Estranho? Não, explica-se pela heterossexualidade: as mães são melhores pais.
Arquivo mensal: Junho 2010
Um livro por semana 187

Miguel Torga – Poesia por Aurelino Costa e António Victorino d´Almeida
Trata-se, em termos exactos, de um disco-livro mas não deixa de ser um livro pois o conjunto integra uma antologia breve de Miguel Torga.
O ponto de partida é Trás-os-Montes, S. Leonardo de Galafura:
«À proa de um navio de penedos / a navegar num doce mar de mosto / capitão no seu posto / de comando / S. Leonardo vai sulcando / as ondas / da eternidade / sem pressa de chegar ao seu destino». Para trás ficou a memória de infância:
«Foi um sonho que eu tive: / era uma grande estrela de papel / um cordel / e um menino de bibe. / O menino tinha lançado a estrela / com ar de quem semeia uma ilusão / e a estrela ia subindo, azul e amarela / presa pelo cordel à sua mão. / Mas tão alto subiu / que deixou de ser estrela de papel / E o menino, ao vê-la assim sorriu / e cortou-lhe o cordel.» O caminho do poeta é ser camponês de palavras, pastor de sílabas:
«Tal como o camponês, que canta a semear / a terra / ou como tu, pastor, que cantas a bordar / a serra / de brancura / assim eu canto, sem me ouvir cantar / livre e à minha altura.» E cantar, cantar sempre, haja o que houver:
«Canta, poeta, canta! / Violenta o silêncio conformado / Cega com outra luz a luz do dia / Desassossega o mundo sossegado / Ensina a cada alma a sua rebeldia.»
(Editora: Numérica, Voz: Aurelino Costa, Piano: António Victorino d´Almeida, Desenho capa: Fernando Rocha, Fotos: Nelson Vieira da Silva, Design: Vítor Ferreira)
Vantagens de um Governo PSD
O Freeport seria rapidamente resolvido.
Os feitos nacionais e internacionais da Galp, PT e EDP seriam apresentados como prova da excelência do ideário social-democrata e dos seus simpatizantes no topo dessas empresas.
O crescimento económico de Portugal em 2010, o segundo maior da Europa neste momento, seria louvado no Expresso e na SIC.
Crespo perderia utilidade.
Pacheco talvez voltasse a falar de política.
A Short History of Progress
O pequeno-grande livro de Ronald Wright, lançado no resto do mundo em 2004 – e por cá em 2006, com o título Breve História do Progresso, Dom Quixote – merece voltar à ribalta por duas oportunas razões: a origem da crise económica internacional e a recente confirmação de que o Homo sapiens transporta genes do Homo neanderthalensis, 2% deles. Quanto à primeira, há um capítulo inteirinho chamado Esquemas em pirâmide, o qual explica a queda de Roma, no século IV d.C., e do império Maia Clássico, no século IX, pela mesma lógica que levou ao desvario bancário no mercado imobiliário norte-americano e similares bolhas acrescidas dos produtos tóxicos: escassez dos recursos na base da pirâmide, seja a ecológica ou a financeira. Quanto à segunda, o autor manda-se de cabeça, literalmente, na defesa humanista do Neandertal, chegando a referir o esqueleto de criança descoberto em Portugal no Lapedo, o qual sugere miscigenação entre as duas espécies, e acabando a falar numa prateleira óssea da sua nuca que é idêntica à que se encontra no Neandertal. Na altura em que escreveu, a questão era tudo menos evidente e pacífica, pelo que a sua intuição e raciocínio estão de parabéns.
