Marrocos Norte

Aposto que, se alguém interrogasse Angela Merkel sobre o encerramento da fábrica de ursinhos de peluche de Oleiros e a sua reabertura na Tunísia, ela responderia que os portugueses têm de aceitar a redução de salários, caso contrário é isto que acontece. Para bem dela, seria bom que tal resposta fosse dada longe da multidão…

O Gaspar, apesar de se dizer ofendido por aqueles que o acusam de não estar a defender os interesses de Portugal, concordaria certamente. Mas é um forte candidato a urso. Infelizmente dos que ficam. A via dos baixos salários é um engano: há sempre um país perto de si com mão-de-obra mais barata. Até a China já “deslocaliza” para o Vietname.

É mesmo verdade: pulhas e chungosos encheram os bolsos com o Freeport

Freeport: o tempo em que as notícias corriam atrás dos jornalistas…

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Como apontamento de reportagem, lembrar que a equipa de jornalistas ao serviço da madama Moniz era um vero albergue espanhol, juntando reaças e comunas numa caçada desvairada e febril a Sócrates. Constituía um microcosmo da realidade nacional, onde víamos outras exibições públicas de entusiástica estima entre cripto-salazaristas e cripto-estalinistas. Alguns foram recrutados pelo dr. Relvas para ajudarem este Governo a chegar lá, a esse além-Troika sonhado. Numa versão simultaneamente mais inócua e mais estouvada, apareceu Bagão Félix a propor um Governo de coligação PSD-CDS-PCP em nome do derrube e ostracização de Sócrates. Valia tudo, pois, só tendo ficado por explicar que pastas o Bagão estava disposto a entregar à Soeiro Pereira Gomes – embora o Ministério dos Sindicatos e o Ministério das Manifestações fossem fortes candidatos a entrarem na história da governação em Portugal.

E ainda dizem que a direita não tem alternativas

Espanta-me a falta de curiosidade dos jornalistas em relação a algumas matérias. A Ferreira Leite apresenta uma alternativa para resolver os nossos problemas, desta vez sem ironia, e não tentam saber mais? Por exemplo, quando é que descobriu que a democracia não serve para resolver problemas complexos? Antes ou depois de ter exercido cargos governativos? Será que está a tentar justificar o desastre que foi a sua passagem pelo Ministério das Finanças? Mas a senhora não se ficou por aí, mais tarde, foi eleita líder do PSD, candidatou-se a eleições e correu sérios riscos de ser eleita primeira-ministra. Ora, nem é preciso perguntar-lhe, sabemos que, nessa altura, já via a democracia como um empecilho. Então, candidatou-se para quê? Para resolver os complexos problemas do País não foi. Será que foi para impedir que uns quantos democratas lhe estragassem a teoria? Ou foi simplesmente porque lhe soava bem o ‘primeira-ministra’ antes do nome?

E, uma vez que o assunto parece ser para levar a sério, a questão dos seis meses de suspensão também levanta algumas dúvidas. Todos sabemos que os problemas complexos são como as ervas daninhas, mal se resolvem uns aparecem logo outros. Se calhar também acaba por ser muito complexo estar a suspender a democracia por uns meses, de seguida retomá-la, e, passados quinze dias, estar a suspendê-la novamente. Por favor, peçam lá à senhora para desenvolver.

O discurso de Ferro Rodrigues no encerramento do debate orçamental: sem mácula

Senhora Presidente, Senhor Primeiro Ministro, Senhoras e Senhores Membros do Governo, Senhoras e Senhores Deputados:
Terminada a discussão do Orçamento de Estado para 2013, estamos em condições de avaliar como evoluiu o país após quase um ano e meio desta governação. Decorrido que está um terço da presente legislatura, a situação é clara:
O desemprego cresceu muito acima do previsto pelo Governo. Os mais jovens e qualificados emigram a um ritmo sem paralelo nos últimos 50 anos. O crédito malparado das famílias e a insolvência de empresas aumenta todos os dias. A recessão económica não apenas se prolonga como se agrava.

Da invenção colossal que foi o suposto desvio que se tentou imputar à execução orçamental de 2011, passámos à cruel realidade de um colossal e efetivo desvio na execução orçamental de 2012. Um desvio provocado, em larga medida, exatamente pelas medidas recessivas que foram tomadas.

No défice, através da violência do esforço acrescido que foi exigido, não só não está a ser cumprida a meta traçada como não houve consolidação real das contas públicas. Na dívida, tanto a pública como as privadas, não há desalavancagem na economia, porque em percentagem do PIB em vez de diminuírem, aumentam e significativamente.

