Vinte Linhas 768

Em louvor da escrita de Fernando Sabino

Fernando Sabino (1923-2004) teve no Brasil a sua consagração junto da crítica e do público com «O grande mentecapto» (1979) mas já publicava regularmente desde 1941: «Os grilos não cantam mais», foi o seu livro de estreia. Neste «A falta que ela me faz» (Editora Record) de 1980 mas já em terceira edição, Fernando Sabino junta 36 crónicas com os temas mais diversos. Pode ser sobre o acto de escrever em geral: «o escritor é um homem que passa a vida inteira conversando consigo mesmo e cujo único consolo é que a conversa, com o correr dos anos, fica cada vez mais interessante». Já em particular confessa: «limito-me a escrever aquilo que me agradaria ler».

Para um homem que se diverte com o espectáculo da vida à sua volta eis a sua definição de vida: «Viver é um belo vício mas faz tanto mal à saúde quanto fumar. Viver também é morrer um pouco. É o próprio suicídio dos que não têm pressa.» Sobre as palavras não tem dúvidas: «as palavras é que falam por nós, elas é que nos usam. Deixemos que ajam e reajam como queiram.»

Em Paris muito se divertiu este autor ao lado de Otto Lara Resende, uma das pessoas que mais entende do assunto de gatos em todo o mundo e para quem «o gato não cabe inteiro na palavra gato» E em Minas Gerais também, quando recordou a campanha presidencial de 1955 com Juarez Távora feliz da vida em Uberaba e outras cidades: «a adesão dos mineiros se exprimia através das palavras «Salve o nosso Candidato!» e «Viva o futuro Presidente da República!». O nome do candidato não aparecia por uma questão menos de esperteza que de economia: as faixas e cartazes eram os mesmos, serviam para qualquer um deles.»

9 thoughts on “Vinte Linhas 768”

  1. que interessante, muito eu gostava de ter conversado com ele – dizer-lhe também que os grilos continuam a cantar e que são as almas que fazem viver, e fumar, as palavras e não o contrário. :-)

  2. Pois é Olinda, sem esquecer que o Santos Fernando tem um livro intitulado «Os grilos não cantam ao Domingo», aliás título de uma sua coluna no velho Diário Popular aos Domingos…

  3. oOH OLINDA da MOBIFLOR, tu debes querer dizer grelos em vez de grilos, naum é?
    impressed ai éme, indide. ó da benedita, atãoe, benha lá mais uma história da tuas, conta lá como é que desencrabas as unhas das patas, paá?!

  4. «o gato não cabe inteiro na palavra gato»
    Oh xico! Logo agora que o meu gatinho morreu é que vens para aqui falar em gatos!” Foda-se, pá!

    O gatinho que me deu
    era dócil e ronceiro,
    mas o coitado morreu
    em “miados” de Janeiro!

    Toma lá esta da minha autoria para aprenderes a fazer poesia.

  5. oh bécula! esfrega com aloé vera que a comichão passa, tamém podes espremer, juntas umas natas e fazes um batido de punheta, que podes ir beber para a beira rio enquanto desamparas a loja da diarreia mental que andas praì a aspergir.

  6. eheheheheh, batido de punheta, eehehehhehehe, fogo, a acompanhar com um brioche (de massa folhada), não combina cum grelo espigado e seco.

  7. Oh o linda pernambuco: não: estamos em agril.
    Mas que raio de mês é esse? Oitembro ainda conheço, andas mesmo tonta
    Toma lá mais esta para ver se o gato de arranha.

    A diva italiana
    sobre o peito, quem diria,
    escondeu uma bichana
    p’ra provar que a mamma mia!

    Percebeste o linda? E tu, xico?
    Aprendeste alguma coisa?

  8. ehehehehehehehehhhehe o VERDADEIRO POETA é o POETA DA TRETA!

    Dibinal, caragoe, a poesia na hora, tipo antónio aleixo, tás a bere ó XICo?

    Ó Xixo, ó xico

    todos enfiamos
    a tua poesia
    no penico

    é a poesia do bronco,
    o bronco da benedita
    ó xico, toma juízo
    não contes com o conto

    o conto de que sabes,
    o conto de que conheces
    mas no fundo
    nada tens e feneces

    O poeta da treta
    não é da treta
    é um tipo inteligente
    benha de lá mais poesia,
    daquela que faz rir
    e rebolar com alegria.

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