Sê rei de ti próprio – III

A quem interessa o populismo, ou niilismo, anti-políticos, anti-partidos, anti-deputados? Depende, né? Depende donde ele vem e como ele vem.

Se vier do analfabruto, ou do deprimido, ou do xexé, ou do desempregado, ou do cínico, ou do facebookiano, é uma coisa. Uma coisa boa, porque exprime uma honestidade. Aquelas pessoas pensam aquilo. Tal e qual. Isso significa que, havendo recursos, disponibilizando-se voluntários e horas, ou dias, ou meses, aquelas pessoas trocariam os seus pensamento decadentes, anti-democráticos, anti-republicanos, anti-cidadania por outros. Melhores? Sem dúvida alguma. Qualquer coisa é melhor do que o culto da impotência, que é a única consequência do discurso contra os políticos e contra a política. A energia desses discursos é bondosa, pois contém uma ideia de justiça. Mesmo que essa ideia seja primária, ou incoerente, ou inviável, continua a ter uma certa forma que abre um espaço onde a comunicação pode acontecer.

Se vier do próprio político, do publicista, do jornalista, do empresário, do profissional disto ou daquilo, do dirigente de uma merda qualquer, é uma outra coisa. Uma coisa má, porque nasce de uma desonestidade. Aquelas pessoas não pensam aquilo. Muito pelo contrário. Se o pensassem não estariam a ocupar os cargos que ocupam, os quais dependem da manutenção de um qualquer sistema político em condições regulares de legitimidade e funcionamento para existirem e permanecerem. Invariavelmente, é a sua íntima frequência dos círculos e circuitos da política partidária e executiva que lhes dá a motivação e a confiança para simularem uma denúncia ou oposição a algo propositadamente abstracto para que não seja ameaça para nada nem ninguém.

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Retrato de mulher no Bairro do Bom Retiro em 1961

Sempre de luto, não lhe sabia o nome

Que se esgotava em ser mãe de três

O António, o Manuel e a Marcolina.

A água do poço da casa era salobra

E servia apenas para as lavagens

A da sopa era da fonte de Santa Sofia.

A casa deles era pobre, húmida e fria

Mesmo rente à terra de semeadura

E muito abaixo do muro da nossa rua.

O mais velho era campino, lá longe

Vinha só de quinze em quinze dias

Para levar o avio numa saca preta.

António não usava o fato das festas

Mas sim o vulgar tecido de cotim

Tal como os militares e todos nós.

Manuel e Marcolina iam à Escola

Não tinham livros, alguém lhos deu

E calçavam sapatilhas das baratas.

Ainda hoje lhe recordo a silhueta

O cheiro da sopa de todos os dias

A máquina onde costurava lágrimas.

E não lhe recordo o nome que não sei

Nem a sua vida que trocou pela vida

Dos seus três filhos sempre asseados.

O Ministro superlativo absoluto sintético

O ministro da Educação assegurou que vai à Assembleia da República prestar todos os esclarecimentos necessários sobre a Parque Escolar, depois de o PSD ter anunciado que pretende ouvir Nuno Crato, Maria de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada sobre esta questão.

Em Leiria, Nuno Crato recordou que os números que apresentou no Parlamento sobre a Parque Escolar foram «confirmadíssimos pelo Tribunal de Contas que agora veio explicar muito daquilo que se passava de uma maneira muito clara».

Fonte

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Como é que é? Confirmadíssimos? Crato está a sair melhor do que a encomenda. Este caso da Parque Escolar, até pela magnitude da acusação do Tribunal de Contas, tem tudo para ser a última oportunidade de Seguro interromper o suicídio para que está a arrastar o PS. Pura e simplesmente, não é possível continuar a ser cúmplice – e por razões que não revela! – com as manobras difamantes e caluniosas cujo objectivo é exactamente este aqui espelhado nos 4 comentários à notícia na TSF:

inot
25.03.2012/23:46

E foi assim que estes miseráveis deixaram o Pais e agora o principal culpado vai para PARIS estudar e vi ver há grande e há francês como se diz em girea.

