Marcelo, larga o vinho

O estrambólico ataque fulanizado de Marcelo a Ana Abrunhosa foi rapidamente abafado, ou mesmo completamente ignorado, pelo editorialismo e comentariado. Sem a mínima surpresa. João Taborda da Gama, um direitola ilustrado filho de ilustre socialista, até conseguiu pintar Costa como o mau da fita no episódio: O Outro Lado (chamo a atenção para a perspicaz opinião de Ana Drago a respeito, e ainda mais para a excelente prestação de Paulo Pedroso acerca do PRR).

Porém, contudo, no entanto, as cenas captadas são política e deontologicamente chocantes – Marcelo Rebelo de Sousa deixa aviso à ministra da Coesão – uma mistela de soberba autoritária, pose patriarcal, assédio laboral, violência emocional e puro desconchavo cognitivo. A promessa de não “perdoar” a ministra, a qual nem sequer é a responsável pelos fundos europeus, foi uma exibição machista cujo intento está directamente ligado com a presença de Luís Montenegro naquela arena. Marcelo quis mostrar à sua gente que pode, se lhe der na telha, despachar um membro do Governo, assim causando uma crise para desgaste do PS e aproveitamento do PSD.

O momento mais popular de Marcelo como Presidente da República ocorreu quando aproveitou os incêndios de 2017 para fazer de Constança Urbano de Sousa um bode expiatório e um troféu político para a direita. Foi muito aplaudido, até por simpatizantes socialistas, porque foi um número retintamente populista. Voltou a tentar repetir a proeza com Azeredo Lopes e Eduardo Cabrita, aqui sem sucesso e sem coragem. No caso de Ana Abrunhosa, cheirou-lhe a sangue e não se controlou, cedeu à pressão da baixa política e à megalomania alimentada por uma direita decadente.

Victor Moura-Pinto fez um delicioso trabalho de interpretação e montagem dos devaneios marcelistas. A tese é a de que o tinto está a fazer o seu efeito nos neurónios presidenciais: “Corrigir e retificar”: o aperto de Marcelo à ministra Ana Abrunhosa

19 thoughts on “Marcelo, larga o vinho”

  1. !ai! que riso, estou tentada a ir ver mesmo agora televisão e esticar as pernas e comer o meu dióspiro maçã. não pode ser, tenho de me fiar na exposição acima. o que eu percebi nadinha é donde vêm as desconfianças do Marcelo em forma de ataque e onde está a informação sobre os fundos europeus para que se possa juntar à delicadeza da Ana e à ironia do Costa. no fundo eu queria saber dos fundos para poder juntar bagaço ao vinho do Marcelo. é isso.

  2. -JAFaria- Este tipo de declaração do Presidente e a desvalorização do 1º Ministro, tem alguma consequência politica?

    – Ana Drago – Eu acho que a desvalorização é do Presidente da Republica…

    Exatissimamente!!!

  3. pois claro que é, isso nem está em questão, só lhe falta aparecer na tv a fazer publicidade aos jogos da santa casa e ser consultor de pensos higiénicos marca povoléu, !ai! que riso, e é por isso que a Ana devia tê-lo posto no sítio. podia ser elegante e delicada como foi e ao mesmo tempo ter agarrado a oportunidade para dar uma paulada, logo ali, na agressão – assim como Costa.

  4. “Porém, contudo, no entanto, as cenas captadas são política e deontologicamente chocantes – Marcelo Rebelo de Sousa deixa aviso à ministra da Coesão – uma mistela de soberba autoritária, pose patriarcal, assédio laboral, violência emocional e puro desconchavo cognitivo.”

    Valupi! Meu! Afinal a diatribe do beijoqueiro foi apenas uma coisita sem qualquer importância, que a ministra e o nosso primeiro despacharam, exímios, para a gaveta dos faits-divers sem faits nem divers, e que apenas dois ou três malucos consideravam exigir medidas terapêuticas que, no futuro, pusessem o animal no seu lugar, ou pode e deve ser classificada como “cenas (…) política e deontologicamente chocantes, (…) mistela de soberba autoritária, pose patriarcal, assédio laboral, violência emocional e puro desconchavo cognitivo”? Porque afirmar (e bem) que ao Supremo Parvalhão da Nação “cheirou-lhe a sangue e não se controlou, cedeu à pressão da baixa política e à megalomania alimentada por uma direita decadente” é tudo menos considerar (e mal) que a diatribe do parvalhão foi uma coisita de nada. Em que ficamos, rapaz? É que já há três dias que não falas (e bem) noutra coisa, pá!