O resultado não podia ser mais preocupante e devastador. A situação económica agrava-se. O desespero toma conta de muitas famílias. E ouvir o Governo garantir aos portugueses que estamos muito melhor do que há um ano atrás não pode ser motivo de regozijo. Só de extrema preocupação. É uma afirmação mais típica de aprendizes de feiticeiro, que de estadistas.

Na verdade, os sucessos que têm sido apregoados no esforço de ajustamento não passam de falsos êxitos.

Um exemplo:
O défice da balança comercial. Mas como é que se pode falar em sucesso se as exportações embora melhorando quotas estão a evoluir menos bem do que em anos anteriores? Se o que permite o equilíbrio é, na verdade, o completo colapso das importações, em linha com o poder de compra das famílias, que foi dizimado? Como é que se pode falar em sucesso, se as importações que deixaram de se fazer incluem bens de equipamento, tecnologia, matérias-primas essenciais para as empresas criarem valor na economia portuguesa? Que futuro, que sustentabilidade tem este suposto equilíbrio comercial?
Outro exemplo:
O suposto e propagandeado grande êxito que seria o renovado acesso aos mercados. Como é que se pode falar em sucesso quando aquilo que se sabe hoje é que houve uma enorme conversão de dívida pública externa para dívida interna, através dos bancos portugueses, alguns deles intervencionados.
Em suma, como é que se pode falar de sucessos quando estes são apenas retórica falaciosa, propaganda e camuflagem. A única coisa que é cada vez mais clara é que em vez de estarmos a avançar na direção pretendida, em vez do ajustamento e consolidação que foram prometidas, estamos a ser empurrados por esta maioria em direção ao abismo.

Senhora Presidente, Senhor Primeiro Ministro, Senhoras e Senhores Membros do Governo, Senhoras e Senhores Deputados

A 5a avaliação da troika foi uma oportunidade perdida.
Beneficiámos das decisões europeias sobre maior intervenção futura do BCE. Mas, mesmo com melhores perspetivas para os juros do financiamento, a troika impôs a Portugal novas medidas de austeridade porque estamos longe, de todas as metas, e o Governo português não tirou partido das novas posições do FMI sobre os efeitos perversos da austeridade.
Na verdade, Senhoras e Senhores Deputados, quando se exigia objetividade, frontalidade e verdade, o Governo ficou-se por um acordo de falhados com a Troika. Um acordo fabricado com base em falsas premissas, falsos êxitos e mistificação da nossa real situação.

E a nossa real situação já é clara para o país: um ano depois de uma receita de troikismo radical, era altura de refletir e de mudar. Mas em vez de admitir os fracassos, o Governo escolhe o caminho mais fácil: para sobreviver politicamente, insiste num caminho que já provou ser suicidário.

A desorientação do Governo numa altura tão crucial é da maior gravidade. A preparação caótica do Orçamento que aqui foi apresentado é disso prova.

Os avanços e constantes recuos. As contradições. As incoerências. O desistir de governar de acordo com o programa que apresentaram aos portugueses. A rutura de todos os consensos sociais e políticos, afrontando os parceiros sociais.

A pantomima lamentável que foi todo o episódio da TSU.

Senhoras e Senhores deputados, um ano e meio depois, o que temos é um governo dividido e sem credibilidade. Um governo que alienou os consensos políticos e sociais. Que faz exatamente o contrário do que prometeu fazer. Que falha previsões atrás de previsões, metas atrás de metas. Que compromete não apenas os padrões mínimos de bem-estar social mas também a própria economia. E que se prepara para fazer ainda pior: repetir uma receita que já fracassou. E que portanto só pode fracassar ainda mais, com mais força, com consequências mais graves.

O PS tem avisado: este Orçamento de Estado para 2013, se por cegueira e teimosia for executado vai ter consequências terríveis durante muitos anos. O Governo tem de ouvir os portugueses. Tem que ouvir os parceiros sociais. Tem de arrepiar caminho, antes que seja tarde.

Senhora Presidente, Senhor Primeiro Ministro, Senhoras e Senhores Membros do Governo, Senhoras e Senhores Deputados

Já foi denunciado, por pessoas de todos os partidos incluindo muitas dos partidos que suportam a maioria, que este Orçamento é um verdadeiro bombardeamento fiscal às classes médias e aos trabalhadores já tão depauperados. O Governo anuncia também um novo ataque ao Estado social, diminuindo os mínimos sociais.

