Granadas contra a estupidez e a pulhice

Henrique Granadeiro é um dos príncipes encantados da sociedade, num percurso imaculado desde os origens humildes até ao estrelato com o sucesso da PT, passando pelo brilhantismo como estudante e a travessia, começada em 1968, de inúmeros cargos de superior prestígio executivo e administrativo. Como se fosse pouco, ainda junta a este notável currículo o bom gosto de não ter perdido por completo a pronúncia (no caso, alentejana) e a raça de gostar de touradas – sim, são preferências minhas: pronúncias, cavalos, touros e forcados.

Ontem foi entrevistado na RTP-N e, como é tão frequente, o resumo vídeo disponibilizado corta a melhor parte. Nela, Granadeiro fez a mais lúcida e sucinta análise do que nos levou até esta reviravolta à direita com direito a Presidente, Governo e maioria. Começámos a definhar com o desmantelamento dos aparelhos produtivos por imposição da entrada na CEE/União Europeia a troco de fundos e apoios europeus. Seguiu-se o período de ajustamento ao Euro e consequente baixo crescimento. Veio a crise económica, de seguida o ataque ao Euro, e a Europa não soube o que fazer, tendo falhado na defesa dos países mais fracos – os quais, por sua vez, já não tinham meios para produzirem certos bens essenciais que importavam. Entretanto, em Portugal o ano de 2009 foi passado em eleições, três e separadas no tempo, o que dificultou e adiou a tomada de decisões. Seguiu-se 2010 e a preparação para as eleições presidenciais, novamente dificultando e adiando a estabilização necessária para se tomarem as medidas adequadas. Na sua opinião, o País tinha sido colectivamente irresponsável por se ter deixado condicionar disfuncionalmente pelos ciclos eleitorais; os quais chegou a propor, ao tempo, que fossem reduzidos por via da junção das três eleições de 2009 na mesma consulta.

O que disse é aferível por qualquer um e decorre do mais vulgar bom senso. Mas podemos, e devemos, acrescentar o que se passou após as eleições legislativas de 2009. Todos os partidos da oposição se regozijaram por terem acabado com a maioria PS e todos se recusaram a ser parte da solução governativa. Disseram que preferiam a instabilidade parlamentar para manterem permanente a ameaça de chantagem e derrube do Governo. Já de saída e tornando impossível qualquer solução de bloco central, Ferreira Leite garantia viabilizar o Orçamento para 2010 por estrita necessidade de aguentar a situação política até à reeleição de Cavaco. Também apostava na vitória de Rangel, mas Passos serviu igualmente os propósitos de Belém, tendo apoiado a estratégia. Por isso, apesar da encenação, aprovou o Orçamento para 2011 sabendo que ele não ia ter mais do que três meses de vigência. Estava em causa levar até ao fim um plano que, com a ajuda do BE e PCP, correu às mil maravilhas para a direita do Cavaquistão.

Talvez algum dia alguém interrogue os dirigentes partidários que ocuparam o País na primeira metade de 2010 com comissões de inquérito a temáticas tão esdrúxulas como a liberdade de expressão – ou a tentar criminalizar um Primeiro-Ministro recorrendo a escutas ilegítimas e irrelevantes a propósito de algo que nem sequer existiu, quando podiam a qualquer momento ter derrubado o Governo ou entrado em negociações fosse lá para o que fosse – e lhes perguntem se estão satisfeitos com o contributo que deram nesse tempo para a resolução de algum problema. Um só que seja.

7 thoughts on “Granadas contra a estupidez e a pulhice”

  1. isso será uma visão futura do que se passou, apesar dos gajos já terem contratado historiadores como testemunhas de defesa. hoje é mais pão e circo em belém

  2. E nem se compara, um Senhor, com o pulha ressabiado do dia anterior, no mesmo espaço informativo. Aquele de quem valerá a pena recordar o que em 2001 chamou a Catroga (mentiroso, oportunista…) quando foi da privatização do BPA (2ª fase), quando o ressabiado Belmiro queria mais, para vender depois, como vendeu o que já tinha… aos espanhóis.

  3. Além do mais, esteve, desde muito novo (primeiro, ajudado por…) ligado à Fundação Eugénio de Almeida de Évora, que produz, provavelmente um dos melhores vinhos tintos do mundo, o Pera Manca e tem uma Galeria de Arte (mesmo no Centro Histórico) que se recomenda pelo Acervo de que são proprietários.
    Tem, ainda, uma dimensão humana (provadíssima no processo de separação com a mãe dos filhos, a jornalista Margarida Marante…) que o recomenda, como você bem o sublinhou, como um dos poucos “aristoi” e “príncipe” da nossa comunidade.

  4. Vi e ouvi toda a entrevista do Granadeiro. É pessoa que sem se comprometer com quem quer que seja, é isenta, sensata e procura analisar os problemas de forma ponderada. Comparar isto com o merceeiro do Belmiro que não sabe juntar 2 palavras e muito menos falar (o dinheiro não resolve tudo), que é um mal educado, um sem vergonha é como comparar a Feira de Castro com o olho do cu.
    É um sujeito pouco digno (para não dizer outra coisa) que não compreende (e como o poderia fazer com aquele cérebro?) que quando se ofende alguém com palavras pouco dignas, com insinuações, está-se a abrir a porta para que o outro ou alguém por ele lhe chame de filho da puta para cima. Este merceeiro parece-me um daqueles doutro tempo que não sabiam ler nem escrever. Mas este até parece que sabe, pelo menos não parece analfabeto (embora com muitas dificuldades na formação das frases)
    Mas isto é a gentalha que este país tem. Podemos mudar de governo, mas neste caso, se fosse possível eu preferia mudar de povo.

  5. Gostei de ouvir a sua opinião sobre a baixa da TSU e as suas implicações na PT. Qual os destinos dos ganhos? Resultados da exploração ou “A la poche” dos accionistas. À atenção do portuguesito e do PPC futuro PM.

  6. Os Partidos da maioria “esquerdo-direita 1-2” parlamentar de 2010 conseguiram resolver um único e enorme problema mas para eles próprios: afastar do Poder José Sócrates e o P. S. (um pequeno passo em frente para eles, um grande salto atrás para Portugal).

  7. O PC e o Bloco não perceberam que fizeram um pacto com o Diabo.
    Ao ignorarem as campanhas sujas dos Média (forjadas a mando do Belmiro e do Balsemão)que já vêm do tempo do caso Casa Pia, na esperança de sugar votitos ao PS, assinaram a sua sentença. Ao invés de acordos pontuais e realistas com Sócrates, consolidando a força possível da Esquerda num País de fachos servis e saudosistas, preferiram aceitar um efémero tempo de antena que culminou na maior vitória da Direita desde que há memória.
    Não é preciso ser bruxo para deduzir que, a partir de agora, a sua vózinha mesquinha e calculista (inclui sindicatos) irá gradualmente desaparecer do espaço mediático. Pois na mente de um Povo tristemente ignorante e mal informado: Quem não aparece,…
    não existe.
    Eu tenho a consciência limpa. Apesar de (tenho a certeza)ter um ideal mais esquerdista do que a maior parte destes PCs e Bloquistas,…VOTEI PS.

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