O 25 de abril a partir de hoje

A comemoração desta data na Assembleia da República (que não noutros lados) vai começar a ser o barómetro periódico da nossa democracia. Nunca lhe dei tanta importância como hoje. Ainda bem que alguém como Mário Soares, com 87 anos, mostrou ser dos poucos que não estão adormecidos, ainda que com um mero gesto simbólico.

Mas, se quiserem ouvir uma imbecilidade para não perdermos o ritmo, aqui vai:

Ricardo Costa, diretor do Expresso, diz que Mário Soares vai arrepender-se de faltar às comemorações oficiais do 25 de abril na Assembleia da República.

Vinte Linhas 770

António Colaço no Museu da Água das Amoreiras

Até 28 de Abril no Reservatório da Mãe d ´Água do Jardim das Amoreiras, de segunda a sábado entre as 10 e as 18 horas, António Colaço (n. 1952) expõe um conjunto de pinturas sob o título de «Lisboas». Jornalista ligado ao movimento das rádios livres e da TV regional, com um processo no DIAP em Abril de 1995, as suas pinturas, esculturas e desenhos, estão na Mãe d´Água «para dizer que a cidade precisa de inventar novos Aquedutos que tragam até ao coração dos seus dias os revigorantes caudais das nossas desperdiçadas energias».

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Vítor Gaspar terá visão lateral?

Ele, de facto, foca muito o olhar nos papéis. Em entrevista ao NYT, o ministro das Finanças insiste nas teorias ligeiras para americano ver. É um tanto ridícula e até revoltante a forma como escamoteia a crise de 2008 e a deficiente arquitetura do euro. Diz ele que “em 2008 foi tentada uma abordagem keynesiana, mas o resultado foi que ainda tornou as coisas piores” ou, como diz o jornal em título, “tentámos o estímulo económico, mas não resultou”.
Para ele, tudo seguia o seu ritmo normal, segundo um modelo económico “expansionista” escolhido pelo governo anterior, numa espécie de espaço sideral, sem gravidade, num contexto vazio de forças. Nem Portugal estava na União Europeia, nem a política da moeda única nos ditava regras, nem os especuladores, num contexto de grande caos financeiro internacional, nos pediam juros proibitivos, sem que nenhum mecanismo de regulação interviesse, nada. Nada disso tem importância ou existe sequer na sua cabeça. O Estado gastou demais e não devia, ponto. Agora temos de sofrer (ele não, claro). Esquece-se até que a dívida privada é muito maior que a pública e que o esforço de contenção orçamental já estava a ser feito há muito tempo (que o diga o PCP).
Pois mesmo que muitos países europeus já comecem a recusar a austeridade como meio exclusivo de resolução dos seus problemas e dos da Europa no seu conjunto e o próprio economista-chefe do FMI comece a pressionar a Alemanha para que lance gradualmente o regime de euro-obrigações, agora que o rigor orçamental foi “interiorizado”, este senhor continua a apregoar que a austeridade máxima é aquilo que nos convém.
Ridículo.

Pode-se tirar o homem da jota, mas não se consegue tirar a jota do homem

Os desequilíbrios existentes em Portugal são resultado de más decisões tomadas por nós mesmos. Usámos mal o dinheiro, seleccionámos mal os projetos de obras públicas, aumentámos os impostos, não abrimos a economia. Os líderes europeus não agravaram os nossos problemas, pelo contrário, ajudaram-nos.

Penso que a data do 1º de Maio pode gerar algum tipo de debate a nível domés­tico.

Estou habituado a que ao longo dos anos algumas figuras queiram assumir protagonismo em datas especiais.

Passos Coelho, mostrando como os jovens têm sempre uma visão mais relaxada das coisas e da vida

Um PM apaziguador e muito educado, além de tudo o mais

Estou habituado a que, ao longo dos anos, algumas figuras políticas queiram assumir protagonismo em datas especiais”, afirmou o primeiro-ministro.

Confrontado com o facto de se tratarem de figuras da história do País, o governante foi claro: “Todos os países têm figuras históricas. Esta data especial [25 de Abril] não pertence aos governos, pertence ao País.

Passos Coelho, referindo-se à decisão de Mário Soares e Manuel Alegre de não comparecerem na Assembleia da República para as comemorações do 25 de Abril, aliando-se assim à decisão dos “capitães de abril”.

