O resgate dos paquistaneses

Em recentes declarações, Luís Amado explicou a razão de ser da (para mim) estranha campanha do PS. Segundo ele, e talvez representando os principais dirigentes socialistas, a partir do momento em que viria o resgate financeiro deixava de ser possível manter um mínimo de identidade ideológica num eventual Governo socialista, sob pena de se criarem ainda maiores tensões e erosão no partido. Aqueles que tinham querido essa solução que tratassem de aplicá-la. Assim, um ciclo tinha ficado necessariamente fechado com o chumbo do PEC4.

Este raciocínio é coerente com tudo o que vimos acontecer desde o congresso, passando pela elaboração do programa eleitoral do PS, e ainda oferece o bónus de explicar o número castiço dos bacanos de turbante, de repente transformados numa peça crucial de uma campanha sui generis.

6 thoughts on “O resgate dos paquistaneses”

  1. ah , percebi :aumentaram o defice ” pq quiseram” e agora perderam “pq quiseram”. tá bem. é o que se chama de poscampanha coerente.

  2. Também assim o entendi. Não seria possível fazer aceitar ao partido tamanha austeridade, privatizações, revisão da lei laboral, aumento do IVA, etc, etc.
    Além disso, Sócrates tinha dito que não governava com o FMI e essa frase ficou no ouvido de muita gente. E não tenho dúvidas de que a disse convictamente, conhecendo-o nós… Por isso, também eu já aqui disse que a maior parte das pessoas não militantes que votou PSD ou PP o fez com base na ideia de que quem quis a vinda da troika devia agora liderar o processo. So be it! And good luck.

  3. Mas quem disse que aumentaram o défice pq quiseram?
    Enfim, nunca Sócrates escondeu que não queria ter pedido a ajuda do FMI, disse-o repetidas vezes antes da entrada do FMI e depois da entrada do FMI, não queria governar com eles e o que resulta do pedido de ajuda ao FMI vai tão contra aquilo que o PS defende que estas palavras não são uma surpresa.

  4. Ao aceitar a reeleição no Congresso, Sócrates teve bem presente o que a direita e o PCP disseram de Guterres: fugiu!
    Assim, os reaças de esquerda e direita foram obrigados a vê-lo cair de pé e com dignidade.
    E agora que descasquem o abacaxi que encomendaram ao mercado externo. Esses patriotas de meia-tigela preferiram o produto estrangeiro~ao nacional. Aí o têm para consumo e aumento da dívida externa.

  5. Tenho pena que Luís Amado não queira pegar no PS pois seria uma mais-valia para o País. O que ele diz tem muita verdade e muita estratégia por trás. Quem armou a tenda que faça a feira.

  6. Obrigada pelo link para a entrevista de Luís Amado, ele chama a atenção para uma realidade que não podemos ignorar: a interacção entre o que se passa em Conselho de ministros da UE, no PE e depois nos governos de cada país e sobretudo numa parte importante das políticas que aplicam. A minha esperança é que a tendência mude a prazo, ou seja, que a alternância democrática comece a funcionar noutros países (Itália, Alemanha…) e comece a inverter a relação de forças. Isso terá grande impacto no nosso país. O governo de Sócrates, assim como o de Zapatero e agora o de Papandreou está a remar contra a maré, e que maré. Não significa isto que se devam desistir mas é um elemento a ter em conta. A crise que o euro atravessa também evidencia o avançado nível de integração que já existe e como a vontade de ignorá-lo tem consequências graves. Doravante, seria bom que acompanhássemos mais o que se passa noutros países, quem governa, como o faz, etc

    Agora, como diz Teófilo M. “quem armou a tenda que faça a feira”. Ainda assim, felizmente foram representantes do governo cessante que negociaram o acordo com a troika, nem quero imaginar o que teria sido se fosse já o futuro governo.

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