Take five

Agora que estou outra vez a tempo inteiro na sociologia, tem-me dado para imaginar hipóteses corroboraráveis em investigações empíricas. Tenho uma para oferecer, hoje, a quem quer que esteja interessado em compreender este facto aparentemente surpreendente: caíram a pique os apoios públicos à criação artística nas artes do espetáculo (38% de corte nos apoios pluarianuais, 100% nos apoios pontuais, muito menos dinheiro nos teatros nacionais para programação própria e coproduções) e caiu também a pique a contestação pública, designadamente dos artistas e suas associações, a esses mesmos cortes.

A hipótese é a seguinte:

A contestação dos artistas à política pública de apoio à criação artística é tanto maior:
1. Quanto maior for o financiamento público envolvido nesse apoio;
2. Quanto mais evidente for o discurso político de defesa desse apoio;
3. Quanto menor for o peso, no discurso dos responsáveis políticos, da estigmatização dos artistas como subsidiodependentes;
4. Quanto maior for a importância concedida, no discurso e na organização dos governos, à cultura;
5. E, “last but no the least”, quanto mais estranho for o ou a responsável política ao “milieu”.

O que seja o “milieu” é tema que vale uma nova meditação.

Augusto Santos Silva

13 thoughts on “Take five”

  1. basta distribuir uns tachos pelos reivindicadores profissionais e umas benesses aos controleiros. táva a lembrar-me do mota ex-comuna, mas há mais.

  2. …para tais hipóteses há outra possível conclusão…os artistas necessitam enormemente da comunicação social … ‘o palco’…quem diz palco, diz público… temos hoje que o palco deixou-se de artes, os artistas são outros …o palco está agora (como antes) mais dedicado à promoção das maravilhas neoliberais…está bem, até deram jeito para o chinfrim contra o sócrates, mas agora isso acabou…da ‘voz do dono’, aos do “milieu”, o seu (deles) muito obrigado …tchau…já agora, um conselho inútil: para a próxima ( se é que vos doi…), matutem melhor, antes do chinfrim…

  3. a 1ª hipótese. todos querem um quinhãozinho , se há para aquele ( que até nem vale um corno , tem é cunha ) eu ( que já me imagino canneada ) tb quero e grito e protesto e exijo e bla bla bla. senso comum , pá. tipo partilhas de rico com montes de familiares.

  4. E porque não, outra hipótese, ver os artistas (os artistas dependentes do estado), como integrantes dessa massa enorme que assumiu acriticamente o discurso da auto-flagelação, para o qual de resto este PS tanto tem contribuído?

  5. « O povo adora sentir o chicote no lombo»

    Fala por ti, ó pá. ora experimenta dar-me lá com o chicote a ver se não levas logo na tromba! Mutatis mutandis pró gaspar e quejandos, incluindo o besta mor do passos cualho, e o besta ainda maior que parece na realidade um cavaco. Cum catano! Mas tu pensas que eu perco tempo com anormais clonados à pressão nos bancos da assembleia da república ou quê?

  6. pensar na arte dessa forma dá-me volta às tripas e já estou com flatulência. talvez aspectos psicológicos constituam parte ignorada num potencial estudo sociológico e não revelem interesse para o caso por serem demasiado flagrantes. prefiro acreditar nisto que digo para não andar de caganeira.

  7. Olinda , não fique triste. talvez seja apenas sensibilidade artística e apurado sentido estético . que mal que ficava numa página de jornal , lado a lado : artistas batem o pé por financiamentos , banco alimentar já não consegue atender a todos os pedidos. feio , não era ?

  8. OLINDA; OLINDA; de soltura andas sempre pá, a gente bem bê a expressãoe na tua forma, pah, mas agora bires falar-nos de puns e bufas, tem lá a santa paciêcia, olha a imagem que dás á escrita, ao mundo das letras, à sensibilidade do artista, às impressões do artista, fogo de ti, já bisualizamos que tás de caganeira a tempo inteiro e que tens um cu mal habituado. mude lá o registo verbal, se faz favor, este blogue é educativo, atãoe, sua morcona?

  9. ficar triste fico. mas é tristeza passageira porque a fé passa-lhe as palhetas, :)).:-)

    (viva a flatulência e a caganeira e a verborreia e a incontinência e o vómito e o chulé! abaixo a austeridade na língua e nos dedos do zé!) :-)

  10. «(viva a flatulência e a caganeira e a verborreia e a incontinência e o vómito e o chulé! abaixo a austeridade na língua e nos dedos do zé!) :-)»

    OLINDA, OLINDA,
    Se querer peidorrar-te, força, pá, que os remates ao estômago têm de saír por algum sítio, pah, mas fecha-te lá no teu «drogatório» e snifa sozinha, pah.
    Se queres borrara s cuecas, força, mas cum caraças, segue as indicações do Ilustre Ignatz, pah, faz um batido de punheta, e laba as mãoes de seguida antes de bires aqui dedejar, carago.

    Oube, se queres dar liberdade ao misto que tense aí no meio de algo, tamém é cuntigo, pah, mas bai dar banho ao Zé, pode ser queo gajo abance mais depressa pras linhas mil.

    Chulé, desde que seja em queijo, minha, manda aí, que eu como, mas cumo sou uma pessoa iducada como o Paços Cualho, debolbo-te um brigadeiro gigante, com ingredientes digeridos da sopa da pedra ou da feijoada á portuguesa. Bias gustar, que eu já bi que tu gostas é de fazer cumós canídeos, quando apanham um cagalhão na praia e se labam naquela gaita.

    Os dedos do Zé, FOGO, FOGO, os dedos do Zé debiam estar presos, ou ocm pulseira eletronica pra fugirmos, sempre que o gajo decide fazer crochet com as letras.

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