Gordura é formosura, e política

A Tereza falou em ideologias pessoais, e estas mulheres que querem engordar são um desses exemplos.

A gordura corporal, ao arrepio da tirania mediática e médica, pode ser uma afirmação de independência, segurança, bem-estar, liberdade? Da minha experiência como observador de algumas mulheres em permanente angústia e obsessivo controlo do peso, sim. Um obeso sim.

16 thoughts on “Gordura é formosura, e política”

  1. Tive prazer em ler o comentário da Tereza que salientaste, Valupi.
    Quanto à senhora que quer engordar, cada um é livre de fazer o que quer, até de se suicidar se lhe der ganas.

  2. Cláudia, eu quero engordar. Quero muito engordar. Nem que fosse por um dia gostava de saber o que era isso de ser cheinha de carnes mas nem com um cozido ontem, uma feijoada hoje e um litro de gelado consigo que essa minha ideologia tenha resultados práticos.

    (Valupi, obrigada. Cláudia, gosto sempre de dar prazer a alguém)

  3. Entre ser tornar-se obcecado pelo peso, dominado pelos esteriótipos mirrados que por aí pululam e ser obeso vai um meio termo interessante, muito compatível com saúde a todos os níveis.

    Tereza

    Espere pelos 53! Vai ver… Depois me dirá!

    :)))

  4. mdsol, obrigada pelo raiozinho de esperança mas já não consigo acreditar. Primeiro eram os vinte, depois os trinta, depois os partos, depois os quarenta e agora, na recta descendente para os cinquenta (bolas, esta palavra tem um peso estranho…) já não acredito que um dia terei covinhas nas faces, coxas fartas e peito generoso. Não é que não me dê algum gozo os quilos a menos mas talvez por os ter invejo os gordinhos. Parecem sempre pessoas mais bem dispostas, mais dadas aos prazeres, mais libidinosas, de gargalhada mais fácil, mais bem alimentadas de vida.

  5. Mens sana in corpore sano é interessante mas parte de uma abordagem do homem, marcadamente dualista. Ajudou, num dado tempo, a justificar a necessidade de “educar” o corpo, preterido de forma assaz definitiva em relação à mente. Hoje penso que já não é preciso colocar o corpo ao serviço da mente para perceber a importância de ele – corpo – ser sujeito e protagonista da formação integral, completa, harmoniosa do ser humano. Se, através da educação do corpo, as dimensões não estritamente corporais do ser humano também ganham, tanto melhor. Afinal, somos um todo!

    Mas, isto sou eu aqui a falar depois do meu Fê Cê Pê ter levado três sequinhos, sem apelo nem agravo…

    :)))

    Tereza, vá por mim! Voz de experiência feita.

    :)))

  6. Na gíria, levar três sequinhos, quer dizer sofrer três (3) golos e não marcar nenhum! Como quem marca mais golos é quem ganha o jogo, neste caso o SLB ganhou. Logo, o FCP perdeu.

    : ((((

  7. Tereza: fartei-me de pensar num outro teu comentário, bem escrito e bonito. O que era preciuso era um novo reencantamento do mundo, por que não? Mas claro, eu sei que falar é mais fácil que fazer ainda assim é Primavera e depois Verão,

  8. Tu tens esse dom do encantamento, ou de te encantares. Eu preciso todos os dias de me lembrar de não me esquecer de olhar como se tudo fosse novo.
    Quando trabalhava em lisboa não tinha carta de condução e ia todos os dias de autocarro para o escritório. Decidi, desde o principio, que todos os dias ia fazer por descobrir uma coisa nova num percurso conhecido e todos os dias a coisa nova lá estava. nunca me desencantei com a cidade grande.

  9. é verdade que a olhar o casario ou paisagem vejo sempre como uma mistura de conhecido e novo, surpreende-me e encanta-me, fico miúdo, mas olha que foi só depois da queda e de ter ficado libertado de umas tantas coisas, como dizia o bonito rapaz Nick de 22 anitos no A linha da beleza, que exausto se encantou de olhar uma esquina, só porque estava ali,

    e agora vou ver uma casa, bem na cidade velha.

  10. Teresa,

    Quando falamos de algo que dá sentido às instituições, estamos invariavelmente a falar do colectivo, e o colectivo não é o somatório do meu tempo, do teu tempo e do tempo do outro. Ele é único, e pelo contrário, a nossa individualidade é quase sempre atingida pela acção do colectivo.

    Repara, neste momento, nós, portugueses, vivemos exactamente “no meio do olho do furacão”, numa suposta crise financeira para a qual não contribuímos. Contudo, e porque o tempo dos outros é o mesmo que o nosso, cá estamos nós a viver o mesmo drama que vivem os outros países.

  11. A data é a mesma, estamos todos em Março de 2010, mas o tempo não é igual para todos. Também por isso os desencontros podem ser mais profundos e dolorosos.

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