Grandes enigmas do Universo

Se Portugal tem 2 milhões de pobres, e mais 3, 4, 5 ou 6 milhões de menos pobres, que está a impedir o PCP e o BE – partidos que existem só para defenderem os pobres e mais ninguém – de vencerem as eleições, seja a solo ou em parelha?

19 thoughts on “Grandes enigmas do Universo”

  1. A propaganda dos “dois milhões de pobres” só existe nas estatísticas. Quem vive numa aldeia ou pequena vila percebe perfeitamente que ali a estatística é o contrário da história do meio frango que cada portugues come quando um come um frango e o outro nada. Nesses lugares grande parte tem uma terrinha ou quintal onde planta parte dos produtos verdes domésticos, fruta e cria animais de pasto ou capoeira. Aí comem mesmo frango inteiro com a vantagem de saberem bem o que comem e não vão à loja do Tio Belmiro compraar frango de marca branca.
    Mas, o mais significativo e contributivo para o orçamento de muitos nesses lugares e também nas grandes cidades, são os tais mais de 20% de trabalho clandestino que se realiza e não é contabilizado. São 20% do PIB intactos, sem ser ratados pelo fisco, injectados a circular no mercado.
    E com o desemprego passa-se o mesmo. São muitos os desempregados a realizar os tais mais de 20% do trabalho clandestino, sem factura, e contudo constam das listas de desempregados.

  2. Assunto que merecia ser devidamente investigado, com isenção e honestidade, não sei se com os votos a favor da oposição unitária.

  3. Partindo do princípio de que ainda há pobres – porque algumas vozes já começam a negar a sua existência – e o seu nº continua a aumentar, eu direi que tal acontece pelos seguintes motivos:

    1º – Os pobres que votam PS viram a sua situação estabilizada, ou até mesmo melhorada ao ponto de serem já “quase-ricos”.

    2º – Já os pobres que votam PCP ou BE ficam cada vez mais pobres (pelo facto de votarem nestes partidos?), e são estes que dão de Portugal a imagem de um País pobre.

    É simples de entender, não é?

  4. É sobretudo a asfixia democrática e a corrupção! E também a falta de carro para irem votar: aliás, todos os que se abstêm (e são quase 40%!) deveriam contar como votos no PCP, porque só não vão votar porque são tão pobres, tão pobres, que nem dinheiro têm para o gasoil. Não contavam para o BE porque, como todos sabem, os bloquistas não são pobres, são ricos. Não têm é ainda consciência de classe…

  5. Ora os 40% de abstenção que o Marco refere (e muito bem…), deviam ser claramente indicativos do panorama político…
    Não vejo os partidos preocupados com o fenómeno da abstenção, apesar da constituição “obrigar” ao incremento da participação cívica…
    Quanto à pobreza, infelizmente ela existe em grandes números, muitas vezes envergonhada e a viver paredes meias connosco sem nos apercebermos… O dinheiro ganho “ao negro”, não paga impostos, mas é directamente introduzido na economia e paga IVA…não passa directamente para offshores, onde nunca mais ninguém lhe põem a vista em cima…
    Assuma os 40% como os “pobres” e os “classe média baixa” , para os quais as variações de cor na política apenas trazem mais do mesmo… Serão sensivelmente 4 milhões de pessoas!

    Adolfo Contreiras

    O seu Portugal é fantástico…Onde é que fica?

  6. Muito bem Tiago !!!!!

    Faz-me impressão que certas pessoas não tentem ao menos esconder um bocadinho a sua grande ignorância.

  7. Pobreza, e bem à vista, havia nos tempos do Marcelismo. Miséria em barda havia no Salazarismo. Em Portugal haverá pobres, como na América, mas é um País rico e fantástico, sim senhor! Estudai os números, que não mentem. Dizei-me a quem chamais ignorantes, dir-vos-ei quão parvos sois…

  8. A questão é que a era do pleno emprego já acabou e as sociedades vão ter que viver com uma nova era de desemprego estrutural elevado fruto do avanço tecnologico e cientifico. Cada vez serão precisas menos pessoas para se fazer o que se faz hoje e a população mundial não vai baixar. É uma verdade simples que ninguem quer ver mas será um problema muito sério se não mudarmos de paradigma.
    Leia-se isto e imagine-se as implicações que poderá ter daqui a 20/30 anos , ou seja…já amanhã.

