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O troféu mais cobiçado

Nem tudo o que tem influência política tem origem política. Muitos dos ataques a Sócrates, num fenómeno a merecer investigação académica, são gerados por despeito, inveja, ferruncho. Apenas tal vazio moral explica o que se passou ontem na edição digital do Público, por exemplo, onde o passado profissional de Sócrates foi 1º destaque o dia todo.

A magnitude da campanha contra o engenheiro transformou-se numa caçada febril. Ele é o troféu mais cobiçado para alguns inimigos políticos, alguns empresários, alguns jornalistas. Enquanto uns vão endoidecendo debaixo dos holofotes na sua fúria, como o Pacheco, outros acumulam munição para disparar a partir dos telhados, como o Cerejo. E quando se junta um accionista, um jornal e uma redacção em uníssono odioso, temos terrorismo mediático, gás tóxico lançado para o meio da populaça. Os gaseados fazem o resto, estrebucham e desvairam.

Entretanto, os snobes de esquerda e direita estão com a pança cheia de riso porque descobriram a realidade arquitectónica da paisagem rural da Guarda nos idos de 80. Não perdoam a Sócrates o triste espectáculo que fere as meninas dos seus olhos. Se fossem eles os artistas, só teriam vendido projectos capazes de concorrerem ao Pritzker. E ai dos bimbos que quisessem as coisas lá à moda da terrinha.

Os snobes de esquerda e direita, quando toca à arquitectura, querem tudo em grande, espaçoso e bonito. São velhos hábitos.

Inseguro

Em fase de enormes dificuldades e de exigência de sacrifícios aos portugueses, é incompreensível como se atingem estes valores remuneratórios. É uma imoralidade!

Um António aborrecendo outro António

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Como é que ganhar dinheiro a trabalhar pode ser uma imoralidade? O que Seguro diz é absurdo e só serve para obter um lucro demagógico. Caso contrário, que estabeleça o valor do salário e prémios do Mexia. Deve existir um número qualquer que lhe pareça moral. Qual é?

De seguida, uma vez estabelecido o valor, que se apresentem os critérios através dos quais se chegou a esse novo número. E, por fim, que se substituam os accionistas da EDP pelo Seguro, o qual chega e sobra para gerir aquilo a custos módicos.

Vantagens do inglês

Uma delas, a de poder assistir ao canal Bloomberg, o qual nos chega sem legendas. Pois a experiência é desconcertante: os problemas do défice e da dívida também andam a deixar o Tio Sam à beira de um ataque de nervos, chegando a fazer comparações com a Grécia; apenas se diferenciando a conversa televisiva das nossas discussões nacionais nisso de os especialistas americanos não tentarem mandar areia para os olhinhos da audiência – dizem que o fenómeno é global, causado pela global crise.

Outra informação preciosa foi dada por Michael Lewis, a de que a grande especulação internacional estava agora a ser feita através das agências de rating, e pelos mesmos que tinham explorado a bolha do imobiliário nos EUA.

Muito se aprende em inglês.

Se não se interessam, porque perguntam?

Que pretendem as pessoas saber quando nos perguntam pelo Natal, Passagem de Ano, Carnaval, Páscoa, férias? Se gostámos, se foi bom? Raios. E se não tiver sido? E se a Páscoa acabou por ser uma merda, o Carnaval uma chachada, a Passagem de Ano um aborrecimento, o Natal uma tristeza e as férias um sarilho, que estão elas dispostas a fazer por nós? Têm abraços, filosofia ou dinheiro para nos consolarem?

Génio de Carvalhal

Mais uma chapa 3 com guarnição, a centésima da era Carvalhal se contarmos com os golos marcados nos treinos. Esta vitória também serviu para calar todos aqueles que estiveram contra a contratação do genial treinador alegando que ele nunca seria capaz de ganhar ao Rio Ave em Alvalade. Tomem, embrulhem e levem para a terra.

Segue-se o Benfica. O lampiões já sabem o que os espera, melhor seria que perdessem por falta de comparência. Sempre evitavam o bailarico que está a ser preparado na genial cachimónia do genial Carvalhal, um leão ferido no seu engulho.

A Igreja na Cruz

A posição da Igreja no escândalo da pedofilia é indefensável. Literalmente. Não tem como se defender e não devia esboçar a mínima defesa. Foi esse o sentido da homilia de D. José Policarpo na Paixão do Senhor, nesta sexta-feira, pese a ausência de referência directa à situação.