Wright é um catastrofista que apetece ler, o que faz dele uma raridade. A sua tese é humilde e fértil: somos húmus. Isto é, somos a Terra e não mais do que ela, pelo menos até a conseguirmos replicar no espaço ou encontrarmos outro planeta para habitar (o que não deverá acontecer nos próximos meses). Se a danificamos ou destruímos, cometemos suicídio. Esta ideia talvez não venha a ganhar um Nobel, mas o que um arqueólogo-escritor tem para nos mostrar é um padrão catastrófico indesmentível: os humanos, por onde passam, destroem os ecossistemas, causando extinções e desertificação. Não, não se está a falar de cidades e fábricas, alcatrão e cimento, mas do simples acto de comer. A procura de alimento, já na Idade da Pedra, mas em especial nos últimos 10.000 anos, tem causado devastações ecológicas sucessivas e crescentes. O sucesso da civilização parece ter apenas um desfecho: o seu inevitável colapso.
Este livro é uma iniciação rápida a grandes questões da Antropologia, História e Filosofia – portanto, a grandes questões políticas. Só para ficar a conhecer a demência que reduziu Rapa Nui, a Ilha da Páscoa, a um parque absurdo de gigantes de pedra, vale a pena comprar o livro na primeira ocasião. O que aconteceu naquela ilha tem acontecido noutros lugares e noutros tempos. Ali, o progresso foi total.
Vinte Linhas 490
Délio Gonçalves – Todas as filarmónicas perdidas
Quando Délio Gonçalves iniciou a segunda parte regendo a Orquestra de Sopros do Conservatório Nacional nas ruínas do Carmo com a peça «Majestic Solemnity» de Menno Bosgra, senti um arrepio. Mais uma vez percebi que viver é juntar filarmónicas perdidas. A minha primeira filarmónica foi a Catarinense, com o meu avô (trompete), os meus tios (contrabaixo e pratos) e o meu tio-velho Joaquim, a mais bela tarola do Mundo. Depois no Montijo, entre 1957 e 1960, vivi e perdi mais duas – a Imparcial e a Democrática. Perdi também a de Alcochete que ouvi na Senhora da Atalaia. Perdi depois a de Vila Franca de Xira que tocou em Novembro de 1969 no funeral de Alves Redol. Mais tarde perdi a Banda da Carris que ensaiava no cimo do Elevador da Glória e abre o meu livro «Transporte Sentimental». Por outro lado o concerto terminou com a peça «Festival Dance» de Charles Gounod e acontece que o meu neto Thomas passa todos os dias à porta da casa onde viveu Charles Gounod em Blackheath Park. Não é ingénua esta ligação entre o meu avô e a sua solene trompete que tantas vezes ouvi nas missas cantadas da igreja de Santa Catarina e o meu neto que poderá um dia ser um músico mas, mesmo que não venha a ser, passa todos os dias pelos mesmos caminhos do autor do «Fausto». Não me passou despercebido o olhar cúmplice de Carlos Mendes ontem perante o seu filho João que actuou nas ruínas do Carmo com o seu terceto sob o nome de Jazzafari. No fundo, bem no fundo, viver é coleccionar filarmónicas perdidas. Délio Gonçalves dirigiu tão bem a Orquestra que mais do que a música da pauta desenhou uma música na alma de todos nós, os que já perdemos várias filarmónicas.
Como reconhecer uma depressão
O mercado é humano
No canal RT, na semana passada, uma jornalista referia os problemas que o sistema bancário russo sente por causa da crise financeira internacional relativa às dívidas soberanas. No final, interrogava-se acerca do súbito abrandamento da agitação nos mercados, alvitrando ter sido causado pelo cansaço dos especuladores.
Foi a melhor explicação de economia que ouvi no mês de Maio.
Quando é que começa?
Um livro por semana 186
«12 pm» de Renato Roque e Jorge Sousa Braga
Trata-se de um livro de fotografias e poemas cujo título contém algo de ambíguo: a expressão «am» vem do latim «ante meridiem» tal como «pm» surge das iniciais do latim «post meridiem» significando, em princípio, 12 pm meia-noite como 12 am será meio-dia. Mas há relógios onde a leitura é diferente, conforme os países e os respectivos construtores. As fotografias deste álbum nascem de uma viagem de Renato Roque de Trondheim para Andalsnes, passando por Trollstigen, Geiranger, Vestnes, Molde, Eide, Bruhagen, Kristiansund, Leira, Edoya, Smola e Veidholmen.
