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Fracos da mona

A crise no PSD dura desde o tabu de Cavaco em 95, ou talvez mesmo desde o bloqueio da Ponte em 94. Toda a oligarquia do partido, sem excepção, falhou o intento de recuperar o império cavaquista ou a glória sá-carneirista. E por esta confrangedora razão: são pessoas intelectualmente medíocres. Incluindo o turificado Marcelo. Pessoas que se limitaram a aprender regras básicas para servirem os poderosos da finança e da economia, a troco de também se poderem servir das benesses e prebendas distribuídas pelo topo da hierarquia do Estado. Mas pessoas que não aguentam o exercício analítico e eticamente reflexivo sem o qual não se faz autocrítica e investigação que acrescente inteligência e vontade. O resultado é a decadência corrente, onde, para além das sucessivas golpadas contra o Primeiro-Ministro que os derrota e humilha, não conseguem apresentar qualquer ideia que interesse à sociedade. Ninguém associa uma mísera esperança ao PSD, só explosões de ressentimento, ódio, selvajaria política.

Pelo que a grande surpresa nestas eleições da Lapa é Aguiar-Branco. Não se dava nada por ele, tentaram que não fosse até ao fim e persistem em reduzir a sua candidatura a um capricho. E que vimos? Um político de garra e pose, que limpou o rabinho a um Rangel inane em que só os fanáticos acreditam. E um político que devia passar os próximos anos a formar o Passos Coelho, sendo o seu Presidente, não a assistir à deformação que se vai seguir se o candidato menos feio fizer cair o Governo e resolver atacar o Procurador-Geral.

Mas é assim a puta da vida, cheia de circunstâncias.

Da elite e do escol

Mas há uma coisa que eu noto nos meus amigos que emigraram, alguns deles pessoas absolutamente excepcionais, da minha idade. Do ponto de vista intelectual, profissional, pessoas absolutamente excepcionais, e que podem competir, e que têm estado a competir, com os melhores do Mundo. E têm-se safado muito bem até à data. Há uma coisa que eu noto quando falo com eles. Em primeiro lugar, eles não têm nenhuma vontade de regressar. E em segundo lugar – isto não é unânime, mas acho que abrange muitos dos casos que eu conheço pessoalmente -, não só perderam qualquer ligação afectiva a Portugal, eu não queria utilizar a palavra desprezar Portugal, mas acham que houve qualquer coisa aqui que eles não encontraram, um horizonte cinzento de bloqueio, de ausência de energia, que os faz sentir repúdio por Portugal, uma certa repugnância por Portugal.

Miguel Morgado

*

O Miguel tem a idade da democracia portuguesa. E pertence à elite. Alguns dos seus amigos foram trabalhar no estrangeiro. Trata-se de um conjunto de pessoas absolutamente excepcionais, capaz de rivalizar com os melhores do Mundo, a fazer fé no seu testemunho. Mas não ficámos a saber em que campo de actividade, nem em que parte do Mundo. Serão taxistas? Empregados de mesa? Futebolistas? Cabeleireiros? Pescadores de atum? Não interessa.

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Somos todos benfiquistas

Celebrei o golo do Carlos Martins por ser um golo à Carlos Martins marcado pelo Carlos Martins.

E celebrei o terceiro golo por ser o terceiro golo marcado à equipa do Bruno Alves.

Como insultar o Bruno Alves com suficiente rigor e amplitude? Talvez dizendo que o Bruno Alves conseguiu transformar todos os amantes da bola em adeptos do Benfica. É bestial.

Diabólico

Acabar com o celibato não resolveria o problema da pedofilia e dos abusos sexuais em institutos da Igreja Católica. Porque não há correlação.

Na verdade, o escândalo não vem dos casos conhecidos onde se violaram física e mentalmente crianças e adolescentes, nem mesmo da certeza de serem esses apenas a ínfima parte dos que terão acontecido ao longo das décadas, séculos e lugares. Humano demasiado humano.

O escândalo é só um, tão mais grave: não ter a Igreja encontrado o Espírito Santo na sexualidade.

Ícaros

A exposição dos monitores dos deputados ao público e jornalistas nas galerias do Parlamento permite reflectir acerca do que tem acontecido com a publicação não autorizada das escutas relativas ao processo Face Oculta e seus desenvolvimentos. Muitos, à esquerda e à direita, foram os que logo utilizaram essas passagens para fazerem ataques políticos, ataques de carácter, piadinhas e arroubos de santidade. Assim, havendo coerência, os mesmos estarão ainda mais interessados em conhecer o que fazem os deputados nos seus computadores de bancada. E aplaudirão o jornalismo que fornecer essas informações, é inevitável.

Pensemos, então. Que capa faria o Sol com uma foto do monitor de um deputado do PS onde se visse que o seu browser estava num qualquer website de propaganda nazi? Se o tema não estivesse em discussão no hemiciclo, que estava ali a fazer o deputado? Será que, no fundo, tem simpatias hitlerianas? E não faria essa consulta parte do plano socrático para dominar a Terra durante mil anos?

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Como é evidente

Os deputados do PS têm razão no protesto emocionado contra a violação da privacidade, e Gama tem razão no realce do estatuto público do espaço, da função e do material, e também na eventual solução.

É que as novas tecnologias obrigam a sucessivas adaptações da cultura, da moral, dos costumes. Sempre assim foi.

