Salgadeira

Filipe Nunes Vicente enviou uma garrafa na nossa direcção com a seguinte mensagem lá dentro: NÃO SUFOQUEM. Nela, tece rasgados elogios à minha pessoa autoral, revela ser leitor atento das caixas de comentários, lança uma oportuna teoria da conspiração que mete o Miguel Abrantes ao barulho e lá consegue chegar ao que lhe importava verdadeiramente: apelar a que se divulguem as perguntas que o Nik fez.

Missão comprida, compadre.

28 thoughts on “Salgadeira”

  1. Eh eh eh .. teoria da conspiração atribuir a coisa ao MA? Que exagero.
    Valupi, é verdade que te fui lendo ao longo destes anos e noto-te um bocadito diferente ( terás casado aos 30?).
    Quanto às perguntas: quando são boas, são boas. Não tenho amarras.
    Saudações cordiais também.

  2. Filipe, mas a realidade também está um bocadito diferente, não dirias? (ainda não casei, mas sou um apologista dessa experiência)

    Sim, são boas perguntas. E não tenho qualquer dúvida acerca da tua honestidade e independência intelectual.

    Grande abraço

  3. Ainda bem que alguém te lembrou que as minhas perguntas eram pertinentes. Por isso, junto mais estas:

    8. Teve Dias Loureiro, administrador da SLN de 2001 a 2005, alguma parte no brinde de 72 mil contos de mais-valias à família Cavaco?

    9. O Banco de Portugal sabia, a partir de 2001, que Cavaco era accionista da SLN?

    10. O facto de o ex-PM e futuro PR Cavaco ter sido accionista da SLN de 2001 a 2003 teve alguma influência no goodwill do BPN junto das instituições financeiras nacionais e estrangeiras, nomeadamente do Banco de Portugal?

    11. A circunstância de Cavaco ter sido accionista da SLN de 2001 a 2003 teve alguma influência, directa ou indirecta, no processo de supervisão do BPN pelo Banco de Portugal?

    12. O facto de a SLN Valor ter generosamente (re)comprado a Cavaco as suas acções da SLN terá tido algo a ver com a intenção de Cavaco de candidatar-se a PR?

    13. Dias Loureiro alguma vez se queixou ao seu amigo Cavaco, antes ou depois de este ser eleito PR, de que a supervisão do BPN pelo Banco de Portugal pecava por defeito (como ele declarou na comissão da AR) ou por excesso (como António Marta e Oliveira e Costa testemunharam)?

  4. A pergunta 12 só é imbecil para quem imbecilmente ignora que a) um candidato a PR precisa de dinheiro e que b) um grupo financeiro não dá almoços grátis.

    Mais uma pergunta que acho pertinente:

    Se Cavaco afirmou em comunicado, em Novembro passado, que tinha parte das suas «poupanças» no BPN, porque é que deu «ordem» (Expresso) por carta à SLN para vender as suas acções?

    As acções estavam depositadas onde, sr. Cavaco? Só podiam estar no banco!

    A pequenina diferença que há entre BPN e SLN é muito importante, pois foi refugiando-se nessa pequena distinção que Cavaco ocultou aos portugueses, em Novembro passado, que tinha sido accionista da SLN, dizendo que nunca tinha comprado nem vendido nada ao BPN. E que no BPN só tinha «poupanças», termo ambíguo.

    Cavaco afirmou hoje que não foi ele quem comprou as acções da SLN, mas sim «um banco», de que não revelou o nome. Só pode ter sido o BPN, pois qual outro banco português em seu perfeito juízo iria fazer «aplicações» em papéis da SLN?

    E disse ainda esta idiotice:

    «Não fui eu que comprei, foi o banco».

    Banco de que não diz o nome.

    O gajo acha mesmo que somos todos parvos. Ou então está desorientado.

  5. O senhor Silva está óbviamente apertado, basta ter visto o “facius” do homem hoje, nas tv’s.
    Se insistirem, palpita-me que não se aguentará nas canetas, e que desistirá duma 2ªvolta presidencial, em atitude idêntica à que tomou enquanto líder do PPD.
    O senhor é só tensões, se o abanam muito não há José Gil que lhe arranje estrutura “filosófica”..

  6. Vi hoje à noite o Ricardo Costa na SIC Notícias a levantar algumas das questões que eu pus aqui ontem. Será que um homem tão ocupado – a caminhar para o topo do império da informação Balsemão – lê o modesto Aspirina?

    Claro que não. O Expresso está – solitariamente, diga-se – em cima do caso Cavaco-BPN desde Fevereiro de 2008. O Crespo, a TVI, o Público e o DN só tocam no assunto quando são obrigados. A RTP tem medo de chatear o PR. O PS e o governo nem tugem nem mugem, só o Vital é que vai botando faladura, como quem não deve nada a ninguém.

