Já chega. Já chega de linguagem branca. Já chega de demagogia. Já chega de ofensas à nossa inteligência. Já chega, sobretudo, do sucessivo aproveitamento da crise para ofender os mais desprotegidos da sociedade, agendando agendas antigas, apelando, para isso, a “quem trabalha”, qual canal de vendas da manhã em busca de audiências.
Ontem a Deputada Teresa Caeiro – o CDS/PP vai variando de mensageiro – explicou ao povo estúpido que o “rendimento mínimo” – que odeia tanto que não sabe que se chama RSI – vai ser sujeito a regras duras de fiscalização, porque é uma prestação que “deve ser temporária” e não um “modo de vida”. Mais acrescentou, na sua imensa sabedoria moralizadora e passando a mensagem de que não conhece o regime jurídico do RSI, que não faz sentido “pessoas receberem o RSI sem mostrarem vontade de trabalhar”, devem ser inscritos em centros de emprego e aceitar o emprego que apareça a não ser por razões ponderosas.
Com estas mudanças fabulosas que o Governo, por iniciativa do CDS, vai levar a cabo, Teresa Caeiro, antes de implementar o sistema, já sabe quem são os aldrabões e já sabe que as reformas mais baixas vão aumentar até 3%, se ouvi bem.
Uma pessoa ouve isto e lembra-se que a “política da verdade” foi um grito demagógico da direita que, de mãos dadas com quem apresenta votos de pesar ao povo da Coreia do Norte, derrubou no Parlamento o último Governo.
Vamos então à verdade amada por esta gente: o CDS tem há anos o projecto de acabar com o RSI; o CDS acredita em dar a cana e não o peixe, imaginando por bom que enquanto não haja pesca se morra de fome; o CDS tentou o que achou possível, quando esteve no poder a última vez, essa enormidade de não permitir o acesso ao RSI aos que tivessem entre 18 e 25 anos; com essa medida, o CDS entrou para a história da democracia, pois foi a única, repito, única política pública inconstitucionalizada pelo TC desde o 25 de Abril, não com base em princípios “socialistas”, mas com base no princípio da dignidade da pessoa humana; tudo o que Teresa Caeiro anunciou em relação ao para ela odioso RSI já consta da lei; claro que houve abusos e certamente ainda haverá, como em tudo, mas o último Governo introduziu mecanismos de fiscalização do RSI eficazes que permitiram a recuperação de montantes importantes.
O CDS odeia o RSI, não conhece pessoas que graças ao RSI sobrevivem até que chegue um dia melhor, o CDS nunca recuperou do murro nas trombas que levou do TC, murro esse que foi tão simples e que pode ser traduzido nisto: – tenham juízo.
Arquivo mensal: Dezembro 2011
Alegrias para o povo português
“Não sei qual terá sido o outro Governo com mais escrutínio do que este que o senhor primeiro-ministro lidera. Por isso, o país precisa que o senhor primeiro-ministro tenha sorte e tenha sucesso, porque se o tiver, com certeza resultam vantagens e benefícios para todo o povo português”, declarou.
O Chefe de Estado manifestou-se “convencido” que “a maioria dos portugueses olha com sentido de esperança para o Governo, isso também aumenta a responsabilidade do Governo”.
O Presidente quis desejar a cada um dos membros do Governo e às suas famílias “um feliz Natal com saúde, mas também com descanso, porque contrariamente aquilo que muitos portugueses pensam, os ministros, secretários de Estado e o primeiro-ministro não são super-homens”.
“Às vezes até se espera que os membros do Governo façam tudo e muito rapidamente, e às vezes até se espera que façam milagres. É bom que os portugueses estejam conscientes que os membros do Governo são pessoas, são seres humanos, não são super-homens”, considerou.
“Para o ano de 2012 desejo bom trabalho a todos, que esse trabalho lhes traga muitas alegrias, porque se for assim também trará alegrias para o povo português”, afirmou.
O pão, o vinho e a carne
Eu também comi desse pão e bebi desse vinho
Entre o sol e o pó na luz da tarde dum arraial
Eu era o rapazinho que transportava a carne
Na travessa com um ramo de louro por cima
Era eu que gritava Quem dá mais ó debotes!
Mesmo sem saber que devia dizer ó devotos!
Sem saber nada e não saber nada era ser feliz.