  5. Essa música é linda, Eduardo, e o filme, do grande Clint Eastwood, faz parte da minha (longa) lista de preferidos. Mas é a manifestação da alma e da sensibilidade do compositor (o próprio Clint Eastwood), um humano com uma tremenda empatia pelo que aos outros humanos diz respeito, empatia que se sente nos filmes que faz. Já a minha questão sobre a possibilidade de o Justin Johnson ser de outro planeta tem a ver com maestria, com excepcionalidade, com o modo como os dedos dele exploram, à ‘velocidade da luz’, todas as potencialidades do instrumento que tem nas mãos. A composição de Clint Eastwood é de outro campeonato, o campeonato das almas. No Justin Johnson também há sensibilidade e alma, às toneladas, mas é mais alma de blues, com uma costela rockeira e outra de explorador, experimentalista, curioso, alma inquieta. No que respeita à eventual origem extraterrestre do rapaz, eu, que também toco (ou tocava) viola, referia-me à ‘habilidade’, chamemos-lhe assim, ao nível estratosférico que nesse plano ele atinge.

  6. e a este problema de falta de mão de obra básica e indispensável , junta-se o da falta de professores. um génio visionário , sim senhor.

  7. ou o musk desata a fazer robots operários , canalizadores , pedreiros , barmans , carteiros e assim , ou isto vai acabar mal.

  8. Portanto o mal de tudo no País, segundo a burrinha da Yo, é do Sócrates…

    E eu que acordei mal disposto, ainda bem que há sempre alguém que nos faz rir!

  9. a yo tem frustrações em frequência acumulada e depois, pois claro, vem ao Aspirina aliviá-las. faz muito bem, solta uns peidos, bebe uns copos de vinho servido por outros do seu calibre, coça a fruta e palita os dentes com a unha do dedo mindinho depois de coçar o cu por dentro das cuecas, enfim. é deixá-la andar. !ai! que riso

  10. Concordo em absoluto com o que disseste. Desculpa pelas respostas tardia. O músico que trouxeste é de uma categoria muito superior, e a versão dele tem tudo o que disseste. Uma técnica enorme. Gostei. Também gosto de ver pessoal a tocar guitarra com essa qualidade.

    Sobre o filme, também está na minha lista de preferidos, e está no topo.

  11. está um dia lindo , jp. passei a manhã no meio de árvores , na conversa com os jardineiros. tive de fazer um esforço para vir par casa.

  12. aposto a nota de dez euros que tenho debaixo do teclado, yo, em como tentou encontrar Sócrates no meio da grama. o Musk na resina da árvore e uma qualquer cena de manga porno japonesa com os jardineiros. !ai! que riso

  13. por acaso ando a pensar no musk. é intj como eu , já viu o quadro todo lá na terra onde vive. ando a tentar perceber o que pretende.

  14. ó pá , à partida sei que tem um plano de melhoramento disto tudo e que pensou em tudo que pode correr mal. e o facto dos merdia amaricanos e as suas sucursais na europa , como o público , andarem num frenesim para denegrir-lhe a imagem é óptimo sinal , significa que os donos disto tudo se sentem incomodados. e só o homem mais rico do mundo e os seus amigos árabes podem fazer-lhes frente.

  15. Tens toda a razão. Clint Eastwood é deste mundo por tudo o que disseste.
    Alias as três personagens (sobretudo Clint Eastwood e o Kid) são complexas. O primeiro um assassino de primeira categoria que provou q também consegue render se “ao bem”. O segundo um fanfarrão de primeira q logo se arrepende da vida de cowboy: tirar a vida a um homem” é tirar lhe tudo o que foi e tudo que poderá vir a ser”. Lindo.
    Clint Eastwood não posso ignorar Million Dollar Baby, que também está no topo do q gosto.
    Um filme preferido q tenho, aconselho a todos pois nunca vi nada assim, é o “Rope” de Hitchcock. Que filmaço!

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