Reunião da comissão política nacional do PS – oftalmologista precisa-se

Perante a posição assumida na reunião por Francisco Assis de que o partido deveria acabar com a clivagem passado recente/futuro, que, e agora sou eu a falar, além de contraproducente, é insustentável face à estratégia dos adversários, e, em vez disso (retomo Assis), assumir o seu património político sem ruturas, eis as reações dos apoiantes de Seguro, lidas no Jornal de Negócios:

«Na sequência destas intervenções, Jorge Brilhante Dias, membro do Secretariado Nacional do PS, pediu ao colectivo dos dirigentes socialistas para também se empenhar na defesa do secretário-geral, António José Seguro, quando ele é alvo de ataques externos.

Depois, vários membros da Comissão Política próximos da direcção de Seguro defenderam que o PS não pode acantonar-se na defesa do seu passado, já que por essa via perderá margem de manobra como partido de oposição.

José Junqueiro, José Luís Carneiro, Ricardo Gonçalves e João Paulo Pedrosa assumiram posições nesse sentido e consideraram que é estratégia do Governo pôr o PS a discutir o passado, impedindo assim a afirmação de propostas alternativas.»

A cegueira, pelos vistos, tem nomes. Se a estratégia claríssima e aparentemente única do Governo é atacar o governo anterior a propósito de tudo e de nada, mas sobretudo a propósito do muito que corre mal atualmente, e de tudo destruir e desmantelar como se peçonha tivesse, e se o PS não tiver resposta para isso, e uma resposta vigorosa, acontece o lamentável espetáculo a que temos assistido: a atual direção do partido apresenta-se frouxa, sem desejo ou incapaz de contra-atacar, torna-se e torna o partido vulnerável, permite que passem por verdades as afirmações mais delirantes, caluniosas e viciosas dos atuais governantes e deputados da direita, coloca-se em posição de penitência e, na prática conivente com as críticas, deixa brilhar a atual maioria enquanto ela própria faz figura de urso.
Quanto ao impedimento que tal “acantonamento” no passado representa à apresentação de propostas alternativas, a cegueira continua, mas desta vez em direção ao umbigo. Alguém sabe, por acaso, o que pensa Seguro em matéria de Educação, Saúde, Ciência, Energia, prioridades da nossa economia, políticas laborais? E, já agora, o que lhe desagradou concretamente na governação anterior?
Se, nesse particular, esfregassem os olhinhos, veriam que tínhamos uma enorme, imensa e poderosa alternativa nas linhas políticas traçadas pelo governo de Sócrates. E não, não foram elas que nos levaram à bancarrota, ponto que deveria ser justamente entendido de uma vez por todas pelas atuais luminárias da direção socialista.

10 thoughts on “Reunião da comissão política nacional do PS – oftalmologista precisa-se”

  1. É oficial: a sigla PS deixou de significar Partido Socialista (doravante designado por ex-P. S.), passando a identificar o novíssimo Partido Segurista, do Tó-Zé, que não herdou o património do ex-P. S. e se constitui, assim, como a mais nova força política no panorama partidário português.

    Trata-se de um Partido ainda sem qualquer ideologia definida, nem programa, nem sequer ideário, aberto às contribuições graciosas de todos para, a partir do nada e do vazio, criar uma “alternativa credível” (por favor, não é piada) ao atual (des)governo, nomeadamente em termos de candidatos a ocupar as vagas do aparelho de Estado, de preferência sem ter de dizer mal de ninguém, nem propor medidas, nem ter confrontos, nem assumir atitudes, nem denunciar atropelos, nem captar opiniões, ou conquistar sensibilidades. No limite, o ideal era mesmo nem sequer ter de disputar Eleições, ou de ganhar votos! Ou seja, o novíssimo PS pretende, ao fim de dois milénios e meio de Democracia, algo tão simples como… descobrir a pólvora!

    Boa sorte, garotada imberbe e manhosa, mas comigo não contem. Para nada, mesmo…

  2. Faz hoje precisamente um ano que a Assembleia da República deu o passo fatal e que faltava para derrubar o “Socras”, atirando Portugal para a ruína e a humilhação da caridade oligárquica internacional.

    Talvez poucos se lembrem já deste facto, outros nem sequer saibam do que falo (os que vêem televisão a mais), mas podem sempre ir à “net” para, por uma vez, aprender alguma coisa que diga respeito (e bastante) às suas vidinhas tristes.

    Proponho, por isso, um respeitoso minuto de silêncio.