Génio de Carvalhal

Carvalhal não é um provinciano qualquer, como há muitos nascidos e criados nas cidades. Ele não se deslumbra com a Europa, não desdenha do que é nosso, não troca a comidinha caseira por essas mistelas que servem no estrangeiro. Por isso, tratou de resolver o assunto com classe: perdeu a eliminatória sem perder qualquer dos jogos. Pronto. Acabou-se o desperdício de dinheiro em aviões e pardieiros de 5 estrelas, mais a pegada ecológica. Há um glorioso 4º lugar para conquistar, as excursões ficam para a pré-época.

E ainda deixou o Vuk incendiar as bancadas, mas só um bocadinho e num espectacular abaixamento de forma. O jogador tem de ser reduzido a um farrapo para que possa ser vendido sem dificuldade neste Verão. Quando voltar a jogar num clube que o compreenda, aplaudiremos a genialidade de Carvalhal, sem a qual Vuk continuaria na prateleira do Sporting a criar sarro.

Roma, Bizâncio e Atenas

A comissão de inquérito ao negócio PT/TVI tem duas questões na agenda: a relação do Governo com a legalidade e a relação do Primeiro-Ministro com José Sócrates. Qual delas a mais inútil e perversa.

Quanto à primeira, já tudo foi explicado na Comissão de Ética. A PT queria fazer o negócio por razões estratégicas legítimas face ao mercado, as quais eram do domínio público há meses ou anos. Também se disse não haver interesse no controlo editorial da TVI com a entrada na Media Capital. A PT chegou ao ponto de tentar garantir Moniz nesse novo cenário, o próprio confirmou. Para além disso, o Governo não tinha de ser tido nem achado na matéria, fosse por que razão fosse, e para mais quando o negócio ainda não estava garantido e nenhum acto formal tinha acontecido que implicasse transmissão de informações ao Governo ou anúncio público. Isto significa que o negócio nunca existiu, posto que não se concretizou, e ainda que foi abortado por pressão política da oposição e do Presidente da República. Na ausência de novos factos que o contradigam, não existe ilegalidade alguma na situação. Mais: não se concebe como poderia existir, posto que uma situação onde a PT estivesse no capital da TVI levaria a uma completa blindagem protectora para o infotainment persecutório de Moura Guedes. Acabar com o Jornal de Sexta depois da PT entrar seria politicamente ruinoso para o PS, como até um calhau percebe. Mas acabar com ele antes da PT entrar, também!

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Não desistas, mesmo cansada

A Fernanda, que eu saiba, é a voz mais activa em Portugal na problemática. Sim, não se trata de uma causa, posto que diz respeito ao correcto uso da força policial. É antes uma problemática, onde cada caso exige investigação. O conjunto das ocorrências pede também reflexão estatística e comparativa, antes de se poder saltar para as conclusões.

Todavia, a radicalidade moral da posição da Fernanda é uma bênção política. Há aqui um absoluto a defender absolutamente, a vida humana. A formação dos agentes de autoridade que actuem com arma só terá a ganhar com a intransigência daqueles que exigem o fim deste tipo de mortes.

É escusado explicar-lhes

Paulo Rangel tem o apoio de Ferreira Leite, Pacheco, Vasco Graça Moura, Jardim, Morais Sarmento, Santana, Fernando Seara, Paulo Mota Pinto, Deus Pinheiro e António Capucho, entre outros cromos do refugo do cavaquismo. E, mesmo assim, insistem em dizer que o homem dessocratizante é o melhor candidato para derrotar Sócrates.

Não admira que tenham deixado o partido chegar onde chegou.

Acabem com eles

Parece que Sócrates, Pedro Silva Pereira e Rui Gonçalves encheram-se à grande e à inglesa com o Freeport, e sabe-se lá mais com o quê. Uns tipos que dão uma golpada dessas, tão sofisticada ao ponto de incluir envelopes castanhos e encontros públicos em locais de salubridade pré-ASAE, devem ter dado dezenas de outras. O caso deverá estar concluído lá para 2030 ou quando Sócrates se reformar, o que chegar primeiro. Também consta que Vara fala ao telefone como os traficantes de droga, o magano, pelo que daí até ser mafioso já nem é uma questão de se dar um passo, basta inclinarmos o tronco um bocadinho para a frente. Como todas as figuras gradas do PS têm estado ao lado de Sócrates, incluindo Soares e Almeida Santos, Vital e José Magalhães, este e aquele, é de esperar que brevemente surja uma notícia a dar conta que Tino de Rans foi apanhado a cagar atrás de um sobreiro. Assim se conseguirá limpar do mapa o PS todo, e para nunca mais voltar.

Entretanto, na RTP socrática – III

Judite – Mas, por exemplo, o sr. Presidente da República, volto à questão, ficou melindrado com as referências, que foram públicas, quando se diz, por exemplo, que o senhor podia ir para casa cuidar do netos?

*

Foi esta a única citação das escutas publicadas que a Judite utilizou para confrontar Cavaco. Estamos perante uma curiosidade voyeurista, veneno alcoviteiro. Mas não só.

Estamos também perante a legitimação da devassa da privacidade. Partindo do princípio que a Judite não ouviu a gravação onde supostamente se encontra essa passagem, como se permite utilizar uma transcrição escrita, descontextualizada e não confirmada para com ela tentar invadir a intimidade do Presidente da República? É a perversão máxima, explorar a espionagem a terceiros para espiolhar a primeiros.

Muitas pessoas só aprenderão com a experiência de serem vítimas da completa ausência de escrúpulos. Ou talvez nem aí. Mas é nosso dever fazer o possível para que nunca passem por ela.