    Mas o Costa não abordou outras questões, as que têm mais implicações políticas e que ligam irremediavelmente Cavaco ao escândalo do BPN-PSD.

  7. Cavaco já percebeu há muito que Oliveira e Costa tem a faca e o queijo na mão.

    Entre aquelas coisas que Oliveira e Costa disse na AR que sabe, mas não contou à comissão (supostamente por estarem em segredo de justiça), há-de haver com certeza algumas bem farfalhudas e interessantes.

    Aquilo soou pelas arcadas do vetusto convento de S. Bento como uma ameaça:

    «Eu sei muito, não digo tudo, tenham cuidado comigo, se não lixo-vos como lixei hoje aqui o Dias Loureiro».

    Cavaco ouviu e registou, pois não é surdo.

    Oliveira e Costa, na primeira ocasião, pode colocar mais umas coisas na ventoínha sobre o tal donativo de 72 mil contos de mais-valias a Cavaco.

    Até pode contar… a verdade, cruzes credinho!

    Ou contar uma versão avariada para se vingar de quem não o ajuda.

    A situação de um homem detido preventivamente pela justiça poder ter poder de pressionar ou chantagear o PR é engraçada.

    Parece evidente que Oliveira e Costa se julga protegido, perante a justiça, por esse escudo.

    Cavaco deixou de poder pensar, para já, em se recandidatar, como aqui em cima diz J.Coelho.

  8. Coitado do Cavaco até me sinto compaixonado por ele: meu caro não se preocupe, isto está tudo certo, comemos do que semeamos, eu também,

  9. Cavaco mente agora, depois de ter ocultado no comunicado de Novembro que tinha comprado acções à SLN e de ter feito afirmações ambíguas a respeito do BPN. Mente ocultando factos e misturando o que não pode misturar.

    Respondendo ontem a perguntas sobre as suas acções da SLN, Cavaco desviou o tema e disse que está a perder muito dinheiro com as «aplicações» que fez nos bancos, negando mesmo ter ganho dinheiro “com o BPN” (IOL Diário). E para todos nós nos condoermos com ele e esquecermos o caso das acções da SLN, queixou-se de que «boa parte» das suas poupanças «estão desaparecidas». Aliás, parece que é verdade.

    Pudera, as acções NORMAIS que Cavaco tinha (do BCP, BPI, EDP, Jerónimo Martins, Brisa e SONAE ) estão a menos de metade do valor que já tiveram.

    Pudera, comprou mais de um milhão de unidades de participação do fundo de investimento Multimanager do BPN, que foram pelo cano abaixo. Dinheiro que provavelmente jamais irá reaver, a menos que… (Porque será que Cavaco deixou passar a nacionalização do BPN?)

    Porém, com as acçõezinhas da SLN, compradas por «um» dos bancos gestores das suas poupanças (o BPN, obviamente, e com o seu acordo prévio!) a família Cavaco encaixou mais de 70 mil contos de mais-valias.

    Se o senhor prof. de Economia reinvestiu bem ou mal as mais-valias ganhas em 2003 ou se as gastou na roleta do casino, isso não interessa absolutamente nada para o caso. Eu poderia ter-lhe aconselhado a fazer depósitos a prazo na CGD. Não teria perdido um tostão…

    Cavaco foge com o rabo à seringa: quando lhe perguntam alhos, responde bugalhos. Mistura as acções normais que detém, que estão com cotações baixas por causa da crise, com acções compradas aos amigos do BPN-SLN, que lhe deram um enorme lucro, com as unidades de participação do fundo de investimento do BPN, que foram pelo cano abaixo.

    E quer que tenhamos peninha dele.

    Vá mas é para o diabo!

  10. A ideia que Cavaco tentou ontem fazer passar foi a de que o dinheiro que ganhou à pala do BPN-SLN já está perdido. Por isso, não o chateiem!

  11. eh pás, vou ver o exterminador implacável que isto tem que se ganhar forças, mas acho que só consigo amanhã,

  12. “Felizmente Cavaco Silva nem percebia nada destes jogos de cumplicidade do dinheiro com o poder [no BPN]. Nem adivinhava. Cavaco é uma pessoa honesta, de mãos limpas. Não lhe passaria isto pela cabeça. Se soubesse tinha-se suicidado”
    Miguel Veiga, “Visão”, 04-06-2009

    in Publico online.

  13. Mais esta:

    Cavaco justificou não ter informado no comunicado de Novembro que tinha sido accionista da SLN com a desculpa de que se referiu (vagamente) nesse documento à sua declaração de rendimentos, na qual quem quisesse poderia encontrar as transacções dos papéis da SLN. A desculpa é esfarrapada.

