«[...] Sobre o processo Marquês, que a negligência do Ministério Público fará com que a condenação por corrupção de um primeiro-ministro se tenha apenas feito no tribunal da opinião pública?»
Sou fã do Pedro. E continuarei a ser. Se ele vier a entrar na política como candidato partidário, de algum partido existente ou a inventar, essa será uma excelente notícia para a comunidade. Mas aqui está um exemplo onde os pés de barro da sua defesa da liberdade aparecem desnudos. O Pedro, realmente, acha que Sócrates cometeu crimes de corrupção. Quando? Onde? Como? Com quem? A que troco? Isso já não diz nem conseguiria dizer. Está sozinho nesta crença? Não, ao contrário. Não há estudos, que saiba, mas o número de pessoas que se mantém agnóstica quanto à culpa de Sócrates por corrupção face à acusação do MP talvez não chegasse para puxar uma carroça. E há normalidade nisso, é um fenómeno inevitável.
Entretanto, a corrupção institucional do Ministério Público e de alguns juízes é tão grande que talvez já tenha abolido o Estado de direito democrático por inteiro. O sistema político assiste cúmplice aos abusos e crimes de magistrados. O bom povo nem liga pevide. Também muito, se não for decisivamente, pela anfibologia moral que conseguiu envenenar os melhores da cidade. Como o Pedro.
Como o Pedro que participa num programa televisivo de crítica política onde o que se passou nesta semana com Ivo Rosa foi remetido para uma “nota” de um minuto só de um dos participantes. E onde o que se passou com Rosário Teixeira num tribunal e com João Massano num microfone ficou totalmente apagado. Mete pena.