J.M.
25.03.2012/23:24

Que esclarecimentos? É do conhecimento geral que os milhões foram gastos em proveito próprio e politico. RESPONSABILIZAÇÃO CRIMINAL já!

cesar tavares
25.03.2012/21:56

no correio da manha de hoje vem noticiado que o T.C “tribunal constitucional pode multar os ex responsaveis do parque escolar em 5100 euros por pagamentos elegais no montante de 544 milhões.Como é que é? então eles cometeram uma falcatrua de milhôes e são multados em tostões?Estão a brincar com o fogo,ai estão estão.Qualquer dia isto vai dar *** da grossa e depois já não há nada a fazer

antonio marques
25.03.2012/20:39

era preciso julgar e prender estes enrgumes de governantes que em vez de governarem governaram-se preso já

Cineterapia


Hugo_Martin Scorsese

A vida de Méliès merece um filme. A obra de Méliès merece outro filme. A herança cinéfila de Méliès merece ainda outro filme. Ver Scorsese a realizar algum deles teria sido mais do que merecido, para ambos. Infelizmente, Marcantonio Luciano resolveu fazer o 3D-em-1 disto tudo.

James Cameron, talvez o mais eficaz representante na actualidade do estilo invisível de Hollywood, o qual entende o cinema primeiro que tudo como experiência de plena imersão emocional na profundidade do ecrã pela maior quantidade de espectadores possível, o cinema como puro entretenimento, disse que nunca se utilizou tão bem o 3D até agora. Ora, acontece que Cameron é uma puta velha que pode ter com esse elogio evitado falar do filme ele próprio. O próprio elogio pode não passar de irónica ironia, se nos lembrarmos que o 3D em Avatar é não só inútil como ridículo.

A indústria, desde os primórdios, tentou acrescentar realismo a uma imagem que começou por ser monocromática e muda. De imediato se tentou aplicar o 3D ao cinema, aparecendo os primeiros desenvolvimentos técnicos estereoscópicos ainda no século XIX, e as primeiras projecções nos anos 20 do século XX. Nos anos 50 viriam inovações que criaram uma moda que levou à produção de dezenas de filmes pelos maiores estúdios. As décadas seguintes repetiriam o padrão de permanente procura de soluções técnicas que tornassem o 3D economicamente viável e confortável para os espectadores.

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Gaia Ciência

Luís Filipe Menezes fez um ataque violento ao anterior governo, pelo “descalabro” da governação socialista. O antigo líder do PSD quis mesmo atingir José Sócrates, um dos nomes que ainda não tinha sido proferido no congresso laranja.

Menezes fez um paralelo entre o percurso de vários políticos para dar uma estocada no antecessor de Pedro Passos Coelho: “O primeiro-ministro Cavaco Silva hoje é Presidente da República; António Guterres, que falhou, é presidente de uma instituição das Nações Unidas, Durão Barroso cumpriu o seu dever é presidente da Comissão Europeia; o engº Sócrates é aluno estudante em Paris…” E acrescentou: “Pelo menos em Sorbone não se fazem exames ao domingo”…

Fonte

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A governação socialista foi um descalabro, Menezes tem 300% de razão, em especial a partir daquela altura em que Sócrates levou o Lehman Brothers à falência e deu ordens a Teixeira dos Santos para rebentar com a AIG na primeira oportunidade, coisa que o ex-futuro administrador não executivo da PT fez em poucos dias. O resto é História, e a Grécia que o diga que está cheia dela, tendo esta dupla continuado a afundar a economia mundial e a Eurolândia até Junho de 2011, quando finalmente foram corridos pela gente séria.

Menezes atinge os 1000% de razão quando compara o percurso de alguns líderes políticos com o de Sócrates. E até podia ter ido um bocadinho mais longe. Por exemplo, Cavaco não se limita a ser o Presidente da República, é também o patrono da “Inventona das Escutas”, entre outras habilidades nunca antes vistas em Belém. Por exemplo, Durão Barroso não se limita a ser o presidente da Comissão Europeia, é também aquele tipo que disse consistir a sua maior ambição na vida chegar a primeiro-ministro, e que depois de lá se apanhar fez algo que igualmente nunca tínhamos visto em S. Bento: fugiu a meio do mandato para ir ganhar mais e deixou o seu partido e o País entregue ao Santana Lopes. Por exemplo, Santana, que Menezes não referiu apenas por falta de tempo, não se limita a ser uma figura que liderou o PSD e o Governo, é também aquele político que alimentou um boato acerca da suposta homossexualidade do seu maior adversário eleitoral, algo que, novamente, marca uma estreia no panorama político nacional e que mais do que justifica o prémio de usar a Santa Casa da Misericórdia para andar por aí a ser misericordioso. Por exemplo, Marques Mendes, que Menezes igualmente teve de omitir por falta de tempo, não se limitou a ser um zeloso operacional do Cavaquistão, é também na actualidade um dos mais fervorosos adeptos das escutas ilegais a políticos seleccionados e sua divulgação em pasquins do laranjal. Por exemplo, Menezes foi de uma modéstia exemplar ao não se incluir neste comparativo, pois ao contar 9 meses como presidente do PSD estaremos perante o recorde da liderança partidária mais curta em Portugal, um feito que poderá ser inscrito no Guiness Book sem espinhas.

