16 thoughts on “A pergunta que hoje se impõe”

  1. Não resisto a reporoduzir texto delicioso do Nuno Markl que acabei de descobrir na http://oficinacoelho.blogspot.com/

    A geração dos 70/80 por Nuno Markl
    ARTIGO DE NUNO MARKL P/ OS TRINTÕES E QUARENTÕES

    A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.
    E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.
    O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.
    ‘Quem?’, perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus… Como é que ele consegue viver com ele mesmo?
    A própria música: ‘Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além…’ era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.

    Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora.
    O D’Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas,lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual…
    E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.
    Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.

    Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos:Ele nunca subiu a uma árvore!
    E pior, nunca caiu de uma. É um mole.
    Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema.
    Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos.
    Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos.
    Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra.
    Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.
    Confesso, senti-me velho…
    Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.
    Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.

    Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.
    Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído.
    Doenças com nomes tipo ‘Moleculum infanticus’, que não existiam antigamente.
    No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de ‘terno’ nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse.

    Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.
    Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo.
    Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia.
    E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade?
    E ainda nos chamavam geração ‘rasca’… Nós éramos mais a geração ‘à rasca’, isso sim. Sempre à rasca de dinheiro,sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos.
    Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto.
    Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo.
    Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.
    Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos.
    Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.
    É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada.’

    (Nota: …os chocolates não eram gamados no ‘Pingo Doce’… Ainda se chamava ‘Pão de Açúcar’!!!)

    ——————————————————————————–

  2. É pá, esta é gira mas não vem a propósito, não fala de feriados. Os feriados não são passíveis de referendo – ainda. São assunto de AR e Governo. Para mudar alguém que se chegue à frente mas não assim, à lágardere…

  3. Claro que não, jamais! Mas estou de acordo em gozá-lo sempre à quarta-feira, do género quarta-feira santa. (já agora é feriado porquê?)

  4. na boa. trabalho todos os santos feriados. graças a deus. não tenho paciência para passeios dos tristes.

  5. A “comemoração mais célebre e solene do Sacramento memorial da Missa” (Urbano IV) recebeu várias denominações ao longo dos séculos: festa do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; festa da Eucaristia; festa do Corpo de Cristo. Hoje denomina-se solenidade do Corpo e Sangue de Cristo,…” ,

    Sou, para desgraça minha, um ateu ou agnóstico, o que para o efeito, tanto faz. Tal facto não me inabilitou de ter sido convidado para a primeira comunhão de uma criança adorável, filha de um amigo meu. Fui à missa da praxe, na companhia da minha esposa. Chegamos à igreja, como sempre, em cima da hora. Apinhada.
    Ficamos no fundo, atrás do último banco corrido, do lado direito. Calor, muito calor. Abanavam-se os leques em sintonia.
    Não fomos os últimos. Chega a correr uma senhora, já idosa, a transpirar. Com licença, diz, metendo-se à frente da minha esposa que olha para mim abismada. Seguro-lhe a mão e dou-lhe o meu lugar. À frente, no banco outra conhece-a. Falaram do calor e da igreja cheia. Um pouco de boa vontade e caberiam as duas no banco. O espaço era suficiente.
    Em vão. À minha frente, a minha esposa abana o leque. Espreito por cima do seu ombro para alcançar o altar, onde se encontram as crianças.
    Não levei trocos. Dou cinco euros para o peditório. Não me arrependo, se vou á missa de quando em vez, acerto as contas com a consciência de uma vez.
    Estão livres os bancos. Espero pela minha vez de ir ao altar tirar a foto. Ela tem nos olhos a cor cerúlea dos oceanos e do céu. E tem depositada a minha esperança no futuro.
    Foi um belo feriado…

  6. Quem ganharia com a minha abdicação?

    … lembro-me, assim de repente quem perderia: papelaria onde fui comprar o jornal… cafetaria onde bebi o café… mini mercado onde fui buscar alguns mantimentos… posto de abastecimento onde atestei o deposito porque me desloquei mais km hoje do que normalmente para o trabalho… snack-bar onde comprei garrafas de água para a família e os gelados… ah, e outro café… a EDP com o consumo extra de hoje com TV’s e leitores de DVD’s ligados… a companhia das águas devido ao excepcional consumo diário cá em casa… a companhia do gás pelas refeições que fiz em casa e que normalmente não faço… e a minha entidade patronal que teria que me pagar o subsidio de almoço, electricidade e água para lá fazer tudo o que continua por ser feito e que terá que estar terminado amanhã…

    … assim, em pouco minutos, lembrei-me de todos os que perderiam se abdicasse do feriado… mas quem de facto ganharia?

    Já agora, os milhões que se dizem que os feriados fazem perdem, 111 milhões em 3 dias (li eu no DN)… quem é que os calculou e onde estão esses cálculos?
    Ou também terá sido uma previsão encomendada à Moody’s?

    http://politicaevida.blogspot.com/2010/06/pilares-da-desconfianca.html

    Acho que há por ai muita demagogia e pouca seriedade intelectual. Há até quem consiga confundir “pontes” com “tolerância de ponto”!

  7. Como estamos num estado laico, este, como todos os outros feriados religiosos, não deveriam ser facultativos, e não oficialmente obrigatórios?

  8. E já agora, porque não: “será que os monárquicos deveriam poder gozar o feriado a 5 de Outubro?”

    Ou então: “será que todos os estrangeiros residentes e a trabalhar em Portugal deveria ser proibidos de gozar o feriado de 10 de Junho?”

    … não me lembrei de mais nenhuma pergunta completamente despropositada…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.