Arquivo da Categoria: Valupi

Rir é o melhor remédio

PCP e BE não têm qualquer dúvida a respeito do acerto das suas propostas. Cada um destes partidos considera ter toda a razão do seu lado, ter todas as soluções para todos os problemas, e só vê à sua volta estúpidos ou trafulhas, trafulhas estúpidos e estúpidos trafulhas. Ora, como irão eles explicar a eles próprios, nem que seja apenas nesses introspectivos momentos ao deitar os cornos na palha para dormir, a preferência de quase 80% do eleitorado pela troika que tanto diabolizaram, ao ponto de nem sequer terem ido lá dizer umas verdades aos camones? E aquela cena do Paulinho das feiras e da lavoura ter, sozinho, tantos deputados como os imbecis juntos? Também teria muita graça ouvir umas explicações a respeito, e não me importo de esperar.

Será que foram alvo de censura e a mensagem não pôde chegar à sociedade? Será que não têm quadros e recursos humanos suficientes para preencherem os espaços mediáticos à disposição? Será que são trapalhões e não conseguem dizer duas palavras seguidas numa sintaxe que se entenda? Que se passa de errado com estes santos da pureza ideológica, estes mestres da superioridade moral, estes génios da economia libertadora? Ou será o povo que não presta?

A arrogância intelectual que é apanágio dos bacanos alérgicos ao capitalismo não nos irá falhar e, em breve, teremos mirabolantes justificações que vão fazer muito bem ao fígado. O nosso.

Doentio

Interrogado sobre o que quis dizer com a expressão “não há cura para aquele que não quer ser curado” que proferiu esta manhã no discurso que fez na sessão solene na Câmara Municipal de Castelo Branco, Cavaco Silva recordou tratar-se de uma frase de um médico célebre do século XVI, João Rodrigues de Castelo Branco, o Amato Lusitano.

“Eu espero que nós queiramos ser curados e que sejamos capazes de responder aos desafios que temos à nossa frente”, sublinhou o chefe de Estado, que falava aos jornalistas à entrada para um almoço no Conservatório Regional de Castelo Branco, inserido no programa de comemorações do 10 de Junho.

Frisando que acredita que os portugueses querem curar a “doença” que neste momento os afecta, o Presidente da República explicou que essa “doença” é “o grande desafio de responder aos desafios que foram colocados pela comunidade internacional”.

Fonte

Vamos lá a saber

Se substituíssemos os cinco partidos que têm ocupado invariavelmente o Palácio de S. Bento desde 1999 por três outros novinhos a estrear – o Partido da Esquerda, o Partido do Centro e o Partido da Direita – ficaríamos pior? Aliás, perderíamos alguma coisa?

É que esta disfunção sistémica em que à esquerda não é possível formar coligações para governar, porque PCP e BE são os auto-proclamados proprietários do povo, da felicidade e dos famélicos e não admitem misturas com a alteridade ideológica, está-nos a fazer muito mal e não vai desaparecer tão cedo. Os imbecis querem continuar a vender demagogia para imberbes e caducos, revolucionários e nefelibatas, até que o Inferno gele ou o capitalismo arda, o que acontecer primeiro.

Porque é que não fazem greve às eleições e deixam o Parlamento entregue aos imperialistas? Seria a forma mais rápida para testar as profecias de Marx e, caso sejam verdadeiras, em pouco tempo o proletariado daria a volta a isto. Assim, insistindo em ir para a Assembleia da República dizer coisas, mas nem fodendo nem saindo de cima, quem se lixa é a dialéctica.

Politeia

Não sou militante nem simpatizante do PS, por isso, num certo sentido, estou a marimbar-me para a escolha do próximo Secretário-Geral. Mas, como apaixonado pela política, tenho um receio e uma esperança. Receio que ganhe quem fez oposição interna nos últimos anos apenas na perspectiva do proveito pessoal com vista ao seu futuro. Receio que ganhe aquele que foi um dos principais promotores dentro do PS da candidatura Alegre, oferecendo de bandeja a vitória a Cavaco e desgastando ainda mais o Governo e o partido. Receio que ganhe esse molusco que não defende a honra dos seus camaradas. E espero que ganhe um Francisco Assis cuja liderança parlamentar o projectou para a exposição máxima com o consequente máximo proveito para o partido e para a cultura democrática.