A cassete dos piratas

Durante as jornadas parlamentares do CDS-PP, que decorrem hoje e terça-feira nos Açores, o líder da bancada democrata-cristã referiu, contudo, que “é justamente em nome da liberdade, neste caso da liberdade política, da liberdade financeira”, que o Governo “está obrigado a cumprir um programa de assistência financeira muitíssimo difícil, com medidas muitíssimo exigentes, com grandes sacrifícios” provocado por “sete anos de desvario público do Partido Socialista”.

“É uma opinião, como tantas outras, mas, de facto, a democracia plena e a soberania plena ficou muito afectada, para não dizer parte dela perdida, quando fomos obrigados a pedir dinheiro a instituições internacionais para pagar salários de polícias, de enfermeiros, de médicos, de professores”, argumentou.

Fonte

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Estive na semana passada a ouvir umas horas seguidas de discussão parlamentar e confirmei que existe uma obsessiva cassete do PSD e CDS, a qual se mantém inalterada desde que formaram a coligação: o PS/Sócrates é o culpado pelo acordo com a troika, tanto pela sua necessidade como pelo seu conteúdo – por isso, comam e calem. O modo como os agentes laranja e os Jacintos Capelos Regos repetem a lengalenga oscila entre o fanatismo bronco e o deboche prestes a explodir em gargalhada.

Esta cassete é tão ou mais básica do que as cassetes do PCP e do frei Anacleto, e, tal como a desses fósseis vermelhos, reduz a realidade a uma caricatura que parece desenhada por um gorila bêbado. Eis aqueles que passaram um ano e meio em campanha pela vinda do FMI a dizerem que a responsabilidade pela realização do seu desejo é daqueles que tudo fizeram para evitar a ruína do empréstimo de emergência. Eis aqueles que anunciaram ufanos a gula de irem ainda mais longe do que a troika a dizerem que a responsabilidade pela sua vontade é daqueles que alertaram contra esses abusos e violências a caminho. Eis aqueles que condicionaram o programa de assistência impondo condições e metas durante a sua 1ª negociação a dizerem que a responsabilidade pelas suas alterações posteriores é daqueles que já não foram tidos nem achados desde que saíram do Governo. Eis, pasmai gentes, aqueles que boicotaram e anularam uma solução que evitava a presente situação de imposição política externa a dizerem que a responsabilidade por essa perda de soberania – que o actual Governo explora entusiasticamente – é daqueles que tinham o acordo da Europa para manterem o domínio sobre as contas e protegerem o País dessa armadilha ideológica.

As lideranças do PSD e CDS instruíram tudo o que é dirigente, deputado e publicista para repetirem à exaustão esta cassete rasca, tonta, canalha. Isso significa que eles a consideram suficiente para conservarem o domínio político da situação, algo que as sucessivas sondagens confirmam para surpresa de alguns. E também significa que a estratégia de Seguro é intencionalmente cúmplice desta cassete, pois o PS não desmonta as falácias, nem sequer as mais grosseiras e obscenas. Só individualmente, por fogachos, aparecem ex-ministros socialistas a chaparem com os factos por elementar decência ou já para defesa da honra. O PCP e o BE, por sua vez, servem de coro à cassete, pois nem para protegerem causas comuns com o PS estão disponíveis; tirando singulares excepções à regra nas ocasiões em que o silêncio do PS, como nas questões da Parque Escolar por exemplo, é incómodo até para um sectário de vocação e destino.

Que fazer? Já que nenhum partido político os afronta, nenhuma organização cívica tem algo a dizer acerca da colossal estupidez que se despeja no espaço público, nenhuma personalidade de referência na sociedade se mostra especialmente preocupada com a indecência reinante, é deixá-los a tocar essa cassete sozinhos. Que os felizes votantes em Passos-Relvas continuem em festa, gozando a facilidade com que esta merda é toda deles. E, um dia destes, com sorte, talvez surjam dois cidadãos, ou três, ou quatro, ou mais que muitos, que comecem a criar pensamentos originais, inteligência de improviso, contra a cassete dos piratas.

