Diabólico

Acabar com o celibato não resolveria o problema da pedofilia e dos abusos sexuais em institutos da Igreja Católica. Porque não há correlação.

Na verdade, o escândalo não vem dos casos conhecidos onde se violaram física e mentalmente crianças e adolescentes, nem mesmo da certeza de serem esses apenas a ínfima parte dos que terão acontecido ao longo das décadas, séculos e lugares. Humano demasiado humano.

O escândalo é só um, tão mais grave: não ter a Igreja encontrado o Espírito Santo na sexualidade.

15 thoughts on “Diabólico”

  1. Será justamente uma utopia pretender-se acabar com a pedofilia através de qualquer método, incluindo naturalmente o fim do celibato.
    Mas com algum rigor, pode dizer-se que as igrejas que não impõem o celibato estão menos expostas, desde logo, presumo eu, porque a própria família funciona como um factor de pressão ao nível da consciência individual e da “vigilância” sobre o potencial pedófilo.
    Agora uma coisa é certa: o celibato não cumpriu nem cumpre, de forma genérica, o seu propósito. E se não cumpriu nem cumpre, a justificação da igreja católica apostólica para o manter perdeu credibilidade, sendo que o fim do celibato será num futuro próximo uma decorrência normal da evolução da igreja perante novos desafios sociais, e principalmente o ultrapassar da crise das vocações.
    Em Esparta, as crianças do sexo masculino, a partir dos sete anos, eram retiradas da família e inseridas em escolas-ginásios onde recebiam, até os 16 anos, uma formação de tipo militar. É sabido que nessa altura a pedofilia não era considerada comportamento desviante, sendo prática comum entre os mestres e aprendizes.

    As transformações sociais são galopantes, nestes tempos modernos. Somos todos mais exigentes e menos tolerantes para com aqueles que apregoam a virtude.
    E em nome dos silenciados ao longo dos séculos, como aqui referiu o Val, exige-se uma igreja à altura das suas responsabilidades, e onde os responsáveis por actos ignóbeis não encontrem abrigo.

  2. Também não percebo a relação entre o celibato e a pedofilia. Afinal, a maioria dos abusadores de crianças não são celibatários. A maioria são familiares ou pessoas próximas da família das crianças. E isso sim devia ser debatido, seria o mínimo que poderíamos fazer pelas vítimas, não o fazendo a sociedade faz exactamente o que critica à Igreja: assobia para o lado. Por vezes parece-me que se está a querer fazer da Igreja o bode expiatório de um mal que nada tem a ver com agremiações sejam elas religiosas ou não. Não sou crente em nenhuma religião, não entendo a língua que falam, não percebo a necessidade de um deus para amar e para ser solidário e por aí fora, mas não concordo com este tipo de argumentos por parte de quem os pretende atacar. É tudo muito humano de facto, dentro e fora dos templos, basta ver que nos baptizámos nós próprios de sapiens. A nossa sorte (ou azar) é que as outras espécies com quem partilhamos o planeta não se riem, pelo menos, de forma a que as possamos ouvir… :)

  3. É evidente que o remédio não seria o celibato, mas o que é abjecto é a moral de toda esta história, ela é o retrato de certos aspectos a que conduziu a doutrina moral do Vaticano.
    Os padres não podem casar, nem podem assumir a paternidade de filhos que fizeram. Mas podem-se dedicar à pederastia com menores, porque com esses não se podem casar nem ter filhos.

  4. Estou de acordo com a não relação entre o celibato e a pedofilia.
    Também é verdade que os pedófilos atacam, regra geral, os que lhes estão próximos, nomeadamente os seus familiares.
    Mas já não estou de acordo quando se diz que se ataca a Igreja porque se critica a existência de padres ou bispos pedófilos.
    Se é verdade que ser pedófilo não tem nada que ver com ser ou não religioso, também me parece que é legítimo exigir aos membros da Igreja um comportamento muito mais exigente que aos restantes mortais.
    A Igreja é muito mais responsável enquanto continuar a afirmar-se como a única representante de Deus na Terra, Deus esse que é sinónimo de Amor; de Bondade; de Misericórdia; de Paz.
    Ainda que o celibato nada tenha que ver com a pedofilia – repito – talvez não fosse má ideia a Igreja deixar o Padre ser Homem, já que ser Deus é-lhe de todo impossível.