Assis, que até calha ser licenciado em Filosofia, pode muito bem vir a ser o Platão de Sócrates.

Pitagorismos


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O electrão foi medido no Imperial College London, ao longo de mais de 10 anos, e os resultados apontam para a sua quase perfeição esférica. É tão redondo que, usando uma analogia, caso fosse aumentado para o tamanho do sistema solar (portanto, para a dimensão da circunferência imaginária que se forma no limite da órbita de Plutão – ou lá perto – tendo o Sol no seu centro), a sua irregularidade seria inferior à largura de um cabelo humano. Eis o que está a faltar para a esfericidade absoluta: 0.000000000000000000000000001 cm.

Tem isto algum significado? Tem. Aquele que lhe queiras dar.

Granadas contra a estupidez e a pulhice

Henrique Granadeiro é um dos príncipes encantados da sociedade, num percurso imaculado desde os origens humildes até ao estrelato com o sucesso da PT, passando pelo brilhantismo como estudante e a travessia, começada em 1968, de inúmeros cargos de superior prestígio executivo e administrativo. Como se fosse pouco, ainda junta a este notável currículo o bom gosto de não ter perdido por completo a pronúncia (no caso, alentejana) e a raça de gostar de touradas – sim, são preferências minhas: pronúncias, cavalos, touros e forcados.

Ontem foi entrevistado na RTP-N e, como é tão frequente, o resumo vídeo disponibilizado corta a melhor parte. Nela, Granadeiro fez a mais lúcida e sucinta análise do que nos levou até esta reviravolta à direita com direito a Presidente, Governo e maioria. Começámos a definhar com o desmantelamento dos aparelhos produtivos por imposição da entrada na CEE/União Europeia a troco de fundos e apoios europeus. Seguiu-se o período de ajustamento ao Euro e consequente baixo crescimento. Veio a crise económica, de seguida o ataque ao Euro, e a Europa não soube o que fazer, tendo falhado na defesa dos países mais fracos – os quais, por sua vez, já não tinham meios para produzirem certos bens essenciais que importavam. Entretanto, em Portugal o ano de 2009 foi passado em eleições, três e separadas no tempo, o que dificultou e adiou a tomada de decisões. Seguiu-se 2010 e a preparação para as eleições presidenciais, novamente dificultando e adiando a estabilização necessária para se tomarem as medidas adequadas. Na sua opinião, o País tinha sido colectivamente irresponsável por se ter deixado condicionar disfuncionalmente pelos ciclos eleitorais; os quais chegou a propor, ao tempo, que fossem reduzidos por via da junção das três eleições de 2009 na mesma consulta.

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Política de verdade

Há uma contradição insanável na estratégia seguida pelo PSD para estas eleições. Por um lado, posicionaram-se mais à direita do que alguma vez se tinha visto no terreno dos social-democratas. O que tem os seus inegáveis méritos, vários. Por outro, fizeram da campanha um plebiscito a Sócrates. O que tem os seus inegáveis riscos, muitos. Isso significa que levam para o Governo ideias que nem sequer foram do conhecimento daqueles que apenas queriam castigar a governação e derrotar o PS. Que farão estes tão díspares grupos de linchamento quando acordarem para a vida? Acresce que deixou de existir um contrapeso constitucional ao Governo, pois em Belém está um aliado, e cúmplice maior, do plano cujo contra-intuitivo sucesso por pouco deixou escapar a maioria absoluta para o PSD.

Passos Coelho não desperta nenhum entusiasmo nem dá confiança. Bem ao contrário. O percurso, desde a mentira do telefonema de Sócrates até ao último fim-de-semana de campanha e ataque ao Pacheco à mistura com a adesão às declarações de Ferreira Leite, foi circense – mas de um circo onde o palhaço mete medo e o leão dá vontade de rir. Porém, ninguém na direita está preocupado. Passos continuará a fazer o que lhe mandarem. E quem manda, já manda nisto há muito e muito tempo.

