Aprender com o exemplo

A vitória de Passos Coelho é esmagadora. Só perdeu na Madeira, o que até acaba por ficar bem no seu mapa de ascensão interna. Como Passos não tinha qualquer ideia aproveitável que justifique a amplitude dos resultados, o que aparece como a principal conclusão das eleições no PSD remete para o desfasamento da anterior liderança face ao seu eleitorado. A sanha caluniosa, bota-abaixista, catastrofista e dessocratisante só excitava a corte do reino de Pacheco. Grandes senhores do partido, habituados a pernoitar na Lapa, queriam abarbatar o Governo através de uma golpada, seguindo a ancestral tradição da família. Fazer política, pensar, escutar as pessoas, e voltar a pensar, não era com eles. Dava muito trabalho e não garantia resultados. Chegava a banha da cobra da Política de Verdade, a aliança com Belém, o Freeport e a asfixia democrática em spray.

Entretanto, o povo social-democrata admirava a união do PS apesar de todas as pulhices despejadas para cima de Sócrates, como nunca se viu com outro político em Portugal. A mensagem dada à próxima direcção partidária no congresso do PSD foi clara: comecem a fazer política. O ressabiamento de uma geração caduca fez com que o PSD de Ferreira Leite fosse vítima do cavaquismo decadente. Por causa desse desastre, a concepção puramente oligárquica do partido, cujas disfunções feudais não se conseguem esconder, estatelou-se ao comprido nas eleições.

Passos Coelho tem tudo para concretizar a sua promessa abstracta: mudar. Vai é ter de começar por dar o exemplo.

4 thoughts on “Aprender com o exemplo”

  1. Marcelo:
    Comentar e dar palpites é o forte de Marcelo. Nisto dá cabazadas. No mais importante – ir a votos – não se mete antes prefere manter a sua reputação. Ganha mais com isso «monetariamente» e é o que o move.
    A cabazada dada aos outros candidatos era para ser a Marcelo só que ele previa isso e, como foi avisado pelas sondagens – politólogos, bruxos e afins – acabou por meter o rabo entre as pernas. Ainda foi ao congresso de Mafra.
    Ao ouvir as verdades de Fernando Costa, presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha «Ai se Sá Carneiro fosse vivo» e se «esta senhora e esta direcção me desse ouvidos nada disto tinha acontecido e hoje se calhar não éramos oposição».
    Aí voltou atrás. Levar com um destes, das caldas, «presidente» é capaz de fazer doer. Não posso opinar. Não sou PSD por isso nunca me vi em tal situação. De previsões anda Portugal cheio o que precisa é de acções. Tem sorte em apanhar Passos Coelho como líder.
    Se fosse outro não o aturava. Depois dos comentários e algum desprezo que lhe fez. Até solicitou a Aguiar Branco para desistir para assim Passos Coelho ser derrotado. Mas, como em tudo o povo (eleitores) são os que põe e dispõe e não esta «casta» que lhes tirando o verniz e o microfone nada mais fizeram para serem escolhidos a ganhar parte dos nossos impostos. Os resultados estão à vista. Quem faz uma boa sementeira bons frutos colhe. Se fosse através dum concurso público, aí nós «consumidores» compreendíamos, agora sempre os mesmos!
    Parece que o País se resume a meia dúzia de intelectuais. Por mim podem estar descansados não reúno essas condições. Sou frontal e não dado a hipocrisia.

  2. Passos Coelho perdeu mas foi para o político da continuidade naquela linha do antigamente, porque o 25A aconteceu apenas no território do que hoje de facto é a região do Continente, mas aqui o Estado Novo morreu de velho. Mas está enterrado? Em que fase estamos? Construção ou descontrução?
    Sr Passos Coelho comece por identificar o significado e o significante.

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