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Capuchinho Laranja

Uns dias antes das eleições no PSD, António Capucho foi à porqueira do Crespo. Instado a comentar a sondagem publicada pelo Sol, onde Passos aparecia com 51%, Rangel 31% e Aguiar-Branco 8%, Capucho desvalorizou os resultados e disse que havia uma suspeita acerca dessa sondagem que punha em causa os seus resultados. Não quis contar o que era, empinando o nariz e dando a entender que um tipo com o seu nível não enchia a boca com qualquer denúncia. Vai daí, o Crespo serviu-lhe a papinha: contou que a empresa onde se fez a sondagem tem como director um elemento da candidatura de Passos Coelho. Capucho aproveitou para continuar a espalhar a suspeição de aqueles serem resultados martelados.

Como sabemos, a sondagem até pecou por defeito com Passos Coelho, vindo a ter uma percentagem de 61% na votação. Assim, que pensará agora Capucho da legitimidade do trabalho da Pitagórica? Continuará a pensar que se fez uma deturpação para favorecer um dos candidatos? E se porventura não o pensa, que pensa de si próprio, que fez uma insinuação caluniosa e difamante para cima de uma empresa, de Alexandre Picoito e de Passos Coelho?

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Clarifiquemos

Portugal precisa de uma inspiração mobilizadora e não de exercícios de cálculo. Cabe ao Presidente da República indicar o caminho e não os atalhos. A defesa da estabilidade não é um jogo de sombras, é uma prática de clarificação.

Alegre

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Há argumentos fortes para o PS escolher este homem como seu candidato presidencial, e todos antecipam que assim aconteça. Mas há argumentos valiosos para só aceitar votar nele numa hipotética segunda volta. Porque é óbvio faltarem-lhe condições para ser um Presidente da República à altura das responsabilidades intelectuais da função, por um lado, e de acordo com as necessidades políticas do País, pelo outro.

Alegre vem de ser oposição velhaca ao PS, tendo utilizado o seu lugar de deputado num exercício revanchista que contribuiu para a perda de votos e reforço do BE. Chegou a fazer comícios com aqueles cuja única paixão é a desagregação do PS, e teve a supina egolatria de ameaçar sair para fundar um partido. As suas declarações, desde que lhe caiu em cima o milhão de votos, são invariáveis hinos a si próprio. Os sinais de estar a viver uma fantasia sebastianista onde faz a festa e apanha as canas multiplicam-se em crescendo. Leia-se a citação supra, repare-se na concepção profética subjacente, atente-se no acordo que está a ser proposto onde o Rei-Poeta deixa de recorrer ao cálculo para se entregar à inspiração. A política reduzida àquele que aponta o caminho. Medo…

Alegre é um fenómeno criado pelo BE. Sem a manipulação de Louçã, o sr. Fiquei à Frente de Soares passaria o resto do tempo em almoços comemorativos do feito heróico de 2006 e não seria o berbicacho para o PS, e para a qualidade da democracia, em que se tornou. Louçã sabe que a irracionalidade de Alegre suscita conflitos dentro do PS, tendo levado muitos a viraram-se contra o partido, subitamente visto como parte do problema e não da solução.

A máquina calculadora que se esconde dentro da lira quer dividir para reinar.

Espionagem política

Vieira da Silva tinha razão. Santos Silva tinha razão. E só quem não tenha olhos é que não vê: o Face Oculta é também, ou principalmente, um caso de espionagem política. A impunidade com que prossegue esta campanha de devassa da privacidade, cujo único móbil é o assassinato de carácter e a intoxicação da opinião pública, emporcalha a sociedade.

E veja-se quem são aqueles que chafurdam nisto. A sua irreversível corrupção moral.

Aprender com o exemplo

A vitória de Passos Coelho é esmagadora. Só perdeu na Madeira, o que até acaba por ficar bem no seu mapa de ascensão interna. Como Passos não tinha qualquer ideia aproveitável que justifique a amplitude dos resultados, o que aparece como a principal conclusão das eleições no PSD remete para o desfasamento da anterior liderança face ao seu eleitorado. A sanha caluniosa, bota-abaixista, catastrofista e dessocratisante só excitava a corte do reino de Pacheco. Grandes senhores do partido, habituados a pernoitar na Lapa, queriam abarbatar o Governo através de uma golpada, seguindo a ancestral tradição da família. Fazer política, pensar, escutar as pessoas, e voltar a pensar, não era com eles. Dava muito trabalho e não garantia resultados. Chegava a banha da cobra da Política de Verdade, a aliança com Belém, o Freeport e a asfixia democrática em spray.

