Populismo de alta velocidade

A oposição do PSD e CDS à linha ferroviária de alta velocidade faz parte do padrão populista com que estes dois partidos fizeram combate político contra o Governo PS. O TGV era um alvo que permitia despertar a irracionalidade numa enorme maioria de eleitores que não compreendiam o que estava em causa e se deixavam manipular com a distorção desmiolada de ser apenas um investimento megalómano para satisfazer o desejo de luxo dos socialistas. E o que estava em causa era o compromisso do Governo português com Espanha, assinado por Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite em 2003 para a construção de 4 linhas, número que viria a ser reduzido a duas por Sócrates. Esse projecto tinha o aval europeu, sendo considerado estratégico para as redes de transportes de passageiros e de mercadorias, e o Fundo de Coesão dispunha de verbas para o seu financiamento.

O que continua a ser fascinante é o gosto da opinião pública pela escancarada violação da verdade factual que aqueles que levaram a cabo o maior engano do eleitorado de que há memória continuam a fazer. O logro que consistiu em prometer o fim dos sacrifícios só para depois os agravar para níveis inimagináveis assim que tomaram o poder não suscita no cidadão o mais leve protesto, antes estão ao lado dos violadores e repetem os seus argumentos. É por isso que às explicações de Ana Paula Vitorino, realçando as evidências, responde Hélder Amaral com a retórica da criminalização, como se o chumbo do Tribunal de Contas não tivesse um contexto, um pretexto e até um subtexto. Se perguntarmos ao vizinho de que lado é que está a razão e quem é que melhor defende os seus interesses nesta questão, dobrado contra singelo como 90% se oferecerá para levar a senhora até ao calabouço.

Claro, calhando o PSD ter governado de 2005 a 2011 e o TGV seria agora uma obra imprescindível na paisagem do laranjal.

10 thoughts on “Populismo de alta velocidade”

  1. Já estamos enterrados até às orelhas com as autoestradas que não vai haver dinheiro para pagar aos “cantoneiros”.

    Enterrados com os campos de bola que não temos arbitros para tanta bola.

    Só faltava o TGV para trazer espanhois de cu tremido à praia.

  2. mais um frete do tribunal de contas ao governo, protagonizado pelo carlos moreno que anda há meses a vender a ideia e com o apoio dos mesmos media que participaram e apoiaram aquelas mini-férias dos dos juízes no algarve. ontém houve mais uma sessão de esclarecimento na sicn, no programa do gomes ferreira, é só conferir os nomes da cambada no link. se fossem mais discretos, não podiam reclamar os créditos.

    http://jusjornal.coimbraeditora.pt/Content/DocumentView.aspx?params=H4sIAAAAAAAEAO29B2AcSZYlJi9tynt/SvVK1+B0oQiAYBMk2JBAEOzBiM3mkuwdaUcjKasqgcplVmVdZhZAzO2dvPfee++999577733ujudTif33/8/XGZkAWz2zkrayZ4hgKrIHz9+fB8/IorZ7LMXpzt4dnc/fXDwCy/zuimq5Wd7O7t7O3t7O/igOL9+Wk3fXK/yz86zssn/H5rzmIg1AAAAWKE

  3. acorda oh tosco! o tgv não foi cancelado, foi rebaptizado para alta prestação, mais uma readaptação em curso, mas não se pode saber por causa da campanha que os direitolos fizeram. tá agora o teu primeiro a dizer que vai aproveitar os fundos para brincar aos marklin.

  4. os rurais, nas suas ruralidades, não percebem que o investimento em causa tem uma contribuição enorme de fundos da ue e que esse investimento no estado mórbido da nossa economia é crucial para a nossa economia não descer aos infernos gregos. mas toda a gente percebe (o rural não percebe) que o problema está, como disse o gaspar em bruxelas, no facto de se tratar de um projecto do anterior governo.

  5. não se aflijam que nada está perdido, cancela-se o projeto anterior com pompa, circunstância e indemnizações aos ex-patrões dos actuais governantes e renegoceia-se uma readaptação sob a forma de novo projecto, dito mais barato, para permitir empochar mais umas comissões pessoais e partidárias. o próximo episódio chama-se alcochete, onde os amigos de cavaco investiram algum emprestado pelo bpn e querem receber o que nunca pagaram.