    O comunicado de Cavaco jogava, por um lado, como já disse aqui, com a pequenina diferença que há entre BPN e SLN. «Nunca comprei nem vendi nada ao BPN», dizia o comunicado. Como se isso fosse muito diferente de comprar e vender à SLN (detentora do BPN) através do BPN ou mesmo à SLN directamente…

    O comunicado jogava, por outro lado, com a preguiça e estupidez natural dos jornalistas e com a falta de interesse pelo tema dos directores dos órgãos de comunicação social. Imaginou, e bem, que os jornalistas nunca iriam ou levariam anos até se lembrarem de ir consultar a sua declaração de rendimentos…

    Contrariamente ao que já foi prática em Portugal, as declarações de rendimentos dos detentores de cargos públicos não são impressas nem publicadas por qualquer outro meio (por exemplo, online). Assim, “quem quisesse” teria de se deslocar ao Tribunal Constitucional, na Rua do Século, em Lisboa, dirigir-se nas horas de expediente à 4.ª secção e pedir o documento, mas só para o ler ou tomar apontamentos, já que não se pode pedir sequer uma cópia. Não há fotocópias para ninguém! «De maneira nenhuma», informa a funcionária, como se fosse natural e óbvio.

    Claro que se alguém se lembrasse de lá ir ler o documento, Cavaco desculparia a sua omissão das transacções referidas exactamente do modo como ontem desculpou: a declaração podia ser consultada por quem quisesse!

    Cavaco não achou seu dever falar disso num comunicado em que respondia às malévolas «tentativas de o associar» ao caso BPN!

  14. Cavaco queixou-se ontem do Expresso, sem o nomear, por o semanário ter reproduzido as cartas «ordenando» à SLN a venda das 355.000 acções.

    Não se respeita o segredo bancário! Pois não, senhor Presidente. No país a que V. Exa. preside não se respeita segredo nenhum. Só agora é que deu conta?

    Porque é que Cavaco não processa o Expresso, para dar o exemplo?

  15. As accções da SLN adquiridas pelo Sr. presidente, como se trata de uma empresa não cotada só podem ser adquiridas por convite… Estou correcto Nik?

    Não haverá nenhum “primo” do Sr. Silva que também tenha adquirido acções da SLN?

  16. Adquiridas ou OFERECIDAS, caro João XXI. Sei lá!

    Como é que um professor, casado com uma professora, coitadinhos deles, arranjaram tantas «poupanças»?

    Além de Cavaco ter comprado acções de várias empresas cotadas na bolsa

    «54 mil acções do BCP, 6000 da EDP, 5300 do BPI, 3100 da PT, 3000 da Jerónimo Martins e 500 da Brisa» (declaração de rendimentos, 2005)

    e de ter adquirido, só ele, 105 mil acções da SLN, a 1 euro cada, Cavaco tinha mais de um milhão de u.p.s num fundo de investimento do BPN. Veja-se:

    «De facto, e tal como o CM revelou em Novembro de 2008, Cavaco Silva e a mulher possuíam no BPN 483.310 unidades de participação no fundo Multimanager a 10% e 578.034 a 5%.»

    (“BPN dá prejuízo a Cavaco e à filha», Correio da Manhã, 31 de Maio de 2009)

    http://www.correiomanha.pt/Noticia.aspx?channelid=00000011-0000-0000-0000-000000000011&contentid=E8598BF7-3A6E-45A5-ACF8-78A63A516047

  17. Depois de só ter emitido um comunicado em Novembro sobre este caso e do silêncio que manteve durante uma boa parte do tempo sobre a posição equilibrista que o seu conselheiro mantinha no Conselho de Estado, o Cavaco Silva veio fazer uma comunicação aos jornalistas sobre o caso BPN? Estranho. Muito estranho. Não é nenhuma novidade as comunicações públicas do Presidente serem confrangedoras. Já estamos habituados. Mas esta é particularmente confrangedora e perturbante. Pelo incómodo que evidencia durante toda a comunicação. Por não adiantar nada relativamente a um comunicado que tem seis meses. Por não esclarecer nenhuma das dúvidas entretanto surgidas. Porque não faz nenhum comentário nem análise sobre esta tramóia BPN manifestamente orquestrada por pessoas em quem se apoiou para se afirmar politicamente. Por tudo isso, esta comunicação aos jornalistas serviu sobretudo para adensar as suspeições sobre as relações entre o poder económico e o político e dar sustentação às muitas dúvidas que já existiam. Ainda por cima o Presidente acaba a fazer queixinhas aos portugueses da comunicação social e dos mercados que sempre apoiou e de que se serviu para afirmar a sua carreira política. Estranho. Ainda mais estranho.

  18. No vórtice da Guiné Bissau, mais não sei quantos assassinatos..Pelo meio um dos poucos poetas do país, Helder Proença.. “É doloroso dizer…mas não tivemos tempo de respirar o hálito das manhãs sonhadas..”
    Por onde anda a CPLP ?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.