A última coisa que o Sporting pretende é que o Benfica deixa escapar o título. A visão de um cenário onde até o Braga ganha campeonatos é pesadelo que não deixa dormir ninguém em Alvalade, sonâmbulos incluídos. Carvalhal, um génio capaz de alterar o futuro a partir do passado, tratou logo de garantir a Bettencourt que sabia bem o que fazer. Para começar, excluir Vuk dos convocados. O seu agente tinha declarado há uns dias que mais valia mandarem o rapaz embora se não o queriam a jogar, pelo que as dúvidas terão desaparecido. Este foi o 1º sinal de que a equipa estava disposta a aceitar qualquer sacrifício para ajudar os lampiões, até a perder o seu jogador mais criativo. O 2º sinal veio com um toque de génio só ao alcance do génio de Carvalhal, isso de meter no meio-campo dois médios defensivos e um defesa. Esta fórmula destina-se a criar uma barreira intransponível para o ataque leonino. E resulta sempre.
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Dessocratização em curso
Paulo Rangel queria dessocratizar Portugal através de um verrinoso e maníaco plebiscito à idoneidade de Sócrates como cidadão e sujeito psicológico; tendo como arma de destruição cognitiva, infelizmente nada secreta, a sua estridente e esganiçada voz de bácoro em dia de festa. Seria a continuação do hercúleo trabalho do Pacheco, o qual assumiu a tarefa desde Agosto de 2008, logo a seguir ao tiro de canhão dado por Belém em direcção aos Açores. Pacheco foi notável nesse serviço, identificou-se com a personagem com todas as células do seu organismo e enlouqueceu pelo caminho. Deixou de ser a Anita Ekberg assobiada pelo Menezes para se tornar na Romy Schneider esquecida pelo partido, só o loiro é o mesmo.
Passos Coelho, durante a campanha, prometeu varrer o Governo e a Procuradoria do mapa, mas era tesão do mijo. Logo no noite da vitória, apresentou-se murcho e a precisar de dormir. No congresso, garantiu ser um bom rapaz, Cavaco podia contar com ele para que nada atrapalhasse a caricata recandidatura. Pelo que o actual PSD tem só uma figura de interesse neste momento: António Nogueira Leite. Este texto, entre outros, tenta explicar aos ranhosos que uma direita vencedora não se deixa acobardar e desvairar, nem mesmo perante um formidável adversário como Sócrates. Foi o medo que levou à obsessão com o engenheiro, para gáudio de um PS que é neste momento o único partido com cultura de governação. A estupidez, como tão rigorosamente frisa Nogueira Leite, da estratégia de Cavaco, Manela e Pacheco só conseguiu reforçar a credibilidade do PS – o qual tem diversas soluções na manga para substituir Sócrates e garantir tranquilamente mais um ciclo de Poder quando for necessário. Só cagões cagados é que não o perceberam, não o entendem e talvez nunca o compreendam.
Entretanto, Sócrates é mesmo formidável – são os seus inimigos que o dizem, e mostram, desde 2005. Eis uma das mais interessantes questões para os próximos 20 anos na política nacional, essa de saber o que vai acontecer ao seu legado e à qualidade governativa das figuras que congregou à sua volta. Mas, para já, venham mais tentativas de assassinato de carácter, mais instabilidade parlamentar, mais boicotes e agendas sindicais. Temos de beber o cálice até ao fim.
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Chama-se Criticus e um dos seus sócios-gerentes, Miguel Oliveira, soube apresentar o pedido para ter aqui na casa um momento de publicidade às camisolas que criam. Como esta:
Para Braga, os meus votos de boa sorte e bom humor.
Esta direita está torta
Os programas de debate político, televisivos ou radiofónicos, são espaços que prometem análise e reflexão; mas que raramente ultrapassam o nível primeiro, e primário, do entretenimento. Fenómeno que não tem mal algum, the show must go on e quem quiser que se informe e pense pela sua cabecinha. Pessoalmente, só lamento não saber quanto é que os bacanos ganham. Que pena não termos acesso a uma tabela comparativa, descobrir se a SIC paga mais do que a TVI ou se num mesmo programa há quem ganhe mais do que o colega. Como estamos perante uma indústria da opinião, já era tempo de se tornar público o pilim envolvido, pode despertar vocações.
A característica mais irritante nalguns deles é o amiguismo compulsivo e ostensivo, isso de não se controlar a excitação de estar ali a debitar sentenças para a populaça. Desatam a mandar piadinhas uns aos outros, felizes da vida por poderem festejar os seus laços de ternura em palco. Neste particular, talvez não exista programa mais insuportável do que o Governo Sombra, na TSF, de si já um híbrido falhado entre a política e o humor. O Eixo do Mal é outro que tal, mas o que me interessa agora destacar é o A Torto e a Direito.
