Este jogo com a Albânia foi inacreditável. Meter o Boa Morte na equipa foi inacreditável, teríamos tido melhor ataque com mais um defesa em vez dele. O golo do Hugo Almeida foi inacreditável, porque só foi conseguido por ter sido uma oferta de uma selecção amadora chamada Albânia. O golo da Albânia foi inacreditável, porque foi uma oferta de uma selecção altamente profissionalizada chamada Portugal. A ineficácia de Ronaldo e Deco foi inacreditável, parecendo jogadores medianos quando jogam nesta selecção. A falta de inteligência do futebol de Portugal foi inacreditável, falhando passes fáceis e não sabendo ludibriar jogadores medíocres através da técnica individual e cultura táctica colectiva. A segunda parte foi inacreditável, porque estivemos o tempo todo na iminência de levar com outra batata dos albaneses. A vitória de Portugal foi inacreditável, pois merecia ter saído empatada como equipa de empatas que foi ou é.
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Votar PS como voto de protesto
Presbiopia
A melhor forma de respeitarmos o cidadão Cavaco Silva é abandonarmos o respeitinho pelo Presidente da República. Coloquemos a questão no seu devido lugar: é o Presidente da República que começa por dever respeito à Constituição, aos concidadãos, aos eleitores, ao Parlamento e à Pátria. Por isso, calhando aparecer um Presidente da República tão inábil como este que temos em funções, é sua obrigação prestar contas públicas e provar que está à altura da responsabilidade.
Aspirinas
A nossa amiga guida reflecte e dá testemunho sobre a temática da Educação.
O nosso amigo Marco Alberto Alves toca num problema decisivo: as elites nacionais.
O nosso amigo tra.quinas expressa o que todos (mesmo aqueles que não o confessaram) sentiram perante a declaração de Cavaco.
Goldfinger
Mas Vital deveria saber que existe uma regra de ouro nestes “negócios” em Portugal: é que sempre são feitos em tandem entre gente do PSD e do PS. Talvez neste caso, houvesse um maior desequilibrio do que o costume, mais PSD e menos PS, e talvez seja por isso que muitas protecções não se verificaram. Bem pelo contrário.
Pacheco Pereira anda na política há mais de 40 anos, e acrescenta à experiência pessoal a de terceiros que adquire na alexandrina leitura, continuada docência e aturada investigação. É também o publicista com maior poder, se por poder se medir a quantidade de meios de comunicação onde exerce o seu mister opinativo. Finalmente, é um destacado militante e conselheiro do PSD, participando por conta própria na luta política. Vai daí, se um passarão deste calibre diz que há uma regra de ouro em certos “negócios”, é avisado acreditar que ele sabe perfeitamente do que está a falar.
Ainda não és leitor do maradona?
Então, vai ler isto. E despacha-te que o cabrão não se aguenta nos postes.
Adenda: à conta da maravilha do maradona, estreei-me na leitura dos comentários do Portugal dos Pequeninos, onde o autor escarrapachou esta imbecilidade, e agora tenho 87 euros e 20 cêntimos para entregar ao maradona, que é o exacto valor que eu acho que ele merece por causa dos momentos de felicidade que a leitura da imbecilidade, e dos comentários que ela atraiu, me proporcionou, e vai continuar a proporcionar, mas não sei para onde lhe enviar o dinheirinho.
Gambled on a fart and lost
Cicuta
Um dia antes da manifestação de sábado, uma entrevista de José Gil juntava-se ao material altamente combustível com que se pretendeu incendiar a malta. O título escolhido foi Filósofo José Gil diz que o Ministério da Educação “virou todos contra todos”. Mas poderiam ter sido outros os títulos de inegável apelo:
– Filósofo José Gil diz que “são as pessoas um bocado desviantes que fazem as maiores descobertas e depois tornam-se Nóbeis, etc.”
– Filósofo José Gil diz que é preciso recuperar a “relação antiga do mestre e discípulo na Renascença”
– Filósofo José Gil diz que “nas crianças, na escola primária, a relação afectiva com a professora é fundamental para as aprendizagens”
– Filósofo José Gil diz que “Ministério virou os alunos contra os professores”
– Filósofo José Gil diz que “hoje ninguém mostra curiosidade”
– Filósofo José Gil diz que “o que parece estar a constituir-se é um chico-espertismo”
– Filósofo José Gil diz que “Portugal pode ficar entalado”
Salgadeira
Filipe Nunes Vicente enviou uma garrafa na nossa direcção com a seguinte mensagem lá dentro: NÃO SUFOQUEM. Nela, tece rasgados elogios à minha pessoa autoral, revela ser leitor atento das caixas de comentários, lança uma oportuna teoria da conspiração que mete o Miguel Abrantes ao barulho e lá consegue chegar ao que lhe importava verdadeiramente: apelar a que se divulguem as perguntas que o Nik fez.