O governo não o diz, mas é uma nova fase, ainda mais radical, da austeridade. É o fim de qualquer ilusão de “equidade nos sacrifícios”, ou de ética na austeridade, que o Governo tanto apregoou. Quando se atacam os mais pobres dos pobres é toda a miséria de uma politica que fica à vista.

Enquanto se atacam as classes médias e os trabalhadores, com tabelas de IRS mais onerosas, menos progressivas, e com protecção e mínimos sociais cada vez mais exíguos, mantêm-se benefícios fiscais para grandes interesses.

O resultado não é difícil de adivinhar.
Primeiro, que as consequências sociais deste Orçamento vão ser ainda mais devastadoras que o anterior. Segundo, que a recessão vai ser muito mais grave que as previsões do Governo. Não é só o PS que o diz, são todas as instituições. Só o Governo quer negar esta realidade.

Mas há uma pergunta que se impõe: o que vai o Governo fazer quando finalmente for forçado a reconhecer que o Orçamento para 2013 é afinal um buraco negro para 2014? Quando for forçado pelos dados, pela realidade, que se tornará inegável e incontornável, a reconhecer perante os portugueses que falhou mais uma vez? A reconhecer que este orçamento afinal era inexequível e impossível de cumprir, porque assentou desde o primeiro dia em pressupostos falsos e em metas completamente irrealistas?
De facto este é um orçamento de negação e de desespero político.
Senhoras e Senhores Deputados, além de uma razia fiscal e de um vendaval de iniquidades, o documento que aqui nos foi apresentado é uma caricatura tosca, ideológica e experimentalista.

Vem aí um novo conjunto de metas que são incumpríveis, porque foram traçadas com base em pressupostos falsos, em cenários irreais e em projeções fantasiosas. E isso já se começa a ver. O apelo a uma misteriosa “refundação” do acordo com a troika anuncia o que aí vem. Depois de esgotada a margem para os aumentos de impostos, anuncia-se uma tentativa de ataque final às funções sociais do Estado. No fundo, recuperando aquilo que o PSD tentou lançar numa célebre proposta de Revisão Constitucional que foi obrigado a fechar numa gaveta, muito antes de qualquer troika. É essa a gaveta que agora se abre de novo. O Governo quer sim refundar a unidade da direita, tentar pôr a classe média contra o estado social, remeter á marginalização os sociais democratas que ainda resistem.
E o Governo já mostrou ao que vem: quer arrastar o PS para essa descida ao abismo. Mas já tiveram a resposta: o que é preciso é refundar a política do Governo e reformular esta austeridade sem saída. O que é preciso é tirar partido das posições mais flexíveis das instituições europeias e internacionais, em vez de as rejeitar. O que é preciso é lutar por explorar as margens de alteração de prazos, de juros, de metas. Com coragem, com frontalidade, com verdade, em nome do interesse nacional. Em vez de aceitar como uma fatalidade muito conveniente o caminho para que nos estão a empurrar.

Senhora Presidente, Senhor Primeiro Ministro, Senhoras e Senhores Membros do Governo, Senhoras e Senhores Deputados
Os partidos da coligação do governo juram que nada têm a ver com esta austeridade e com o acordo com a troika. E que a culpa é toda do governo anterior. Pura ilusão, que talvez sirva de auto-convencimento mas que cada vez engana menos portugueses.

A crise das dívidas soberanas como noutros países, foi sobretudo ditada por uma crise financeira internacional e pelas insuficiências do euro. O PS sempre o disse. Os partidos da atual maioria preferiram o caminho que lhes pareceu mais fácil na altura, e hoje vêem, também por isso minada a sua credibilidade. Porque os partidos que hoje suportam o governo fingem que nada tiveram a ver com o resgate. Mas na verdade fomentaram, instigaram, exigiram, co-negociaram, co-assinaram e muitos dos seus comemoraram o memorando de entendimento.
Antes das eleições prometeram soluções fáceis e rápidas; tinham as respostas. Depois foi o que se viu.
Foram de desastre em desastre até chegar a este momento de absoluto desnorte.
Perante o caminho que tem sido seguido, a campanha da coligação, tentando a todo o custo fugir da realidade, tem um só resultado: alimentar a descrença crescente das pessoas nas instituições democráticas.
Para além de justas manifestações de protesto e indignação, há uma ameaça populista através de alguns, na rua, na comunicação social, na internet. É nestas circunstâncias que se vê quem são os verdadeiros democratas. Não podemos neste parlamento permitir que se degradem ainda mais as condições da vida democrática em Portugal.