Era eu que tropeçava nas pedras soltas da rua
Debaixo do pálio ia com a naveta do incenso
Com o turíbulo a deixar no ar o imenso doce
Passando ao lado dos mais humildes currais
Onde os sons da filarmónica faziam responder
Todas as vozes de todos os animais da terra
Cansados dos seus trabalhos de todos os dias.
Foda-se, Seguro
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Foda-se, Seguro, desditoso o dia em que te convenceste que seres Secretário-Geral do PS era uma cena bacana no teu currículo. Foste eleito há cinco meses e sabemos tanto das tuas ideias para o País como fomos sabendo ao longo dos últimos 5 anos: atacar os teus correlegionários com a suspeita de serem corruptos e conseguir colar duas banalidades com cuspo frente às câmaras achando que o servicinho fica feito.
Foda-se, Seguro, trágica a hora em que não assumiste a tua oposição a Sócrates, explicando frontalmente aos militantes, aos eleitores e aos cidadãos o que te separava das políticas e práticas da anterior liderança socialista. Em vez disso, tens sido cúmplice passivo, inerte, de todas as atoardas lançadas contra o carácter de ex-governantes e contra um período político onde se levou Portugal a avançar em várias áreas decisivas. O resultado é esta bizarria de preferires não ter ao teu lado os melhores camaradas de armas que o PS tem na sua bancada e fileiras.
Foda-se, Seguro, confrangedores estes discursos soporíferos em que achas que falar da tua pessoa interessa ao menino Jesus e onde nem sequer um texto escrito és capaz de ler com alma. Merecias provar do teu próprio veneno e o silêncio à tua volta passar a ser cada vez maior até que ficasses a falar sozinho dos teus problemas e dos teus exemplos.
Foda-se, Seguro, os portugueses, as portuguesas, os portugueses que ainda não são portuguesas, as portuguesas que já foram portugueses, e os portugueses e portuguesas que não são nem uma coisa nem outra antes pelo contrário, a última coisa que precisavam neste momento era de mais um sonso para fazer tripé com Cavaco e Passos.
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Um reaccionário é um reaccionário é um reaccionário
O PCP lamenta a morte de Kim Jong-il mas não aceita participar num voto de pesar pela morte de Vaclav Havel. O ódio dos comunistas portugueses à democracia é absoluto, é ontológico. Tem por isso muito interesse ver o papel do PCP no desgaste do anterior Governo, tendo dado directo apoio ao PSD e CDS para que esta direita tomasse todo o poder. Ninguém melhor do que os fanáticos do marxismo-leninismo sabe que não há coincidências em política, só alianças e confrontos. E na era Sócrates as alianças dos reaccionários de direita com os reaccionários de esquerda eram celebradas tanto no Parlamento como no espaço público. Por exemplo, Bagão Félix chegou a promover a ideia de um psicadélico Governo PSD-CDS-PCP. Os 30 tarecos que se vestiram de branco para estarem durante a hora de almoço frente à Assembleia da República, a patética nano-manifestação “Todos pela liberdade”, vinham dos extremos ideológicos, misturando fachos reciclados com estalinistas freelancer. E quando Relvas junta na sua equipa João Gonçalves com António Figueira, sob a bênção do sectário Pedro Correia, não estamos perante um entusiasmo multiculturalista, estamos é a constatar a actualidade do velhinho adágio de que os iguais se atraem. No caso, iguais na soberba decadente.
O PCP só continua a existir porque controla os sindicatos, não por ser incansável a repetir as cassetes evangélicas. É até elogiado por esse serviço policial pelos patrões, qual autoridade institucional que garante manifestações ordeiras e negociações onde algo sempre se conquista para que tudo fique na mesma. Mas como é que os bravos revolucionários conseguem racionalizar o seu permanente boicote ao regime e a perseguição ao PS, de tal maneira que preferem aliar-se aos supostos arqui-inimigos a negociar com a esquerda democrática? A resposta deu-a recentemente Jorge Messias, quando num momento de rara descontracção publicou a fantástica visão da realidade que os comunistas portugueses partilham entre si quando entram na Soeiro Pereira Gomes e, finalmente, se sentem a salvo dos males do mundo, lá conseguindo falar em voz alta sem ser no código da clandestinidade:
A rede conspirativa que se vai instalando na terra tem claramente origem em formações capitalistas proclamadamente religiosas. Basta olhar-se para o esquema organizativo que vai chegando ao conhecimento público para nele se reconhecer a mãozinha sinuosa dos jesuítas e dos illuminati maçónicos.