Missão comprida, compadre.
Se és amigo do Morais Sarmento, sê amigo do Morais Sarmento
Todas as semanas o Morais Sarmento presta-se a uma humilhação que não lhe faz bem a ele, não faz bem ao PSD e acaba por não fazer bem à TVI, pois toca na veia misericordiosa do espectador português e leva-o a fugir do acabrunhante espectáculo. Essa humilhação nasce de ele ter metido na cabeça que conseguia discutir com Santos Silva.
Há 1 ano e tal, Sarmento foi falado como eventual candidato à sucessão de Menezes. E, de facto, entre os dois talvez a diferença nem se notasse, acontecendo uma continuidade na mudança. Mas o que importa realçar é a tipologia destas duas figuras, para se diagnosticar como a maleita que atinge o PSD é de uma gravidade letal: são desqualificados. Isto é, são seres que sobrevivem nos túneis do poder partidário, habitando no meio dos dejectos e dos seres rastejantes, e com eles estabelecendo relações simbióticas, mas que não resistem à luz e exposição da superfície.
Santos Silva contra Sarmento é vexante, mau demais, injusto. Porque Santos Silva é de uma solidez aristotélica, expondo com clareza e síntese, espalhando cultura política e democrática. À sua frente puseram um ser atarantado, incapaz de sair do cliché mais básico e gasto, um monumento psitacista e balofo da miséria intelectual do PSD. Nesta última edição, o excelente Paulo Magalhães perguntou 70×7 vezes a Sarmento como explicava ele que o Governo fosse tão mau, a contestação popular tão grande e não vermos as sondagens, nenhuma, a reflectir esse retrato. O modo como o honesto comentador social-democrata fugiu à resposta foi aflitivo, desesperado, e eu estive quase a telefonar para a TVI a pedir para deixarem o homem em paz — e isto mesmo sabendo que estava a ver uma repetição do programa.
Um outro grande momento seu, semanas atrás, foi quando quis gozar com Santos Silva por este ter referido que o 9º ano fazia parte do Ensino Básico. Para Sarmento, fazia parte do Ensino Secundário, por razões lá dele que não chegou a partilhar. Felizmente, teve a sorte de ter alguém à sua frente com tempo e generosidade suficientes para lhe explicar o assunto. Fica a pergunta: que mais seria possível explicar-lhe sobre as andanças do mundo e suas gentes, havendo tempo e generosidade? Se és amigo do Morais Sarmento, tenta.
Belo e verdadeiro, e também porque o verdadeiro é belo
Lembretes
– Sócrates foi à Madeira de surpresa, porque lhe deu na veneta. Ia distribuir Magalhães e pouco mais. Tão pouco e tanto: 7 horas chegaram para reduzir Jardim a um bufão que não morde nem assusta, já só faz barulho no quintal. A oposição ficou caladinha, desorientada com a operação relâmpago. Sócrates mostrou, de novo, ter uma das características mais atípicas na política portuguesa: a imprevisibilidade criativa.
– PCP e BE vivem em permanente ameaça de fratricídio. São dois irmãos que habitam em zonas contíguas, mas díspares. PCP é rural, BE urbano. Acusam-se mutuamente de serem falsos, como qualquer seita que se preze. O PCP vê no BE o simulacro, a dissidência ao serviço do inimigo. O BE vê no PCP a estagnação, a morte lenta. Nunca se irão entender porque se conhecem bem demais para confiarem um no outro.
– Cavaco Silva é o pior Presidente da República de que há memória, e neste lote estou a incluir Américo Thomaz. A sua ligação a Dias Loureiro, chegando ao cúmulo de fazer conselheiro de Estado uma figura que era fonte de gozo dentro do próprio PSD por causa da sua ascensão escabrosa, é indelével e não tem defesa. Espero que tenha castigo eleitoral.
– Esquizofrenia é isto: o PSD ficar sem reacção perante o escândalo moral, e por isso político, do BPN. O estado de negação é a única resposta de que dispõem perante a vergonha. Implodiram.
– A oposição foi para a campanha eleitoral dizendo que o PS não poderia escapar à discussão das questões nacionais, aquelas que realmente interessavam ao povo. Ora, para azar desses partidos, Vital acabou por lhes dar razão.
– Vital revelou-se uma fera. Rangel uma galinha tonta. E a Ferreira Leite é cada vez mais engraçada, mais deliciosamente estouvada; merecendo que a História lhe faça justiça pelo enorme sacrifício de andar a fingir que o PSD existe.