Perante este Orçamento, é preciso que fique claro, pelo trabalho aqui desenvolvido, pelos debates que aqui são travados, mas também pelo voto, de que lado se situa cada um de nós. Este é um Orçamento que violenta, ainda mais, o contrato em que os portugueses votaram; um Orçamento irrealista, inexequível, incompetente; um Orçamento que ataca os fundamentos da nossa sociedade e da nossa economia.
A democracia tem de ser defendida por todos os democratas. E é nestes momentos decisivos que os democratas se afirmam e que o Parlamento se prestigia. Em consciência, pela arma da democracia, o voto.

Senhora Presidente, Senhor Primeiro Ministro, Senhoras e Senhores Membros do Governo, Senhoras e Senhores Deputados

No voto que se segue, sabemos (porque é claro e público) que não apenas muitas figuras cimeiras dos partidos da coligação, mas também muitos deputados sentados nas bancadas desta maioria discordam profundamente deste Orçamento. Das opções que o norteiam. Das falsidades de que enferma. Do seu irrealismo. Das suas consequências terríveis.

Quanto mais não seja porque este é um Orçamento que é contra o programa desta maioria. Contra o que convenceu os portugueses a confiar nestes partidos. Como é possível votar favoravelmente um Orçamento que é contrário ao programa dos partidos que o suportam?

Na bancada do PS, o nosso programa é claro e o nosso voto também é claro. Vamos votar de acordo com o nosso programa. Com uma posição firme nas questões europeias e com uma visão clara do que deveria ser feito de diferente nas políticas internas.

Dar luz verde a este Orçamento de Estado é gravíssimo. Temos todos, de ser dignos do mandato que recebemos dos portugueses.

Segue-se o debate na especialidade. Mas desenganem-se aqueles que pensam que este Orçamento é transformável na especialidade. Este Orçamento é irreformável.
Tem, todo ele, na base e nas opções principais, a marca de um troikismo radical, alheado da realidade e sem qualquer capacidade de auto-crítica.

O que é preciso é combater ainda maiores desvarios nas políticas sociais e fiscais. Combater as tentativas que aí vêm de impor mais cortes sociais. Com o pretexto de compromissos assumidos com a troika por este governo. O que é preciso é trabalhar em alternativas que substituam a matriz espoliadora deste orçamento por uma matriz de equilíbrio, de credibilidade, de adesão à realidade.

O PS apresentou propostas alternativas. Ainda ontem, através do Secretário-Geral António José Seguro, que até agora, a maioria governamental, com uma arrogância crescente, se tem recusado a ouvir.
Como o Secretário-Geral do PS tem incansavelmente repetido o que é preciso é criar as condições em Portugal e na União Europeia para voltarmos ao crescimento e à criação de emprego.
Mas para que as boas propostas possam fazer o seu caminho tem de haver uma discussão num quadro diferente. Porque por mais medidas que apresentemos, por mais alternativas que discutamos, este é um Orçamento cuja credibilidade está ferida de morte por aqueles que escolheram concebê-lo desta maneira, com estes pressupostos, com estas metas; e assim o apresentaram aos portugueses. Vale a pena discutir no quadro constitucional tudo o que possa melhorar o futuro do País. Mas com base em confiança politica, crescimento económico e equidade social que hoje infelizmente não existem.

É por isso que, em nome do futuro do país e pela credibilidade da democracia portuguesa, o PS votará, em consciência, contra este Orçamento.

Contra o definhamento da democracia que tem de ser travado. A favor dos superiores interesses de Portugal e dos portugueses.

31Out.2012

A minha crónica no Expresso, se tivesse crónica no Expresso

Breve nota prévia: caso notem alguma inconsistência nos factos apresentados, recordo que seria para o Expresso. Eles não se importam, nem censuram opiniões diferentes e polémicas que avancem o debate sobre a sociedade. É, afinal, um jornal de referência.