Policarpo era o reitor da Universidade Católica de Lisboa quando lá estudei no final dos anos 80 e parte dos 90. Lembro-me bem da reacção da comunidade académica aquando das notícias de abusos de menores e relações pedófilas adentro da Igreja surgidas nesses anos: nenhuma. E estávamos numa UCP, desaparecida entretanto para dar lugar à supremacia da Economia e Gestão, onde as Faculdades de Teologia e de Filosofia tinham presença e voz, já para não falar no prestígio e poder da Faculdade de Direito. Para cúmulo, testemunhei nesse tempo o modo como a Igreja lidava com um sacerdote abusador; as famosas transferências que, aparentemente, se limitavam a deslocar o problema. A lição era clara: a Igreja tinha de ser muito mais do que a sua disfuncional hierarquia, senão já teria desaparecido tão infames eram as contradições à vista.
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Algo de novo na frente ocidental

Quando bato no Pacheco Pereira, sei que o estou a fazer. Estou convencido de que é uma das pessoas que fazem pior à democracia portuguesa. Não é bom ter uma pessoa que tenta ser a referência moral do regime, quando no fundo é uma pessoa que vive da polémica. A contrapartida é o tempo de antena. Um tempo que não é gracioso como o meu. É um tempo de antena profissionalizado.

Há um grupo no PSD a que chamo ‘geração Fox News’: uma simbiose entre os ex-leninistas e os miúdos muito conservadores que têm no Pacheco Pereira uma espécie de ídolo.

Nogueira Leite

Patético

Henrique Monteiro é patético. Um gajo que trata Sócrates por tu, que diz ter estado com ele hora e meia ao telefone, e que se diz pressionado exclusivamente por essa situação, é patético. Pressionado foi o Primeiro-Ministro, a parte fraca. Um político perde sempre contra a comunicação social, tenha ele a posição que tiver na hierarquia do Estado, para mais se esta disparar a partir da fortaleza Balsemão.

Que ganhou Portugal com a devassa à volta da licenciatura de Sócrates? Valeu a pena levar o caso para a Procuradoria? Acaso o Monteiro dos jornais tem dificuldade em entender que a exploração política dessa suspeição justifica todos os esforços do visado para conter os danos e anular a ameaça? Ir para a Comissão de Ética nomear a ocorrência telefónica como uma pressão do Primeiro-Ministro exibe uma ausência de sentido do ridículo. O mesmo Sócrates com quem se bebeu copos e disse caralhadas, o mesmo com quem se conviveu civilizadamente no passado, talvez até se tenham trocado confidências, transformava-se no Primeiro-Ministro opressor porque cada um tentou convencer o outro das suas razões. É assim a pressão em Portugal, conversas de homem para homem, vejam só.

Seguiu-se o telefonema do primeiro-ministro – e, de facto, foi bem pior do que eu contei na Comissão de Ética: além de me ter pedido para eu não publicar o texto em causa, o telefonema decorreu no meio de berros exaltados por parte do chefe do Governo.

90 minutos de berros exaltados? Afinal, as corridinhas não servem só para a propaganda, também promovem uma saúde pulmonar admirável. E que lhe ias dizendo tu, Monteiro? Ou ficaste calado o tempo todo devido à pressão auditiva?

És patético.

Onde está a direita?

Que faz com que a direita portuguesa seja um pardieiro de caluniadores, dos mais reles de que há memória? Pacheco, Mascarenhas e Helena Matos, para só referir três casos a merecer estudo, não têm equivalente no PS. No Bloco e no PCP há vários que também reduzem a sua intervenção política à produção ininterrupta de suspeições de natureza criminal ou moral. Daí a santa aliança entre reaças e comunas, ranhosos e imbecis, ressabiados e ressentidos.

Este episódio em que Helena Matos ataca Inês de Medeiros é paradigmático: uma cidadã com poder mediático utiliza o espaço público para denegrir a imagem e o bom nome de uma cidadã com responsabilidades políticas. O que leva a Helena para a perversão do contrato cívico com a comunidade é o regime de impunidade e diluição ética que caracteriza a praxis da falsa direita nacional. Falsa porque não tem sequer capacidade para tomar consciência da gravidade dos seus erros, quanto mais assumir responsabilidades pelo que faz.