As fotografias são «comentadas» por poemas breves de Jorge Silva Braga («Noite de breu: / onde acaba o mar / e começa o céu?») e o conjunto é apresentado por Jorge Silva Melo: «Invejo o fotógrafo que, com a sua câmara, lá vai sozinho pelo silêncio da paisagem no mais norte da Europa do Norte, Noruega, onde não há pegadas àquelas horas mais que mortas, horas tranquilas de maré baixa. Metem-me medo estas paisagens frias.» Folheando as fotografias do álbum uma a uma, percebe-se que a paisagem só será fria quando estiver despovoada mas há gente, homens e mulheres, nos navios e nas casas, embora a imagem não os registe. Mas estão presentes. Trata-se de um livro caloroso numa paisagem gelada.
(Edições Gémeo R, Coordenação e Design: Rui Mendonça, Tradução: Graça Braga, Regina Siza, Vegard Markhu, Ian Waite, Franzisca Aaarflot, Pedro Fernandes)
Bater merda com dois paus
É também por isso que mente sem vergonha e nunca, ao longo da sua vida pública, e também da sua vida privada, se sentiu ou sentirá tolhido por qualquer escrúpulo ético.
*
Sócrates não teve, nem terá, qualquer imperativo ético, seja na vida pública ou na privada. Kaputt, finito, over and out. Provavelmente nem será humano, tal a malignidade que transporta no seu interior. Isto dito pelo cidadão que ofereceu o seu jornal para campanhas de assassinato de carácter e para uma conspiração destinada a influenciar as eleições Legislativas com origem na Presidência da República. Isto declarado pelo caluniador que foi desmentido pelo presidente executivo da Sonaecom acerca da alucinação onde se imaginava a causa do falhanço da OPA belmiriana sobre a PT. Vale tudo no reino da pulhice.
É interessante, do ponto de vista zoológico, ver a perturbação que Sócrates conseguiu infligir, bastando continuar igual a si próprio, num público-alvo determinado: canastrões na casa dos cinquenta, sessenta e setenta que têm o rei na barriga e se apresentam completamente desmiolados. Seja como for, quando a opinião tece considerandos difamatórios acerca da vida privada, ultrapassou-se o Rubicão.
Não sei o que o Zé Manel sentiria se fosse alvo de uma acusação que atingisse as suas relações pessoais, familiares e de amizade, que não tivessem qualquer ligação com os conflitos e polémicas nascidos da actividade profissional e política. Mas sei que atacar o carácter de alguém é uma exuberante manifestação de impotência. Geralmente, só calhandreiras e ressabiados é que têm estômago, e tempo, para andarem pela cidade a bater merda com dois paus.
Um belo feriado
A “comemoração mais célebre e solene do Sacramento memorial da Missa” (Urbano IV) recebeu várias denominações ao longo dos séculos: festa do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; festa da Eucaristia; festa do Corpo de Cristo. Hoje denomina-se solenidade do Corpo e Sangue de Cristo…
Sou, para desgraça minha, um ateu ou agnóstico, o que para o efeito, tanto faz. Tal facto não me inabilitou de ter sido convidado para a primeira comunhão de uma criança adorável, filha de um amigo meu. Fui à missa da praxe, na companhia da minha esposa. Chegamos à igreja, como sempre, em cima da hora. Apinhada.
Ficamos no fundo, atrás do último banco corrido, do lado direito. Calor, muito calor. Abanavam-se os leques em sintonia.
Não fomos os últimos. Chega a correr uma senhora, já idosa, a transpirar. Com licença, diz, metendo-se à frente da minha esposa que olha para mim abismada. Seguro-lhe a mão e dou-lhe o meu lugar. À frente, no banco outra conhece-a. Falaram do calor e da igreja cheia. Um pouco de boa vontade e caberiam as duas no banco. O espaço era suficiente.