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Tal como acontece nos países libertários como a Somália, Haiti ou Sudão, onde o governo escolheu não interferir nos assuntos privados das pessoas, a prosperidade apenas acontece quando a sociedade, livre do peso de governos gordos e ineficientes ao estilo nórdico, tem liberdade para se desenvolver sem constrangimentos, impostos e regulações. É isso que significa verdadeiramente “libertar a economia”. É isso que não está feito, e é isso e apenas isso que justifica a falência onde os socialistas, que governaram a esmagadora maioria dos últimos 40 anos, nos enfiaram.
A escolha de Passos Coelho para Portugal só peca então por tardia e tímida, embora não esquecer que este está preso a uma constituição datada, escrita nos tempos do PREC para agradar a Cunhal, ao PCP e à União Soviética, e que não é revista desde 1976. É um facto inegável que caso esta não existisse, as reformas estariam feitas e o país estaria, já em 2013, na senda do crescimento, tal como o Primeiro-Ministro prometeu. Mais factos inegáveis: para o ano, está prevista uma recessão de 1%, que provavelmente – vou dar razão aos críticos – será de 3% ou mais, quando devíamos estar a crescer pelo menos 4%. Daqui facilmente se conclui que a constituição e o estado social nela consagrado nos custam, só em crescimento perdido, 7% do PIB, ou mais de 20 mil milhões de euros, ou 2000 euros por cada português, incluindo crianças. Por isso, caro cidadão, caso seja casado com 2 filhos, a constituição de Cunhal custa-lhe 8000 euros, 700 euros por mês. Ou o mesmo que lhe custaria um bom seguro de saúde e colégio privado. Pense nisso quando os socialistas – que faliram o país gastando à tripa-forra – a vierem defender.
Que não defendam o modo de vida dos pretinhos nos países que citei anteriormente, apenas demonstra que a esquerda, apesar do discurso politicamente correcto, é profundamente racista.

Sois isto, direita portuguesa?

Passos Coelho não mereceu do PSD sequer a confiança mínima para ser deputado em 2009. Em 2011, foi ele quem abriu uma crise política no pior momento possível para Portugal. Foi ele quem saudou como uma vitória a chegada de estrangeiros para meterem os indígenas na ordem. Foi ele quem falhou por completo o cumprimento do Memorando em 2012. É ele quem anuncia para 2013 o aumento celerado da pobreza e da miséria. É ele quem pretende acabar com o modelo social que foi reunindo ao longo de 30 anos o consenso dos partidos democráticos e da comunidade. Foi ele quem já anunciou pretender fazer não se sabe o quê à Constituição.

Este fulano, que nada produziu na vida para além de ter estado à espera do momento certo para ir ao pote, tem como braço direito no Governo e no carreirismo o dr. Miguel Relvas, lambe o chão que António Borges pisa, obedece sem piar a Vítor Gaspar e consta estar a ser aconselhado por Dias Loureiro.

Ninguém, nem o mais criativo escritor de romances fantásticos, podia ter imaginado que Portugal viria a cair nesta aberração.

Escolham outro adjetivo, por favor

E respeitem o encantamento do amor.

Obcecada, afunilada, cega, ébria, obnubilada, doente, transtornada ou algo assim.

APAIXONADA, não. Não sejam incompetentes também em comunicação. Estar apaixonado é um estado físico/emocional tão inebriante e compensador que só pode suscitar inveja a quem observa. Longe, muito longe, do que está aqui em causa e do espírito arrogante, castigador e autoritário que inspira a política alemã para a Europa hoje em dia. Em suma, esta formulação equivale a dizer que Hitler estava apaixonado por campos de concentração.

«O PS acusou este sábado Angela Merkel de estar “completamente” apaixonada por austeridade, considerando que está “em sintonia” com o primeiro-ministro português, reagindo ao apelo da chanceler alemã aos parceiros europeus para um esforço grande nos próximos cinco anos

O Dr. Relvas demonstrou, está demonstrado pelo Dr. Relvas

“Não haverá aumento de impostos, de uma forma clara já está demonstrado, o programa demonstra-o”, afirmou Miguel Relvas aos jornalistas após o Conselho Nacional do PSD, que decorreu num hotel de Lisboa.

O secretário-geral social-democrata defendeu que com o programa eleitoral hoje aprovado por unanimidade no Conselho Nacional do PSD fica “demonstrado de forma clara que há vida para além da ‘troika'”, constituída pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e a Comissão Europeia. “Fica demonstrado que há programas alternativos e Portugal tem todas as condições de poder olhar para o futuro com esperança e com a ambição de que o crescimento económico vai poder permitir ultrapassar as dificuldades que vivemos nos últimos anos”, argumentou.

“Não haverá aumento de impostos”, afirma Miguel Relvas

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Sabem que é uma coisa que me custa muito, é que a sensação que eu tenho é que ainda há uma parte do eleitorado que quer ser enganada. Ainda há uma parte do eleitorado que quer ser iludida, quer ser enganada e quer ser iludida.”