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Vinte Linhas 751

Algumas opiniões sobre «Rio sem margem» de Zetho Cunha Gonçalves

Depois de ter sido publicado aqui no Blog Aspirina B o texto «Um livro por semana 272» surgiram alguns comentários alto de estúpidos mas quem anda à chuva molha-se e o Mundo é mesmo assim. Adiante. Pessoa amiga fez-me chegar às mãos um resumo de três opiniões abalizadas de três figuras das letras. Portugal, Brasil e Angola, todos importantes, todos valiosos, todos com percurso assinalado. Vale a pena dar um pouco de atenção.

E.M. de Melo e Castro (Covilhã, 1932), poeta e ensaísta, assinou 23 livros de poesia entre 1950 e 1990 além de 11 volumes de ensaio entre 1965 e 1993, além de ser co-autor da «Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa» com Maria Alberta Menéres. É dele a seguinte opinião: «Rio sem margem é uma maravilha !!! de que muito gostei e que vai ser muito útil sempre que tiver que falar ou escrever sobre a poesia de África em português.»

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Sacrifícios do lombo e pregos de sola

Passado um ano da operação “assalto ao pote”, estou impressionada.
A combinação, pelo atual primeiro-ministro, de uma linguagem vulgar a tender para o rasca e de uma outra, moralista, que retrocede no tempo até ao Cardeal Cerejeira do nosso imaginário causa uma enorme urticária a pessoas que já viram o país a ambicionar outro destino mais edificante e civilizado e a desejar enterrar de vez os diáconos Remédios do passado. Já só nos faltava mesmo um rapazola inculto que pensa que, não filtrando as palavras, chega ao coração do povo que ele mesmo deliberadamente empobrece, utiliza a linguagem moralista bacoca ouvida a alguma bisavó e ao mesmo tempo vai distribuindo, com total insensibilidade, benesses pelos amigos.

O líder do PSD reconheceu, esta sexta-feira, que os portugueses têm sido “compreensivos” com sacrifícios que lhes têm saído do “lombo”, e apesar de uma oposição a quem “tudo parece um prego” porque “anda sempre com um martelo na mão”.
“É porque nós não desistimos, não queremos renegociar, não queremos fazer essa flexibilização, nós queremos ser exigentes e intransigentes no cumprimento das nossas obrigações. É assim que gente honrada faz, é assim que quem quer o crédito reconhecido pelos outros tem que fazer, é o que os portugueses estão a fazer com o nosso Governo”, defendeu
.

Jornal de Notícias

O bordão dos tímidos ou Nausicaa outra

Para Fernando Assis Pacheco

Não havia clássicos no Curso Comercial
O «Ulisses» em banda desenhada – apenas
E pouco mais que ler quase parecia mal
Quando as semanas voavam pouco serenas

As Edites e as Ângelas dançavam longe
No baile de finalistas era num celeiro
Encostado às paredes eu fazia de monge
Chorando por um desgosto verdadeiro

Em corredores no metro as encontro hoje
A caminho do médico já com as crianças
São uma porta fechada e o passado foge
Para deixar no poema estas lembranças

E a voz cansada de quem jogou quase tudo
E perdeu tudo sem saber bem o resultado
Volta-se hoje para um exercício mudo
Ângulo fechado para dentro do passado

José do Carmo Francisco
(in «Leme de Luz», Edição SOL XXI 1993)

O suspiro da banqueira

A escassez de liquidez é global em todo o Mundo. Porquê? Porque nós estamos a assistir em todo o Mundo a uma coisa que se chama the great deleveraging, a grande desalavancagem. O que é que aconteceu? Nós estamos piores do que os outros, em todas as situações há melhores e piores e nós estamos intervencionados portanto estamos piores, não obstante, desde a década de 80 até 2010 houve um crescimento brutal do crédito, um credit boom em todo o Mundo. Em 1980 os países da OCDE tinham globalmente em termos de dívida 160% do seu PIB, dívida pública mais privada – chegam a 2010 e estão com 320%.