Vinte Linhas 769

Cristiano Ronaldo: O mestre os meninos ou nada está garantido

A foto, assinada pelo repórter fotográfico Vinícius Carriço num sábado à tarde, mostra o mestre José Travassos, primeiro jogador português a jogar numa selecção da UEFA, ao lado de um grupo de meninos no banco verde que o coronel Cunha Bispo punha à nossa disposição em Alvalade no campo nº 2. Lá está o Cristiano Ronaldo, recém-chegado da Madeira. Um dos miúdos chama-se José Américo. Ora há dois meses quando a vantagem do Real Madrid sobre a equipa da UNICEF era de 10 pontos e depois de o treinador Gaurdiola dizer que não era possível ganhar a Liga Espanhola, lá se arranjou um esquema para a vantagem descer de 10 para 4 pontos. Veio ao de cima o mesmo desportivismo que levou os responsáveis da equipa da UNICEF a ligarem o sistema de rega quando o Inter de Milão ganhou a eliminatória em Camp Nou à equipa, já se sabe, da UNICEF. O mesmo desportivismo que levou a apagar os nomes de Vítor Baía e Luis Figo do seu museu clubista ficando a leitura dos seus nomes só para quem tenha livros antigos.

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Quando o próprio cronista fala de mais

Vasco Pulido Valente no Público de ontem. Não é que faça muita questão em lê-lo, pois o vómito como forma de escrita e a sobranceria habituais não me atraem e as remissões para a Primeira República já cansam e nada adiantam. Mas o exercício de ontem tinha por título “Falar de mais” e, como vinha ilustrado por uma fotografia de Passos, fui ler.

A crónica tem duas colunas e um quarto e, possivelmente por disposições contratuais, não poderia ter apenas um quarto e uma coluna, o que se lamenta. Passando para já por cima dos cinco primeiros parágrafos, ou primeira coluna, mais de um terço do artigo, que são um processo bizarro e muito próprio de libertação de endorfina utilizando Sócrates, e aos quais já irei, vejo o colunista a apontar o dedo ao Governo pela, e passo a citar “interminável série de gaffes, contradições, desmentidos, asneiras, fatuidade e pura patetice, em que o governo corre o risco de se afundar”. A razão do título, portanto. Uma síntese óbvia e acertada. Toda a gente tem visto o desastre e, pior, muita gente atenta não está nada surpreendida. Não se percebe é por que razão VPV aparenta está-lo, tanto mais que desconfia ser Miguel Relvas, e cito outra vez “a superior inteligência que nos dirige”. Estaria VPV à espera de quê?

Quanto aos caminhos que o cronista escolhe para chegar ao que, em resumo, é um conselho amigo ao Governo, passo a explanar o introito. Para ele, a incontinência verbal do executivo tem na base uma vontade meritória de falar verdade (!!?), em contraste com o anterior Governo, mais concretamente o anterior primeiro-ministro (apelidado literalmente de “o abominável homem das neves do PS”), que, nas suas palavras “por convicção e natureza, tentava sempre esconder ao público o mais que podia da actividade do governo. Quando saiu, poucos portugueses percebiam o estado calamitoso em que deixou as coisas e até que ponto o futuro próximo, e o longínquo, estava comprometido. Ainda hoje os jornais servem dia a dia horrores de que nunca tínhamos suspeitado e a lista não parece perto do fim.”
O horror dos esqueletos, que nunca ninguém viu, portanto. A Madeira e o BPN que não existem, a crise europeia que foi uma invenção, a especulação que nunca existiu em torno dos juros, a arquitetura perfeita do euro, a transparência total que os PEC até nem exigiam e por aí fora em cantilena subentendida ao jeito do Correio da Manhã e dos Pedros Lombas e CAA deste país: o Sócrates levou-nos à bancarrota, em suma. E mais, para efeitos do artigo, Sócrates não dizia tudo, Sócrates não dizia nada, Sócrates escondia. É isto a honestidade: sem detalhe, sem dados, como convém. Daria trabalho especificar e, sobretudo, fá-lo-ia chegar à conclusão, se respirasse fundo e se descontraísse, de que o fel não tem justificação na personagem execrada.

Mas não valeria, de facto, a pena ligar à ladainha da primeira coluna, não fora a contradição em que o próprio se enreda mais adiante, ao dizer, em relação ao atual Governo, que “Nem o primeiro-ministro nem os ministros manifestamente decidiam em conjunto o momento e teor do que lhes convinha revelar aos portugueses. Pior do que isso: ninguém decidia por eles”. Um erro, imagine-se, segundo VPV. Pelos vistos, há que decidir alguma coisa em termos de comunicação. Esses pormenores. E vai mais longe: “Sucede que um bom governo exige invariavelmente uma grande reserva”. Ah, a sério? Ou ainda, um bom governo deve ter em conta “o teor e o momento do que revela” ao país. Afinal, VPV, em que ficamos?
E o divertido é que o cronista termina a crónica aconselhando o Governo a falar menos “para que os portugueses o levem muito a sério”. Como se o problema estivesse aí.