Entretanto, o povo social-democrata admirava a união do PS apesar de todas as pulhices despejadas para cima de Sócrates, como nunca se viu com outro político em Portugal. A mensagem dada à próxima direcção partidária no congresso do PSD foi clara: comecem a fazer política. O ressabiamento de uma geração caduca fez com que o PSD de Ferreira Leite fosse vítima do cavaquismo decadente. Por causa desse desastre, a concepção puramente oligárquica do partido, cujas disfunções feudais não se conseguem esconder, estatelou-se ao comprido nas eleições.

Passos Coelho tem tudo para concretizar a sua promessa abstracta: mudar. Vai é ter de começar por dar o exemplo.

Más companhias

«Nós vivemos agora numa situação em que cada vez se nota com mais evidência que o país está desgovernado», afirmou à Agência Lusa Belmiro de Azevedo quando confrontado se esperava a descida rating de Portugal, anunciada hoje pela agência de notação financeira Fitch, face à situação da economia portuguesa, escreve a Lusa.

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Belmiro, 72 anos, passou metade da sua vida no salazarismo e metade na democracia. É um dos portugueses mais poderosos em Portugal. E um dos últimos a quem se perdoa a deturpação grosseira de factos económicos e financeiros para ataques políticos. Tal como faz nesta associação entre uma avaliação da agência Fitch e o Governo. A falácia é tão básica que desperta um sentimento de incredulidade – como se pode ignorar o contexto volátil, e esconso, da decisão da agência e ainda as etapas governativas que o Governo tem vindo a alcançar apesar da coligação negativa? Pela mesma lógica, de cada vez que as acções da SONAE baixam, Belmiro amaldiçoa Teixeira dos Santos. Ver alguém que ganhou o estatuto mítico de maior empresário do pós-25 de Abril a exibir a ciência política de um fogareiro é assustador.

João Marcelino, na Comissão de Ética, alertou para as perversidades que nascem da misturada entre directores de informação e administradores dos meios de comunicação. O caso do Público é paradigmático da promiscuidade entre os interesses, ou vinganças, do accionista e a perseguição política. Como é evidente, o Zé Manel só se permitiu a guerra com Sócrates porque contava com o apoio entusiasmado de Belmiro. O que fazem as más companhias…

Génio de Carvalhal

Quando uma equipa se habitua à chapa 3, torna-se indiferente ganhar ou perder. Interessa é garantir a desportiva trindade no resultado final. Foi esse o genial plano do genial Carvalhal, o qual mandou para o meio campo dois médios defensivos e um defesa. De fora, deixou Postiga, Pongolle, Pereirinha, Matias, Vuk e Izmailov. Uma óbvia manobra de terrorismo psicológico, mostrando ao Marítimo que o Sporting tinha chegado à Madeira não para ser o rei da selva mas do carnaval.

Um dos sinais da actual ignorância que grassa em Alvalade acerca da mística é este das coincidências. Para os néscios, o autogolo do Pongolle é apenas um acto fortuito. Para o iniciado, todos os acontecimentos são emanações dos conflitos celestes entre as potestades menores que regem este mundo. Assim, a entrada de Pongolle no jogo foi castigada. A mística consiste na sensibilidade apurada para o compreender e no subsequente arrependimento salvífico. Estou certo de que Carvalhal, genial como é, um dia chegará a este nível de consciência. Pode é já não trabalhar no Sporting.

Quando o telefone não toca

Passos Coelho meteu o discurso da crise governativa, e do tiro ao Procurador-Geral, na gaveta e falou como se tivesse sido empossado presidente da INATEL. A sua capacidade soporífera não se desgastou com a campanha, nem se baralhou com a vitória, prometendo centenas de horas de fatal aborrecimento. Todavia, em resposta aos jornalistas, fez uma importante revelação, a de que Ferreira Leite ainda não lhe tinha telefonado a dar os parabéns.

Ferreira Leite, temos de admiti-lo, é a seriedade em pessoa. E como poderia ela dar os parabéns a quem nem sequer mereceu ser deputado? No dia em que Passos Coelho chegar aos calcanhares de António Preto e Pacheco Pereira, aí sim, receberá a chamadinha.

Let men be men

Men look at attractive women the way women look at pretty butterflies.

Louann Brizendine

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Esta senhora explica tudo, tudo, tudinho, e mais alguma coisa, em relação à guerra dos sexos. E termina aconselhando as mulheres a deixarem os homens serem homens. Sim, estamos perante um neo-feminismo de base neuronal e genética. O fim dos problemas da rapaziada, a consagração dos tarados – ou seja, atingimos um patamar histórico no secreto combate pela condição masculina.

