A crise no PSD dura desde o tabu de Cavaco em 95, ou talvez mesmo desde o bloqueio da Ponte em 94. Toda a oligarquia do partido, sem excepção, falhou o intento de recuperar o império cavaquista ou a glória sá-carneirista. E por esta confrangedora razão: são pessoas intelectualmente medíocres. Incluindo o turificado Marcelo. Pessoas que se limitaram a aprender regras básicas para servirem os poderosos da finança e da economia, a troco de também se poderem servir das benesses e prebendas distribuídas pelo topo da hierarquia do Estado. Mas pessoas que não aguentam o exercício analítico e eticamente reflexivo sem o qual não se faz autocrítica e investigação que acrescente inteligência e vontade. O resultado é a decadência corrente, onde, para além das sucessivas golpadas contra o Primeiro-Ministro que os derrota e humilha, não conseguem apresentar qualquer ideia que interesse à sociedade. Ninguém associa uma mísera esperança ao PSD, só explosões de ressentimento, ódio, selvajaria política.
Pelo que a grande surpresa nestas eleições da Lapa é Aguiar-Branco. Não se dava nada por ele, tentaram que não fosse até ao fim e persistem em reduzir a sua candidatura a um capricho. E que vimos? Um político de garra e pose, que limpou o rabinho a um Rangel inane em que só os fanáticos acreditam. E um político que devia passar os próximos anos a formar o Passos Coelho, sendo o seu Presidente, não a assistir à deformação que se vai seguir se o candidato menos feio fizer cair o Governo e resolver atacar o Procurador-Geral.
Mas é assim a puta da vida, cheia de circunstâncias.