Escolham outro adjetivo, por favor

E respeitem o encantamento do amor.

Obcecada, afunilada, cega, ébria, obnubilada, doente, transtornada ou algo assim.

APAIXONADA, não. Não sejam incompetentes também em comunicação. Estar apaixonado é um estado físico/emocional tão inebriante e compensador que só pode suscitar inveja a quem observa. Longe, muito longe, do que está aqui em causa e do espírito arrogante, castigador e autoritário que inspira a política alemã para a Europa hoje em dia. Em suma, esta formulação equivale a dizer que Hitler estava apaixonado por campos de concentração.

«O PS acusou este sábado Angela Merkel de estar “completamente” apaixonada por austeridade, considerando que está “em sintonia” com o primeiro-ministro português, reagindo ao apelo da chanceler alemã aos parceiros europeus para um esforço grande nos próximos cinco anos

17 thoughts on “Escolham outro adjetivo, por favor”

  1. Quem está «apaixonado pelos campos de concentração» é quem se serve deles [*] e do argumento ad hitlerum como cavalos de batalha a propósito de tudo e de nada, sem procurar perceber sequer o que se passou na Alemanha derrotada, incinerada, ocupada, roubada e violada em massa, física e moralmente, entre 1945 a 1947, ou quem deveria apresentar desculpas a quem. Recomendo como introdução à maior e mais «arrogante, castigadora e autoritária» vigarice da história alguns clips e textos breves:

    Le problème des chambres à gaz (francês, inglês)

    UN HOMME (francês, inglês, alemão etc.)

    Introdução ao Santo dos Santos (inglês)

    A triste história dos cadáveres ambulantes (inglês)

    Lendas e narrativas para comover o pagode (inglês, 9 partes)

    Haja vergonha.
    _________________________

    [*] Mas porquê só de alguns? Os campos de concentração para os alemães do Volga ou para os nipo-americanos não contam quando se discutem as circunstâncias económico-financeiras do ano de Senhor de 2012? Então e porque não? Já agora…

  2. A passos coelho com tal obdiência.,só lhe falta uma braçadeira vermelha no braço.não estranho se daqui a uns anos vier reconhecer “à pcp” que houve “desvios” na sua politica.

  3. Não é só o adjetivo, é o erro de comunicação politica. Com o adjetivo não vêm mais nada.
    Falta as ideias claras, o vigor na sua apresentação, a clareza da diferença e, claro, a luta politica.

  4. O G. Meireles o menino é novinho não é???
    Calhando ainda está em idade de emigrar.
    Eu cá recomendava-lhe emigrasse para a Alemanha… sempre podia ajudar na reconstrução… da Alemanha é claro.

  5. Aninhas, permita que a parabenize pelos seus excelentes argumentos, como dizem os nossos amigos brasileiros.

  6. Pois eu o que recomendava ao Gungunhana era que fosse acolitar o Amhinejad, Presidente do Irão, a desmontar essas “pretensas teorias” que andam para aí a denegrir a bondade do Hitler e a falsidade dos campos de exterminio.
    Haja vergonha!

  7. José, a designação “Vernichtungslager” (campo de extermínio) para o campo de trabalho escravo de Auschwitz e os campos de trânsito da deportação maciça de judeus para leste baptizada como Operação Reinhardt [1] é posterior à guerra, para tentar adaptar a história à lenda.

    Se a questão o interessa — presumo que sim, dado o seu comentário — e lê inglês, mas não tem tempo para procurar os estudos detalhados, recomendo-lhe este resumo da presente situação:

    Debating the Holocaust: A New Look At Both Sides

    Se tiver mais tempo:

    The Rudolf Report – Expert Report on Chemical and Technical Aspects of the ‘Gas Chambers’ of Auschwitz

    Se, por outro lado, as suas preferências vão mais para o lado dos sabonetes, abat-jours, cabeças reduzidas e macadam humano– brincadeiras de criança que, como se sabe, não são supostas ofender nenhuma nação em particular — e até para comemorar a comédia a decorrer na Gulbenkian em memória do vidente Aristides que já em 1940 previa desinteressadamente o futuro em Bordéus, aqui fica o último filme desse outro vidente, o famoso racista [2] Dieudonné:

    L’Antisémite

    Não se fique pela Mucznick. Procure.
    _____________________

    [1] E não “Reinhard” como geralmente se escreve para evitar salientar a sua vertente económica ligando-a a Reinhard Heydrich, ao invés de ao secretário de estado das Finanças Fritz Reinhardt (como se fosse normal «familiarizar» uma operação desse género através de um primeiro nome). A “Aktion Reihnardt” não visava o extermínio e sim a deportação dos judeus do Reich acompanhada da confiscação dos seus bens como, de resto, a deportação análoga e simultânea (início de ambas em Março de 1942) dos americanos de etnia japonesa pelo governo dos Estados Unidos.

    [2] Segundo a LICRA.

  8. Gungunhana Meirelles: Se te deixa mais tranquilo, substitui lá a referência a Hitler por qualquer uma destas – “Equivale a dizer que Pinochet estava apaixonado por valas”; “Equivale a dizer que Bin Laden estava apaixonado por bombas humanas”; “Equivale a dizer que Estaline estava apaixonado por perseguições políticas/extermínios”.

  9. Gentil — para não dizer obcecada, afunilada, cega, ébria, obnubilada, doente, transtornada ou algo assim — Penélope, o problema não é tanto o projéctil. O problema é mais o alvo e tudo o que o rodeia. E nem sequer me refiro em concreto a paixões chancelerinas inebriantes e compensadoras, mas tão só à culpabilização dos outros por pecados alheios num contexto como o que atravessamos, em termos historicamente falsos e inaceitáveis. A história ajusta sempre as contas; convém que o faça pacífica e ordeiramente.

  10. oh nhanha relles! já tinha dado por isso, há pr’aí uns fanáticos a tentar reescrever a história, só falta meterem os papéis para a canonização do botas.

  11. Sim, Ignátzio, estamos um pouco por toda a parte, ocupados a reescrever as estórias da carochinha. Que seria do mundo sem o nosso concurso? Se calhar ainda tinha começado só há 4 mil anos. Vai por mim, toma lá tijolo: *bonk*

  12. Toma lá, meu bom Ignátzio, mais informação classificada sobre as revisões delirantes dos fanáticos.

    Ah, é verdade, a propósito do Botas imagina tu que um dos seus melhores amigos e importante chefe comunitário, o prof. Moses Amzalak, até tinha muito orgulho na sua condecoração nazi de que encomendava miniaturas para usar na lapela e tudo.

    Eram outros tempos, em que o próprio vidente de Bordéus, agora tão homenageado na Gulbenkian por tanta gente séria, ainda não tinha sido promovido a árvore e era em tudo igual a todos nós, os malvados pecadores, regra que somos para confirmação das bem-aventuradas excepções virtuosas.

  13. oh nhanha! aqui não te safas a vender essa treta da negação. experimenta no basófias, em tempos o biólogo miranda vendia um produto parecido à sombra da liberdade de expressão.

  14. Ignátzio, se não queres comprar mesmo nada, toma lá mais tretas negacionistas em directo “From the Israeli Prime Minister’s Office: Number of Living Holocaust Survivors” seguido de “How Many Holocaust Survivors Were There in May 1945?” (scroll down): tudo aqui.

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