Prémio Américo Thomaz – encontrado o vencedor do mês de Abril

Fazendo uma retrospectiva da história portuguesa, mais concretamente da batalha dos Atoleiros, Aguiar-Branco considerou importante copiar a atitude positiva registada no passado e aplicá-la aos tempos de crise que agora se vivem.

«É preciso criatividade e inovação, tal como aconteceu à época para conseguirmos ultrapassar essas dificuldades e, quando nós dizemos que é preciso fazer o que nunca foi feito, esse exemplo passado mostra que é preciso fazer, muitas vezes, o que não foi feito até então para ultrapassar essas dificuldades.»

Aguiar-Branco

No hablas inglés?

Catholic nuns group ‘stunned’ by Vatican scolding for ‘radical feminist’ ideas
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Exercising Daily Lowers Alzheimer’s Risk, Even If You Start Later In Life
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Distinct ‘God Spot’ in the Brain Does Not Exist, Study Shows
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Being Beside the Seaside Is Good for You
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How Thinking About Death Can Lead to a Good Life
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Positive Feelings May Help Protect Cardiovascular Health
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Why Chimpanzees Kill
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More Baby Boomers Facing Old Age Alone
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An Online Snub Hurts As Much as a Real One
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Survey Finds Most Wikipedia Entries Contain Factual Errors
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Crime and Punishment: The Neurobiological Roots of Modern Justice
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If We Feel Too Busy, It’s Probably Due To Too Much Free Time
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Modest Alcohol Consumption Lowers Risk of Liver Disease
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Meditation Makes You More Creative
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It Doesn’t Mean You’re Crazy – Talking to Yourself Has Cognitive Benefits, Study Finds
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New Research Could Mean Cellphones That Can See Through Walls

Vinte Linhas 768

Em louvor da escrita de Fernando Sabino

Fernando Sabino (1923-2004) teve no Brasil a sua consagração junto da crítica e do público com «O grande mentecapto» (1979) mas já publicava regularmente desde 1941: «Os grilos não cantam mais», foi o seu livro de estreia. Neste «A falta que ela me faz» (Editora Record) de 1980 mas já em terceira edição, Fernando Sabino junta 36 crónicas com os temas mais diversos. Pode ser sobre o acto de escrever em geral: «o escritor é um homem que passa a vida inteira conversando consigo mesmo e cujo único consolo é que a conversa, com o correr dos anos, fica cada vez mais interessante». Já em particular confessa: «limito-me a escrever aquilo que me agradaria ler».

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Take five

Agora que estou outra vez a tempo inteiro na sociologia, tem-me dado para imaginar hipóteses corroboraráveis em investigações empíricas. Tenho uma para oferecer, hoje, a quem quer que esteja interessado em compreender este facto aparentemente surpreendente: caíram a pique os apoios públicos à criação artística nas artes do espetáculo (38% de corte nos apoios pluarianuais, 100% nos apoios pontuais, muito menos dinheiro nos teatros nacionais para programação própria e coproduções) e caiu também a pique a contestação pública, designadamente dos artistas e suas associações, a esses mesmos cortes.

A hipótese é a seguinte:

A contestação dos artistas à política pública de apoio à criação artística é tanto maior:
1. Quanto maior for o financiamento público envolvido nesse apoio;
2. Quanto mais evidente for o discurso político de defesa desse apoio;
3. Quanto menor for o peso, no discurso dos responsáveis políticos, da estigmatização dos artistas como subsidiodependentes;
4. Quanto maior for a importância concedida, no discurso e na organização dos governos, à cultura;
5. E, “last but no the least”, quanto mais estranho for o ou a responsável política ao “milieu”.

O que seja o “milieu” é tema que vale uma nova meditação.

Augusto Santos Silva

Bombocas e pirolitos com bola

Este governo, tal como um aprendiz de feiticeiro, age deslumbrado pela possibilidade de superar o resultado previsto nas receitas dos mestres da manigância e da traficância do capitalismo dominante, carregando na dose da poção para mostrar serviço aos senhores do capital a quem serve, alheio às consequências para o país e para vida dos portugueses.