[…]
Há políticas altamente complexas, como as que intervêm na crise financeira internacional, no terrorismo, nas área do gás e do petróleo, etc., que necessariamente estão a ser já coordenadas por um único governo oculto.
[…]
Dá-se como certo que na base deste tenebroso programa final figuram os sionistas, o Vaticano e a Maçonaria. Nada custa a crer que assim seja: o plano actual da Nova Era tem as marcas do «Apocalipse», das ambições planetárias ilimitadas dos grandes estados ocidentais, das alfurjas das caves do Vaticano e da Maçonaria e das tenebrosas ordens secretas, laicas ou religiosas.
Vinte Linhas 709
Brooklands School – Tomás e o fascínio das seis estrelas
Feliz Natal Tomás, para ti, para o Lucas, a Mamã, o Papá e avó Joan.
Obrigado pelo teu desenho com o Pai Natal muito ocupado a trabalhar com o guindaste. Sempre gostaste de guindastes. Ele leva as prendas para o armazém, esta é a época do ano com mais actividade. O Pai Natal, para ti o homem de azul no lado direito do desenho, tem que se preocupar com as prendas dos meninos de todo o Mundo a quem os pais não podem comprar as lembranças da época de Natal.
A meio do desenho, a tua árvore de Natal estilizada tem ao lado seis estrelas. Cinco são para vocês aí em casa (Tomás, Lucas, Mamã, Papá, avó Joan) e a sexta estrela é para a memória do avô Alistair. E depois há o homem da neve, com quem tu em York te deixaste fotografar feliz, no usufruto dum encontro mais que perfeito.
A tua Escola (de nome completo Brooklands Primary and Nusery School) aparece na Internet como a segunda melhor Escola de Londres e a 25ª Escola de toda a Grã Bretanha. Esse é o melhor cartão de Boas Festas que os pais dos alunos podem receber.
O Mundo à nossa volta tal como tu o percebes, registas e inscreves no desenho editado pela tua Escola de Brooklands, é um lugar onde tudo está organizado. O Pai Natal trabalha com um guindaste e arruma as caixas das prendas dos meninos de todo o Mundo que não recebem prendas dos pais.
Do outro lado do desenho, entre as casas e as árvores, entre as ruas e a neve, todos sabem que os sacrifícios são premiados, os esforços obtêm a recompensa e as dúvidas se resolvem no furor inesperado da plena alegria.
Viva a gente séria!
Não consta em nenhum órgão de comunicação social que o PSD e o CDS estejam a entregar Portugal aos chineses, a apagar a memória da República e da Monarquia em simultâneo, a deixar a bandidagem à solta, a esmagarem iniquamente os pobres e a classe média com impostos e taxas, a mentirem descarada e funambulamente na praça pública.
São estas as grandes, enormes, fabulosas vantagens de termos a gente séria tranquilamente instalada no poder.
Épico
«Tenho não só a convicção, mas a certeza de que estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para garantir que vamos atingir as metas a que nos propusemos. Da mesma maneira que atingimos as metas que tínhamos para este ano, atingiremos as metas para 2012 e a partir de 2013 todos estaremos mais confiantes de que Portugal terá dobrado o cabo das tormentas», afirmou.
O primeiro-ministro acrescentou que a partir de 2013 o Governo estará «em condições de dizer aos portugueses que o sacrifício valeu a pena, a transformação da sociedade portuguesa está a ocorrer», no sentido de criar «uma democracia mais forte, uma sociedade mais justa, em que o fosso entre ricos e pobres comece a estreitar, em que o acesso à justiça seja mais efetivo».
Vamos lá a saber
Um recente inquérito nos EUA mostrou que grande parte dos americanos indica 150 mil dólares de rendimento anual como o valor necessário para se considerarem ricos. 150,000.00 USD = 115,355.64 EUR. Se dividirmos por 14, dá mais de 8 mil euros por mês líquidos. Estes americanos, contudo, não estão ainda no patamar de riqueza do Diogo Leite Campos, o qual explicou com ar pachola que 5 800 euros por mês corresponderia à remuneração da classe média baixa, e que quem ganhasse 1 000 euros vivia na miséria. Diogo Leite Campos é um dos vice-presidentes do PSD, é doutorado em Direito e Economia, considera que o Estado Social defende os mais espertos e os aldrabões e é vice-presidente do PSD, para além de ser vice-presidente do PSD, partido que, por sua vez, o escolheu para vice-presidente.