Quem preferes ver à frente do PSD?

Agora, angustia-me pensar na ausência de oposição ao PS. Naturalmente, num sistema assumidamente pluripartidario, a inexistência de partidos com lideranças à altura de formar governo é preocupante, tanto mais que depois utilizam a calúnia para desacreditar o partido dominante, fustigando a politica e infligindo à sociedade o penoso castigo de se aguentar sem alternativas credíveis que promovam o necessário escrutínio das politicas desenvolvidas pelo governo.

Oferta da nossa amiga Carmen Maria

Para animais com quatro pernas de manhã, duas ao meio-dia e três à noite

Neste sábado fui ver o Rei Édipo. Por acaso, entrei no foyer logo a seguir ao Ruy de Carvalho. Chegados às portadas interiores, e por causa do andamento da bicha, virou-se para trás e fez uns salamaleques brincalhões para nos ceder a passagem. Disse-lhe Primeiro a arte!, mas aposto que nem ouviu, já se virava para a frente. Cada casal foi para o seu lado no corredor.

Há actores de embirração. Que nos irritam seja qual for o papel que façam. O seu rosto, voz e maneirismos provocam um incómodo irracional, visceral. Como, no meu caso, o Michael York e a Sandra Bullock, insuportáveis. Depois há aqueles que o eram até deixarem de o ser. Como o Travolta até ao Pulp Fiction ou a Meryl Streep até The Bridges of Madison County. Pois bem, o melhor elogio que tenho para o Diogo Infante é isto de estar na dúvida acerca da embirração que sempre me provocou – terá acabado com o seu Édipo? Teria de voltar a ver a peça.

E bem que o gostaria. Só uma vez não chega, para mais com a agravante de ter vindo directamente do balcão do Gambrinus para a plateia do Nacional. Não chega para admirar a política encenação do Jorge Silva Melo. Política porque nos coloca a todos, espectadores, no meio da pólis. E não chega para saborear o magnifico texto em versão original. Esta peça devia voltar e ficar. Anos. E nem era por mim, que a voltaria a ver mais umas 10 vezes, era por ti e pelos teus.

Édipo, o Rei, chegou, viu e foi vencido. Por ele próprio. Pelo simples e brutal facto de existir. Não se tratou de ter errado algures no caminho da vida, mas do oposto: tinha a crença de conseguir evitar o mal. E conseguiu. Fugiu de casa e da cidade para proteger os pais, matou apenas para se defender, casou e deu filhas à sua mulher, foi amado pelo povo de uma cidade onde não tinha crescido. Um caso de sucesso a merecer inveja e lenda. Contudo, há algo muito pior do que o mal que ele conseguiu evitar. É o bem. O bem vai tirar-lhe tudo, até o olhar.

Sempre que vou ao teatro castigo-me por não ir mais vezes. Ao contrário do cinema, arte onírica, o teatro desperta o metabolismo, enche de energia. Os actores estão ali para nos provar que estamos aqui. É por isso que o teatro é a melhor escola de política que o Ocidente alguma vez criou. Se o Ensino tivesse como única finalidade formar estudantes que chegassem ao final do 12º ano com vontade de conhecer a tragédia do feliz Rei Édipo, este ou outro qualquer, a nossa terrinha seria um farol da civilização.

O longo bocejo

Se Sócrates tivesse faltado à cimeira europeia para ficar no Parlamento a discutir o PEC, a oposição entraria num berreiro de acusações contra a sua falta de sentido de Estado. Diriam que os maiores interesses de Portugal tinham sido descurados nesta altura tão crucial para a Europa e que estávamos entregues a um Primeiro-Ministro que fazia tudo para criar conflitos com a oposição.

Como Sócrates foi para Bruxelas, a oposição entrou num berreiro de acusações.

Para quem tiver ouvidos

O momento mais revelador da ida de Nuno Santos à Comissão de Ética consistiu na indignada recordação do processo de contratação para a SIC de um Mário Crespo emprateleirado e acabado, decisão do Nuno e de Emídio Rangel.

Claro, o próprio Crespo já não está em condições de captar o subtexto do que ficou à mostra a seu respeito.