Jerónimo, a criticar políticos que se mostram alheios às consequências das suas decisões para o País e para a vida dos portugueses

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Quando o Ministro da Segurança Social nos vem dizer que quer entregar à finança, e às bolsas, por via da privatização da Segurança Social, o futuro das pensões dos portugueses, nós percebemos o que é que o fanatismo ideológico pode querer implicar, e porque é que temos de nos proteger – é a democracia que nos protege desse fanatismo.

Louçã, a criticar o fanatismo ideológico e a dar a receita para nos protegermos dele
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Vinte Linhas 767

«Golo!» por Juventino Freire (à memória de João Ivo Peralta)

Nem de propósito. Mão amiga fez-me chegar à minha caixa postal um exemplar do velho jornal «O Catarinense» de Julho de 1959. Embora apareçam apenas as iniciais (J.F.) sabe-se que o autor da notícia desportiva «Golo!» é Juventino Freire, infatigável leitor de jornais desportivos na oficina de seu pai (A Bola, Mundo Desportivo e Record) e redactor desportivo do nosso modesto mensário de Santa Catarina.

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Medidas estruturais profundas, diz ele

O FMI existe para quê? Tanto quanto percebi, para intervir nos países em apuros financeiros, sejam quais forem as causas, de molde a levá-los a pagar as dívidas aos credores, seja a que preço for para as populações e para o presente e o futuro dos países. Para tal, concede-lhes um novo mas teoricamente derradeiro e eficaz empréstimo, pelo qual se faz pagar bem, embora não tão bem como os anteriores credores, estando aí a suposta vantagem, pobres de nós. A receita aplicada também tem por curiosa característica ser a mesma para todos os “doentes”.

A missão desta instituição convém que não seja esquecida nunca, porque, a partir daí, tudo o que personagens como Poul Thomsen ou até mesmo Christine Lagarde possam dizer é conversa autojustificativa da usura, da indiferença ou da orientação ideológica, ou são incentivos verbais à calma e, claro está, ao pagamento. Eles têm que dizer alguma coisa.

Faz parte dessa conversa as “reformas estruturais profundas”. O FMI, no caso europeu acompanhado e corroborado pelos alemães, vulgo UE, e pelo BCE, mandam para o ar coisas, à espera que os tolos apanhem, e que subentendem a ideia de que Portugal – vamos concentrar-nos aqui – se foi abaixo porque, além da dívida com que nenhum credor ganhou e que nenhuma UE incentivou, até agora, as empresas não podiam despedir a seu bel-prazer ou porque os salários eram demasiado elevados. Esta “evidência”, que só vê mesmo quem é… cego, é desmentida pela realidade. As empresas começaram a fechar em catadupa na sequência da crise de 2008 por falta de mercado (razões várias, países de Leste) e por falta de crédito, razões que, aliás, se mantêm. Com as leis em vigor, os despedimentos nunca foram tantos e os salários eram e são os mais baixos da zona euro. O número de funcionários públicos está longe de ser excessivo e a eficiência do setor começava a melhorar fortemente nos últimos anos, graças nomeadamente ao recurso às novas tecnologias e à mudança na política de admissões. O fisco funcionava relativamente bem. A Justiça não, e há muito a mudar, sobretudo a nível da execução e das possibilidades dilatórias, assim os seus agentes permitam que lhes “saia algo mais do lombo”, mas duvido que entidades como o sindicato dos magistrados do MP e o dos juízes, e as suas cabeças, sejam reformáveis pela Troika e que o fecho de alguns tribunais de província vá acelerar os processos.

Enfim, o FMI e quejandos* não podem vir dizer que se surpreendem e estão apreensivos com o agravamento da recessão e dos indicadores em países como a Irlanda, a Grécia ou Portugal, tendo dúvidas quanto ao desfecho de todo o processo de “ajuda”. Lagarde fala na necessidade de crescimento, mas a instituição a que preside não tem a mínima intenção, como já declarou, de relaxar a trela. Apesar de, aconteça o que acontecer, eles ficarem sempre bem, a hipocrisia, essa, não lhes fica bem. E nós ficamos mesmo muito mal. A solução tem que ser outra, porque nem as causas principais e primeiras nem os responsáveis da crise nem a solução para a mesma se encontram onde nos querem fazer crer que se encontram.

*Vítor Gaspar, que não é, por enquanto, quadro do FMI, escusava de ter feito um desvio por cá, na qualidade de governante, para testar um modelo.