  9. Caro Marco:

    Não queira comparar a pobreza Marcelista ou Salazarista de há 40 anos esta parte, com o que se vive actualmente…
    A sociedade evolui e os parâmetros de análise da pobreza mudaram, mau era se assim não fosse… Mas mesmo assim, acredite Marco, que existe em Portugal gente a viver como no tempo Salazarista ou Marcelista, gente sem electricidade, água potável ou saneamento básico!!!
    Ou você também acha que os automóveis, os telemóveis, a internet, etc, deveria ser só para alguns???? O típico pensamento à direita…
    As pessoas não votam porque se estão realmente “A CAGAR” para quem ganha, porque o resultado final cairá sobre si injustamente de uma maneira ou outra… Para muitos o dinheiro do “gasoil”, é mais bem empregue em comida…
    Acredito que a si Marco, funcionário público e “abeirado” da reforma tudo isto lhe passe “um pouco ao lado”…
    Mas mais do que os números olhe para as pessoas que o rodeiam, o País será certamente rico e fantástico, mas apenas para alguns…

  10. Tiago Mouta,
    diz “não queira comparar a pobreza Marcelista ou Salazarista de há 40 anos, com o que se vive actualment…
    Valha-nos, pelo menos reconhece que o patamar de pobreza, actualmente, está muito acima do antigamente. Já é um passo.
    Mas repare que desde Vasco Gonçalves, os Secretários Gerais do PCP e todos atrás, repetem e repetem sempre, que todas as leis e medidas que qualquer governo toma são más e um retrocesso, um mal e um atraso em relação ao que existe. Como se explica que leis sempre piores para os desfavorecidos tenham melhorado grandemente o patamar do que é hoje considerado pobreza? Só por aqui se topa logo que o patamar da demagogia é bem mais elevado que o patamar de pobreza realmente existente.
    Tiago Mouta, eu também vivo num pequeno lugar sem saneamento básico e só tenho electricidade desde 1980. Nesse pequeno lugar do barrocal algarvio não há a quem dar ou quem queira receber roupa usada como era de uso corrente há 20/30 anos atrás. A maior parte do trabalho ali realizado, reparações, pinturas, pequenas obras, tarefas domésticas, “olhar” e tratar de casas de estrangeiros, semear e tratar do hortejo próprio, etc., é um forte contributo para a economia das famílias locais. E posso dizer que pobres, no sentido de não ter para comer, já não se vê onde estejam.

  11. Ó Adolfo,

    Visite as ruas do centro de Lisboa, Porto à noite e veja onde eles estão.

    Tente chegar à fala com as organizações de caridade que andam pelas ruas e logo verá o que lhe dizem.

    Vá à sopa dos pobres, na Av. Almirante Reis, nos Anjos, e veja a quantidade de pessoas que às 10H da manhã já estão à porta aguardando a sua abertura às 12:30H.

    E lembre-se sempre: o seu mundo não é o centro do universo

  12. Há quem queria enganar-se a si própria e se socorra da demagogia, como a Carmen Maria, que confunde a pobreza dos mariginais e socialmente inadaptados com a pobreza de quem procura fazer pela vida. Quanto ao Tiago Mouta, que me parece intelectualmente mais honesto e que procura argumentar com seriedade, aviso-o de que está a precipitar-se e a cometer um grave erro procurando reagir aos meus argumentos com supostos factos sobre mim, que não conhece nem viriam ao caso (como eu não invoco supostas características pessoais suas para rebater os seus argumentos). Acredite que pouca coisa neste País me passa “ao lado”.