Explica-se muito pela China. Isto coincide com o período em que a China entra em força no mercado, em 1978, altura em que a China abriu aos mercados de capitais, permitindo algumas décadas de forte crescimento em todo o Mundo com produtos que vinham da China a muito baixo preço. Pensamos que esse período está a chegar ao fim e que o Mundo chegou à conclusão que viveu acima das suas possibilidades, que todos exagerámos um bocado na festa.

[…]

Eu sou engenheira e gosto muito de dados objectivos.

Isabel Ferreira, presidente do banco Best

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Esta banqueira diz aquilo que qualquer profissional ligado à actividade económica repete para si e entre colegas. Porque são os tais dados objectivos passíveis de serem demonstrados com números e contas fáceis de fazer e de entender. Estamos perante um acontecimento global que rebenta indomável aquando da crise das dívidas soberanas na Europa, mas o qual decorre ao longo de décadas de uma forma que nem sequer teria sido racional combater por um país isolado, pois era uma dinâmica sistémica ubíqua. Foi este o fenómeno que a direita portuguesa explorou para fazer de Sócrates, de Teixeira dos Santos e do PS os tais monstros simultaneamente incompetentes, corruptos e loucos que nos tinham levado à bancarrota por causa de um TGV por construir, um aeroporto por planificar e muito rico dinheirinho esbanjado com doentes, crianças e desempregados em vez de ter ido aumentar a zona de conforto da gente séria.

Marcelino, o director da versão softporno do Correio da Manhã que conduz a entrevista, não quis tirar daqui nenhuma ilação para a situação em Portugal e fugiu rapidamente daqueles terrenos. Contudo, é delicioso o suspiro que se consegue ouvir no minuto 30, quando a Isabel começa a explicar que não se podia ter feito diferente do que se fez em Portugal, e por isso quase todos os países, de alguma forma, acabaram por ter as suas dívidas a aumentar enormemente. Nesse suspiro está uma calada e dolorosa tristeza por ver a elite da direita a transformar a política numa decadente caça às bruxas, promovendo os instintos mais baixos e irracionais num povo tão carente de educação e formação, só para chegar ao poder de qualquer forma e nem que para tal tivesse de afundar o País numa crise ainda mais grave do que aquela que já era gravíssima por causa das fragilidades estruturais e das condições externas. Nesse suspiro cabe também a absoluta inutilidade do voto entregue ao PCP e, particularmente, ao BE, forças de sectarismo demente que acabaram por servir os interesses dos supostos adversários ideológicos. É o suspiro de quem contempla a estupidez humana, tantas vezes registada na História, o lastro da animalidade que prefere a selva, que não sabe viver na cidade.

Faz hoje 1 ano que

Faz hoje um ano que PSD, CDS, BE e PCP olharam uns para os outros e pensaram que a coisa não estava assim tão mal que não pudesse ficar pior, e muito pior. Se bem o pensaram, implacavelmente o fizeram.

Creio que melhor retrato do que são actualmente esses partidos não há, nem nunca houve, e só nos resta esperar que não venha a haver.

Reunião da comissão política nacional do PS – oftalmologista precisa-se

Perante a posição assumida na reunião por Francisco Assis de que o partido deveria acabar com a clivagem passado recente/futuro, que, e agora sou eu a falar, além de contraproducente, é insustentável face à estratégia dos adversários, e, em vez disso (retomo Assis), assumir o seu património político sem ruturas, eis as reações dos apoiantes de Seguro, lidas no Jornal de Negócios:

«Na sequência destas intervenções, Jorge Brilhante Dias, membro do Secretariado Nacional do PS, pediu ao colectivo dos dirigentes socialistas para também se empenhar na defesa do secretário-geral, António José Seguro, quando ele é alvo de ataques externos.

Depois, vários membros da Comissão Política próximos da direcção de Seguro defenderam que o PS não pode acantonar-se na defesa do seu passado, já que por essa via perderá margem de manobra como partido de oposição.

José Junqueiro, José Luís Carneiro, Ricardo Gonçalves e João Paulo Pedrosa assumiram posições nesse sentido e consideraram que é estratégia do Governo pôr o PS a discutir o passado, impedindo assim a afirmação de propostas alternativas.»