Pois bem, de quanto carcanhol por mês é que precisas para seres rico?
Um livro por semana 268
«Ovas & Outros Sentimentos» de Francisco Milheiro
Livro dedicado ao leitor e a Teixeira de Pascoaes, as suas páginas revelam essa divisão funda entre duas figuras e dois modos de fazer literatura. A começar pelo título, há neste livro breve (31 páginas) uma dupla inscrição: Natureza e Cultura, Pascoaes e Pessoa.
O poeta vive perto da Natureza («As folhas verdes /crescem, sobem, /de repente. As folhas / mortas, precipitam-se / em queda livre / sobre o solo.) mas lê o Mundo através da Cultura. Depois da advertência («Há demência em toda a poesia»), o poeta dialoga com autores diversos: Al Berto, Luís de Camões, Brecht, Mário Cesariny, Herberto Helder e Fernando Pessoa: «Tudo existe em sua/ ilusão de existir./ Tudo é, nada é sentir.»
Num quotidiano dominado por códigos («O ácido números do código de barras») e computadores («O papel com o nib está lá dentro, perdido») o horizonte está cada vez menos humanizado: «A vida é assim, e / o humanismo, uma / minudência de cristal. /Trespassa-se.» Só o amor resgata essa hostilidade: «Pende sobre mim /a memória dos teus cabelos/ o cheiro a amoras frescas: / aromatizante enriquecido/ com óleos naturais, lê-se/ no contra-rótulo da embalagem.» Ou, dito de outras maneira: «Cai, dolente, o mundo/ sobre os teus ombros.»
(Editorial Hespéria, Capa: Salomé Duarte, Design: Fernando Estevens)
No começo do Inverno, sinais da Primavera
O Governo e o respeito pelo serviço nacional de saúde tendencialmente gratuito. Sem mais palavras: as taxas desmoralizadoras
Em matéria de taxas moderadoras, temos mais um sinal de ideologia anti-Estado deste Governo. Nada mais fácil do que ir aos números, aos números que estarão em vigor a partir de Janeiro de 2012, num país que tem inscrito na sua Constituição o outrora consensual serviço nacional de saúde tendencialmente gratuito.
Vejamos por serviços, apresentando os valores sempre em euros:
1. urgência polivalente: passa de 9, 60 Euros para 20;
2. Urgência básica: passa de 8, 60 para 15;
3 urgência médico-cirurgica: passa de 8, 60 para 17, 50;
4. Urgência nos SPA: passa de 3,80 para 10,00;
5. Consulta de especialidade em centros de saúde ou hospitais: 4,60/2,10/2,25 passa para 7,50 (até aqui o preço variava consoante se tratasse de serviços prestados em hospitais distritais ou centros de saúde);
5. Consultas em Centros de saúde: passa de 2,25 para 5,00;
6. Consulta de enfermagem ou de outros profissionais de saúde nos centros de saúde: passa de 0 para 4,00;
7. Consulta de enfermagem ou de outros profissionais de saúde nos hospitais: passa de 0 para 5,00 ;
8. Consulta no domicílio: passa de 4,80 para 10,00.
Não é vinho, não é golf, é acesso ao serviço nacional de saúde.
Era tudo tão evidente
Declarações finais de um debate onde Passos termina com uma grande verdade, e onde Sócrates desenrola o seu habitual lençol de mentiras, alucinações e desvarios tirânicos.
Eu creio que o País tem hoje muito claro que a partir do dia 5 de Junho precisa de ter um Governo que seja competente e capaz. E que seja realmente possível entregar um resultado que aqueles portugueses que hoje estão desempregados, que estão assustados com o futuro, porque sabem que o País foi conduzido a uma situação de praticamente bancarrota – quer dizer, de não ter dinheiro para honrar os seus compromissos – esses portugueses sabem que há um responsável por essa situação, essa responsabilidade cabe ao Eng. José Sócrates, e ele não tem desculpa na medida em que o PSD já cooperou, e cooperou bastante, para que o Governo pudesse ter alcançado um resultado que fosse satisfatório para todos os portugueses. O que está em causa agora aqui, portanto, é de saber se devemos ou não mudar a liderança. E não há dúvida que o País precisa de mudar a sua liderança. Precisa de alguém que respeite os compromissos, alguém que tenha capacidade de diálogo, alguém que pode não ter experiência governativa, como eu, mas não traz na sua consciência ter 700 mil desempregados e um Estado Social que está em perigo se não conseguirmos colocar a economia a crescer. Esse é o meu compromisso com os portugueses. Formarei um Governo coeso e sólido se essa for a vontade dos portugueses, e se eles tiverem, como eu, confiança em que podemos ser capazes em Portugal de fazer diferente do que fizemos nestes 6 anos.