“Eu no lugar do engenheiro Sócrates tinha vergonha”

Ímpares estes pares

O programa Pares da República tem a curiosidade de reunir três figuras muito próximas de Sócrates: Lurdes Rodrigues, Luís Amado e Proença de Carvalho. É um felicíssimo encontro, em particular pelo confronto entre o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros com a ex-ministra da Educação, o qual nos dá a ver como uma mesma base programática de centro-esquerda pode acolher ampla diversidade de interpretação e solução para os factos e problemas comuns. Acima e antes de tudo, estas personalidades são exemplares cidadãos e notáveis portugueses que representam por palavras e actos um ideal de decência que espalha salubridade ética à sua volta. Um dia se fará a investigação e reflexão do que foi a passagem de Sócrates pelo poder e se explicitará quem era quem que o atacava e como e quem era quem que ficou ao seu lado sem vacilar, sem medo, com a sua dignidade inteira e refulgente.

Nesta edição, a prestação de Nogueira de Brito nunca subiu acima da mais desesperante banalidade, tendo ainda conseguido resvalar para o insulto. A diferença intelectual para com os seus parceiros de conversa é dramática. Quanto aos restantes, deixaram importantes ideias.

Destaques:

– Lurdes Rodrigues lembra que há quatro variáveis no processo de consolidação orçamental: despesa, receita, dívida e PIB. E que o Governo não toma medidas nas variáveis do PIB e da dívida, alegando que são inalteráveis e negando as mudanças no contexto internacional, apenas actua sobre a despesa e a receita. O resultado impede o crescimento e afunda a economia.

– Luís Amado realça que os dificílimos processos de ajustamento nacionais estão a ocorrer em simultâneo com um complexo processo de ajustamento Europeu, o que gera ainda mais incertezas e mais dificuldades interdependentes. Esta situação não tem paralelo na História.

– Lurdes Rodrigues recorda que o Governo PS começou logo em 2005 a controlar e a racionalizar a despesa no propósito de garantir e modernizar os serviços públicos, tendo-se atingido os défices mais baixos em democracia durante 3 anos. Este legado foi desprezado, quando não anulado, pelo actual Governo por motivos ideológicos.

– Proença de Carvalho partilhou o seu espanto pela incapacidade de se reformar a Justiça devido à falta de discernimento e vontade política e tendo em conta a gravidade dos prejuízos causados pela ineficácia e disfuncionamento do sistema judicial. Esta impotência causa-lhe ainda maior perplexidade dado o sucesso alcançado pelo Estado na prestação de serviços educacionais e de saúde.

– Luís Amado frisa que o modelo ocidental do Estado-providência a crédito ruiu devido às alterações económicas globais, obrigando à mudança de critérios do que seja o Estado social por via da necessidade de encontrar um novo paradigma de financiamento para as funções do Estado ao contribuinte.

– Lurdes Rodrigues chama a atenção para o potencial de criação de riqueza que os próprios serviços sociais prestados pelo Estado podem gerar.

– Proença de Carvalho teme que o actual Governo, pela sua incompetência, possa arrumar de vez com as ideias liberais em Portugal.

– Luís Amado defende o sentido de um compromisso político entre o PSD e o PS que conduza a um Governo de coligação entre esses partidos, deixando também o seu espanto por nenhum partido da oposição ter querido negociar com o PS um qualquer acordo a seguir às eleições de 2009 apesar da extrema gravidade da situação nacional.

– Proença de Carvalho expressa o seu pesar pela cultura da calúnia e do ódio que dominou a actividade política da oposição a Sócrates e ao PS e que muito prejudicou os portugueses por ter impedido consensos.

– Luís Amado declara que para si a grande missão, o supremo objectivo, da política em democracia é impedir a violência. E que a cultura da calúnia e do ódio em tempos de crise aproxima-nos da catástrofe.

– Proença de Carvalho deixa inequívoca a sua desilusão com Cavaco, de quem foi apoiante, porque o Presidente da República, numa situação de emergência logo após a sua reeleição, nunca procurou consensos.

De vitória em vitória

Há uma ilha da costa d’África onde há 30 e tal anos é o mesmo salazarote pançudo e pesporrente quem mais ordena.