A cegueira, pelos vistos, tem nomes. Se a estratégia claríssima e aparentemente única do Governo é atacar o governo anterior a propósito de tudo e de nada, mas sobretudo a propósito do muito que corre mal atualmente, e de tudo destruir e desmantelar como se peçonha tivesse, e se o PS não tiver resposta para isso, e uma resposta vigorosa, acontece o lamentável espetáculo a que temos assistido: a atual direção do partido apresenta-se frouxa, sem desejo ou incapaz de contra-atacar, torna-se e torna o partido vulnerável, permite que passem por verdades as afirmações mais delirantes, caluniosas e viciosas dos atuais governantes e deputados da direita, coloca-se em posição de penitência e, na prática conivente com as críticas, deixa brilhar a atual maioria enquanto ela própria faz figura de urso.
Quanto ao impedimento que tal “acantonamento” no passado representa à apresentação de propostas alternativas, a cegueira continua, mas desta vez em direção ao umbigo. Alguém sabe, por acaso, o que pensa Seguro em matéria de Educação, Saúde, Ciência, Energia, prioridades da nossa economia, políticas laborais? E, já agora, o que lhe desagradou concretamente na governação anterior?
Se, nesse particular, esfregassem os olhinhos, veriam que tínhamos uma enorme, imensa e poderosa alternativa nas linhas políticas traçadas pelo governo de Sócrates. E não, não foram elas que nos levaram à bancarrota, ponto que deveria ser justamente entendido de uma vez por todas pelas atuais luminárias da direção socialista.

Vou fazer um esforço e colocar-me no lugar de Pedro Picoito

Depois de tanto esforço que dedicou, não a atacar os direitos dos gays e das lésbicas, mas essa “espécie” em si, de modo que demonstrada a propensão da dita para horrores criminais e demenciais, pareceria mais lógico discutir punições do que direitos, estou certa disto: temos escritor. Pedro Picoito deveria parar de discutir com o Jugular, ofendendo-se quando ofende, e escrever um livro denso.

Permitia-me dar-lhe o conselho de seguir aquilo que segundo o próprio Pe. José Luis Torres-Pardo C.R., fundador do Instituto e da Obra de Cristo Rei – que publicou o livro: «A luz brilha nas trevas. O pensamento de Bento XVI» (Edições Cristo Rei) – afirmou ter sido a sua inspiração: “A urgência de dissipar, no possível, as trevas do pecado, do erro, da incredulidade, da ignorância e da tibieza espiritual”.

Para leigos, até pode ser interpretado, adaptando ao caso como – como é que se chama? – honestidade intelectual, é isso.

Porque em sabendo que são jornalistas, e não grevistas, escusamos de pensar duas vezes antes de puxar do bastão, percebes?

Em comunicado hoje emitido, a Direção Nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP) afirma que “tem feito com a antecedência necessária diversos apelos aos órgãos de comunicação social (…) para a necessidade de [de os jornalistas] se identificarem, colocando-se sempre do lado da barreira policial que os separa dos manifestantes em geral”.

“Continuamos a verificar que tal não aconteceu nas manifestações levadas a efeito no dia de hoje e lamentavelmente tivemos necessidade de usar a força pública, num contexto de arremesso de cadeiras, pedras e outros objetos contra as forças policiais, que acabaram por originar ferimentos nos nossos agentes”, lê-se no comunicado.

Ler aqui o comunicado da PSP uns aninhos depois do 25 de Abril

Populismo de alta velocidade

A oposição do PSD e CDS à linha ferroviária de alta velocidade faz parte do padrão populista com que estes dois partidos fizeram combate político contra o Governo PS. O TGV era um alvo que permitia despertar a irracionalidade numa enorme maioria de eleitores que não compreendiam o que estava em causa e se deixavam manipular com a distorção desmiolada de ser apenas um investimento megalómano para satisfazer o desejo de luxo dos socialistas. E o que estava em causa era o compromisso do Governo português com Espanha, assinado por Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite em 2003 para a construção de 4 linhas, número que viria a ser reduzido a duas por Sócrates. Esse projecto tinha o aval europeu, sendo considerado estratégico para as redes de transportes de passageiros e de mercadorias, e o Fundo de Coesão dispunha de verbas para o seu financiamento.