Neste quadro, o PS permanecerá o garante partidário do regime democrático. O fanatismo e sectarismo do PCP e BE – partidos que não podem abdicar da cartilha alienada e alienante sob pena de desaparecerem – mudarão os trapos com que se embrulham mas continuarão a cheirar mal. Muito mal.

O resgate dos paquistaneses

Em recentes declarações, Luís Amado explicou a razão de ser da (para mim) estranha campanha do PS. Segundo ele, e talvez representando os principais dirigentes socialistas, a partir do momento em que viria o resgate financeiro deixava de ser possível manter um mínimo de identidade ideológica num eventual Governo socialista, sob pena de se criarem ainda maiores tensões e erosão no partido. Aqueles que tinham querido essa solução que tratassem de aplicá-la. Assim, um ciclo tinha ficado necessariamente fechado com o chumbo do PEC4.

Este raciocínio é coerente com tudo o que vimos acontecer desde o congresso, passando pela elaboração do programa eleitoral do PS, e ainda oferece o bónus de explicar o número castiço dos bacanos de turbante, de repente transformados numa peça crucial de uma campanha sui generis.

Capturas

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Os ministros dos Negócios Estrangeiros são particularmente vulneráveis à actuação de serviços secretos estrangeiros e de governos estrangeiros, com chantagens de todo o tipo.

Fonte

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O pior de todos os erros cometidos pelo PS, determinante de muitos outros, foi ter guinado à direita, a pretexto de desideologizar a acção política. Um caminho que facilitou a captura por interesses, designadamente do sector financeiro. Bem basta que eles estejam sempre a postos para infiltrar os partidos do poder… não convem escancarar-lhes a porta.

Fonte

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Ana Gomes descreve um país onde a Justiça não funciona, onde os Governos são pervertidos pelo sector financeiro e onde os governantes se sujeitam a devassas e chantagens por parte de organismos policiais estrangeiros. É um cenário de guerra, talvez de apocalipse. Por essa mesma razão, o repúdio pelas insinuações caluniosas que deixou contra um futuro ministro, e actual dirigente partidário, não pode ser maior.

Que tem feito Ana Gomes, além de emitir declarações avulsas e sazonais, para informar o público destes casos em que reclama ter conhecimento acima da suspeita? Que se saiba, nada. Nem sequer um blogue, ou uma página no seu blogue, foi capaz de criar para o efeito. Resultado: a sua inteligência foi capturada pelas emoções. Perde a cidadania e a sua credibilidade.

Algo não bate certo nesta história – que será?

No dia 20 de Outubro de 2010, quarta-feira, pelas 18h30m, foi apresentado o livro Os Donos de Portugal – 100 anos de poder económico (1910-2010), da autoria de Jorge Costa, Luís Fazenda, Cecília Honório, Francisco Louçã e Fernando Rosas.

No dia 23 de Março de 2011, quarta-feira, pelas coiso e tal, o BE aliou-se aos partidos que defendem os interesses dos Donos de Portugal para correr com aquele, o único, que lhes fazia frente e os assustava ao ponto de terem utilizado todos os meios, só faltando o militar, para o derrubar, castigar, anular e apagar.

No dia 5 de Junho de 2011, domingo, pela noitinha, os Donos de Portugal celebravam à gargalhada o sucesso do plano que lhes tinha entregue o poder absoluto para os próximos anos e faziam brindes onde os nomes Louçã e Jerónimo eram aclamados em delírio.

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

Recent Financial Crisis Rooted in Politics of Creditworthiness, New Study Contends
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New Website Puts Focus on Metal Theft, a Serious but Underexplored Global Crime Problem
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How Beliefs On Global Warming Are Mistakenly Influenced By Daily Temperature
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Depression: Not Just for Adults
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Color Red Increases the Speed and Strength of Reactions
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Study Links Empathy, Self-Esteem, and Autonomy With Increased Sexual Enjoyment

Para que queres uma boca tão grande, crocodilo?