Mas aquilo deve estar a chegar ao 22 ou 23 de Abril: houve duas listas para a direcção do partido, coisa nunca antes vista na gaiola do autocrata. A rebentar de fúria mal contida, o salazarote pançudo acusou o seu concorrente de ousar fazer “brincadeiras”.

Hoje, horas antes de ganhar por uma unha suja as eleições da barraca, subiu a parada e acusou Albuquerque, presidente da Câmara do Funchal, de ter organizado uma “palhaçada”. Note-se que o basófias processou aqui há tempos alguém que lhe tinha chamado palhaço, epíteto que até pecava por excessivamente elogioso. Mesmo “salazarote” para ele deve ser rebuçado, pois nunca se refere ao “Dr. Salazar” que não seja para o elogiar.

Já tratou políticos, funcionários da justiça, polícias e sobretudo jornalistas abaixo de lixo. Já fez manguitos diantes das câmaras e já usou publicamente expressões obscenas para se referir a quem despreza ou lhe faz frente. Sempre apoiado pelos risos alarves dos seus bacocos admiradores.  Sempre impunemente, com uma única excepção, mas ignoro se chegou a cumprir a sentença indemnizatória. E, se a pagou, com o dinheiro de quem.

Não sei se me apetece continuar a falar deste político desprezível que um dia se lançou de punhos fechados (e costas bem quentes) contra um trabalhador que numa estrada em construção queria impedir o seu carro de avançar. Não me apetece mesmo.

 

Com amigos destes, não precisamos de inimigos

Muito pior que o complexo de superioridade dos países do Norte da Europa é o complexo de inferioridade dos nossos actuais governantes, que pedem ajuda a uns técnicos desconhecidos do FMI para cortar nas funções sociais do Estado. Claro que o fazem para não assumirem a responsabilidade das medidas que, sabemos, defendem há anos, ou seja, por cobardia política. E nem se apercebem, ou não querem saber, do ridículo a que expõem o País. Pedir ajuda para cortar nas despesas do Estado?! Mas isso é a única coisa que o Governo já mostrou que é capaz. Já que querem colocar-se, e colocar-nos, nessa posição de menoridade, peçam ajuda para aquilo que realmente não fazem a mais pálida ideia de como conseguir: pôr a economia do País a crescer. Faria muito mais sentido, pois é esse o segredo dos povos do Norte para manterem os seus ricos estados sociais.

Mas não, o Governo prefere dar-lhes razão e assumir que somos um povo de incapazes, de oportunistas e de desgraçadinhos todos a viver à conta do dinheiro do Estado e, por isso, sem a mínima hipótese de, sequer sonhar, aproximar-se deles através da criação de riqueza.

Já agora, peçam aos técnicos para fazerem a conta a quanto custa ao País o desespero, a falta de confiança e de esperança que resultam deste tipo de atitudes.

BPN: afinal havia avaliação. Como perder pelo menos mais 12 milhões de Euros

O Partido Socialista (PS) lamentou hoje que a informação relativa às avaliações do BPN feitas pela Delloite e pela CaixaBI só tenham sido conhecidas agora, considerando que deviam ter chegado “enquanto a comissão esteve a funcionar”.
Em declarações à agência Lusa, o deputado socialista Basílio Horta afirmou hoje, no dia em que termina o prazo para a apresentação de propostas de alteração ao relatório do BPN, que “foi pena só ter chegado agora esta informação” e que “ela devia ter chegado enquanto a comissão [parlamentar de inquérito ao] BPN esteve a funcionar”.
“No que toca à venda do BPN ao BIC, e já depois do relatório [da comissão parlamentar] estar feito, finalmente o Ministério das Finanças deu-nos a conhecer as avaliações recentes que tinham sido feitas ao BPN pela CaixaBI e pela Deloitte e é com enorme espanto que nós verificamos que essas avaliações atribuem ao BPN, no máximo, um valor na ordem 140 milhões de euros, mas, no mínimo, um valor na ordem dos 52 milhões e, portanto, 12 milhões acima do preço pelo qual foi vendido”, afirmou Basílio Horta.
Recordando que o BPN foi vendido, em março deste ano, aos angolanos do banco BIC por 40 milhões de euros, o deputado socialista disse que, no acordo, “o Estado fica com um conjunto de encargos que ainda não estão totalmente quantificados”, os quais “resultam dos despedimentos, dos litígios pendentes cujas indemnizações ficaram a cargo do Estado, e de créditos malparados com que o BIC não quis ficar”.
Basílio Horta afirmou também que as propostas de alteração ao relatório feito pelo PSD sobre os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito ao BPN pretendem “dar objetividade ao relatório”.
Para o deputado, o documento tinha como objetivo “criticar a supervisão do governador do Banco de Portugal no tempo do doutor Vítor Constâncio e também criticar a administração do BPN depois da nacionalização”, pelo que “havia uma falta clara de objetividade do relatório”.