  3. O que acontece na comissão política do PS é revelador da degradação a que a
    partidocracia chegou! Alguns do comissários precisam de uma cura de desintoxicação,
    estão contaminados pela propaganda da direita e, bem enunciada pelo ministro do
    Hitler, uma mentira repetida muitas vezes passa a verdade insofismável em seis meses!
    Lamentávelmente, não se preocupam com o País antes, estão olhando para o umbigo
    e esperando o tachito…não têm idéias tão pouco sabem assumir a oposição pior, são
    de uma insegurança que está à vista de todos, são “embrulhados” nos debates salvo,
    raras excepções em que respondem adequadamente!!!

  4. Seguro e seus apaniguados não estão lá para serem oposição. São uma reserva da direita para a constituição do grande governo de cavaco que daqui por algum tempo irá surgir. Portanto, os gajos estão a fazer o seu trabalhinho. Aguentar com calma, não fazer ondas, deixar o governo em paz, e esperar que haja uns ministeriozitos e secretarias de estado também para si. É tudo clarinho como água.
    Ah!… e até PC e Bloco estão tambem a dar uma ajudinha, com a sua oposição soft quanto baste. O grande perigo, o socras, esse é que tem de ser esconjurado.

  5. …entretanto, os jornalistas levam na focinheira que é para ver se percebem o que quer dizer “asfixia democrática”, assim tipo curso acelerado da universidade de primavera do laranjal.
    :D
    Vai na volta, o Cagueiro da Manhã ainda descobre que a ordem para arrear no pessoal ainda foi dada pelo Sócras antes das eleições, qu’és ver?

    ‘Tou danadinho para assistir a uma manif do bloco…

  6. Seguro fundamenta a sua “legitimidade” no opróbrio de Sócrates, na execração de Sócrates, na demolição de Sócrates, na crucificação de Sócrates.
    Seguro só ocupa o lugar que ocupa (e a que pateticamente se julgava há muito com direito) graças à colaboração activamente passiva, e por vezes activa “tout court”, mesmo que camuflada, que deu e continua a dar a essa demolição.
    Seguro receia só poder manter a sua legitimidadezinha formal se o crucificado continuar bem pregado na cruz, pelo que suspira de alívio sempre que os crucificadores espetam nele mais uns pregos, tarefa contínua, diária, com inúmeros e empenhados agentes, sendo o principal o correio da manha, bem municiado pelas máfias judiciais ressabiadas e vingativas.
    Seguro receia que alguns dos pregos mais fracos enferrugem e se soltem (“défice colossal”, Parque Escolar, SCUT, entre outros), o que poderia acontecer com relativa facilidade se o partido que empalmou nisso se empenhasse minimamente, numa tarefa que se perspectiva relativamente fácil. Seguro tem pavor dessa possibilidade, razão por que o partido, por ele manietado e castrado, se vê impossibilitado de utilizar as munições que tem ao seu dispor. Seguro sente que as eventuais vitórias parciais daí resultantes aliviariam a crucificação de Sócrates, coisa que ele não pode consentir. O que Seguro faz, enquanto a quadrilha do pote espeta diariamente mais pregos no crucificado, é esticar as mãozinhas disfarçadamente por detrás das costas, para segurar alguns pregos mais fracos e evitar que caiam.
    Seguro aplica de modo completamente idiota a história dos anéis e dos dedos. Desprovido de qualquer ideia ou projecto político dignos desse nome, e para manter o miserável penacho que exibe, por mera vaidade pessoal, oferece de mão beijada, ao principal adversário político, anéis, pulseiras, dedos, mãos, braços e pernas, não dele mas do partido de que se tornou dono, transformando um potencial cavalo de corridas numa mula cega e tetraplégica, espojada nem ela sabe onde, comida pelas moscas, levando pontapés e pauladas de todo o bicho-careto que por ela passa.
    Seguro é como o crocodilo da anedota do KGB: ele voar até voa, mas voa baixinho, tão fracas são as asinhas. Nota-se-lhe, aliás, inúmeras esfoladelas na barriguinha e na bundinha, devido a sucessivas e malogradas tentativas de descolagem.
    Um comentador do Aspirina, não me lembro qual, escreveu há tempos numa das caixas de comentários a melhor definição que até agora vi de António José Seguro: ministro da Oposição. É essa a sua lamentável função histórica, para mais não lhe chega a alma.

  7. O que escreveu a Penélope é de uma evidência tal que só quem sofrer de cataratas em fase agudíssima não conseguirá ver. Pelos vistos a doença é endémica por aquelas bandas, razão por que me decidi a dizer-lhes adeus!

  8. Seguro tem uma tarefa histórica: manter o PS nas sondagens sete ou oito pontos abaixo do PSD. Quando o emplastro se for embora, o que espero não tarde, o Coelho vai ter saudades. Mas ainda ficam por aí o Louçã e o Jerónimo, co-fundadores do coelhismo.

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