Independentemente da distorção nos cadernos eleitorais causada pela ineficiência com que são actualizados – e cuja causa para tal será sórdida e a merecer intervenção urgente das autoridades – levando a valores de abstenção hipertrofiados, estas eleições legislativas registaram uma baixíssima participação face às graves incógnitas do momento económico, social e político. O problema da elevada abstenção discute-se em Portugal desde os anos 90, ou até finais de 80, passada a efusiva participação no período após o 25 de Abril e a progressiva constatação do fenómeno. Há várias explicações ao dispor nas ciências sociais, descrevendo e ilustrando a inevitabilidade de tal afastamento eleitoral dos cidadãos nas sociedades que vão amadurecendo o seu regime democrático, mas há também um peculiar factor que teve influência decisiva neste 5 de Junho: a promoção, nalguns casos com consequências epidemiológicas, de uma cultura populista anti-políticos e anti-partidos.

Quem alimentou esses sentimentos de ódio e pulsões pessimistas, destrutivas e catastrofistas estava na oposição à direita, tendo obtido o apoio passivo e activo da oposição da extrema-esquerda. O objectivo foi o de sempre: desgastar e boicotar o Governo apenas porque… era o Governo! Manter elevado o estado de insatisfação popular surgia como o mínimo dos mínimos – ou a essência mesma – do que estes partidos consideravam dever ser o exercício opositor. Ao mesmo tempo, porque nem tudo é racional embora seja racionalizável, a liderança reformista e carismática de Sócrates ia acumulando inimigos e desvairados desejos e juras de vingança. O caldo de ódio que se despejou na multidão também embriagava os cozinheiros, cada vez mais catatónicos na sua imobilizadora impotência e nos frenéticos delírios conspirativos e persecutórios. No pináculo desta vaga raivosa, e num assomo de irresponsabilidade demente, assistimos boquiabertos ao espantoso momento em que um Presidente da República, no Parlamento e em acto solene de investidura, maldisse a classe política, pediu suspeitos sobressaltos cívicos e legitimou uma manifestação que tinha nascido envolta em ambiguidades várias que sugeriam o repúdio radical dos partidos e do regime, a qual se temia pudesse originar actos de violência.

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Parabéns, Isabel!

A Isabel Moreira foi eleita para o Parlamento, como independente nas listas do PS por Lisboa. Sem qualquer desprimor para com os restantes deputados de todos os partidos, a quem devemos agradecer à partida a entrega das suas melhores competências para nos representarem na sede da democracia, é óbvio que a Assembleia da República acaba de fazer uma excelente contratação.

Sorte a nossa, felicidades para ela.

O bom amigo da direita

Nunca vimos um Louçã tão à rasca como aquele que veio anunciar não se sabe o quê no discurso da varridela do BE, tal como a Joana Amaral Dias tinha profetizado. E deixou esta frase:

Quero dizer aos nossos amigos e adversários que se aprende sempre mais com as derrotas do que com as vitórias.

A minha curiosidade não consegue ser maior: que poderá esta mula megalómana aprender?

Não estará na altura de mudar qualquer coisinha?

O líder do PCP considerou que a CDU obteve um resultado que «constitui uma inequívoca consolidação da expressão eleitoral que nos últimos anos vem registando».

«Este resultado representa um factor de estímulo, mas também de reforço daquela força que se assume como a mais sólida, coerente e determinada na defesa dos direitos dos trabalhadores, juventude e interesses populares.»

Fonte

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Jerónimo declara-se estimulado por constatar que o PCP está cada vez mais na mesma. E estar na mesma implica manter aquela força que se assume como a mais sólida, coerente e determinada na defesa dos direitos dos trabalhadores, juventude e interesses populares abaixo dos 8% e bem atrás dos partidos que atacam esses direitos e espalham desgraças às pazadas. Ora, que leva o bom Jerónimo, e magníficos camaradas, a querer que os trabalhadores, a juventude e os interesses populares tenham tão fracos defensores e representantes? Já agora, valia a pena pensar nisto, como diria o padre Dâmaso.

Entretanto, o PCP averbou mais uma grande vitória: conquistaram um deputado em Faro, coisa que não acontecia há 20 anos. Ena! Viva! Uau! Isso, para além de assinalar o iminente fim do capitalismo, são péssimas notícias para a troika, a qual já não pode ir descansada a banhos aos Algarves. De Vila Real de Santo António ao Cabo de São Vicente, Jerónimo promete que agora é que a luta vai aquecer. Em especial, no Verão.