Os portugueses sabem que eu sempre assumi as minhas responsabilidades. E sabem também que nunca virei a cara nos momentos difíceis. Pela minha parte, os portugueses conhecem-me e sabem que tomei sempre as medidas difíceis, exigentes, que foram necessárias para defender o interesse nacional. Para vencer a crise, o País precisa de um Governo responsável, com uma liderança forte, uma liderança preparada e uma liderança segura de si. O que o País dispensa são as aventuras e o radicalismo ideológico que nos levariam a mudanças perigosas, insensatas, e muitas vezes nocivas àquilo que são os interesses das pessoas. Pela minha parte, o que tenho a propor aos portugueses é um caminho de uma governação responsável e moderada. Que resolva os problemas nacionais cumprindo os objectivos que estamos comprometidos com a União Europeia e com o FMI. Mas que também modernize a nossa economia ao mesmo tempo que defende o nosso Estado Social e aquilo que é a protecção social do Estado. Com um Serviço Nacional de Saúde acessível a todos os cidadãos, com uma Escola Pública que esteja disponível para promover a igualdade de oportunidades e com uma Segurança Social Pública que seja uma Segurança Social ao serviço dos mais idosos e dos mais carenciados. Esta é a escolha que temos pela frente. Eu, pela minha parte, confio nos portugueses e confio em Portugal.
Um diagnóstico perfeito deste Governo
About one in every 100 people doesn’t care what others think of him. These people are hard to spot. They are usually physically healthy, and their intelligence is often above average. Yet, in the words of one psychiatrist, they lie without compunction, cheat, steal, and casually violate any and all norms of social conduct whenever it suits their whim. They have no concern for others’ suffering, no remorse when caught, and punishment does little to change them. They are called psychopaths.
Mental-health professionals have usually treated psychopathic behavior as a disorder — a large proportion of the prison population, after all, has been diagnosed with some version of the trait. But viewed from an evolutionary angle, psychopathy looks more like a feature than a bug. Most people are cooperative, trusting and generous. This pays off in the long term. It also creates an opening for those who would rather prey on society than join it. A psychopath’s deceitful, manipulative, and callous nature equips him (it’s several times more likely to be a “him”) to fill this niche.
Psychopaths’ deficit is in empathy, not reason. They understand morality, but they are immune to other people’s emotions. There aren’t many openings for psychopaths, because if there were lots of them, there would be no society to plunder.
The benefit of psychopathy is that you exploit the altruistic without the cost of reciprocating. The downside is that you can cheat a person only so many times. Your victims will also warn their friends about you, and they may seek revenge. So a psychopath must stay one step ahead of his reputation.
Casa velha na aldeia
Casa velha sem ninguém
Onde se avistam telhados
Disseram adeus à mãe
Os cinco filhos criados.
Ficou a casa sozinha
Rasga a renda das cortinas
Só resiste uma vizinha
Com as cabras pequeninas.
Fica a gateira sem gato
Na loja dos animais
O silêncio é o contrato
Nos campos de nunca mais.
Mesmo à beira da ribeira
Onde a água faz o brejo
Já ninguém tem a canseira
Dum trabalho a desejo.
Dispersos por continentes
Os filhos são emigrantes
Falam línguas diferentes
Dos países mais distantes.
Casa sem água nem luz
Onde o silêncio impera
Tem no telhado um capuz
Esperando a Primavera.
Casa velha em abandono
Na Rua de Cima do Povo
Paredes de eterno sono
À espera do tempo novo.
Três perguntas, sinceras, à malta amiga da direita
Passos a ver-se grego
Passos Coelho poderia ter sugerido a emigração a qualquer outra classe profissional, o que não falta são desempregados em todas as áreas. Até poderia ter sugerido a emigração a todos os desempregados por atacado, mas não, escolheu os professores. Não me parece uma escolha inocente. Os professores estiveram sempre na linha da frente da contestação aos governos de Sócrates. Não houve medida anunciada que não tivesse sido acompanhada de protestos, ameaças de greve e manifestações. A gritaria foi constante, até o tom de voz da ministra Maria de Lurdes Rodrigues era visto como uma provocação à classe. E, claro, se não protestaram mais foi por, naquele tempo, existir nas escolas ‘um clima de medo’.