Teve muita graça, pois, ver Carlos Abreu Amorim ensaiar uma rápida e displicente ajuda à Helena, só para receber originais boas-vindas ao elenco opinativo do DN.

A hipocrisia asinina da falsa direita portuguesa é uma das principais causas do atraso económico e da degradação das instituições. Vivem para a insídia, são cínicos anafados e broncos.

Why You Can’t Help Believing Everything You Read

Mais um erro de Descartes, mais um triunfo do maior filósofo português de sempre, Bento de Espinoza.

A ideia é esta: assimilar informação implica uma adesão cognitiva ao seu significado, o que leva a outra subsequente adesão ao seu sentido. É nesta segunda adesão que ficamos apanhadinhos. Resultado: para lermos temos de acreditar no que estamos a ler.

E é isto que nos acontece amiúde. Lemos um tipo a dizer bem de A e acreditamos. Lemos uma tipa a dizer mal de A e também acreditamos. Se forem os dois a dizer mal, este tipo e esta tipa, ainda é mais fácil acreditar – por isso ranhosos e imbecis apostam tanto nas suspeições, nas calúnias, nas difamações, nas pulhices.

Solução? Continuar a pensar. Isto é, aprendermos a ser críticos do que se passeia na nossa consciência. Nem tudo o que nos habita é nosso ou merece a nossa hospitalidade.

Se é assim no futebol

Se reina a mais desvairada confusão jurídica no futebol nacional, não temos de nos admirar com outros casos, bem menos importantes, onde a Justiça parece inexistente ou – o que é incomensuravelmente pior – privada.

Seja como for, é uma lástima o Hulk não ser do Sporting e reconheça-se que o Benfica não merecia esta mancha na sua bela festa.

Amazonas

A Islândia, um deserto rodeado de água com uma quantidade de habitantes rigorosamente igual à do Baixo Vouga e já contando com a Bjorka, conseguiu foder a economia de tal maneira que tiveram de eleger a primeira chefe de Governo lésbica na Via Láctea de forma a terem alguém com o nível de testosterona adequado à gravidade da situação. Acontece que a senhora Johanna Sigurdardottir governa um país onde se aprovou uma lei que vai fechar os clubes de striptease. A tese é a de que o comércio do corpo trata o ser humano como produto, logo é inaceitável. Uma argumentação feminista, não de substância religiosa ou moral.

O feminismo divide-se quanto à indústria do sexo, ora se denunciando a exploração e violência a que as mulheres se sujeitam, ora se reconhecendo a liberdade e o poder de que as mulheres desfrutam.

E tu, em que lado da barricada estás?

Crapulinsky

Louçã diz que o PS é inimigo dos trabalhadores, amigo dos liberais, e que só o BE pode levar a cabo uma política socialista, em aliança com o PCP. Acrescenta que esse dia está cada vez mais próximo porque o BE está cada vez mais forte, o PS cada vez mais fraco. No fundo, sugere que já cheira a Louçã como Primeiro-Ministro.

O seu discurso repete as fórmulas dos pregadores, incluindo a retórica diabolizante e a prosódia sermonária. Fala de dois grupos: o mau, que junta PS, PSD e CDS; e o bom, onde o BE dará a mão ao pequeno PCP e salvará os pobres e oprimidos através de um Governo que cumprirá todos os ideais de Outubro e Abril do século passado. É o maniqueísmo sempre eficaz na manutenção da identidade das seitas, veneno da inteligência e intoxicação da liberdade.

Durante os anos do 1º Governo Sócrates, o Bloco declarou que a causa de todos os males políticos residia exclusivamente na maioria absoluta. Sem ela, inevitavelmente apareceria uma nova governação, onde o PS aceitaria as propostas da oposição ou faria coligações. Foi-se a maioria, tempo para o BE moldar o destino do País? Sim, mas apenas como fonte de guerrilha. A lógica é a mesma, manter a promessa de que os santos estão só de um lado, e que não fazem milagres apenas porque os demónios não deixam. Vamos ter de esperar mais um bocadinho, então, para que Portugal se torne no único país do Mundo onde o socialismo derrotará o grande capital, o liberalismo, os banqueiros, os ricos, os abastados, a burguesia, os contra-revolucionários, os inimigos do proletariado – e Louçã terá toda a legitimidade para se auto-coroar imperador do marxismo.