Nem tudo o que tem influência política tem origem política. Muitos dos ataques a Sócrates, num fenómeno a merecer investigação académica, são gerados por despeito, inveja, ferruncho. Apenas tal vazio moral explica o que se passou ontem na edição digital do Público, por exemplo, onde o passado profissional de Sócrates foi 1º destaque o dia todo.
A magnitude da campanha contra o engenheiro transformou-se numa caçada febril. Ele é o troféu mais cobiçado para alguns inimigos políticos, alguns empresários, alguns jornalistas. Enquanto uns vão endoidecendo debaixo dos holofotes na sua fúria, como o Pacheco, outros acumulam munição para disparar a partir dos telhados, como o Cerejo. E quando se junta um accionista, um jornal e uma redacção em uníssono odioso, temos terrorismo mediático, gás tóxico lançado para o meio da populaça. Os gaseados fazem o resto, estrebucham e desvairam.
Entretanto, os snobes de esquerda e direita estão com a pança cheia de riso porque descobriram a realidade arquitectónica da paisagem rural da Guarda nos idos de 80. Não perdoam a Sócrates o triste espectáculo que fere as meninas dos seus olhos. Se fossem eles os artistas, só teriam vendido projectos capazes de concorrerem ao Pritzker. E ai dos bimbos que quisessem as coisas lá à moda da terrinha.
Os snobes de esquerda e direita, quando toca à arquitectura, querem tudo em grande, espaçoso e bonito. São velhos hábitos.