– 2009 já só tem 7 meses para dar cabo desta merda toda.
O marketing da revolução
Tenho gratas memórias dos tempos de antena e cartazes do PSR. Durante o cavaquismo, foram fogachos de criatividade que tornavam menos bafiento o ambiente político, simulavam uma modernidade que a minha displicente adolescência estava longe de topar apenas manhosa. Hoje, o Bloco tem eficazes cartazes, eficaz demagogia e eficaz populismo. Há também uma avidez eleitoral que intoxicou de cinismo Louçã e quem espera que ele seja um segundo Cunhal — levando ao extremo, e desnaturando-as, as características da comunicação herdada de um período romântico, quando se corria por gosto e aventura. E deu nisto, o filme supra, um espectacular manifesto da tonteira e vacuidade do Bloco.
Faz parte de uma trilogia, e é o único que se aguenta ver duas vezes, embora seja uma xaropada monumental. Mas as peças têm variados pontos de interesse, como os elevados valores de produção, a submissão às fórmulas convencionais da memória cinéfila e o facto de serem narrativas absolutamente irrelevantes para o cidadão. Quem encomendou, quem criou e quem aprovou, conseguiram o feito notável de esvaziarem de sentido as temáticas que, aparentemente, se propõem tratar.
Dirão os bloquistas: não passam de uns filmes, a nossa comunicação tem muitos outros elementos, momentos, canais, veículos, conteúdos, mensagens. E responderemos: então, porque os fizeram? Porque, tal como Miguel Portas disse há dias, se o PSD e o PS são como a Coca-Cola e a Pepsi, o BE precisa de lembrar ao seu eleitorado que, sendo uma aguinha sem gás, tem sabor a fruta madura.
Votar direito por resposta torta
Por favor, falem mais do Freeport
Que se saiba, a polémica relativa à licenciatura de Sócrates, mais a da sua actividade profissional na Guarda, não produziu matéria factual para o comprometer legal, política ou moralmente. As sondagens, e a voz na rua, não manifestaram haver escândalo popular nem especial dano à sua credibilidade. E não foi por falta de investigação, nem de recursos, nem de interesses os mais violentos e desesperados, que tudo se ficou pelas suspeitas infundadas, antes porque os esclarecimentos dados por Sócrates e pelas entidades envolvidas não foram contraditos. Mas vamos imaginar que existe pelo menos um ser humano neste mundo que acredita haver boa razão para manter as calúnias, e vamos imaginar que ele se chama Zé Manel e é director de um jornal diário que já mereceu ser lido. Esse ser humano, posto que em conflito com a realidade, tentará com crescente intensidade convencer os outros da superioridade do seu entendimento das coisas. Por exemplo, pode chegar ao ponto de escrever um editorial onde se serve de um blogue para afirmar que Sócrates é igual a Dias Loureiro, e ainda afirmar que Vital Moreira fez muito mal em exigir ao PSD que se responsabilize política e moralmente por alguns dos seus mais importantes militantes e colaboradores e respectivas acções — quando estas ofendem o bem comum na gravidade e tipologia do caso BPN. Este Zé Manel, a existir, e a ter escrito o editorial no dia 30 de Maio de 2009, é um dos mais notáveis e poderosos promotores da campanha negra.
Vital erro de casting? Think again
Vital entra na segunda parte da compita transformado na grande vedeta da campanha eleitoral, com o Rangel reduzido à insignificância de um fala-barato sem ideias nem credibilidade, e o PS com uma sondagem muito simpática. É uma enorme surpresa.
E surpresa enorme está a ser a ousadia do seu discurso. O que disse do BPN foi uma cabeçada à Cais do Sodré; ou seja, nem se percebeu donde veio, mas acertou em cheio na mona do opositor. A direita ranhosa estranha e barafusta assustada porque tem estado muito mal habituada, achando-se no direito de vociferar os maiores impropérios contra Sócrates a partir das calúnias da campanha negra, e calando-se medricas e sem honra perante o escândalo de ver uma parte da elite do PSD e da banca expostos como chungosos ladrões ou inacreditáveis incompetentes (não sendo claro qual das duas possibilidades seja mais dolorosa para os acabrunhados socias-democratas).
Há no Vital uma confiança na democracia que se aprende a conhecer, e que nenhum outro candidato tem. Todos são de plástico comparados com ele, que é granítico na sua honestidade intelectual. A curva de crescimento da sua popularidade é uma incógnita: até onde poderá chegar?