  6. Diga lá Rural, que parte do ” Esse projecto tinha o aval europeu, sendo considerado estratégico para as redes de transportes de passageiros e de mercadorias, e o Fundo de Coesão dispunha de verbas para o seu financiamento ” é que não percebeu? Não sabe lêr? Não sabe interpretar? Olhe que ser rural não o desculpa de não ter ido á escola aprender como deve ser…

  7. “O Rural” tem alguma razão, sim senhor, mas não a maior parte dela; o “anonimo” é que toca nos pontos certos, mas num estilo vinagreiro que as moscas topam a milhas – as intenções serão boas, mas assim também não vai lá.

    Mas não sei é quem faz a figura mais desprezível: se os anafados burocratas de Bruxelas, que com a mesma cara de parvos dizem hoje que é branco escuro o que ontem afirmavam ser preto claro, se os velhacos dos nossos governantes atuais, que brincam aos “cobóis” com os comboios do nosso Futuro e dos nossos filhos e netos, se os pedantes das opiniõezinhas blasfemas, formatadas e estéreis, que do fundo das suas irremediáveis ignorância, cegueira e burrice, académicamente certificadas, continuam a querer encaminhar o País dos ceguinhos para a valeta, fiando-se no seu olho vesgo e sempre torto (para o lado direito).

    Ora um projecto como o do TGV, que até molda o Futuro por várias décadas, é no fundo como a compra de um par de sapatos: se decidires a compra no Verão e chegares ao Inverno ainda indeciso quanto à cor, vais acabar por andar descalço com os pés nas poças de chuva, mais certo que sopas.

    O TGV foi mal pensado, como foram os IP’s e os IC’s do cavaquismo e do betoneira do amaral, ou os euricos do guterres, sem dúvida que foi. E o PS deveria ter alguém melhor do que uma imberbe Paula Vitorino para fazer pedagogia pública num momento e sobre um assunto destes. Mas isso não chega (está muito longe, mesmo) para, argumentando com o pedaço podre da fruta, deitar fora as vitaminas inteirinhas para o lixo!

    Sub-nutrição, pela certa, é o que vamos ter em Portugal nas próximas décadas, se não arrepiarmos brevemente caminho. Sobre este aspeto e muitos outros mais…

  8. Afinal quais são as (in)competência dos senhores do Tribunal de Contas??
    Tribunal de Contas (TC) chumbou hoje a concessão do troço de linha TGV????
    O Tribunal de Contas detectou despesas e pagamentos ilegais relativos a 34 contratos da Parque Escolar???
    Tribunal de Contas arrasa renegociação dos contratos nas ex-SCUT????

    And so on……

    Todos nos lembramos que há uns tempos atrás as dividas das câmaras eram aí uns 3 mil milhões, há umas semanas já era de 6 mil milhões, há uns dias era de 8 mil milhões e há dois dias atrás o Ministro Relvas afirmou que talvez fosse de 12 mil milhões. Ora sendo o Tribunal de Contas é o órgão que «fiscaliza a legalidade e regularidade das receitas e das despesas públicas, aprecia a boa gestão financeira e efectiva responsabilidades por infracções financeiras» (art. 1.º da citada Lei 98/97), em suma, o órgão máximo de controle da legalidade financeira do Estado e das autarquias, como é que tão competente organismo deixou que as coisas chegassem a este ponto? Não seria de abrir uma investigaçãozita?
    Parece-me que não contende com o direito dos cidadãos em tomar parte na vida política e na direcção dos assuntos políticos do país previsto no artigo 48.º, n.º 1, da CRP, já que a este direito constitucional, que, por esta via interpretativa, não é coartado, corresponde o dever de participar na vida pública com responsabilidade,o que implica o conhecimento das normas jurídicas em que tal vida pública se move, ou, no mínimo, a procura desse conhecimento.
    Já estou farto de ouvir o tal Dr Moreno, um dos grandes responsáveis por estas situações, tentar “lavar as mãos como pilatos”. Afinal o que é que ele esteve a fazer nos últimos 10 anos no Tribunal de Contas?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.