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Com veia
O Jugular está cheio de boas leituras (como de costume, como de costume), de que realço o remoque de Isabel Moreira à Ana Gomes, o protesto de Fernanda Câncio contras as disfunções informativas e a lembrança de Ana Matos Pires da inacreditável e assustadora irresponsabilidade de alguns meios de comunicação social no tratamento do suicídio do professor de Fitares.
Fora o resto, sempre sanguíneo.
Sinistra
O sucesso do PCP é estritamente do foro religioso, uma crença acrítica e messiânica, daí o conservadorismo do partido – mudar é morrer. O sucesso do BE é estritamente do foro do marketing, o apelo conjuntural e corporativo, daí a plasticidade do partido – mudar é viver. Estas forças não admitem ser parte de nenhuma solução governativa que inclua um PS democrático, só com um PS que ceda à tirania ideológica que professam admitem partilhar responsabilidades e trabalhar em conjunto. E não se vislumbra alteração no fanático marasmo.
Como é que se sai deste desperdício de votos? É preciso ter em conta que a imbecilidade da esquerda imbecil leva a que nada de fundamental tenham alterado, ou influenciado, no modo como os poderes fácticos operam. Portugal não é menos corrupto, mais justo ou mais produtivo por qualquer acção ou proposta que associemos directa ou exclusivamente ao PCP e BE. O desfasamento entre as exigências grandiloquentes e a recusa em negociar desvela uma lógica de barricada e boicote. Pelo seu ideário, PCP e BE olham para um regime democrático como uma anomalia histórica a ser superada. Eles não admitem misturas com o inimigo.
Portanto, voltemos à puta da pergunta: como é que podemos sair desta funesta inércia à esquerda? Paradoxalmente, a solução passaria por um muito maior conhecimento das doutrinas, dirigentes e activistas do PCP e BE. O Bloco até nem se pode queixar, pois tem sido levado ao colo pelo capital que domina a comunicação social, mas só conhecemos enlatados para consumo fora de casa. Sem a coesão garantida pela vedeta mor, rapidamente o partido se fragmentaria em querelas fratricidas em tudo iguais à que existe entre BE e PCP. Quanto ao PCP, é uma reserva de dinossauros cada vez mais básicos, como se pode ver pelas novas caras que vão aparecendo. Quando o Bernardino tomar conta daquilo, até G-3 voltarão a ser armazenadas pelos camaradas. Estudar o programa do PCP, ouvir as suas figuras mais importantes, detalhar o mundo que se sonha e ambiciona no partido comunista mais ortodoxo da Europa, são actividades que ajudariam decisivamente a alterar o mapa eleitoral.
O discurso destes dois partidos esconde uma postura que diminui o real poder daqueles que alegam representar e defender: os mais fracos, os mais pobres, os trabalhadores. Acontece que os mais fracos, os mais pobres e os trabalhadores não querem diabolizar Sócrates, derrotar o PS e dar o coiro pela revolução. Quem ocupa o seu calendário com esses jogos é a imbecil elite partidária, e por esta ancestral razão: tem tempo para isso.
Grandes questões da actualidade
Congresso do PSD confirma expectativas
Dar bandeira
Que se passa com os nossos irmãos galegos?
Nós, os poderosos
Revelação
Portugal é cada vez menos o Cavaquistão
Parabéns a todos os que contribuíram para este desfecho: passamos a viver com mais dignidade enquanto comunidade e mais liberdade enquanto cidadãos.
Outro Henrique Monteiro
Este texto do José Albergaria apresenta uma faceta de Henrique Monteiro que nasce da amizade e, precisamente por essa proximidade subjectiva onde o afecto é iluminador, merece ser posto em contrapeso com o que até agora veio a público na polémica com Sócrates.
Asfixia Alvar
Quando é que os 30 castiços que foram para a Assembleia da República sacrificar a sua querida hora de almoço voltam a reunir-se para decidirem novas manifestações de força e patriótica indignação face às revelações na Comissão de Ética? Afinal, já se descobriu quem deu cabo do magnífico Governo santanista!
Se estiverem com falta de ideias, aqui vai uma: enfiem-se numa estação de Metro e parem as carruagens em nome da liberdade de expressão e contra o plano do Governo para calar Moura Guedes via PT. Basta esticarem o bracinho ou, para os mais compungidos, não sair do lugar.