Na Inventona de Belém ninguém toca

Luciano Alvarez e Tolentino de Nóbrega não estão para se maçar a ir ao Parlamento explicar seja o que for acerca do mais debochado caso de manipulação mediática com intento de perverter um acto eleitoral que se regista na História da democracia portuguesa. Ou talvez apenas se sintam asfixiados, o que manifestamente os impedirá de falar. Ainda por cima, estamos perante um caso cujos mandantes são membros da Presidência da República, a gravidade não pode ser maior. Vai daí, o Bloco abandona a coisa. A direita, de resto, nunca foi uma preocupação para o BE, até podem ser aliados. O inimigo chama-se PS.

O que aconteceu entre o Público do Zé Manel e a Casa Civil, à mistura com o comportamento e declarações de Cavaco, é um escabroso escândalo. Não por acaso, aqueles que cavalgaram a inventona, e que aproveitam toda e qualquer calúnia contra Sócrates, são os que mais berram as palavras de ordem de qualquer totalitarismo: carácter, seriedade, verdade.

Hipócritas de merda.

Petição pública aos deputados do PSD e do BE

Excelsos e magníficos deputados sociais-democratas e bloquistas,

É por todos sobejamente conhecida a vossa imarcescível paixão pela Verdade, uns, e pureza ideológica imaculada, outros. Tanto que juraram erradicar da política a mentira e os mentirosos, obedecendo ao clamor do Povo. Convosco a Grei irá moralizar-se, corrigir-se, arrepender-se, converter-se e santificar-se. Só então, num ambiente político higienizado, Vossas Excelências tratarão dos assuntos correntes. Por agora, que se desinfecte a casa e perfume o ar. Finalmente!

Vimos, pois, os signatários, rogar igual empenho na descoberta da verdade, e castigo dos mentirosos, no caso Izmailov. Recordemos os factos:

– O jogador é emprestado ao Sporting em Julho de 2007, sendo imediatamente considerado um grande talento.

– No jogo de estreia, marcou o (enorme) golo da vitória sobre o Porto, dando ao clube a Supertaça. Jogou lesionado.

– No final da época, foi comprado pelo Sporting.

– As lesões foram alternando com as grandes exibições, assistências, golos.

– Na última lesão, que o parou durante 7 meses, ofereceu-se para deixar de ser pago por não estar a jogar há muito tempo.

– Quando voltou a jogar, logo ganhou a titularidade, sendo unanimemente reconhecida a sua influência na recuperação da equipa.

– Em Fevereiro, recusou ser vendido ao Lokomotiv, mesmo na condição de ir ganhar mais.

– Em Fevereiro, Costinha entra no Sporting para director desportivo.

– Em Fevereiro, perguntaram a Carvalhal se a vitória sobre o Everton se devia à entrada de Costinha no departamento de futebol. Costinha tinha entrado há 24 horas – se é que já tinha entrado.

– Em Março, Costinha discute com Izmailov, queima-o publicamente e diz que ele nunca mais voltará a jogar no Sporting.

Posto isto, só a santa aliança entre o PSD e o BE poderá esclarecer estas notícias de arrebimbomalho. Estamos certos de que uma comissão de inquérito, ou duas, seguramente não mais do que três, será o suficiente para apurar quem é que mentiu a quem, e quem é que não disse a verdade a quem, e quem é que não fez uma coisa mas fez a outra e vice-versa. De caminho, os excelsos e magníficos deputados poderão também inquirir acerca de um plano secreto de José Eduardo Bettencourt para acabar de vez com o futebol em Alvalade. Os indícios são avassaladores.

Muito obrigado,

[os signatários]

Viva o Porto!

Num feliz zapping, entrei no Metro a Metro. O entrevistado foi Júlio Magalhães, um duplo portista. A conversa ocorreu algures depois de Moura Guedes ter ido à Comissão de Ética, onde anunciou que a TVI escondia provas relativas ao Freeport. E esse acontecimento gerou outro, aquele em que o Júlio conta a sua versão dos factos relativos a toda a campanha contra Sócrates protagonizada pelo casal Moniz. É um relato que nos deixa de boca aberta a olhar para a oposição e para os deputados que utilizam o Parlamento para continuar esses ataques através das comissões que exploram até ao limite dos recursos e do tempo as calúnias, as insídias, as pulhices.

Infelizmente, os amigos do Porto Canal não acreditam na Internet, e mostram-no com exuberância ao não disponibilizarem o vídeo do programa. Vou pois pedir ao meu primo para falar com os gajos, ou com um gajo que conheça os gajos, em ordem a marcar uma reunião com os gajos do marketing, ou com os gajos da Direcção. Aí, o meu primo e eu explicaremos uma ou duas coisas (muito provavelmente, duas coisas) acerca das estouvadas vantagens de multiplicar os espectadores, mesmo se para tal for necessário recorrer à invenção do Al Gore.