Crespologia – V
Assistir ao Jornal das 9 com o Crespo é testemunhar a prestação profissional de alguém que devia estar de baixa ou a trabalhar na TVI, sendo que estas duas alternativas poderiam até ocorrer em simultâneo que ninguém iria perceber a diferença. Hoje abriu as hostilidades com a leitura de uma notícia vaga sobre aquilo que parecia ser a saída de Lopes da Mota do Eurojust. A satisfação no seu rosto era exuberante, estava pimpolho e justiceiro. No frente-a-frente, com Helena Roseta e Miguel Relvas, era disso que ele queria falar, da saída do Lopes da Mota, pois é só disso que ele quer falar com quem lá vai alimentar o ogre. E eles falaram, dizendo as banalidades possíveis. Passado um bocado, surgiu uma clarificação da notícia anterior, e Lopes da Mota voltava a ser admitido no Eurojust pela simples razão de nunca de lá ter saído. Crespo desrespeitou toda e qualquer metodologia de aferição e esclarecimento da informação que serviu aos convidados, os quais acreditaram ser factual. Trata-se de um erro profissional grave e de uma falha deontológica muito grave, pois levou terceiros a prestarem declarações sobre falsidades. Isso poderia, ou poderá, ter consequências de vária ordem, escusa-se de explicar.
Crespo é uma pessoa doente, paranóica; ou, a não ser, é um debochado, um raivoso. O espaço que apresenta não é informativo, é o palanque opinativo onde se serve da ambiguidade do seu estatuto profissional para deformar o serviço noticioso. Atitude especialmente cobarde, pois, se é apenas opinião o que deseja fazer no espaço público, não devia apresentar aquele formato mediático.
Agora já sabes: se fores convidado do Crespo, leva o telemóvel para o estúdio. Vais precisar de ligar a alguém de confiança antes de comentar seja o que for que ele diga que aconteceu.
Crespologia – IV
Miscelânea
Why It May Be Wiser To Hire People Without Meeting Them
How Many Scientists Fabricate And Falsify Research?
Fighting Back Against Abuse With GPS
Most Polluted Ecosystems Can Recover, Study Finds
Completely Different Way Of Looking For A New Antibiotic
Don’t cure cancer, stabilize it*
Rethinking the Global Money Supply
Achieving Fame, Wealth And Beauty Are Psychological Dead Ends, Study Says
Thomas the Tank Engine helps autistic kids identify emotions
Biochemists And Computer Scientists Collaborate To Create Protein-folding Computer Game
When Mice Choose Mates, Experience Counts**
The Liberating Effects Of Losing Control***
Men And Women Are Programmed Differently When It Comes To Temptation
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* Genial
** Coisas que nem vale a pena perder tempo a estudar, posto que estão sempre a acontecer à nossa volta
*** Não tenhas medo do preto
Maluco do riso
Cavaco tem-se revelado um cómico de vocação, fazendo chalaças e trocadalhos a propósito das grandes questões da actualidade. É um contraste chocante com a imagem de austero e lacónico professor de Finanças que cultivou durante 30 anos, desde o Governo de Sá Carneiro, mas veio para ficar. O caso Dias Loureiro não será excepção, e os brilhantes conselheiros do piadista de Boliqueime andam numa roda-viva a escrever graçolas para entregar ao chefe. É patriota ajudar o Presidente da República neste tão importante momento da política nacional, onde se assiste ao julgamento moral do cavaquismo. Aqui fica um contributo.
Humor presidencial:
– O Dr. Dias Loureiro disse-me que não cometeu qualquer ilegalidade, mas eu lembrei-me logo foi da ASAE, que podia aparecer numa reunião do Conselho de Estado só para chatear. Foi melhor assim.
– Perguntarem-me se me escandaliza ver um conselheiro de Estado a mentir perante a Comissão Parlamentar de Inquérito não é “just”, mesmo quando a matéria diz respeito a milhões de “euros”.
– Quanto às pessoas envolvidas no calote do BPN, tenho uma opinião muito bem definida sobre elas ali na algibeira, mas está na algibeira do casaco.
– Esta traquitana toda do BPN e SLN é como um bolo-rei: quem parte e reparte e não se engasga nas declarações às autoridades, esse é que fica com a melhor parte.
– Eu não faço qualquer distinção entre os 19 conselheiros de Estado. Aliás, foi por isso mesmo que deixei de convocar o Conselho de Estado, pois eu estava sempre a baralhar os nomes e aquilo era um sarilho primeiro que conseguíssemos iniciar os trabalhos.
– Anda muita gente preocupada com os dois mil milhões de euros que foram à vida, mas o que realmente me preocupa é a seguinte questão: é “Oliveira e Costa” ou “Oliveira Costa”? Os portugueses precisam que lhes falem verdade.
– O caso BPN, para mim, olhe… tem Dias…