Em vão. À minha frente, a minha esposa abana o leque. Espreito por cima do seu ombro para alcançar o altar, onde se encontram as crianças.
Não levei trocos. Dou cinco euros para o peditório. Não me arrependo, se vou à missa de quando em vez, acerto as contas com a consciência de uma vez.
Estão livres os bancos. Espero pela minha vez de ir ao altar tirar a foto. Ela tem nos olhos a cor cerúlea dos oceanos e do céu. E tem depositada a minha esperança no futuro.
Foi um belo feriado…
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Oferta do nosso amigo jrrc
Chapelada para o Rui Tavares
Um bom exemplo, até por arriscar a opinião cínica. Terá seguidores?
Bipolares
Vinte Linhas 489

Alberto Bemfeita na Casa do Registo às Amoreiras
Tem como título «Ponto de situação 2010» a Exposição de Pintura de Alberto Bemfeita que está patente até ao próximo dia 10 de Junho na Casa do Registo da Mãe da Água das Amoreiras – ali no início da Rua das Amoreiras do lado direito de quem sobe.
No texto de apresentação Nuno Nazareth Fernandes define o autor como «um poeta que faz versos com cores, uma tela e um pincel» depois de sublinhar o «extraordinário sentido crítico, sagaz, incisivo, Queirosiano por vezes» deste pintor.
O mesmo é dizer que estão em revisitação todos os mitos da nossa História. Alberto Bemfeita desenha uma bandeira nacional com verde e vermelho (o clássico) mas com uma esfera armilar (insólita) que junta um músico da loiça de Barcelos e a cabeça de Dom Sebastião. O quadro pode ser lido como a nossa desmedida ambição nacional de quem vai à procura de impérios distantes (Alcácer Quibir) enquanto esquece o povo que lhe está à porta do palácio real e não tem trigo (nem milho) para o pão de cada dia.
O quadro do jogo pode ser lido também como uma referência ao poder: Portugal nasceu da cisão entre a mãe Teresa e o filho Afonso cuja astúcia pode ser comparada à dos gatos e daí os bigodes que ostenta, olhando os dados na mesa do jogo.
As interpretações são livres e daí a sugestão de que os leitores passem na rua das Amoreiras perto do Rato para poderem ver esta e outras peças da primeira exposição de Alberto Bemfeita. Talvez não por acaso o espaço chama-se Casa do Registo. O pintor também registou o seu olhar sobre o tempo que nos é dado viver. Que os visitantes façam por sua vez o seu registo individual de cada obra nas paredes de pedra e água.
A pergunta que hoje se impõe
Sarmento, I love you
[Morais Sarmento discorrendo acerca da entrevista de Manuel Alegre] Portanto, estamos num esquerda-direita clássico, parece que estamos em Auschwitz outra vez… aaaaaaaaaah… aaaaah… pe-peço desculpa… aah… Temos um esquerda-direita clássico… Não é Auschwitz, como é evidente pelo que queria dizer… Estava a falar das Guerras Napoleónicas e… Portanto, nós temos um esquerda-direita outra vez clássico, que eu acho que não faz nenhum sentido. […]
Fonte, minuto 20.48
*
Depois do rapto do alegrismo para Auschwitz, houve uns bons 5 segundos em que eu e o Francisco Assis fizemos um sincero esforço para encontrar a Pedra de Roseta que nos retirasse do desamparo em que Sarmento nos tinha deixado. Revimos em milissegundos o que sabíamos da História do Século XX, procurando indícios para a descodificação do comparativo. Revimos e voltámos a rever as temáticas da Segunda Guerra e contextos ideológicos, fizemos reuniões e seminários, até vasculhámos a literatura relativa ao Priorado de Sião, que 5 segundos é meia eternidade neuronal. Nada, Sarmento estava a ganhar com uma referência críptica que ameaçava a nossa estabilidade emocional e a reduzida auto-estima; tal a boa-fé e ingenuidade que nos habita. Vá lá que o Nuno foi misericordioso e acedeu a explicar que elaborava a respeito do trombeiro da Córsega. Escapámos, desta vez.