  5. não é relação entre celibato e pedofilia , é relação entre castidade “à força ” de votos antinatura e pedofilia , por serem os corpos mais acessíveis no meio onde se mexem . deixem os padres “ir de putas” que isso passa-lhes..

  6. Os padres casarem ou não, é do foro interno da igreja e não pretendo imiscuir-me .
    Um pedófilo é um criminoso que deve ser punido.

    Pq financia o Estado Português a igreja? pq permite escolas católicas, budistas, muçulmanas ou outras?
    isso sim são questões a pedir resposta e discussão.

  7. “Afinal, a maioria dos abusadores de crianças não são celibatários.”
    Estamos a falar de que maioria? Relativa, ou absoluta?
    Sendo certo que os celibatários são uma minoria infinitesimal em relação ao universo da população em geral, existe já algum estudo, estatística, enfim, algum rigor naquela afirmação? Ou é assim porque sim?

  8. jrrc, não percebi essa da maioria absoluta ou relativa. Pensei (mal) que ao dizer celibatários se percebia que estava a falar de padres, daqueles que fazem votos de castidade. A minha afirmação tem o rigor do que costumo ouvir acerca do assunto, e nunca ouvi nem li em lado nenhum que a maioria são padres. Mas se calhar o jrrc tem razão, pois na verdade não sei que raio de votos fazem os abusadores de crianças. Por exemplo, os filhos da puta que tornam possível o vastíssimo negócio da prostituição infantil. Também são pedófilos, não são?

  9. E realmente é estranho, Valupi, dado que o filho de maria foi concebido pela graça do divino espirito santo. a tua pergunta é muito boa e tenho-a andado a burilar durante todo o dia.

  10. O celibato:
    Comungo da sua opinião. Se os padres pudessem casar não evitava a pedofilia. O que podia era trazer mais homens para sacerdotes.
    Há dias ao ouvir a “Antena Aberta”, na Antena Um, o padre Rui Osório, que era o convidado esclareceu sobre o celibato que o mesmo não vinha atenuar a pedofilia. Que o facto de ele ser celibatário foi uma opção e não uma obrigação. Optou por ser padre com todas as condicionantes. Nunca por imposição. A pedofilia é praticada por homens casados e o motivo de serem casados não evita de se tornarem pedófilos.
    Estou de acordo com ele. Na minha terra conheço muitos homens, mais de cinco dezenas, que optaram pelo celibato e nunca ouvi dizer que eram pedófilos, putanheiros sim, pedófilos não. Lidei com alguns pedófilos e todos eram casados. A alguns que estavam presos por pedofilia, conhecia-lhes mais o tique de homossexuais.

  11. Em 2001 existiam 405.067 presbíteros em todo o mundo, segundo dados da igreja católica, que, na globalidade, serão celibatarios.
    Devem existir cerca 1000 000 000 de não celibatários, número sem qualquer rigor.
    Afirmar que “Afinal, a maioria dos abusadores de crianças não são celibatários” não me parece que seja proporcionalmente rigoroso.
    Porque os numeros divulgados nos ultimos tempos, referentes aos Estados Unidos, Irlanda e, mais mais recentemente, Brasil, são de tal maneira avassaladores que obrigaram a uma intervenção do Papa.
    O que eu tenho por certo é que o celibato não contribui para a diminuição de pedófilos…

  12. Não faço ideia se o celibato é decisivo para a existência de pedofilia na igreja mas sei que os padres são educados numa série de princípios que por norma honram. É raríssimo ouvirmos notícias de um padre burlão, assassino ou terrorista mas as de pedofilia chovem. Infelizmente a corrente parte pelo elo mais fraco. Os casos isolados de pedofilia parecem envolver duas certezas: ganhar a confiança das crianças e dos que lhe estão próximos e chantageá-las com promessas douradas. Ora, a igreja está na melhor situação para tirar partido desses dois factores. E tirou partido disso. Quem sabe, ainda tire. É o que sobrecarrega ainda mais nojo a esta questão. Comparável, em alguns aspectos, à utilização de crianças como mártires prometendo-lhes o paraíso e mais não sei o quê. É problema das religiões: valemos um balde de merda quando chega à altura da verdade.

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