Vinte Linhas 489

Alberto Bemfeita na Casa do Registo às Amoreiras

Tem como título «Ponto de situação 2010» a Exposição de Pintura de Alberto Bemfeita que está patente até ao próximo dia 10 de Junho na Casa do Registo da Mãe da Água das Amoreiras – ali no início da Rua das Amoreiras do lado direito de quem sobe.

No texto de apresentação Nuno Nazareth Fernandes define o autor como «um poeta que faz versos com cores, uma tela e um pincel» depois de sublinhar o «extraordinário sentido crítico, sagaz, incisivo, Queirosiano por vezes» deste pintor.

O mesmo é dizer que estão em revisitação todos os mitos da nossa História. Alberto Bemfeita desenha uma bandeira nacional com verde e vermelho (o clássico) mas com uma esfera armilar (insólita) que junta um músico da loiça de Barcelos e a cabeça de Dom Sebastião. O quadro pode ser lido como a nossa desmedida ambição nacional de quem vai à procura de impérios distantes (Alcácer Quibir) enquanto esquece o povo que lhe está à porta do palácio real e não tem trigo (nem milho) para o pão de cada dia.

O quadro do jogo pode ser lido também como uma referência ao poder: Portugal nasceu da cisão entre a mãe Teresa e o filho Afonso cuja astúcia pode ser comparada à dos gatos e daí os bigodes que ostenta, olhando os dados na mesa do jogo.

As interpretações são livres e daí a sugestão de que os leitores passem na rua das Amoreiras perto do Rato para poderem ver esta e outras peças da primeira exposição de Alberto Bemfeita. Talvez não por acaso o espaço chama-se Casa do Registo. O pintor também registou o seu olhar sobre o tempo que nos é dado viver. Que os visitantes façam por sua vez o seu registo individual de cada obra nas paredes de pedra e água.

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