Bem, Pedro Marques, a comentar o golpe de Estado do Governo

O deputado socialista Pedro Marques comparou hoje o convite para o diálogo dirigido pelo Governo ao PS a “uma farsa”, manifestando “indignação” por técnicos do FMI estarem a estudar cortes, que passam pelas “funções sociais do Estado”.
“É uma farsa com um mau guião. O Governo diz que quer convidar o PS para um diálogo sério e afinal sabemos que já estão em Portugal os técnicos do FMI e até se conhecem com detalhe áreas onde cortar a despesa, que, na grande maioria têm a ver com cortes nas funções sociais do Estado”, disse Pedro Marques à Lusa.
O deputado socialista referiu-se à informação veiculada pelo ex-presidente do PSD Luís Marques Mendes, na TVI24, na quarta-feira à noite, de que o Governo está a preparar a reforma do Estado anunciada pelo primeiro-ministro com técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) que já estão em Portugal, tendo tido reuniões nos ministérios da Administração Interna e Defesa.
Já hoje, um membro do Governo confirmou à Lusa que o Governo português começou há uma semana um conjunto de reuniões com alguns técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para preparar a reforma do Estado: “Estão a ser realizadas reuniões com os ministérios para análise das principais áreas de despesa e para perceção do que pode ser feito em matéria de reformas”, explicou à Lusa a fonte governamental, que precisou que se trata de “uma missão técnica preparatória para a sexta revisão do programa de ajustamento, sobretudo para recolha de informação e realização de um primeiro diagnóstico sobre a composição da despesa pública”, que se iniciou há uma semana.
Na TVI 24, Marques Mendes disse que a reforma passará por várias concessões a privados, avançando como exemplos as florestas, centros de saúde e os transportes públicos e implicará rescisões com funcionários ou a mobilidade especial desses trabalhadores da administração pública.
“É mais do mesmo mas provoca sempre grande indignação”, disse Pedro Marques.
Para o deputado socialista, perante um “Orçamento do Estado que já estava derrotado junto dos portugueses, o Governo tentou agora uma fuga para a frente e transformou um corte na despesa numa suposta refundação do memorando”.
“Estão a estão a tentar chamar o PS a esta encenação, muito tarde, quando, afinal já definiram os principais termos dessa encenação. Tudo isto é uma forma de fugir da discussão do Orçamento do Estado e tentar colocar o PS numa atitude de radicalização”, sustentou.

Catroga, o artesão

O economista Eduardo Catroga afirmou que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal “foi essencialmente influenciada” pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV.

Fonte

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Catroga reafirma influência positiva do PSD no acordo com a “troika”

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O economista Eduardo Catroga afirmou hoje que o PSD terá autonomia, se for Governo, para substituir eventuais “medidas penalizadoras para os portugueses” do programa de ajuda externa a Portugal por outras que cumpram os mesmos objetivos.

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Eduardo Catroga assume compromisso de que o PSD não vai subir o IVA

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«Tivemos uma reunião altamente frutuosa com a troika, que percebeu a nossa atitude diferenciadora, de defesa do Estado social. O PEC 4 ataca pensões, não falava em reduzir o gordo estado paralelo…»

Catroga

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Catroga garante que não haverá despedimentos na função pública se o PSD for Governo

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Eduardo Catroga critica a atitude do Governo que se «apresenta como vítima e como vencedor de uma negociação que foi sobretudo negociada pelo maior partido da oposição». «O PSD deu um grande contributo para este processo. Portugal vai ter uma grande oportunidade para fazer as medidas que se impõem, para dar esperança», disse ainda.

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Eduardo Catroga insiste que os jovens licenciados deviam levar Sócrates a tribunal

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Repare: o Hitler tinha o povo atrás de si até à derrocada, até à fase final da guerra. Faz parte das características dos demagogos conseguirem arrastar multidões. José Sócrates, honra lhe seja feita, é um grande actor, um mentiroso compulsivo, que vive num mundo virtual em que só ele tem razão. Tem uma máquina de propaganda montada há seis anos, poderosa. E o PSD tem uma máquina artesanal no campo da comunicação.

Catroga