PCP e BE não têm qualquer dúvida a respeito do acerto das suas propostas. Cada um destes partidos considera ter toda a razão do seu lado, ter todas as soluções para todos os problemas, e só vê à sua volta estúpidos ou trafulhas, trafulhas estúpidos e estúpidos trafulhas. Ora, como irão eles explicar a eles próprios, nem que seja apenas nesses introspectivos momentos ao deitar os cornos na palha para dormir, a preferência de quase 80% do eleitorado pela troika que tanto diabolizaram, ao ponto de nem sequer terem ido lá dizer umas verdades aos camones? E aquela cena do Paulinho das feiras e da lavoura ter, sozinho, tantos deputados como os imbecis juntos? Também teria muita graça ouvir umas explicações a respeito, e não me importo de esperar.
Será que foram alvo de censura e a mensagem não pôde chegar à sociedade? Será que não têm quadros e recursos humanos suficientes para preencherem os espaços mediáticos à disposição? Será que são trapalhões e não conseguem dizer duas palavras seguidas numa sintaxe que se entenda? Que se passa de errado com estes santos da pureza ideológica, estes mestres da superioridade moral, estes génios da economia libertadora? Ou será o povo que não presta?
A arrogância intelectual que é apanágio dos bacanos alérgicos ao capitalismo não nos irá falhar e, em breve, teremos mirabolantes justificações que vão fazer muito bem ao fígado. O nosso.