    Não se discute a pobreza com base na evidência de haver pedintes, mas sim com dados estatísticos. Senão, pode dizer-se tudo e não valer nada. Imagino eu que a Carmen Maria não conheça o centro de Londres à noite, ou então dirá que a Inglaterra é tão miserável como a Índia, ou disparates ainda piores. Não tendo tempo para documentar esta discussão com “links” para dados estatísticos (agora até existe a “Pordata”, mas ainda não consegui “passar” por lá), apenas quero deixar claro três coisas:

    1º) Portugal é um País estruturalmente pobre e, desgraçadamente, pouco ou nada mudou com os dinheiros europeus, nesse aspecto;

    2º) O facto de haver muitos pobres não significa que essa pobreza se reflicta em carência de meios básicos de subistência, que era apanágio da pobreza tradicional portuguesa; isto é, dantes as pessoas emigravam PARA NÃO MORREREM À FOME, hoje emigram porque não querem ser pobres, nem sequer remediados, nem trabalhar nas obras, o que, convenhamos, é uma grandíssima evolução do conceito de pobreza;

    3º) A existência de pobres não é necessáriamente culpa das orientações políticas dos últimos anos, ou décadas, antes pelo contrário, o Estado transformou a pobreza em Portugal de uma coisa dramática e irremediável, em algo suportável e digno, pois agora os pobres não vivem em bairros de barracas como ainda há menos de trinta anos, não deixam de ter Escola para os seus Filhos, nem Hospital, nem meios de sustento mínimos. A isto chama-se Progresso, coisa que pouco se viu em Portugal durante os cem anos antes do 25 de Abril, e foi este Progresso que, ao resolver mínimamente as principais reinvidicações das classes mais desfavorecidas, deixou os Partidos marxistas sem farinha nem fermento. E era este o sentido do texto que estamos a comentar, não o olvidemos.

  13. Marco,

    1-“grandíssima evolução do conceito de pobreza”

    2 – “A existência de pobres não é necessáriamente culpa das orientações políticas dos últimos anos”

    3 – “O facto de haver muitos pobres não significa que essa pobreza se reflicta em carência de meios básicos de subistência”

    4 – “confunde a pobreza dos mariginais e socialmente inadaptados com a pobreza de quem procura fazer pela vida”

    Com todo o respeito intelectual pelas suas afirmações, ocorre -me dizer-lhe que as estatísticas devem ser utilizadas como instrumentos de suporte a uma analise pluridisciplinar que não podemos encontrar na sua argumentação, como se prova pelo que disse.

    Enquanto existirem pessoas a pensarem e expressarem estes pensamentos, a pobreza em Portugal não diminuirá e o negócio do Banco Alimentar agradece.

  14. Prezada Carmen Maria, «(…) as estatísticas devem ser utilizadas como instrumentos de suporte a uma analise pluridisciplinar que não podemos encontrar na sua argumentação, como se prova pelo que disse.». Então e os seus dados estatísticos, onde é que estão? Não me diga que são as suas passeatas nocturnas pelos centros de Lisboa e do Porto… ;-)

    Já quando à espantosa frase «Enquanto existirem pessoas a pensarem e expressarem estes pensamentos, a pobreza em Portugal não diminuirá e o negócio do Banco Alimentar agradece.» nem sei que lhe diga. Olhe, se eu mudar de pensar (ou puser uma rolha na boca para não o expressar) farei com que alguém deixe de ser pobre? E esse alguém posso ser, por exemplo, eu próprio, para começar? Diga-me, por favor, como deverei então pensar para tentar resolver mentalmente o problema da pobreza em Portugal (mas seja original, não me diga que para dificultar a vida ao negócio do Banco Alimentar terei de me ir inscrever no P. S. D. a tempo de votar no Rangel…)!