Continuar a lerSarmento, I love you
Vinte Linhas 488
Carolle Perret e Maria Rita na Rua da Misericórdia nº 30
A Allarts Gallery festeja o seu 1º aniversário até ao próximo dia 12-6-2010 com uma dupla exposição – pintura e escultura.
Carolle Perret nasceu em Berna (Suíça) e diplomou-se em artes aplicadas no ano de 1972 na Áustria. Fez trabalhos publicitários em Paris e Lausanne mas depois de 1991 dedicou-se em exclusivo à pintura. Utiliza uma antiga (medieval) técnica de «têmpera» sobre madeira, técnica anterior à descoberta do óleo. As suas personagens são freiras (ou monjas) sempre disponíveis para uma brincadeira extravagante; uma dessas aventuras pode ser, por exemplo, a tentativa de apear o cavaleiro português da Praça da Figueira em Lisboa.
A sua pintura instala o desassossego no Mundo e suscita o sorriso de quem a descobre – até os relógios ficam sem horas…
Maria Rita nasceu em Minde (1975) e desde os 11 anos que se aproximou do barro. Concluiu os cursos de Cerâmica e de História de Arte em 1998 tendo começado a estudar no ARCO em 1995. Expõe regularmente desde 2003 e utiliza de preferência como material o barro branco embora também trabalhe com porcelana, papel e cartão. As suas «Lolitas» são um encanto pois mais ninguém as faz assim – na doçura do olhar e na grandeza dos pés. Tudo o que é insólito nestas bonecas de barro branco concita ternura em quem as descobre. Guiados pela simpatia de Marta Costa, os visitantes podem festejar o 1º aniversário desta Galeria saindo mais ricos do que entraram. Graças às inesperadas peças de duas artistas.
Na toca do Coelho
Tendo em conta que o PSD descobriu, através de heróicos actos de espionagem, que Zeinal Bava e Henrique Granadeiro mentiram no Parlamento, e não passam de títeres ao serviço de Sócrates para acabar com um programa de humor na TVI, será admissível deixá-los a tratar de assuntos tão sérios como estes que envolvem a ofensiva da Telefónica?
Pináculos da estupidez
Ser oposição é lutar pelo Poder, e lutar pelo Poder é denegrir o Governo e os adversários. É assim em todo o lado, desde sempre. Como a política ainda é um espaço regido exclusivamente pelos códigos masculinos, esta agonia satisfaz os fluxos de testosterona e seus modos bélicos. À esquerda e à direita, não faltam aqueles que reduzem a actividade política ao conflito – uns, sonhando com revoluções em 10 dias; outros, preparados para defender os bens acumulados do ataque dos vândalos. Tem de continuar a ser assim?
Uma das leituras da sondagem que dá 44% ao PSD é a de que o eleitorado valoriza positivamente políticos que ajudem o Governo. A ser correcta esta interpretação, explicá-la é a coisa mais fácil do mundo: o eleitorado não é estúpido. Só um estúpido prefere um Governo fraco a um Governo forte. Ora, como aqueles que boicotam e difamam o Governo não apresentam alternativas credíveis, ou nem sequer estão dispostos a governar, o resultado da sua acção é um enfraquecimento inútil, ou perverso, das equipas ministeriais. Para o eleitorado, isso equivale a um prejuízo para todos, lixando-se o mexilhão.
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Caprichos de arquitecto
O nosso amigo arquitecto deixou-nos um convite. Pois bem, a sua apresentação da Casa Malaparte é um excelente cartão de visita.