O que continua a ser fascinante é o gosto da opinião pública pela escancarada violação da verdade factual que aqueles que levaram a cabo o maior engano do eleitorado de que há memória continuam a fazer. O logro que consistiu em prometer o fim dos sacrifícios só para depois os agravar para níveis inimagináveis assim que tomaram o poder não suscita no cidadão o mais leve protesto, antes estão ao lado dos violadores e repetem os seus argumentos. É por isso que às explicações de Ana Paula Vitorino, realçando as evidências, responde Hélder Amaral com a retórica da criminalização, como se o chumbo do Tribunal de Contas não tivesse um contexto, um pretexto e até um subtexto. Se perguntarmos ao vizinho de que lado é que está a razão e quem é que melhor defende os seus interesses nesta questão, dobrado contra singelo como 90% se oferecerá para levar a senhora até ao calabouço.

Claro, calhando o PSD ter governado de 2005 a 2011 e o TGV seria agora uma obra imprescindível na paisagem do laranjal.

Red Light District

Na eventualidade de algum comunista ou bloquista ter passado algumas horas, mesmo só alguns minutos, a reflectir sobre a política dos últimos Governos socialistas – e na ainda mais improvável eventualidade de ter chegado à conclusão de que esses Governos não eram constituídos por serventuários do imperialismo americano e do capitalismo selvagem, antes por concidadãos que tentaram, e em grande ou relevante parte conseguiram sem ter de abandonar a União Europeia e a NATO, utilizar os recursos do Estado na defesa dos superiores interesses dos portugueses, interesses esses atacados e desmantelados ou a caminho disso, em grande e relevante parte, pelo actual Governo e sua constelação de pote-dependentes – que pensará agora das decisões do seu partido cuja única material e dialéctica consequência foi o apoio à direita no seu processo de derrube da esquerda?

Zona de Conforto

Pedro Adão e Silva, o surfista prateado do comentário político, é também um disc jockey de mão-cheia. Nas madrugadas de sexta para sábado, entre a meia-noite e a uma da manhã, felizardos que estejam em automóveis à beira-rio, ou felizardos que não estejam em automóveis à beira-rio, poderão sintonizar a TSF e comprovarem quão felizes são.

Para todos os outros felizardos de todos os outros dias e de todas as horas, os programas arquivados e as cenas fixes aguardam pela visita aqui.

Balada do Cais das Colunas (O Tejo a seus pés de Carlos Botelho)

Cais das Colunas, janela
Do Tejo, do Mar da Palha
Registas um barco à vela
Que noite e dia trabalha

Bote, batel ou canoa
Bateira, falua, enviada
Traz o peixe de Lisboa
No preço de quase nada

Varino, muleta, fragata
Cangueiro, proa redonda
Catraio onde a serenata
Não tem voz que responda

E a palha que deu nome
Ao mapa deste estuário
Pode ser sinal de fome
Num lugar ao contrário

Da Chamusca, alagados
Os campos sem animais
Sobe a água nos valados
Há notícias nos jornais

Mistério, o Tejo amplia
Em homens e cacilheiros
E na faina do dia-a-dia
Os sonhos são verdadeiros

E povoam todo o luar
Da noite do que persiste
As horas de trabalhar
Não dão para ser triste

Inscrevem-se na paisagem
Nos barcos, mercadoria
Ligam uma, outra margem
Na mais teimosa alegria

Ai, se eu te pego…

Como era intuito do PSD ao decidir inopinadamente pedir uma comissão de inquérito parlamentar ao BPN depois de a ter recusado, “Ninguém pode ficar de fora dessa responsabilidade.” Foi assim que o secretário-geral do PS, António José Seguro, admitiu a possibilidade do ex-primeiro-ministro, José Sócrates, responder perante a nova comissão de inquérito ao BPN, que hoje tomou posse no Parlamento.”
Fonte

Acho bem.
Sócrates continua a reinar. Ao ponto de, sozinho, poder constituir o ponto alto, se não o único, da ordem de trabalhos de toda uma comissão.
Só para ver o nervosismo, a inveja e as humilhações que iria provocar nas hostes, assim como o alvoroço jornalístico, a sua vinda valeria a pena. Suspeito até que seria decretado feriado nacional para todo o Portugal o poder admirar. Ainda mais vindo de Paris.

Só que… “Nossa! Assim ele vos mata.”
‘Tou avisando.