Depois da mesma sugestão feita recentemente pelo Secretário de Estado da Juventude aos jovens desempregados, e da reacção que tal sugestão suscitou, Passos sabia perfeitamente que as suas palavras não passariam despercebidas. Então qual o objectivo da provocação aos professores? Provar que tem a classe profissional que ajudou a derrubar o Governo anterior na mão? Ou, pelo contrário, a ideia foi exactamente provocar mais contestação, dar um empurrãozinho à ‘situação explosiva’? Agora que começa a não fazer sentido a velha e gasta desculpa das governações anteriores, se calhar, dava jeito ao Governo poder desculpar-se do fracasso das suas políticas com a irresponsabilidade dos portugueses. Mas parece que a coisa não pegou, o primeiro-ministro terá de escolher outro alvo, os professores já não ligam a provocações.
Reino das trevas
Avril au Portugal
Diogo Leite Campos concedeu ao i uma entrevista programática. O PSD não vai aumentar impostos até ao final do ano e não tem intenções de despedir funcionários públicos, garante o vice-presidente do partido. O PSD, se vencer as próximas legislativas e for governo, quer pôr o Estado a ajudar as famílias com dificuldades no cumprimento dos seus empréstimos bancários e irá reencaminhar os fundos comunitários para projectos de proximidade. Até ao dia 31 de Dezembro – as contas já estão feitas – é preciso arranjar 5,5 mil milhões de euros para cumprir o défice de 4,6%.
Diogo Leite Campos – “PSD não sobe impostos em 2011” – 2 de Abril de 2011
“Eu sou professor de economia e tenho uma noção muito clara do que é que o País hoje precisa. O país não precisa de mais promessas de impostos e de mais sacrifícios só porque o Estado não faz aquilo que deve. O Estado tem de diminuir as suas despesas, tem de racionalizar o setor empresarial e tem de dar esperança e mobilização ao país”, reforçou. Quanto a um eventual aumento de impostos, o presidente do PSD reiterou que, numa situação extrema”, numa “situação limite”, se tiver de optar, prefere “mil vezes olhar para os impostos sobre o consumo do que estar a ir às pensões das pessoas que têm 200 e tal ou 300 e tal euros”.
Presidente do PSD espera que não sejam necessárias mais medidas de austeridade – 1 de Abril de 2011
Vinte Linhas 708
A vida e a morte no alto da Senhora dos Remédios
Os pórticos de passos perdidos e portas fechadas na A23 afastaram as pessoas para o IC8. Ninguém se dispõe a pagar mais que 4,40 euros por mais alguns quilómetros a seguir a Abrantes. Se de Lisboa a Torres Novas se pagam 5,65 euros não faz sentido pagar 4,40 euros entre Torres Novas e Abrantes – só que não há alternativa. Malditos pórticos.
Eu evitava o IC8 porque não queria encontrar os rapazes que (diziam eles) toureavam os carros. Dois erros numa expressão. Primeiro não toureavam coisa nenhuma; depois não são carros mas sim automóveis. Um carro é um objecto com rodas que precisa de ser puxado por animais ou empurrado por um motor. No caso do jovem que toureava carros aconteceu tragédia: ele morreu e os rapazes que o filmavam para o colocar na Net fugiram quando perceberam a dimensão do desastre. Esses miúdos não estão preparados para lidar com sentimentos fortes: a Internet é uma realidade virtual. Queriam filmar o rapaz a tourear carros mas fugiram quando ele foi atropelado. Lembrei-me de um poema de João Miguel Fernandes Jorge do livro «O regresso dos remadores» (edição da Presença). Há dentro de um dos poemas uma mulher que costura lágrimas e baínhas numa «Singer». Num passeio a São Martinho do Porto essa viúva perde a filha e o neto para quem trabalhava na máquina de costura.
Essas mortes (as distantes num barco em São Martinho e a próxima numa curva do IC8) ocuparam uma parte do fim-de-semana mas não a totalidade. Na casa das três meninas (Margarida, Paula, Ana Maria) encontrei o oposto. A vida na sua teimosa afirmação diária, na sua alegria convocada para uma aldeia à beira do IC8. As três meninas não desistem e trazem no seu olhar o esplendor da esperança. A negação da tristeza, da amargura e da morte.