Alegretes
Seguro e Ana Gomes, atacando Mexia e Sócrates, fazem bem ao PS e à politica nacional, mas não pelas razões que imaginam possuir em seu favor, antes pelas contrárias.
Onde Seguro vê um escândalo com o dinheiro que este ano Mexia vai receber, eu vejo escândalo com a incapacidade de Seguro para explicar os milhares de milhões que os trabalhadores não vão receber. Falo das ideias para o desenvolvimento económico de Portugal, que não conheço uma que tenha nascido naquela cabeça tão subitamente preocupada com uma empresa e um indivíduo nela.
Onde Ana Gomes encontra desgosto em casas e cartas, eu encontro desgosto na estética da burrice e da deslealdade. Causticar casas rurais pelo seu aparato arquitectónico é uma exibição de superioridade intelectual típica do elitista marxismo, mas que todo o mal fosse esse. O pior é o desprezo pelos cidadãos que optaram por ter aquelas casas e que talvez nem conseguissem traduzir o paleio snobe da Ana Gomes. E, para cúmulo, atacar a carta de Sócrates é um caso de castigo à vítima. A intenção da carta é responder a uma manobra de difamação, e nela encontra-se uma postura descontraída, simples e frontal. Tudo características que Ana Gomes diria de si própria se convidada a descrever-se mas que não admite ao Primeiro-Ministro. Como uma vez escreveu o Miguel Sousa Tavares, e ele tem pinta de saber do que fala, as mulheres são volúveis.
Coincidência
Uma das características mais surpreendentes do ciclo Sócrates está a ser a natureza moralizadora da sua governação. Em 2005 – depois de Santana, Barroso, Guterres e Cavaco, os quais se igualaram e ultrapassaram em conivências com o dissoluto alheamento cívico – a sociedade estava no ponto mais baixo do respeito moral por si mesma. Fugir aos impostos, cultivar as cunhas e os compadrios, burlar empresas e particulares, ter o cinismo e o oportunismo como mapa e bússola, não eram apenas práticas correntes e transversais a todas as classes, eram também atitudes e comportamentos celebrados como normativos e doadores de estatuto. Era o tempo em que passava por otário quem não enganava a TV Cabo, recolhia facturas falsas nos restaurantes, pagava sem factura qualquer serviço onde pudesse poupar uns tostões, tentava subornar polícias e soldados da GNR para evitar multas, arranjava atestados médicos falsos para toda a família e ocasiões, arranjava receitas falsas, preferia artigos de contrabando e sei lá que mais que não tenho pachorra para lembrar. Ser mitra era desígnio nacional. No topo da sociedade reinava o deboche: o jet set da tanga e obscenamente chunga, a ética napolitana do cavaquismo onde nasciam ricalhaços de BMW a cada esquina dos fundos europeus, o capitalismo do cartão de crédito de Guterres, o desprezo de Barroso pelo eleitorado a quem pedinchou o cargo de primeiro-ministro, a inépcia e farsa de Santana e sua malta. Em 2004 e começos de 2005 quase ninguém acreditava que fosse possível dar à volta à situação.
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Is Marriage Toxic to Women?
Será o casamento venenoso para as mulheres? Pergunta esta amiga.
Os homens, eternos preguiçosos, vêem no casamento a continuidade dos serviços maternos, a que se acrescentam as benesses sociais e eróticas dos namoros, mais as vantagens financeiras das sociedades.
E tu, mulher, que benefícios tiras do casamento?
Ela bem avisou
O silêncio que a Comissão de Ética causou nesta terça-feira, onde se chegou ao ponto de ver a oposição recusar-se fazer perguntas a Emídio Rangel (!!), é a prova provada da existência de uma asfixia democrática em Portugal capaz de dominar as consciências e acabar com a liberdade de expressão.
Altura para recordar as sinceras e seríssimas palavras de Ferreira Leite em 5 de Fevereiro, aquando da justificação desta tão proveitosa iniciativa parlamentar:
Eu durante meses falei sobre esse assunto e, portanto, neste momento nada tenho a comentar, a não ser a certeza de que já falei nisso há muito tempo e que ninguém, provavelmente, levou a sério.
O Miguel faz o resumo.
Ondas na Rede
Provando que o Correio da Manhã tem acesso aos melhores segredos que se guardam em Portugal, Paulo Querido tem lá um armazém de novidades acerca da vanguardista e feérica cultura digital.
O Paulo não se limita a ser um jornalista, um divulgador e um entusiasta, é também alguém que ousa fazer, empreender e inovar. Caso único.
