cedeu à pressão da baixa política e à megalomania alimentada por uma direita decadente.

Victor Moura-Pinto fez um delicioso trabalho de interpretação e montagem dos devaneios marcelistas. A tese é a de que o tinto está a fazer o seu efeito nos neurónios presidenciais: “Corrigir e retificar”: o aperto de Marcelo à ministra Ana Abrunhosa

Costa diz que Marcelo é maluco e um porreiraço

"Sou sincero, no sábado, desliguei para descansar. Portanto, não ouvi diretamente as palavras [do Presidente da República]", começou por responder António Costa, provocando alguns risos aos jornalistas. "Sim, sim, não riam, lá porque sou primeiro-ministro também tenho direito ao descanso", reagiu logo a seguir o líder do executivo.

"Comecei as funções com o anterior Presidente da República [Cavaco Silva], mas tenho uma longa experiência com o atual. Cada um tem o seu estilo, cada um tem a sua forma de agir, cada um tem a sua forma de interpretar os poderes constitucionais, visto que a nossa Constituição é bastante clara, embora ajustável à personalidade de cada um que exerce essas funções", disse.

Na perspetiva de António Costa, "todos os portugueses têm apreciado a forma como o Presidente da República tem exercido as suas funções, que tem momentos de maior criatividade". "Mas acho que isso é normal, ninguém leva a mal. A senhora ministra [Ana Abrunhosa], aliás, disse que não tinha levado a mal, estava lá e compreendeu perfeitamente a intervenção no quadro da informalidade com que tudo decorria", acrescentou.

Fonte

Ignoro se a resposta do Governo à afronta de Marcelo foi coordenada, embora apostasse os 10 euros que tenho no bolso como a displicência comunicacional de Costa favorece antes a hipótese de residir na Ana Abrunhosa o acerto da postura. Foi ela que começou por se negar no local a comentar as palavras indignas do Presidente da República a seu respeito. E veio dela o golpe de judo perfeito, ao mostrar um sentido de Estado exímio que, simultaneamente, reduzia Marcelo à figura daquele tio bronco que nos jantares de Natal só diz merda, para embaraço e suplício dos convivas.

Na dimensão institucional das suas declarações, o que temos é uma ministra a explicar que o Presidente da República decidiu diminuir-se, abandonando o estatuto de Chefe de Estado para se comportar como um outro qualquer ministro. Daí tê-la interpelado directamente, sem passar pelo primeiro-ministro. São intimidades próprias de colegas de Executivo, ou então de um líder da oposição.

Depois aparece Costa, e o subtexto das suas palavras é letal para o prestígio do actual Presidente da República. Começou por exibir desprezo, frisando que não estava sequer a prestar atenção ao que acontecia na Trofa. De caminho, aludiu à necessidade de descanso, indicando que ele trabalha que se farta enquanto há outros que se limitam a passear e a abrir a boca. De seguida, espetou fundo o ferro ao frisar que Marcelo estava a abusar dos poderes concedidos pela Constituição ao seu papel – a este respeito, Vital Moreira anda há anos a denunciar o mesmo. Concluiu dizendo que o povo gosta de Marcelo como ele é, um palhaço dado a venetas.

Pode-se achar poucochinha esta pose de nacional-porreirismo de Costa mas abrir um conflito seria inútil para qualquer agenda do Governo e uma irresponsabilidade para o interesse nacional. Donde, é a única estratégia possível para lidar com um Presidente da República que gosta de mostrar a pilinha a ministras socialistas.

Ana Abrunhosa muda a fralda a Marcelo

"Partilhamos totalmente da preocupação e da pressão do senhor Presidente da República [PR]. O senhor Presidente, por diversas vezes, transmite [a sua opinião] em privado e em público. Desta vez, teve maior visibilidade", disse hoje Ana Abrunhosa aos jornalistas.

"Não há melindres, há uma partilha de preocupações e há uma partilha da ambição de aproveitarmos bem estes fundos [europeus] que nós temos à nossa disposição. E não vale a pena dramatizar, não vale a pena, porque o senhor Presidente faz o seu papel, que é exigir ao Governo que faça trabalho", disse, quando confrontada com as declarações do PR.


Fonte

Revolution through evolution

Female Politicians Disadvantaged by Online Prejudices and Stereotypes
.
Good Sleep Can Increase Women’s Work Ambitions
.
Sensitivity to Musical Rhythm Supports Social Development in Infants
.
Less gym time, same results: Why ‘lowering’ weights is all you need to do
.
Short Bursts of Vigorous Activity Linked with Increased Longevity
.
Low Sense of Personal Control Increases People’s Affinity for Tighter, Rules-Based Culture
.
Partisans Willing to Upend Democracy to Help Their Party Win Even When Polarization Is Diminished
.
Continuar a lerRevolution through evolution