    Tenha um bom fim-de-semana e boas passeatas pelo Centro de Lisboa, no Sábado à noite…

  15. A resposta a quem de direito!
    Bom, começando pelo principio, caro Adolfo, será um erro tremendo misturar o Portugal actual com o de há 30 anos a esta parte…
    Há 30 anos se quisesse trabalhar, teria onde e poderia prosperar e viver condignamente acima da média, claro que quem vivia nos meios rurais tinha mais dificuldade até pelas vias de comunicação ou ligação escassas…Daí o êxodo rural dos últimos anos!!!
    Claro que existe uma “coisita” chamada inflação, que obriga subida dos preços e por conseguinte dos dinheiros disponíveis e uma franca melhoria das condições de vida para todos…
    Agora o cenário é diferente, as vias de acesso e comunicação existem e não podemos estar à parte das mesmas… Dificilmente eu exerceria qualquer actividade profissional sem carro, telemovel, internet, portátil, etc… Da mesma forma que há 30 anos tinha-se a 4ª classe e agora o exigível é o 9º ano… Logo os custos da evolução são outros, bem como os encargos familiares… Mas a possibilidade de cada um prosperar mediante o seu trabalho foi extinguida, por sucessivas medidas capitalistas, personificadas pelos poderes dos grandes grupos económicos e da banca…Quem investe, fá-lo com pouco risco (normalmente assegurado pelo estado) e os restantes ou se endividam irreversivelmente, ou são absorvidos… Nestas condições o investimento privado, fonte de emprego e receita estão condenados…As sucessivas leis retiraram a possibilidade de se poder prosperar à custa do seu próprio esforço e trabalho… Este problema está enraízado, nada tem que ver com comunas ou fachos… É o mundo Capitalista em que vivemos pervertido no seu máximo!As ideologias são todas assim, desde a bíblia ao socialismo de Marx, boas ideias em papel, interpretadas por homens…E levadas a um extremismo exagerado!

  16. Caro Marco

    Não se ofenda com o facto de ter referido que era funcionário público abeirado da reforma… Foi você próprio que o referiu numa discussão anterior (e agora não o desmentiu…), pretendo apenas fazer um enquadramento sociológico da sua opinião e não melindrá-lo de alguma forma, se o fiz, lamento imenso, não era minha intenção!
    Primeiramente quero dizer que a análise de dados estatísticos é terrivelmente tendencial e muitas vezes não demonstrativa do cenário real… Apesar de a PORDATA ser um excelente avanço nesse campo, não será 100% exacta…
    Londres terá os seus problemas (como aliás o resto do Mundo!!!), mas eu não vivo em Londres…
    A maximização do lucro dos grandes grupos empresariais influi directamente sobre as suas responsabilidades sociais, i e, uma empresa tem capital, produtividade e lucro para empregar 100 000, mas se conseguir empregar só 75 000, cortar lhes os benefícios, reduzir lhes o salário e obter o dobro do lucro, do ponto de vista capitalista é bom, talvez por isso os gestores tenham os prémios que têm… O salário daquelas 25 000 pessoas vai para um só (ou um pequeno grupo…)!
    No entanto atirou 25 000 pessoas para o desemprego sem querer saber como vão viver no futuro, sem o mínimo de responsabilidade social, a bem do lucro…
    E é nisto que vivemos, somos apenas números e estatísticas num gráfico à mesa de um político ou administrador, onde a nossa representatividade não chega para um pingo de tinta de impressora, mas o drama da precariedade, do desemprego, da pobreza é real… E as estatísticas não trazem esse drama estampado!
    Isto já aconteceu na história mundial e originou a 2ª Guerra Mundial, ditadores e uma série de “coisas boas”, vamos ver para onde vamos…

  17. Marco,

    Os seus dados estatísticos de que fala de forma loquaz, são como uma arma na mão de uma criança.

    Eu não sou detentora de estatísticas que os outros não possam ter acesso. Lamento não surpreende-lo nesta matéria.

    Quanto às passeatas pelo centro de Lisboa, sabe, eu pertenço ao grupo de risco que a qualquer momento não tem dinheiro para fazer face a sua sobrevivência, logo, as passeatas pelas ruas de Lisboa podem esperar.

    Por último, o tom arrogante fica-lhe mal.

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